Por Jose Leonardo Aronna
Nascido em Herne Bay, Kent, no sudeste da Inglaterra, Kevin Ayers é uma figura cult, gravando e excursionando esporadicamente até os dias de hoje. Respeitado por seu pequeno e fiel grupo de fãs como um artista extremamente criativo e individualista. 
Há mais de 40 anos, Kevin era baixista e vocalista do Soft Machine. Ficou com eles até o lançamento do psicodélico álbum de estreia. Depois de uma exaustiva turnê nos Estados Unidos, abrindo para o The Jimi Hendrix Experience, Kevin decide abandonar a vida rockeira e vende o seu baixo para Noel Redding. Na ocasião, Jimi presenteou Kevin com um violão Gibson J-200 com a condição de que ele continuasse a compor. Assim, ao voltar para Londres, começou a preparar as canções que viriam a fazer parte de seu primeiro álbum. 
Gravado entre junho e setembro de 1969, Joy Of A Toy é o primeiro de um total de sete discos que Kevin lançou pela Harvest. Utiliza uma variedade de vinte e um instrumentos com a assistência de membros passados e futuros de sua antiga banda. Canções cativantes como “Eleanor’s Café” e “Girl On A Swing” tornam esse álbum um belo ítem em qualquer coleção. 
Capa externa (acima) e interna (abaixo)
de Joy of a Toy
Lançado em novembro do mesmo ano, o disco abre com a pirada “Joy of a Toy Continued” com sua excentricidade circense. Um instrumental meio “acid trip”. 
A seguir, “Town Feeling”, onde ouve-se sua bela voz num tom de tédio e melancolia com belos riffs de guitarra e uma linda linha de flauta. A próxima, “The Clarietta Rag”, lembra um pouco o estilo de John Lennon. A melodia lembra “Being For The Benefit Of Mr Kite” (Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band). Essa música conta uma curiosa história sobre uma bruxa que voa num guarda-chuva. Apresenta “gritos” de guitarra barulhentos com uma pitada de tendências progressivas. 
Depois temos “Girl on a Swing”. Uma canção a la Syd Barrett com suas guitarras psicodélicas e teclados enlouquecedores. O lado A se encerra com “Song For Insane Times” com influências jazzistas. Destaque para o piano e órgão. Talvez seja a música que mais lembre o Soft Machine. 
A clássica foto da contra-capa do LP
O Lado B começa com a ligeira “Stop This Train (Again Doing It)” com seu baixo galopante. Uma dissertação otimista sobre o tédio e, possivelmente, passeios de trem. A seguir, “Eleanor’s Cake (Which Ate Her)”, uma jóia folk com sua flauta etérea e majestosa, ornamentações de violoncelo e arpejos de guitarra. Na sequencia, a soturna “The Lady Rachel”. Uma balada triste e psicodélica com destaque para o oboé. Em “Oleh Oleh Bandu Bandong” temos cantos étnicos misturados com solos de guitarra esquizóides, efeitos de teclados e piano vanguardista. O disco se encerra com “All This Crazy Gift of Time”. Um tema folk bem à caráter com solo de harmônica. 
Alguns meses após o lançamento do Lp, Kevin lançou o single “Singing a Song in the Morning/Eleanor’s Cake (Which Ate Her)“. Em seguida, formou a banda The Whole World para promover o Lp pelo Reino Unido. Essa banda seria formada pelo jovem Mike Oldfield (baixo, guitarra), David Bedford (teclados), Lol Coxhill (saxophone), Mick Fincher (bateria), a cantora folk Bridget St. John e Robert Wyatt, dividindo os vocais. 
Ayers, em momento de inspiração
Depois da turnê pelo Reino Unido, o músico levou o Whole World ao estúdio para gravar seu próximo LP, Shooting at the Moon (1970). Kevin gravaria mais dois discos pela Harvest: Whatevershebringswesing (1971) e Bananamour (1973). E depois de assinar com a Island Records, onde lançou 3 Lps, voltaria ao selo em 1976 com Yes We Have No Mañanas (So Get Your Mañanas Today), onde ficaria até 1980. 
Track list: 
1. Joy of a Toy Continued 
2. Town Feeling 
3. The Clarietta Rag 
4. Girl on a Swing 
5. Song for Insane Times 
6. Stop This Train (Again Doing It) 
7. Eleanor’s Cake (Which Ate Her) 
8. The Lady Rachel 
9. Oleh Oleh Bandu Bandong 
10. All This Crazy Gift of Time 
Em 2003, o álbum foi re-lançado em cd com algumas faixas bônus: 
11. Religious Experience (Singing a Song in the Morning) Featuring Syd Barrett [take 9] 
12. The Lady Rachael (Extended First Mix) 
13. Soon Soon Soon 
14. Religious Experience (Singing a Song in the Morning) [take 103] 
15. The Lady Rachael (Single Version) 
16. Singing a Song in the Morning (Single Version) 


Músicos na versão original: 
Kevin Ayers (guitarras, baixo e vocais), Robert Wyatt (bateria), David Bedford (piano, mellotron, arranjos), Mike Ratledge (órgão), Hugh Hopper (baixo em 1 e 5), Paul Buckmaster (cello), Rob Tait (bateria em 6 e 9) e Paul Minns (Oboe)
Músicos em “Religious Experience/”Singing A Song In The Morning”: 
Syd Barrett (guitarra), Richard Sinclair (baixo), Richard Coughlan (bateria), David Sinclair (órgão) e The Ladybirds (backing vocals)

3 comentários

  1. Marco Gaspari

    Tem três carinhas do Soft Machine original que eu venero: Robert Wyatt, Daevid Allen e o Kevin Ayers. Nem ligo muito para o Soft depois do terceiro disco. O Kevin Ayers tem discos maravilhosos e May I? e Stranger in Blue Suede Shoes são músicas de cabeceira. Muito bom, Zé Léo!!!

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  2. Groucho KCarão

    Talvez mais do que o próprio Syd Barrett, eu sinto uma frustração pela formação inicial do Soft Machine. O Third é um disco FODOMENAL, essencial pra qualquer um, o Gong é uma lindeza, esse disco do Kevin Ayers tb é ótimo, eu curto até discos como Bundles e Softs, mas, pow, queria ouvir mais discos naquela linha Jet Propelled Photographs. Acho essa 'coletânea' melhor que os 2 primeiros do Soft. Agora desse Joy of a Toy minhas favoritas são bonus: uma das versões alternativas de "Lady Rachael" e "Singing a Song in the Morning". x:
    Parabéns e agradecido pelo tópico!

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