Slayer – Repentless [2015]

14 de setembro, 2015 | por Mairon
Resenha de Álbum
9

cover

Por Luiz Carlos Freitas

O Slayer é, indiscutivelmente, um dos grandes divisores de águas na história da música pesada. Poucas bandas podem se dar ao luxo de constar em sua discografia com uma obra-prima à altura do Reign in Blood. O disco, definitivamente um dos maiores paus já colocados em cima da mesa do rock, marcou época e caracterizou todo um estilo musical, influenciando grande parte do que viria em seguida no estilo. Todavia, grandes feitos possuem seus revezes.

E se o som pesado, rápido e agressivo de seus primeiros trabalhos passou a ser um parâmetro para boa parte das bandas que vieram, acabou sendo, também, parâmetro de exigência dos fãs à própria banda. Isso justifica, talvez, a rejeição da grande maioria às mudanças que levassem o grupo para longe do que havia sido firmado desde sua origem, como o experimentalismo cadenciado (mas não menos violento) do Diabolus in Musica, execrado por ser diferente (aceito os argumentos de quem não gosta porque não gosta e não por “não ser o Slayer que conhecemos”).

Tom Araya, Gary Holt, Paul Bostaph, Kerry King

Tom Araya, Gary Holt, Paul Bostaph, Kerry King

Depois dele, o grupo continuou experimentando, mas tornando a se aproximar de suas raízes, só que de modo gradativo. Partindo dessa linha de pensamento, podemos tomar o Repentless como uma boa volta às origens. Não que outros discos anteriores não o tenham tentado, mas o mais recente trabalho do grupo consegue aliar em sintonia perfeita o peso à velocidade que os consagraram (e faltavam em sintonia aos três últimos discos).

Para se ter uma ideia, já saíram cinco singles de Repentless: “Implode” (lançado em 24 de abril), “When the Stillness Comes” (14 de Abril), “Repentless” (19 de Junho), “Cast The First Stone” (31 de agosto) e “You Against You” (4 de setembro). A formação atual, sem o ídolo Jeff Hanneman, mas contando com o talentoso Gary Holt em seu lugar, além de Tom Araya no baixo e vocais, Kerry King na guitarra e o destruidor de peles Paul Bostaph, é a mesma que fez um show destruidor no Rock in Rio de 2013, com a porradaria comendo solta, e isso repete-se nesse disco.

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Repentless ao vivo

É uma porrada que começa a partir da segunda faixa e segue ininterrupta até o final, com uma sonoridade que consegue evocar o Slayer oitentista sem resvalar em erros comuns às grandes bandas de metal de sua época que continuam na ativa, como o Iron Maiden (só pra ficar num exemplo de lançamento mais atual e abordado recentemente por aqui), que soa mais como um cover de luxo de si mesmo.

O disco é uma porrada, torno a dizer, mas não vai revolucionar a história da música como o Reign in Blood, admito. Contudo, consegue ser melhor que a maioria esmagadora dos lançamentos de seus colegas de época que continuam na ativa e superior ao que o próprio grupo vem praticando nos últimos 15 anos, o que não deixa de ser um sopro quente de enxofre mais do que necessário para acalentar os corações negros dos headbangers de carteirinha, ainda mais com as LIMDAS e diversas versões que estão no mercado.

As várias edições de Repentless

As várias edições de Repentless

Track list

1. Delusions of Saviour
2. Repentless
3. Take Control
4. Vices
5. Cast the First Stone
6. When the Stillness Comes
7. Chasing Death
8. Implode
9. Piano Wire
10. Atrocity Vendor
11. You Against You
12. Pride in Prejudice



9 Comentarios

  1. Alisson Caetano disse:

    Boa análise, mas não sei se é o efeito de uma noite mal dormida, mas lá no primeiro parágrafo me deu a entender que você citou o Reign in Blood como sendo o disco de estreia do Slayer… Se for isso mesmo, tem dois discos antes do Reign. Se interpretei errado, nem considere esse comentário meu.

  2. Marckus disse:

    Concordo, não vai revolucionar o mundo da musica pesada, mas que é um excelente álbum isso é, sobretudo, se compararmos os últimos lançamentos da banda.

    • Plínio Marques Jr. disse:

      Falou bem. O Slayer, até agora, nunca lançou um disco ruim. Mas o Diabolus in Musica é o mais fraco em relação aos outros. Isso não quer dizer que ele é ruim. Pelo contrário.

  3. Flávio Otavianny disse:

    Rapaz… Os caras não lançaram nada melhor desde o Seasons in the abyss, sou meio suspeito em falar do Slayer, mas esse albúm ficou do caralho!!

    • Plínio Marques Jr. disse:

      Isso na sua opinião, cara. Eu acho que eles ainda são uma das poucas bandas que ainda não pisaram na bola. Até o Diabolus é bom. Mas é um trabalho menor, em relação aos outros.

  4. Anônimo de volta disse:

    Um disco um tanto quanto frustrante. A entrada do Gary Holt para a banda fez muito nego aí ficar empologado e ansioso: “O Holt é um excelente guitarrista, técnico, vai ajudar o Slayer a gravar um álbum muito melhor do que tudo que já fizeram”. Ledo engano. Mas nem é culpa dele o disco ter saído ruim assim. É culpa do Kerry King, o barril de cerveja que não deixou o cara interferir no processo de composição e nem sequer sugerir porra nenhuma. O Diabolous in Musica é excelente, apesar de soar diferente de tudo o que o SLAYER gravou devido a afinação baixa das guitarras. Esse “Repelente”(Reptenless) aí é muito abaixo do esperado depois de tanto marketing.

  5. Anônimo de volta disse:

    Nem o Paul Bostaph na bateria e o Holt na guitarra empolgaram. É bom frisar, o disco não é de todo ruim. Eu diria que ele é mediano, e faltou alguma coisa a mais. Sendo assim, o Slayer não pode falar nada dos amigos-rivais do Metallica. Se bem que esse “Repelente” do Slayer é uma obra-prima comparado com o medíocre e ridículo “Lulu” do Metallica. E o Slayer tem um baterista excelente que faz viradas espetaculares e tem técnica. Diferente do Lars Urich que já recebeu críticas até do Dave Lombardo por suas limitações tanto no estúdio como ao vivo. Lombardo em 2010 declarou que o Lars deveria passar um mês com ele pra ver se ele aprendia a ser um baterista um pouco melhor. kkkkkkkkkk

  6. Anônimo de volta disse:

    Pra ser sincero, acho que se o Rick Rozz que faz parte da banda de death metal Massacre e que já tocou no Death tivesse entrado pro Slayer teria sido muito melhor do que o Gary Holt. Isso sem contar o fato de que o Rozz tem muita influência do Slayer no seu estilo de tocar, seja nos riffs ou nos solos. Rick Rozz ainda iria dar um “gás” ainda melhor pro Slayer. Com todo o respeito ao Holt, mas seu estilo não combina com o Slayer. Apesar dele não ter nem dado nenhum pitaco sobre as músicas e nem ter gravado nada, já que foi o patrão Kerry King quem fez isso. Mas Rick Rozz com certeza iria fazer a diferença ao vivo e quem sabe, convencer o pançudo Kerry King a gravar músicas mais trabalhadas e ainda mais agressivas.

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