Podcast Grandes Nomes do Rock # 39: 45 Anos do Monterey Pop Festival

18 de junho, 2012 | por Mairon
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Por Mairon Machado
Monterey Pop Festival completou nesse final de semana 45 anos. Primeiro grande festival a reunir bandas de rock, o Monterey reuniu quase 100 mil pessoas entre os dis 16, 17 e 18 de junho de 1967, no auge do Verão do Amor. Apesar do público não ser muito grande, foi o marco inicial para que outros grandes festivais, como Altamont e Woodstock, viessem na sequência. Ajudou a consolidar o rock como símbolo da juventude, do flower power e da antiguerra.
Para comemorar, o Consultoria do Rock revive as bandas que se apresentaram nos três dias de festival através de um Podcast super especial. Em duas horas de programa, iremos apresentar os grupos que pisaram no palco de Monterey. A apresentação ocorrerá em três blocos trazendo uma canção de cada artista, na ordem em que foram apresentados no cronograma oficial.

Quando Loud Adler, Alan Pariser, Derek Taylor e John Phillips fecharam o acordo de criar um festival para apresentar as bandas que estavam surgindo na costa-oeste dos Estados Unidos, jamais eles pensaram que tal festival iria se tornar um marco revolucionário para os shows e grupos de rock a partir de então.
Batizado oficialmente de Monterey International Pop Music Festival, o festival nasceu da cabeça genial de John Phillips. Líder do grupo The Mamas & The Papas, o guitarrista e vocalista teve a brilhante ideia de organizar um festival para promover seu grupo. Estourando as paradas americanas com o álbum The Mamas and The Papas Deliver (segundo lugar na Billboard) e aclamados em todo o país, Phillips apostou na popularidade do quarteto. Formado por ele, Denny Dohert (vocais), Mama Cass (vocais) e sua esposa, a linda Michelle Phillips, o grupo seria a atração principal em um espetáculo onde algumas bandas iriam abrir para eles. 
Ao levar a oferta para os produtores Loud Adler e Alan Pariser, os dois concordaram, mas viram que precisavam de um apoio financeiro para aluguel de aparelhagem de som, local e pagamento das bandas. Foi o publicitário Derek Taylor quem enxergou além do trio citado e incentivou um festival maior, com as principais bandas da região da Califórnia. 
Durante sete semanas, o quarteto não mediu esforços (as atividades do The Mamas & The Papas ficaram estacionadas), e contatou diversas bandas. O cachê oferecido era simples, quase simbólico, mas a promessa de uma grande divulgação atraía os convidados.
Ravi Shankar, o único a receber cachê em Monterey
O número de convidados que aceitaram a proposta foi tanta que os promotores tiveram que reformular o convite. O cachê irrisório foi retirado e substituído para pagar a gravação de um filme que iria divulgar o festival. O único artista que acabou recebendo um dinheiro do festival foi Ravi Shankar. indiano não recebeu a carta com a nova proposta há tempo e levou $ 3.000 (três mil dólares) junto com sua Sitar.
O grupo Country Joe & The Fish também acabou recebendo um cachê de $ 5.000 (cinco mil dólares). O dinheiro, contudo, não veio dos promotores do festival, e sim por receitas geradas pelo documentário que foi feito sobre o evento, com direção de D. A. Pennebaker.

Com aquele que era considerado o melhor equipamento de som e luz, o melhor palco e a melhor infraestrutura de um festival já realizado até então, no dia 16 de junho de 1967 começava o Monterey International Pop Festival. Os três dias de atrações foram divididos na seguinte forma:

A dupla Simon & Garfunkel encerrou a noite de sexta.

Sexta-feira, 16 de junho

The Association

The Paupers
Lou Rawls 
Beverly
Johnny Rivers
Eric Burdon and The Animals
Simon and Garfunkel

Otis Redding encerrou a noite de sábado
Sábado, 17 de junho

Canned Heat

Big Brother and the Holding Company 
Country Joe and the Fish
Al Kooper
The Butterfield Blues Band
The Electric Flag
Quicksilver Messenger Service
Steve Miller Band
Moby Grape
Hugh Masekela
The Byrds 
Laura Nyro
Jefferson Airplane
Booker T. & the M.G.s
Otis Redding

A grande atração, The Mamas & The Papas, encerraram o festival
Domingo, 18 de junho 

Ravi Shankar 

The Blues Project
Big Brother and the Holding Company
The Group With No Name
Buffalo Springfield 
The Who 
The Grateful Dead
The Jimi Hendrix Experience 
Scott McKenzie
The Mamas & the Papas 

Alguns shows acabaram chamando mais a atenção do que outros. Dando uma pequena pincelada nos principais shows, na sexta-feira Simon & Garfunkel encantaram a plateia com seu folk simples e cativante. Apenas violão e voz fizeram uma performance digna do talento da dupla Paul Simon e Art Garfunkel. Eles mesmos consideram esta performance a melhor apresentação da carreira.

Nasce uma estrela, chamada Janis Joplin

No sábado, vários foram os destaques, a começar pelo desconhecido (até então) Big Brother & The Holding Company. Esta foi a primeira apresentação da vocalista Janis Joplin para um grande público, assim como dos seus colegas: Sam Andrew (guitarra, vocais), James Gurley (guitarras), Peter Albin (baixo, vocais) e Dave Getz (bateria). Um fenômeno que deixou muitos de boca aberta com o grupo praticamente sendo obrigado a aceitar o convite para uma segunda apresentação no dia seguinte. A partir dali, Janis Joplin se tornaria uma das maiores estrelas do mundo do rock e o Big Brother & The Holding Company ficaria marcado como o grupo que revelou essa grande estrela.

Jefferson Airplane: Lisergia e adrenalina no palco de Monterey

Ainda no sábado, o Jefferson Airplane fez jus ao seu status de principal banda da Califórnia e ao sucesso do álbum Surrealistic Pillow (lançado em fevereiro daquele ano). Com clássicos como “Somebody to Love” e “White Rabbit”, Grace Slick e cia. fizeram os hippies delirarem em outro excelente show, assim como Otis Redding que encerrou a noite animando a galera com clássicos como “(Sittn’ On) The Dock of The Bay” e “Try A Little Tenderness”.

The Who, quebrando tudo antes de Jimi Hendrix

O domingo reservou as maiores surpresas em termos de presença de palco. The Who, Grateful Dead e Jimi Hendrix eram os nomes que estavam listados para fazerem os shows antes do grande encerramento com o The Mamas & The Papas. O The Who não gostou de ser colocado antes de Jimi Hendrix. Afinal, eles tinham vindo da Inglaterra especialmente para o festival, eram um dos maiores nomes do rock britânico e não podiam se apresentar antes de um desconhecido. A discussão foi grande e tudo foi definido através de um sorteio. O Deus Negro ganhou, vindo a apresentar-se depois. Indignados, ao final do show do The Who, o guitarrista Pete Townshed e o baterista Keith Moon praticamente destruíram com o palco e os instrumentos, como que dizendo: “Depois de nós, ninguém mais irá tocar”. Chega a ser hilário ver um dos responsáveis pela aparelhagem de som correndo para tentar salvar os microfones.

Jimi Hendrix e sua incendiária performance

A guerra de egos não parou por aí. O Grateful Dead subiu ao palco e acalmou os ânimos dos exaltados, mas quando Jimi Hendrix e o Experience entraram em ação, o clímax atingiu seu pico máximo. O palco literalmente pegou fogo quando Hendrix, mostrando que além de ser um grande guitarrista era também um grande showman, fez misérias com sua Fender Stratocaster vermelha durante a apresentação de “Wild Thing”, antes de queimá-la em um ritual para lá de sinistro. Arrepiante até os dias de hoje!

Depois de todas as confusões, coube para o The Mamas & The Papas exercer o seu papel de protagonista do espetáculo, apresentando seus maiores clássicos como “California Dreamin'”, “Monday Monday” e o belíssimo encerramento com “San Francisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair)” e “Dancing in the Streets” com a participação de Scott McKenzie.

Passados 45 anos, Monterey permanece como um ícone e um símbolo da geração hippie. A partir dele, o mundo teve contato com as bandas do lado oeste dos Estados Unidos. Várias outras cidades ao redor do planeta passaram a incentivar e criar festivais de rock dando origem a grandiosos eventos como Altamont, Woodstock, Isle of Wight, California Jam, Rock in Rio, Loolapalooza e muitos outros.

Um evento marcante e eterno. Um dos melhores musicalmente e, principalmente, um dos mais organizados e seguros festivais da história.

Garota hippie curtindo o festival de Monterey em paz
Track list Podcast # 38 – Minha Mãe É Metaleira
Bloco 01
Abertura: “Minha Mãe É Metaleira” [do Programa Legal – 1993 (Regina Casé e Luis Fernando Guimarães)] / “Atom Heart Mother” do álbum Atom Heart Mother – 1970 (Pink Floyd)]
“Mother” [do álbum The Wall – 1979 (Pink Floyd)]
“Mother” [do álbum John Lennon/Plastic Ono Band – 1970 (John Lennon)]
“Mother” [do álbum Danzig – 1988 (Danzig)]
“Tie Your Mother Down” [do álbum A Day at the Races – 1976 (Queen)]
“Have You Seen Your Mother Baby, Standing in the Shadows” [do álbum 40 Greatest Hits – 1974 (Rolling Stones)]
Bloco 02
Abertura: “Mother Focus” [do álbum Mother Focus – 1976 (Focus)]
“Mother Mary” [do álbum Force It – 1976 (UFO)]
“Mother Goose” [do álbum Aqualung – 1970 (Jethro Tull)]
“Mother Earth (Natural Anthem)” [do álbum Ragged Glory – 1990 (Neil Young)]
“Mother Russia” [do álbum Live at Carnegie Hall – 1977 (Renaissance)]
“Mother Russia” [do álbum No Prayer for the Dying – 1990 (Iron Maiden)]
“Dominion / Mother Russia [do álbum Floodland – 1987 (Sisters of Mercy)]
Bloco 03
Abertura: “Mr. Long / O Mother / I Am Your Fantasy [do álbum Camembert Electriqué – 1971 (Gong)]
“Mamãe Eu Não Queria” [do álbum Metrô Linha 743 – 1984 (Raul Seixas)]
“Mamãe D’água” [do álbum Revolver – 1975 (Walter Franco)]
“Posso Perder Minha Mulher, Minha Mãe, Desde Que Eu Tenha o Meu Rock ‘n’ Roll” [do álbum Mutantes e Seus Cometas no País dos Bauretz – 1972 (Mutantes)]
“Mamãe Natureza” [do álbum Atrás do Porto Tem Uma Cidade – 1974 (Rita Lee)]
“Querida Mamãe” [do álbum Crescendo – 1989 (Ultraje a Rigor)]
“Mama” [do álbum Hunters and Pray – 2002 (Angra)]
Bloco 04
Abertura: “Mother Dear” [do álbum Equinox – 1975 (Styx)]
“Motherless Children” [do álbum 461 Ocean Boulevard – 1974 (Eric Clapton)]
“It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding) [do álbum Bringing it All Back Home – 1965 (Bob Dylan)]
“Mama, I’m Coming Home” [do álbum No More Tears – 1991 (Ozzy Osbourne)]
“My Guitar Wants to Kill Your Mama” [do álbum You Can’t Do That On Stage Anymore Vol. 5 – 1993 (Frank Zappa)]
“Mother’s Daughter” [do álbum Abraxas – 1970 (Santana)]
“Mamma Mia” [do álbum ABBA – 1975 (ABBA)]
“Mama Kin” [do álbum Aerosmith – 1973 (Aerosmith)]
“Mama Weer All Craze Now” [do álbum Slayed? – 1972 (Slade)]
Encerramento: “Every Mother’s Son” [do álbum Gimme Back My Bullets – 1976 (Lynyrd Skynyrd)]



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