Anthrax em 1983: Dan Spitz, Scott Ian, Charlie Benante, Neil Turbin e Danny Lilker

Por Bruno Marise

Com mais de trinta anos de carreira, o Anthrax é um dos pilares do Thrash Metal, fazendo parte do chamado “Big Four” composto também por Metallica, Megadeth e Slayer. Formado em 1981 em Nova York, por Scott Ian e Danny Lilker, o grupo passou por várias mudanças de formação até se estabilizar com Scott Ian na guitarra base, Danny Lilker no baixo, Dan Spitz na guitarra solo e Neil Turbin nos vocais. A banda que começou com grandes influências de metal tradicional, foi adicionando vários elementos a sua sonoridade e passou por várias fases diferentes, que iremos abordar nessa Discografia Comentada.


Fistful Of Metal [1984]

Com o lançamento do compacto Soldiers Of Metal em 1982, o Anthrax chamou a atenção da Megaforce Records que contratou a banda. No ano seguinte gravaram o seu disco de estréia, que só seria lançado em 1984. Fistful Of Metal trazia uma banda ainda em busca de sua sonoridade, fazendo um Speed Metal com influências de bandas pioneiras como Judas Priest, notadas principalmente nos vocais agudos de Neil Turbin.

As letras ainda bastante imaturas exaltam o Heavy Metal e todos os seus estereótipos. Apesar de inconsistente, esse debut soa bastante pesado para a época e já traz alguns elementos do chamado Thrash Metal. Os destaques ficam para os clássicos “Deathrider” e “Metal Thrashing Mad” e a rápida “Panic”. O disco ainda traz um cover de “I’m Eighteen” de Alice Cooper. Logo após o lançamento de Fistful Of Metal, Danny Lilker seria demitido por “ser preguiçoso e antiprofissional”, segundo os demais membros. Como substituto foi chamado o sobrinho de Charlie Benante, Frank Bello. Reconhecendo que o teor das letras era bastante imaturo e fraco, Ian e Benante demitiram o principal compositor, Neil Turbin, e Joey Belladona foi contratado para o posto de vocalista.

A nova e clássica formação do Anthrax em 1985: Charlie Benante, Scott Ian, Joey Belladonna, Dan Spitz e Frank Bello


Spreading The Disease [1985]

Com  a nova formação, o Anthrax lança o EP  Armed And Dangerous (1985) contendo músicas antigas na voz de Joey Belladona, a inédita faixa-título e o cover de Sex Pistols, “God Save The Queen”. Mais tarde no mesmo ano sairia o segundo LP, Spreading The Disease, o primeiro registro completo com a nova formação.

Belladonna se mostra mais técnico que Neil Turbin, com vocais mais melódicos e operísticos e menos rasgados. As letras  trazem algumas referências a personagens literários e cultura pop, como nas excelentes “Lone Justice” e “Medusa”, o que se tornaria uma marca nas composições da banda. Musicalmente, o grupo vai ganhando mais identidade, com  riffs mais pesados, e uma cozinha potente, se aproximando cada vez mais do Thrash, como percebemos no single “Madhouse“.

O disco ainda traz duas composições de Neil Turbin, “Armed and Dangerous” e “Gung Ho”, as últimas contribuições dele para a ex-banda. Apesar de não ser um disco perfeito, Spreading The Disease mostra uma banda ganhando identidade e a caminho de tornar-se um gigante do Heavy Metal.


Among The Living [1987]

Com o sucesso de Spreading The Disease, o Anthrax entraria em estúdio no final de 1986 para a gravação do terceiro trabalho, produzido pela banda em conjunto com o veterano Eddie Kramer. No ano seguinte, sairiam de lá com sua obra-prima. Among The Living é o auge do Anthrax, tanto como instrumentistas como compositores. Nesse ponto a banda se joga de cabeça no Thrash Metal, com um caminhão de riffs, vocal mais agressivo e a cozinha matadora de Bello e Benante.

A maravilhosa faixa-título abre o LP, com Benante castigando as peles numa velocidade impressionante. Na sequência temos o hino “Caught In A Mosh” com seu riff clássico. Em seguida mais um riff desossante, e entra “I Am The Law”, baseada no personagem dos quadrinhos Judge Dredd. Logo depois temos “Efilnikufesin (NFL)”, dedicada ao falecido ator John Belushi. De cara a banda detona quatro porradas em sequência, canções que até hoje são obrigatórias em todos os shows, assim como a faixa 6, “Indians“, com a letra em defesa dos indígenas.

A pesadíssima “Skeleton In The Closet” baseada na novela “Apt Pupil” de Stephen King também é um destaque. O escritor ainda é homenageado na faixa-título, baseada no livro The Stand. As referências a cultura pop não param aí: a capa traz uma ilustração do Reverendo Henry Kane, personagem do filme Poltergeist. Nessa fase a banda também abandonaria o visual estereotipado do Heavy Metal e trocaria o couro, as calças apertadas e roupas coloridas por bermuda, tênis de skatista e camiseta, representando o rompimento com qualquer padrão modístico e mostrando a aproximação com a cena do Hardcore, que influenciou bastante o som da grupo. Among The Living é um disco de qualidade absurda e  essencial em qualquer coleção de música pesada, figurando entre um dos álbuns mais importantes do Thrash e Heavy Metal em geral.

O grupo com o novo visual em 1987


State Of Euphoria [1988]

Em 1987, a banda lança o EP I’m The Man cuja faixa-título é uma paródia do estilo de som dos Beastie Boys, misturando rock e rap, onde Scott Ian e Charlie Benante fazem os vocais e Belladonna toca bateria. O sample da música é a melodia da música folk judia, Hava Nagila tocada na guitarra.

O EP também continha o cover de “Sabbath Bloody Sabbath”, e versões ao vivo de “I’m The Man”, “Caught In A Mosh” e “I Am The Law”. No ano seguinte, sairia o quarto disco de estúdio que teria a dura tarefa de suceder o grande clássico da banda, Among The Living (1987). As expectativas foram gigantescas, mas infelizmente State Of Euphoria não correspondeu. Apesar de algumas ótimas músicas como a grudenta “Be All, End All” e o cover de “Antisocial“, da banda francesa Trust, o disco não conseguiu manter o nível de seu antecessor.

A produção é boa e a execução continua excelente, mas as composições não se equiparam aos grandes hinos de Among The Living, mesmo mantendo alguns elementos como a inspiração na obra de Stephen King em “Misery Loves Company” e no filme Blue Velvet de David Lynch em “Now It’s Dark”. Longe de ser um disco ruim, State Of Euphoria é um trabalho incosistente e um pouco cansativo, e deixa de figurar entre os grandes trabalhos do Anthrax.


Persistence Of Time [1990]

Após a decepção de State Of Euphoria, o Anthrax voltou ao estúdio em 1989 para a gravação de seu quinto trabalho. As coisas pareciam não ir nada bem quando um incêndio destruiu boa parte dos equipamentos da banda, causando um prejuízo de cem mil dólares e destruindo completamente o estúdio.

A banda mudou o local de gravação, e em agosto de 1990 saiu Persistence Of Time, mostrando um lado mais maduro da banda. Musicalmente o disco é mais lento e com influências progressivas e as letras deixaram de lado o conteúdo bem humorado e com referências pop para dar lugar a críticas sociais, pacifismo e teor introspectivo. Crítica e público receberam bem a nova postura da banda, e o disco é considerado por muitos o melhor trabalho do Anthrax depois de Among The Living (1987).

O single “Got The Time“, cover de Joe Jackson foi o grande sucesso do álbum e o próprio Jackson elogiou a versão Thrash de sua música. Apesar do começo cansativo com as arrastadas “Time” e “Blood”, o disco é recheado de ótimas canções, como o segundo single “In My World” e a violenta “Belly Of The Beast” com um riff pesadíssimo de Scott Ian, que também faz um grande trabalho em “Keep it in the Family”. Persistence Of Time foi um grande sucesso, compensando o fracasso do disco anterior e consolidando a popularidade do Anthrax no início dos anos 90, que inclusive foi indicado a um Grammy por “Melhor Performance de Heavy Metal”.

Em 1991, o Anthrax flertou com o hip-hop mais uma vez, regravando a música “Bring The Noise” do Public Enemy, com participação de Chuck D. A faixa foi um sucesso e incluída na compilação Attack Of The Killer B’s (1991) e no álbum do Public Enemy, Apocalypse 91… The Enemy Strikes Black (1991). No ano seguinte, devido a seus problemas com álcool, Joey Belladonna seria demitido e substituído pelo vocalista do Armored Saint, John Bush, iniciando uma nova fase na banda, que fica para a próxima parte dessa Discografia Comentada.

6 comentários

  1. leonardocastro

    Eu adoro essa primeira fase da carreira do Anthrax, e o meu disco favorito da banda é o Spreading The Disease, onde o Belladonna canta demais.

    Pena que a fase com o John Bush, que é um grande vocal tambem, nao tenha sido tao inspirada, e a banda tenha investido em uma sonoridade que nao me agrada…

    Responder
  2. brunomarise

    Valeu Pablo! Gostaria de ter tido mais tempo pra trabalhar o texto, acabei deixando pra última hora e fiquei sobrecarregado, mas tudo bem.

    Fico no aguardo da segunda parte!

    Responder
  3. diogobizotto

    John Bush que me perdoe, mas essa fase apresentada é imbatível. Belladonna é o vocalista certo para o grupo certo, pois o Anthrax sempre fez questão de se diferenciar da mairia de seus contemporâneos. Já era assim em relação ao visual despojado, diferente da combinação jeans + couro tão habitual no thrash metal; e ter um vocalista como Belladonna foi o complemento perfeito. Gosto demais de "Among the Living", mas meu preferido mais provavelmente é "Spreading the Disease", no qual Belladonna está em performance irrepreensível.

    Responder
  4. eduardoluppe

    Parabéns Bruno! Engraçado que um dos meus álbuns preferidos do Anthrax é exatamente aquele que você considerou como fraco, o State of Euphoria! mas, gosto é gosto… Vamos esperar pela segunda parte que na minha opinião não deixa a desejar em relação aos primeiros! abraços

    Responder
  5. brunomarise

    Também considero a performance do Belladona em Spreading The Disease o seu auge em estúdio, juntamente com o último disco do Anthrax

    Responder

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.