Na Caverna da Consultoria: Bruno Marise

23 de fevereiro, 2016 | por Mairon
Entrevistas
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Por Mairon Machado

O Na Caverna da Consultoria essa semana traz para suas páginas um rapaz que modificou a forma do blog Consultoria do Rock comunicar-se com os fãs, tanto pelo facebook quanto pela sua identificação com bandas novas. Bruno “Sanguinho Novo” Marise foi o primeiro Consultor a apresentar bandas que estavam engatinhando em busca de um lugar ao sol, através de uma coluna que marcou época, o Sangue Novo, e agitou a página da Consultoria do Rock no facebook, durante um bom tempo, com enquetes, tópicos e muitos temas que fizeram com que os seguidores do blog / site renovassem e ampliasse o conhecimento musical, além de ter sido o idealizador da série que escolheu os Melhores Instrumentistas de Todos os Tempos.

Um cara gente bueníssima, e que tem uma experiência enorme para nos passar. Com vocês, Bruno “Maresia”.


1. Mestre Bruno, o Sanguinho Novo. Legal tê-lo novamente em nossas páginas., Conte-nos um pouco sobre a sua pessoa (profissão, formação, time de coração, …)

Bruno Marise (BM): Grande Mairão! Valeu pelo convite, é um prazer participar dessa seção. Tenho 24 anos, nasci em Lençóis Paulista, uma cidadezinha do interior de SP, na região de Bauru. Sou jornalista formado pela Unesp e no momento estou trabalhando como freelancer.

2. Como você conheceu a Consultoria do Rock?
BM: Não me lembro especificamente, mas foi pesquisando algum artigo na internet. Me deparei com o site e gostei de cara do material, das colunas e dos temas abordados.

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Parte da coleção

3. Como foi sua entrada para o blog?
BM: Eu já escrevia sobre música e tive vários blogs desde a adolescência, mas na época estava na faculdade e procurava fazer parte de algum site que já estivesse estabelecido, com um público delimitado. Entrei em contato com você (Mairon), mandei alguns textos, e fui aceito na equipe.

4. Você trouxe um “Sangue Novo” para o grupo, não só pela coluna que você criou, mas também por novas ideias como a série de Melhores Instrumentistas, além de movimentar os bastidores com vários tópicos no grupo do Consultoria do Facebook. De onde surgiu a inspiração para as colunas, e ficou a vontade de criar algo novo, mas que acabou não acontecendo?
BM: Agradeço pelas palavras. Se realmente eu consegui isso, fico extremamente lisonjeado. Eu sou completamente aficionado por música. Penso, ouço, escrevo, falo e pesquiso sobre isso o dia todo, todos os dias. Sou jornalista profissional e tenho uma afinidade maior com a área de produção de conteúdo para a web. Gosto muito do formato e acho que não só a crítica musical deve se adaptar, mas como toda a área de comunicação na internet. Portanto, sempre tentei pensar em um estilo de seção diferente, que destoasse de alguns outros portais do gênero. Felizmente sempre tive liberdade e autonomia para realizar todas as ideias que propus. Se alguma não estava bacana, discutíamos entre a equipe até chegar num consenso.

5. Qual a matéria que você mais gostou de ter feito para o site?
BM: Vou citar duas: A discografia do Mastodon, que deu um trabalho danado, mas foi bastante gratificante, já que a banda tem um trabalho bastante variado e cheio de detalhes interessantes. E por último, foi um artigo sobre o famigerado “grunge”, onde eu propus um debate se ele é realmente um gênero musical ou apenas um termo cunhado pela mídia. Tinha acabado de assistir o excelente documentário “Hype!” que conta a história de toda aquela cena de Seattle como ela acabou se tornando a meca do rock nos anos 90, e me inspirei.

6. Quais as principais alegrias e tristezas que você teve nesses cinco anos de Consultoria do Rock (relacionado ao site)?
BM: Minhas maiores alegrias foram poder conhecer pessoas muito legais que apesar de não ter contato pessoalmente, tenho certeza que são verdadeiras amizades e que vou levar comigo pra sempre. Além disso, a CR foi um espaço incrível que eu tive à disposição para poder divulgar meu trabalho, minhas ideias, e acima de tudo, aprender e me tornar um jornalista e escritor melhor. A única tristeza que tive foi o imbróglio com o servidor do UOL, que acabou resultando na perda de muito material. Uma pena.

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Alguns livros

7. O que você caracteriza como principal característica do Consultoria do Rock, que o torna um diferencial nos demais sites de música?
BM: Além de ter uma equipe bastante eclética, que aborda inúmeros gêneros, sem focar-se em apenas um nicho, a CR se diferencia por conter 100% material original. Grande parte dos sites especializados em música se preocupa em trazer notícias, mas a proposta da Consultoria do Rock nunca foi essa. É um espaço com um caráter muito mais informal, apesar da seriedade que é feito.

8. Por que você acabou saindo do site?
BM: Já havia algum tempo que eu estava querendo criar um projeto novo, com uma proposta diferente da Consultoria do Rock. Como estava também com outros compromissos, resolvi deixar a equipe para poder dedicar meu tempo livre para esse novo projeto.

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Banner do site Tinnitum

9. Você está com um site novo, o Tinnitum. Apresente-o aos leitores, e aproveitamos quem sabe para oficializar uma parceria entre os sites.
BM: Pois é, o Tinnitum é um projeto que eu tinha na cabeça há muito tempo e que finalmente consegui por em prática. A nossa ideia é ser um site feito de fãs para fãs. Apesar de eu ser jornalista profissional, quero fugir daquele formato de resenha, de crítico musical. A nossa proposta é ter um conteúdo dinâmico e gostoso de ler. Se conseguirmos que o leitor saia de lá com vontade de ouvir e conhecer sobre o que escrevemos, missão cumprida. Ainda estamos no começo, e nossa equipe é bem pequena. Pra mim seria um prazer fazer uma parceria com a CR, e aproveito pra fazer um convite para os membros da equipe colaborarem conosco quando quiserem!

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O livro Jardim Elétrico, de Bruno Marise

10 – Como foi o processo de pesquisa para a escrita de seu livro, Jardim Elétrico?
BM: Muitas entrevistas com muita gente. Conversei com lojistas, colecionadores, jornalistas, músicos, apreciadores, etc. Também li alguns livros sobre o assunto e várias reportagens que traziam como gancho a volta dos LPs.

11 – Como surgiu a ideia de falar sobre os colecionadores de discos, e como podem os leitores interessados adquirir essa bela obra?
BM: Juro que eu não paguei o Mairon pelos elogios, hein? Hahaha! Em 2013 eu fiz uma matéria sobre os colecionadores de discos para um trabalho de faculdade, onde na ocasião entrevistei o Bento Araújo, editor da poeira Zine e o Daniel Sicchieroli, que foi um dos fundadores aqui da CR. Vi que o assunto rendia bastante. Como eu já tinha a ideia de fazer o meu TCC relacionado à música e era uma pauta em alta na época, resolvi expandir o assunto e escrever um livro sobre a história do vinil e como a música faz parte da vida das pessoas. Quem quiser adquirir pode entrar em contato comigo pelo Facebook ou pelo email [email protected] Ainda tenho algumas cópias!

12 – Você pretende lançar outro livro em breve?
BM: Eu tenho várias ideias, não só de outro livro, mas também de fazer documentários. Mas são projetos a longo prazo. O mercado de jornalismo está muito difícil e ainda pior com a crise financeira do país, portanto pretendo me estabelecer primeiro para depois me dedicar a novos projetos, pois são coisas que demandam muito tempo e dinheiro.

13. Falando um pouco agora do lado prazeroso da música, que é o ouvir e colecionar. Quais são suas principais lembranças de quando começou a ouvir música?
BM: A primeira lembrança que eu tenho relacionada à música foi a de ouvir As Quatro Estações do compositor erudito italiano Antonio Vivaldi. Eu devia ter uns 4 ou 5 anos, e meu pai estava escutando o cd na sala de casa. Acredito que foi a primeira vez que eu saquei o que era música e senti prazer em apreciar aquilo. Pouco depois lembro que em todas as viagens de carro com a minha família eu pedia para ouvir aquela música. Deitava no banco de trás e ficava viajando nas melodias.

14. Caraca, eu sou apaixonado pelas Quatro Estações. Tenho várias versões dela, desde composições para dois pianos e dois violões até a recriação do Uli Jon Roth. Você ainda curte essa faixa? Se sim, qual sua versão preferida?
BM: Cara, não sei se é pela minha forte ligação afetiva, mas essa música mexe demais comigo. Eu gosto de tirar alguns períodos para ouvir música erudita, e tenho várias preferidas mas As Quatro Estações é a minha preferida. O solo de violino de Primavera me arrepia inteiro. A versão que eu mais curto é o concerto para violino, mesmo, original. Mas já ouvi algumas versões para piano e violão clássico e são maravilhosas, também.

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Parte da coleção ligada ao Ramones

15. Você também é músico. Qual instrumento você toca e conte-nos um pouco sobre sua banda.
BM: Bom, eu não me considero um músico porque não tenho formação e nem conhecimento para tal. Faço som por amor e por diversão. Comecei tocando bateria, aos 14 anos. Como na época eu morava em prédio e isso me impossibilitava de ter o instrumento em casa para praticar, acabei desanimando e parei de tocar. Alguns anos depois ganhei uma guitarra de presente e também fui atrás de fazer aula. Apesar de ter aprendido um pouco, não me dei muito bem e também desisti. Depois disso fui voltar a me envolver com bandas só na faculdade. Tive uma banda de som porrada em que eu era vocalista, durou um ano mas foi bem divertido. No fim da faculdade, uns amigos estavam precisando de um baixista e me chamaram pra participar. Eu que nunca tinha nem encostado em um baixo topei o desafio e comecei a praticar e tirar as músicas. A banda também não durou muito, mas acabei descobrindo que eu adoro tocar baixo e pretendo voltar a tocar no futuro. Mas voltando, depois dessa banda, alguns antigos amigos da minha cidade natal me chamaram pra fazer um som sem compromisso em um final de semana, e eu resolvi voltar pra bateria, que é a minha grande paixão. O negócio rendeu e decidimos continuar ensaiando. Nisso surgiu a Edicleia Desvairada. Somos um trio que faz covers e toca em troca de cerveja. Essa é nossa única pretensão! (Risos)

16. Como o processo de ser músico influência no que você ouve no dia a dia?
BM: Eu sempre fui apaixonado por bateria e percussão, então sempre presto muita atenção nos bateras quando ouço algum som. Ultimamente tenho conseguido apreciar muito o baixo, também. Quando eu comecei a tocar baixo e ter que tirar as linhas que as vezes você não percebe de cara, comecei a ter muito mais sensibilidade para ouvir o instrumento. Acho que é facilmente o instrumento mais subestimado de toda a música popular. É impressionante como um baixo bem tocado faz toda a diferença. Ultimamente tenho buscado artistas com linhas de baixo que me agradam, e nas reaudições, prestado mais atenção nessa parte.

17. Você gostou de rock desde o início ou foi em um determinado período de sua vida?
BM: Eu comecei a gostar bem novo, com uns 9, 10 anos. No começo foi pop/rock e depois fui partindo para os gêneros mais específicos. Na adolescência conheci o heavy metal e o punk, que foram minhas escolas e serviram de trampolim pra muitas outras coisas. Conforme fui ficando mais velho, perdi o preconceito com praticamente todos os gêneros, e hoje só classifico em duas categorias: Música boa e música ruim. É interessante você rotular, dá um gás pro debate, mas coisa de qualidade a gente encontra em tudo que é estilo.

18. Isso de música boa e música ruim é uma visão que eu também tenho. Alguns não conseguem encontrar qualidade em algum estilo, mas eu, particularmente, acho que pagode, axé, sertanejo e samba tem vários artistas de qualidade. O problema é encontra. Já sertanejo universitário e funk carioca, esses eu fujo. Você também concorda que mesmo estilos afastados do rock, e que são quase desprezados pelos ditos “roqueiros” tem suas qualidades?
BM: Sem dúvida nenhuma! Eu consigo apreciar Slayer e Paulinho da Viola com o mesmo prazer. Música é música, e cada uma combina com um determinado momento do dia, ou da sua vida. E isso pra mim é uma das maiores virtudes dessa arte. Você tem a possibilidade de escolher a sua própria trilha sonora, então pra que limitar as opções?

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O primeiro álbum comprado, Toxicity, do SOAD

19. Com quantos anos você comprou seu primeiro disco, e qual foi? Você ainda tem ele?

BM: No meu aniversário de 12 anos eu ganhei um dinheiro da minha vó para comprar o que eu quisesse. Foi a primeira vez que eu fui sozinho na loja e comprei um disco por conta própria. No caso, escolhi o Toxicity (2001) do System Of A Down. Tenho ele até hoje, sim, e gosto muito.

20. A quantas anda sua coleção? (Quantos discos / cds / dvds no geral)
BM: Não me considero um colecionador por dois motivos. Primeiro: Eu não compro itens pelo valor ou pela raridade, só compro se eu gosto da música ou do artista. Segundo: Apesar de eu gostar muito de adquirir o item físico, ultimamente tá bem complicado pelo preço. CD eu deixei de comprar há muito tempo, e com essa moda do LP, os valores estão cada vez mais absurdos. Acho impraticável pagar 100 reais em um único disco.

21. Qual a banda que você tem mais itens na sua coleção?
BM: Ramones, que é minha banda preferida. Mas nem posso me comparar a outros caras por aí. É apenas o grupo que eu tenho mais discos, livros e dvds.

22. Que outras bandas / artistas tem destaque na sua coleção?
BM: Black Sabbath, mas nada de muito destaque.

23. O que todo mundo gosta e você não consegue gostar? O que só você gosta?
BM: Van Halen, Yes, ELP, Guns n Roses, U2, Coldplay, Caetano Veloso, Gilberto Gil, e por aí vai. Eu ouvia muito pop punk na adolescência, e tem algumas bandas da época que eu gosto até hoje, mesmo tendo um apelo comercial muito forte. Gosto de ouvir pela nostalgia, e outras porque ainda realmente me agradam. Alguns amigos torcem o nariz, mas eu tô nem aí, gosto mesmo!

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Bizzaro? Massacration na coleção de Bruno

24. Há algum item bizarro ou diferente na sua coleção, que quando algum amigo vai visitar pergunta “O que isso faz aqui”?
BM: Eu tenho um ou outro cd de pop/rock que eu comprei quando era criança que mantenho até hoje e pode causar certo estranhamento, mas hoje nem me importo mais com isso. Mas um item curioso que eu tenho é o primeiro disco do Massacration original, que eu comprei na época. Sempre fui muito fã de Hermes & Renato, e além de as letras serem engraçadíssimas sem caírem no ridículo, as músicas são muito boas! Os caras são fãs de metal, e souberam mostrar isso. O falecido e genial Fausto Fanti era um bom guitarrista.

25. Já fez alguma loucura por algum disco de sua coleção? Ou para assistir algum artista em especial?
BM: Não sei se chega a ser uma loucura, mas meu primeiro show internacional foi o da banda inglesa Cock Sparrer, em São Paulo. O grupo vem da cena streetpunk/oi!, e fazem parte da cultura skinhead tradicional, que aqui é confundida erroneamente com os grupos neonazistas. Enfim, eu achei que o show seria tranquilo por ser uma banda não muito conhecida, mas rolou uma briga entre facções de punks e neonazis na porta que resultou na morte de um rapaz. Na hora da confusão eu já estava dentro da casa, mas depois fiquei chocado de saber do acontecido. Uma pena.

26. Caraca! Ainda bem que você não envolveu-se diretamente com o acontecido. Seguindo, cite cinco itens que, se você tivesse que vender sua coleção, não venderia de jeito nenhum.
BM: 1- LP Brasil do Ratos de Porão, original da época com o encarte em formato de jornal.
2- LP Shock Troops do Cock Sparrer colorido
3- CD Toxicity do SOAD – Como dito, o primeiro CD que eu comprei na vida
4- LP Layla do Derek and The Dominos que um amigo trouxe pra mim de Nova York
5- Single “Picture Disc” do Motörhead que uma amiga comprou pra mim em uma feira de Londres

O disco colorido de Cock Sparrer

O disco colorido de Cock Sparrer

27. Onde você adquire itens para sua coleção atualmente?

BM: Faz muito tempo que não compro discos, como eu disse anteriormente, pelos preços abusivos. Mas geralmente adquiro pela internet, ou em sebos.

28. Como sua família vê a sua relação com os discos e com a escrita sobre eles?

BM: Me apoiam e nunca demonstraram nenhum tipo de oposição. Minha paixão pela música é parte da influência deles, também.

29. Quais os dez melhores discos da década de 60?
BM: Sem ordem de preferência:
1- The Byrds – 5th Dimension (1966)
2- Jimi Hendrix Experience – Axis: Bold As Love (1967)
3- Love – Forever Changes (1967)
4- The Velvet Underground – The Velvet Underground (1968)
5- The Zombies – Odessey and Oracle (1968)
6- The Rolling Stones – Let it Bleed (1969)
7- The Who – Tommy (1969)
8- Neil Young And Crazy Horse – Everybody Knows This is Nowhere (1969)
9- Almendra – Almendra (1969)
10- The Stooges – The Stooges (1969)

23. Quais os dez melhores discos da década de 70?
BM: Sem ordem de preferência:
1- The Rolling Stones – Sticky Fingers (1971)
2- Black Sabbath – Master Of Reality (1971)
3- T. Rex – Electric Warrior (1971)
4- David Bowie – The Rise and Fall Of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars (1972)
5- Stevie Wonder – Innervisions (1973)
6- Thin Lizzy – Jailbreak (1976)
7- Rush – 2112 (1976)
8- Ramones – Rocket to Russia (1977)
9- Neil Young – Rust Never Sleeps (1978)
10- Joy Division – Unknown Pleasures (1979)

24. Quais os dez melhores discos da década de 80?
BM: 1- Bad Brains – Bad Brains (1982)
2- Pixies – Doolittle (1989)
3- Dinosaur Jr. – You’re Living All Over Me (1987)
4- Hüsker Dü – Flip Your Wig (1985)
5- Misfits – Walk Among Us (1982)
6- The Pogues – Rum, Sodomy & The Lash (1985)
7- Anthrax – Among The Living (1987)
8- Ratos de Porão – Brasil (1989)
9- Violent Femmes – Violent Femmes (1983)
10- Metallica – Ride The Lightning (1984)

25. Quais os dez melhores discos da década de 90?
BM: Sem ordem de preferência
1- Alice in Chains – Dust (1992)
2- Soundgarden – Badmotorfinger (1991)
3- Down – NOLA (1995)
4- Faith No More – Angel Dust (1992)
5- Monster Magnet – Dopes to Infinity (1995)
6- The Notorious B.I.G. – Ready to Die (1994)
7- Chico Science & Nação Zumbi – Da Lama ao Caos (1994)
8- The Afghan Whigs – Gentlemen (1993)
9- The Smashing Pumpkins – Mellon Collie & The Infinite Sadness (1995)
10- Weezer – Weezer [Blue Album] (1994)

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Detalhes do box Bloodstone & Diamonds, do Machine Head

26. Quais os dez melhores discos dos anos 2000 (de 2001 até agora)?
BM: Caramba! É um período muito grande pra escolher só 10, mas vamos lá. Sem pensar muito e sem ordem de preferência, no momento seria:
1- Baroness – Yellow and Green
2- System Of A Down – Toxicity
3- John Frusciante – Shadows Collide With People
4- Johnny Cash – American Vol. IV: The Man Comes Around
5- Millencolin – Pennybridge Pioneers
6- Machine Head – Unto The Locust
7- Mastodon – Once More ‘Round The Sun
8- Mac Demarco – Another One
9- David Bowie – The Next Day
10- Kanye West – Yeezus

27. Engraçado você citar isso na pergunta acima. A maioria dos entrevistados até agora, julga difícil fechar 10 nos anos 60 ou 70, e você para discos atuais. Como afirmei antes, você trouxe sangue novo para o Consultoria. Onde você busca informações para se atualizar sobre as novas bandas?
BM: Além de apaixonado por música, eu sou completamente viciado em informação. Apesar de 90% das minhas bandas favoritas serem já consideradas “antigas”, eu tenho uma necessidade de descobrir coisas novas e interessantes, e mais do que isso, compartilhar com as pessoas. Existe uma infinidade de sites que eu procuro ler diariamente e que sempre trazem novidades. Curiosamente, a maioria deles é gringo. No Brasil ainda carecemos de uma cobertura maior nessa área, principalmente no que diz respeito à som pesado. Não preciso citar nomes, mas o “maior” site nesse quesito já virou uma piada tem muito tempo. A informação está aí, mais abundante e acessível do que nunca, basta deixar a preguiça de lado e ir atrás. Ficar achando que não existe mais música boa sendo feita, é pura cascata.
Aqui vão algumas dicas de sites com linhas editoriais bem particulares:
Metal – MetalSucks, Metal Injection, Loudwire, Angry Metal Guy, Heavy Blog Is Heavy, No Clean Singing
Punk/Hardcore – Dying Scene, Punknews
Doom/Stoner/Occult Rock – Burning Beard, The Obelisk, Occult Rock Magazine
Alternativo/Indie – NME, Treble Magazine, Spin, Stereogum

28. Cite dez discos que você levaria para uma ilha deserta.

BM: 1- Ramones – Mondo Bizarro
2- Social Distortion – Sex, Love and Rock n Roll
3- Johnny Cash – American Vol. III: Solitary Man
4- Baroness – Yellow and Green
5- John Frusciante – Curtains
6- Joy Division – Unknown Pleasures
7- Black Sabbath – Vol. IV
8- Neil Young – Everybody Knows This Is Nowhere
9- Tim Maia – Tim Maia II
10- Paulinho da Viola – Dança da Solidão

29. Cite dez itens que deveria ter nessa ilha deserta para completar o prazer de estar com esses dez discos.
BM: 1- Ar Condicionado
2- Internet Banda Larga
3- Videogame
4- Uma vitrola com altos-falantes bons
5- Coleção de filmes antigos
6- Cerveja infinita
7- Um sofá grande e confortável
8- TV Gigante
9- Pizza
10- Minha coleção de livros

30. Você ainda acompanha o site da Consultoria do Rock?
BM: Com certeza! Apesar de ter saído da equipe, continuo fazendo algumas participações e acompanho sempre.

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O LP original de Brasil

31. Ficou alguma pendência ou algo mal esclarecido com alguém do site?

BM: Nada! Tudo tranquilo.

32. E sobre sua coleção, há um fim para a mesma?
BM: Jamais!

33. O que você recomenda para alguém que quer começar a escrever sobre música? Quais os caminhos para se tornar um profissional na arte da escriba?
BM: Primeiro de tudo, tem que gostar. Eu considero escrever um dos ofícios mais difíceis que existem. A partir daí, é ler. Ler muito. O máximo possível. É pegando referências nos autores que gosta que você vai começar a desenvolver seu próprio estilo, e depois é tentar escrever com certa frequência, para pegar o ritmo. Quanto mais escrever, mais fluído o processo se torna.

34. Alguma coisa mais que gostaria de passar para nossos leitores?
BM: Abram a cabeça. Não fiquem focados em apenas um gênero. Claro que cada um tem suas preferências, mas se fechar em apenas um nicho é abrir mão de conhecer muita, mas MUITA coisa boa. Com o fácil acesso a internet hoje, temos um mundo infinito de coisas pra ouvir, basta ir atrás.

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Picture do Motörhead

35. Forte abraço e obrigado pela sua colaboração. Espero que você tenha muito sucesso na vida, menos com o Palmeiras, hehe

BM: Valeu Mairão, obrigado mais uma vez pelo convite e também desejo muito sucesso pra você e pra CR. E aguarde que esse ano o Palmeiras vai ganhar tudo hahaha!



29 Comentarios

  1. Me recuso a comentar sobre a entrevista de um palmeirense. Se ele gostasse de sertanejo universitário tudo bem, mas Palmeiras é foda!!!

  2. Bruno Marise disse:

    Prefiro que gambá não comente aqui mesmo se não é perigoso os chineses aparecerem e comprarem o site HAUHAUAHUAHUAu

  3. Dimas disse:

    Essa parada de se limitar a algo não rola mais. Já fui assim. Hoje sinto na pele o que perdi nos últimos anos.

  4. MARCK disse:

    curti a matéria, só retifica o nome do álbum do Alice In Chains. Queria ver a discografia comentada do Mastodon, procurei e não achei. Sou fã da banda e queria ver os comentários em relação a mesma.

  5. Anônimo de volta disse:

    Ratos de Porão é a banda mais superestimada do underground. Parece que todo mundo é obrigado a lamber as bolas do idiota do João Gordo. O Ratos de Porão é hoje uma banda repetitiva e seus integrantes lesados e hipócritas. O Gordo não vive mais aquilo que ele canta. O cara leva uma vida de burguês e fica aí posando de socialista revoltado com o “capitalismo opressor”. É um infeliz, um perdedor.

    • maironmachado disse:

      Falou e disse meu caro. Tb não curto Ratos e nem toda a fama que o JG criou para ele.

      • Alisson Caetano disse:

        Desgosta-se muito de um artista ou banda por conta de suas atitudes, mas na maior parte das vezes é por “pura conveniência”. João Gordo é mala pra cacete, sim ele é, mas a música que ele vem fazendo continua boa pra caramba, a meu ver.

        E é esquisito porque na hora de criticar o João Gordo, todo mundo cai em cima, mas quando revela-se que um Lou Reed, Phil Anselmo ou um Chico Buarque da vida são uns escrotos, “ah, mas não tem problema não…”. Quando alguém conseguir me explicar a diferença disso, aí eu posso me retratar.

      • Alisson Caetano disse:

        Não dizendo que vocês o fazem, mas é o que mais acontece por aí.

        • Marco Gaspari disse:

          Povo aqui não gosta do João Gordo porque ele é gordo. Bullying…

          • Anônimo de volta disse:

            Alisson Caetano, o João Gordo além de mala, babaca, arrogante, prepotente e extremamente ignorante, o cara é escroto com os fãs, e trata todo mundo muito mal. E qual o problema de criticar um músico brasileiro? Então eu sou obrigado a jogar confete em um idiota imbecil e arrogante? Sobre os artistas que você citou, com exceção do Phil Anselmo, Chico Buarque e o finado Lou Reed são dois babacas. O Buarque então nem se fala. Vive do bom e do melhor lá em Paris mas passa a vida a criticar o capitalismo. Ser socialista assim é fácil. Só falta você me chamar de “coxinha” como fazem os esquerdistas que se sentem contrariados quando criticamos essas vacas sagradas como o imbecil arrombado do Chico Buarque. Sou coxinha sim com muito orgulho e nunca votei no PT. rsrsrsrs Desculpe Consultoria do Rock, não aguentei.

          • Anônimo de volta disse:

            Alisson Caetano, além de mala e filho da p…., o idiota se tornou um vegano radical! Ele fala tanto dos “nazi coxas” mas ele é um nazi ao contrário. Quem gosta de comer carne e não quer se tornar vegano(fresco) igual a ele, o manézão já chama o cara de “fascista”. Agora virou moda, chamar de fascista quem discorda da hegemonia da esquerda. E tme outra, o João Gordo é um verdadeiro animal, o sujeito não sabe conversar sem vir com ignorância. Parece um cão raivoso babando de ódio, raiva e inveja das pessoas que não pensam como ele e sua turminha de “metaleiros meu” fedidos e drogados.

        • Anônimo de volta disse:

          João Gordo é um babaca, infelizmente os bons morrem sempre cedo, enquanto idiotas como ele continuam aí aporrinhando com as idiotices dele.

        • maironmachado disse:

          Depois que o JG foi para a MTV, passei a não acompanhar o RDP. Não que eu acompanhasse antes,mas tinha certo respeito pelo antigo crooner de Roberto Carlos

  6. Antonio Marcos disse:

    Está de parabéns o Bruno Marise, por apresentar opiniões equilibradas e por ter um gosto bem eclético. Enfim um dos consultores citou algo do pós-punk inglês, com a menção ao Joy Division. Espero que outros mencionem bandas que são ignoradas nas listas dos melhores mas merecem reconhecimento pelas grandes obras que legaram ao rock, como Gang of Four, The Cure, The Smiths, New Order.

  7. Marco Gaspari disse:

    “7. O que você caracteriza como principal característica do Consultoria do Rock, que o torna um diferencial nos demais sites de música?
    BM: Além de ter uma equipe bastante eclética, que aborda inúmeros gêneros, sem focar-se em apenas um nicho, a CR se diferencia por conter 100% material original. Grande parte dos sites especializados em música se preocupa em trazer notícias, mas a proposta da Consultoria do Rock nunca foi essa. É um espaço com um caráter muito mais informal, apesar da seriedade que é feito.”

    Nota-se que o Bruno Marise saiu do site. caso contrário teria percebido que o único nicho focado por aqui ultimamente é Heavy Metal. Daí, pra disfarçar, eles deixam escapar uma DC do Ten Years After.

    No mais, VOOOOOOLLLLTA Marise!!!

    • Fernando Bueno disse:

      Como sei que o Marco está escrevendo isso só para bagunçar e tumultuar eu vou mandar ele TNC só de brincadeirinha…

    • Bruno Marise disse:

      Que a galera é eclética ninguém duvida, o problema é que naquela seção só votam em farofa e metal espadinha, aí fica difícil hehehehe

      • Marco Gaspari disse:

        Farofa por conta do Diogo e metal espadinha por conta do Bueno. E não vamos esquecer o pop baitola do Mairon! Pronto, estão feitas as próximas listas até 2020.

        • maironmachado disse:

          Um sincero e carinhoso TNC para ti, meu querido Marco. Pop baitola >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Tabua de Esmeraldas e infinitamente >>>>>>>>>>>>>>>>> qqer merda do Tom Waits

        • PQP…agora virei sinônimo de metal espadinha… Logo eu!!! Que Morgoth leve todos vcs para as masmorras de Angband..

  8. Eudes Baima disse:

    Só não vou responder ao anônimo porque não falo com estranhos…

    Liga pra esses caras que estão desvirtuando tua entrevista, não, Bruno. Ficou muito boa!

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