4drive – Recycle [2016]

15 de dezembro, 2016 | por Alisson Caetano
Resenha de Álbum
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Por Alisson Caetano.

Geralmente eu costumo ser um pouco reticente com bandas muito referenciais. Aquelas descrições que são usadas em entrevistas ou em resenhas de críticos, com trechos chavões como: “bebe direto da fonte de…”, “é um resgate da sonoridade da época de ouro…” e coisas assim me deixam com não apenas um, mas com os dois pés atrás, pois são sintomas de bandas sem identidade artística alguma.

O 4drive, quinteto formada em 2001 na cidade de Americana, interior de São Paulo, se enquadra perigosamente neste perfil. Em suas redes sociais, bandas dos mais variados estilos são apontadas como influências, que vão de Pantera, Silverchair e até mesmo Led Zeppelin. Entendo que, para bandas iniciantes, é um meio efetivo de vender o seu produto. Porém, é interessante quando as coisas param aí, o que não é o caso de seu primeiro trabalho autoral.

Recycle, primeiro lançamento oficial da banda, é um disco que deixa um pouco de lado essa ideia de influências diversas e direciona todo seu foco musical em fazer uma espécie de resumo da sonoridade alternativa feita durante os anos 90. Metal alternativo com traços de grunge, que se intercala com o hard rock, passeando por trechos de nu-metal e um pouco de post-hardcore. Tudo feito de maneira operante e até mesmo convencional, mas sem momentos de destaque, que o façam não associar o que está ouvindo com outra banda não sendo o próprio 4drive.

É fácil ouvir faixas como “Madman” e “Spacetime Memory” e pensar em Incubus, ou também com “Owe You”, que acaba remetendo a algo de 30 Seconds To Mars. As letras do trabalho todo também não se esforçam em manter certa distância de seus mentores. Temas como niilismo, depressão e problemas pessoais, ou simplesmente o fato das letras possuírem um enfoque mais íntimo também são ganchos quase óbvios para as letras que bandas como Korn, Sevendust ou Linkin Park já fizeram em seus discos a pelo menos 15 anos atrás.

A parte técnica do trabalho é muito flutuante. A execução é precisa e evidencia que a banda colocou na bagagem bons ensinamentos durante estes mais de 14 anos que separam sua formação da gravação do seu primeiro registro. Por outro lado, o uso de samples em algumas faixas não é tão bem dosado. O resultado são faixas com aspecto datado e experimentos eletrônicos sem fundamento de existência (“Catch Fire”). A produção também não é tão cuidadosa, abusando dos agudos e deixando as linhas de baixo muito anuladas na mixagem, tornando o som muito agressivo aos ouvidos e deixando muitas lacunas abertas durantes as músicas.

Ainda que o que é oferecido pelo 4drive tenha um público nicho muito bem definido, ele só irá agradar aqueles pouco exigentes e que se contentarem com execuções operantes de todos os maneirismos do rock noventista. Se este for o seu caso, pode ouvir sem grandes sustos Recycle. Para a banda, fica a ideia de se afastarem mais de suas referências e buscar um som mais próprio, pois técnica não é o problema aqui.


Tracklist:

  1. Something There
  2. Madman
  3. Fading Memories
  4. In the Game
  5. Spacetime Theory
  6. Voiceless
  7. Owe You
  8. Catch Fire (Interlude)
  9. Rain
  10. Highlander

Lineup:

Eduardo Zabani – Vocals

Gabriel Falcade – Guitar

Otaviano Costa Jr. – Guitar

Guilherme Forti – Bass

Daniel Carrara – Drums

Pedro Konishi – Samplers

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1 Comentario

  1. Ronaldo disse:

    Ainda que seja meio dolorido, apenas uma crítica bem fundamentada e sincera como a que li aqui, é que leva a banda pra frente. Elogios nos deixam estagnados, ainda que quando surgem, mostram que estamos no ponto/caminho certo.
    Abraço,

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