Warrant – Dirty Rotten Filthy Stinking Rich [1989]

24 de Março, 2016 | por André Kaminski
Resenha de Álbum
7

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Por André Kaminski

Estava eu dando uma geral na minha ainda parca coleção de cds quando este me veio a mão se destacando pela capa medonha. Não tinha planos para escrever sobre ele, mas aí pensei que seria bom dar uma ouvida com atenção sendo que fazia tempos que não o ouvia. Lembro que ele veio junto em uma época que eu estava arrematando alguns lotes de cds americanos no ebay (bons tempos do dólar a R$1,70) lá pelos meados de 2011 ou 2012. Sei que devo ter ouvido este disco apenas uma vez nessa mesma época e o botei de lado. Eu adoro o hard rock oitentista, mas esta estreia do Warrant não havia me chamado qualquer atenção.

Apesar de não ser lá tão conhecido por aqui se comparado a outras da mesma época, o Warrant foi enorme lá no hemisfério norte. Tanto é que foi uma das pouquíssimas bandas do hair metal que conseguiu sobreviver ao desprezo dos anos 90 sem acabar, junto a outros gigantes como Mötley Crüe e Poison que vendiam horrores. E embora não esteja lá em grande fase, a banda sobrevive bem com quatro integrantes dos primórdios mais o vocalista Robert Mason (ex-Lynch Mob), visto que Jani Lane acabou sendo expulso por seus problemas com drogas e sequer conseguir terminar os shows por esquecer as letras. Lane acabaria falecendo em 2011.

Fazendo uma contextualização da época, o guitarrista líder da banda Erik Turner fez o que todo jovem americano dos anos 80 mais desejava: montar uma banda farofa, fazer sucesso, enriquecer e ser um rockstar. Após algumas mudanças principalmente de baterista, a banda se estabiliza com Jani Lane (vocais e violão), Erik Turner (guitarra base), Joey Allen (guitarra solo), Jerry Dixon (baixo) e Steven Sweet (bateria). Dirty Rotten Filthy Stinking Rich estreou em 1989 com um ótimo sucesso, alcançando a posição 10 da Billboard. Jani Lane compôs todas as músicas e Beau Hill, conhecido produtor da farofada oitentista tendo multiplatinado os três primeiros álbuns do Ratt, comandou a direção e a mesa de som.

Warrant on 11/5/89 in Chicago, Il. in Various Locations, (Photo by Paul Natkin/WireImage)

Joey Allen (guitarras), Steven Sweet (bateria), Jerry Dixon (baixo), Jani Lane (vocais) e Erik Turner (guitarras)

Os temas das letras são tradicionais e conhecidos: sexo, festa, corações partidos e romantismo. O disco abre com a mediana “32 Pennies” que apesar dos bons licks de guitarra, não difere muito do hard rock comum da época. “Down Boys” segue e é muito melhor. Com uma pegada mais estilosa e uma bateria mais marcante, a faixa traz uma impressão melhor do disco em si. “Big Talk”, apesar de ter sido lançada como single, ainda me pareceu outra faixa mediana. Tem bons vocais de apoio e só. Curioso que ouvindo este disco depois de anos, tenho preferido muito mais as canções que não foram lançadas como single.

“Sometimes She Cries” é a primeira balada. Muita gente tem certo pavor delas, ainda mais no hard, mas assumo sem medo nenhum que quando bem feitas, costumam ser as minhas favoritas de todo o rock. Um grande vocalista como Jani Lane só agrega mais valor. “So Damn Pretty (Should Be Against the Law)” é de longe a minha favorita do disco. Lembra muito as rápidas faixas de Appetite for Destruction [1987] com a vantagem de Lane ser um vocalista muito, mas muito melhor do que Axl Rose. “D.R.F.S.R.” mantém o rock em alto astral até a metade desse disco, quando aí vejo surgirem os problemas.

As últimas quatro faixas são de ruins a médias, o que faz com que o interesse pelo álbum caia bastante. “In the Sticks” é bem sem sal, além de não possuir um refrão marcante e bases de guitarra não mais do que burocráticas. “Heaven” é a balada que foi um sucesso nas rádios, ficando na segunda posição perdendo apenas para os conhecidos picaretas do Milli Vanilli. Creio que o tempo não fez muito bem a ela e uma sensação de pieguice acaba sendo transparente. “Sometimes She Cries” é definitivamente melhor.

Warrant banda

O disco se encaminha para o fim com a fraca “Ridin’ High”, praticamente estampada na testa que é um filler, sendo apenas seus solos de guitarra com alguma qualidade. Por sinal, falarei mais sobre os tais solos no parágrafo seguinte. “Cold Sweat” é uma canção que é praticamente um auto-plágio da anterior ao usar a mesma estrutura harmônica, porém, tem a vantagem de ter riffs melhores que lembram algumas boas músicas do Ratt.

Sobre os solos que citei, há de se destacar que a banda fez apenas alguns neste disco. Segundo o produtor Beau Hill, ambos os guitarristas Erik Turner e Joey Allen não estavam fazendo lá bons solos conforme manda o rock. Ele sugeriu o desconhecido guitarrista da banda Streets chamado Mike Slamer para tocá-los e os membros todos concordaram. Porém, como era costume na época, seus créditos foram omitidos e só foram revelados pela esposa de Slamer em 1998 e Beau Hill só foi confirmar a história em 2012.

No saldo geral, o disco acaba ficando no meio termo, oscilando entre momentos bons e ruins. Gosto bem mais de Cherry Pie lançado no ano seguinte, com direito àquele clipe bizarro e tudo mais.

Porém, não posso deixar de mencionar que Jani Lane tinha uma das vozes mais bonitas do hard rock americano. Sua voz era cristalina, sem exageros de agudos e que sabia variar do suave ao malicioso. Para mim, Lane era o Michael Kiske depois de um banho de loja em Los Angeles.

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7 Comentarios

  1. Marcel de Souza disse:

    Triste foi o fim do Jani Lane…

    • André Kaminski disse:

      De fato Marcel, ele já demonstrava desde o começo possuir alguns distúrbios mentais quando pegou a mulher o traindo com um amigo. Depois as drogas e o álcool o destruíram ainda mais.

  2. Anônimo de volta disse:

    Faz algum tempo que ando escutando hard oitentista e nunca tinha me interessado em escutar o Warrant. Mas depois de ler esse texto vou escutar o Warrant.

  3. Leonardo Castro disse:

    Esse disco é de fato bastante irregular, e os destaques sao mesmo Down Boys, Sometimes She Cries, So Damn Pretty e Heaven. O disco seguinte, Cherry Pie, é infinitamente superior, apesar da faixa-titulo pra lá de batida. Mas o grande disco da banda é o terceiro, Dog Eat Dog, mais pesado e direto, com ótimas composições e riffs de guitarra. Pena que ninguem tenha dado muita bola para o disco, visto que o grunge já tinha explodido quando ele saiu…

    • André Kaminski disse:

      De fato, Cherry Pie parece até outra banda, tamanha a diferença a meu ver. Mas eu nunca cheguei a escutar Dog Eat Dog que fala. Curioso que normalmente na época grunge, as bandas hard rock ou tentaram amaciar o som, ou buscar o próprio grunge como inspiração para tentarem se manter. Pesar o som não era tão comum. Vou conferir esse trabalho.

  4. Eddie disse:

    Discordo demais do autor. Big Talk é minha favorita do disco e NÃO, os temas não são apenas aqueles descritos no início da resenha. Fala de ganância de empresários (D.R.S.F.R.) e de encrenca (Big Talk). Acho que qualquer resenha deveria se preocupar mais com as letras. Não digo só aqui, mas em qualquer lugar uma análise de letras é deixada de lado. Tudo bem que as bandas do Glam Metal não possuíam um lirismo maravilhoso como o Iron Maiden, mas letra é fundamental para uma música com vocal ser boa.

    • André Kaminski disse:

      Se percebeu bem, de 10 faixas, apenas duas “diferem” daquilo que eu falei. Ou seja, 80% do álbum é sexo, festas, amores, rockstars se exibindo e etc. E de certa forma, empresários gananciosos e pancadaria não são temas nada distantes do comum do glam metal. Logo, não vejo nenhuma inverdade ou grande distância daquilo que falei. Alguém que se interesse por glam não vai olhar para essas letras e dizer “nossa, que diferentes e originais de abordar letras”.

      Quanto a “Big Talk” ser a sua favorita do disco, também discordo de ti. Mas isso é o esperado em se tratando de gosto pessoal.

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