Damien Thorne – The Sign of the Jackal [1986]

17 de outubro, 2012 | por Fernando Bueno
Resenha de Álbum
0
Por Fernando Bueno
“Escute essa banda aqui. O vocalista parece o cara do Helloween”.
Foi assim que um amigo me indicou o Damien Thorne lá pelos idos de 1990. A indicação é claramente um equívoco já que o som das duas bandas é muito diferente e apesar do vocalista Justin Fate abusar de alguns agudos a sua voz também é muito diferente da do Michael Kiske. Porém essa comparação, na época, ajudou a muita gente a ouvir esse desconhecido grupo que até aquele momento só tinha lançado um disco.
A banda foi formada em 1983 em Chicago e, após dois anos tocando nos clubes da cidade, conseguiu um contrato para gravar seu álbum de estréia que viria a ser chamado de The Sign of the Chakal. O nome da banda foi tirado do personagem principal do filme The Omen (no Brasil, A Profecia). Para quem não conhece a trilogia, esse personagem era nada mais, nada menos que o anticristo renascido. O título do álbum também faz referência ao longa metragem. The Omen foi também a inspiração de Steve Harris para compor “The Number of the Beast”. Em uma entrevista presente no encarte do relançamento em CD o guitarrista Ken Mandat conta que o nome da banda foi escolhido de uma lista de 50 nomes que o vocalista apresentou para o grupo. Segundo ele, o personagem era obscuro, misterioso e muito poderoso e eles entendiam que isso combinava muito com a música que eles estavam fazendo.
Sander Pate (baixo), Ken Starr (guitarra), Justin Fate (vocal),
Pete Pagonis (bateria) e Michael Monroe (guitarra)
The Sign of the Jackal foi produzido por David DeFeis, o chefão do Virgin Steele. O responsável pela contratação do Damien Thorne pela gravadora Cobra A&M foi o também músico do Virgin Steel, Jack Star (guitarra). David DeFeis não fez um bom trabalho. O som ficou um pouco abafado e mesmo agora no relançamento em CD ainda não está com uma boa qualidade. Temos alguns exemplos de ótimos discos que têm produção abaixo das expectativas, então acho que esse não será um empecilho para que quem se propor a ouvir e gostar do resultado.
A abertura com a “The Sign of the Jackal” é, em minha opinião, o destaque do álbum, com um heavy metal acelerado lembrando um pouco o Judas Priest em algumas passagens. Já “Fear of the Dark” é ainda mais rápida lembrando as bandas de speed metal que também estavam surgindo na época. Diminuindo um pouco o ritmo temos “The Ritual”, com destaque para a voz de Justin Fate, com altas doses de delay como em todo o álbum. Voltando ao heavy metal veloz “Grim Reaper”, outro bom destaque do álbum, sendo inclusive a faixa preferida de Ken Mandat. Essas quatro músicas, todas do lado A do LP, rolavam direto lá nos anos 90 em nossas reuniões. É curioso que uma banda praticamente desconhecida, inclusive entre os colecionadores de heavy metal, fosse tão popular nessa época lá na minha cidade (a saber, Itapetininga/SP).
Um trecho de um discurso em alemão, provavelmente do Hitler, abre a faixa “Hell’s Reign” em uma clara alusão ao III Reich. Algumas das faixas lembram o primeiro disco do Running Wild, como é o caso de “Siren’s Call”.
No relançamento de 2003 do CD existem quatro faixas bônus: “Vlad”, “Phantoms of Fire”, “Caretaker” e “Ra (The Curse of Tutenkhamen)”. Gravadas em sessão diferente das da gravação do álbum têm sonoridade bem distinta, mas com resultado igualmente aquém ao desejado. Eu ainda guardo minha cópia em vinil que comprei há cerca de 20 anos atrás. Recentemente, após uma busca de cerca de dois anos consegui finalmente encontrar o CD.
 Apesar do ótimo potencial, o Damien Thorne não conseguiu prosseguir com sua carreira devido à problemas com a gravadora e se tornou mais uma das inúmeras bandas que ficaram no caminho da história. Separaram-se lá pelos idos de 1987, logo após gravar o ainda mais obscuro Wrath of Darkness – que só chegou a sair em 2001. Em 2004, após o relançamento do primeiro e segundo álbuns fizeram um retorno e em 2005 o bom Haunted Mind foi finalizado. Em 2011 seu quarto álbum de estúdio, End of the Game, foi lançado. O Damien Thorne provavelmente nunca conseguirá um reconhecimento maior do que tem hoje, mas vale muito a pena pelo menos dar uma chance à eles.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *