Judas Priest no início dos anos 80: Glenn Tipton, Ian Hill, Rob Halford,
Dave Holland e K.K. Downing

Por Amancio Paladino

Caros leitores, é novamente com honra que continuo esta glamourosa discografia comentada do Judas Priest. Não há tempo a perder, então vamos lá: 

Screaming For Vengeance [1982]
Na contracapa, os dizeres são claros: “From an unknown land and through distant skies came a winged warrior. Nothing remained sacred, no one was safe from the Hellion as it uttered its battle cry… Screaming for vengeance.” Em uma tradução livre: “De uma terra desconhecida e dos céus distantes veio um guerreiro alado. Nada foi respeitado, e ninguém esteve a salvo do Hellion enquanto ecoava o seu grito de guerra… Gritando por vingança.” Este álbum chegou à posição de número 17 na parada Top 200 da Billboard e tornou o Judas Priest muito mais popular do que já era. Segundo a revista Kerrang!, o disco está na posição de número 46 entre os 100 álbuns mais influentes do Metal. De fato o line-up composto por Rob Halford, Glenn Tipton, K.K. Downing, Ian Hill e Dave Holland acertou em cheio, criando no mínimo dois clássicos eternos, a saber: “The Hellion + Eletric Eye” e “You’ve Got Another Thing Coming”. De longe as melhores do álbum, seguidas por “Screaming For Veangence”, sendo que “Fever” e “Take These Chains” são excelentes, e também bastante palatáveis. O vocal de Halford em “Take These Chains” é primoroso, e a banda cantando em coro dá um clima todo especial para a música. A parte “chata” é que a música acaba com um fade out, o que de fato irrita profundamente. “Riding on the Wind” é excelente também, com um riff de guitarra pegajoso, daqueles que ficam na cabeça o dia todo. Uma delícia, quando se gosta! É de suma importância saber que a turnê deste disco teve como bandas “suporte” nada mais, nada menos que Iron Maiden, Krokus e Uriah Heep. Ou seja, cada show foi garantia de casa lotada. Bons tempos que não voltam mais… Em uma mesma noite assistir Priest e Maiden? Delírio total, somente possível nos grandes festivais, tão escassos hoje em dia…

Defenders of the Faith [1984]
“Defensores da Fé”… O título já diz tudo! E os dizeres na contracapa complementam: “Rising from darkness where hell hath no mercy and the screams for vengeance echo on forever. Only those who keep the faith shall escape the wrath of the Metallian… Master of all metal.” Novamente, em uma tradução livre: “Ergue-se da escuridão onde a misericórdia escasseia e os gritos por vingança ecoam pela eternidade. Somente aqueles que mantêm a fé podem escapar da ira de Metallian… Mestre de todo o Metal”. A capa de Doug Johnson (que também criou a arte de Screaming For Vengeance) traz a imagem de Metallian, uma quimera que mistura tigre, carneiro e tanque de guerra. Um complemento perfeito para o pássaro Hellion da capa anterior. O disco começa com duas porradas perfeitas: “Freewheel Burning”, usada em diversos videogames de corrida como trilha sonora, seguida de “Jawbreaker”, com riffs certeiros e agudos sensacionais de Halford. “Night Comes Down” e “Some Heads Are Gonna Roll” também são perfeitas, e valem muito a pena serem ouvidas para fazer o sangue pulsar mais rápido nas veias. “Heavy Duty” e “Defenders of the Faith” são claras: somos os defensores da fé no metal e trabalhamos duro por isso: “Let’s all join forces / Rule with iron hand / And prove to all the world / Metal rules the land / We’re heavy duty / So come on let’s tell the world”.

Judas Priest em 1986



Turbo [1986]
Gravando praticamente um disco por ano e surfando na crista do sucesso, a impressão é de que o Priest decidiu relaxar neste álbum. Não que isso tenha levado a uma baixa qualidade sonora, mas houve uma mudança na temática. Novamente o estereótipo do Rock Star surgiu, e trouxe à tona músicas como “Rock You All Around the World” e “Wild Nights, Hot & Crazy Days”. Pode-se dizer que o disco tem uma temática escapista, um alívio frente ao peso dos dois trabalhos anteriores. Uma pausa na história iniciada em Screaming For Vengeance sobre um mundo devastado com heróis efêmeros e em decadência. Um parênteses deve ser feito para a música “Parental Guidance”, que foi escrita em resposta a Tipper Gore (esposa de Al Gore), na época uma das líderes da organização americana PMRC (Parents Music Resource Center), que ranqueou a música “Eat Me Alive”, do álbum Defenders of the Faith, como a terceira música mais ofensiva já escrita… O PRMC foi criado em 1985, e visava aumentar o controle sobre o acesso à música por menores de idade, e entre suas medidas está o uso dos selos indicativos de “Parental Advisory”… Este disco na prática fazia parte de um projeto maior, denominado pela banda como “The Twin Turbos”, em que a ideia original seria lançar um álbum duplo, no qual o primeiro disco seria o próprio Turbo, de temática leve, e o segundo seria um álbum na linha dos anteriores, ou seja, bastante pesado. Porém, os interesses comerciais prevaleceram, e os produtores decidiram dividir o álbum duplo em dois discos separados: Turbo e Ram It Down. Entre eles, o lançamento do duplo ao vivo Priest … Live!, em 1987, trazendo uma apresentação do grupo em Atlanta, no ano anterior. 

Ram It Down [1988]
Este album é uma preparação para a perfeição. Tido como o precursor de PAINKILLER, ele efetivamente foi um ensaio para o lançamento seguinte. Bateria extremamente rápida e músicas em alta velocidade, com temas voltados para a ficção científica foram a tônica do trabalho. “Heavy Metal” e “Hard as Iron” são as melhores, sendo que em “Heavy Metal” é nítida a semelhança do solo de guitarra de abertura com o solo inicial de “Metal Meltdown”, do álbum seguinte. Minha avaliação é de que este álbum foi capturado no meio do processo de criação do maravilhoso PAINKILLER. Um cover excelente de “Johnny B. Goode” (Chuck Berry) se fez presente, gravado especialmente para o filme “Johnny Be Good”, de 1988, estrelado por Antony Michael Hall, Robert Downey Jr. e Uma Thurman. O filme é uma típica comédia dos anos 80, e tentou fazer frente ao clássico dos clássicos “Ferris Bueller’s Day Off” (que se chamou “Curtindo a Vida Adoidado” no Brasil). Mais uma curiosidade sobre este álbum foi o uso de uma bateria eletrônica para substituir o baterista Dave Holland em alguns trechos, pois ele enfrentava problemas de saúde.
Pôster do filme “Johnny Be Good”
PAINKILLER [1990]
Preparam-se… 
PAIN… PAIN… PAINKILLER! 
Basicamente, faltam palavras para descrever a sensação que é ouvir PAINKILLER. Nunca nada foi tão rápido. Nunca nada foi tão carnal, ácido e direto… Em um mundo devastado pelas vicissitudes, surgiu o novo salvador. As seguidas derrotas de Hellion e Mettalian fizeram o poderoso anjo caído acordar de seu sono eterno. Travestido de PAINKILLER, veio à Terra montado em seu cavalo metálico, para tirar a humanidade das trevas, destruir os ímpios e vingar aqueles que lutaram por um mundo melhor. O anjo da vingança surgiu em uma noite escura para a todos redimir. Salve Judas Priest! Salve PAINKILLER! Heróis eternos! Tudo se inicia com a faixa título, “Painkiller“, que é uma obra fundamental, um pilar do conhecimento musical e da boa técnica. O recém-chegado baterista Scott Travis inicia o disco com exatas 25 porradas em apenas cinco segundos. Logo depois, anunciando a chegada do anjo salvador, vem mais uma sequencia harmônica rapidíssima, e então entram as consagradas guitarras dobradas, seguidas pela perfeita voz do Metal God, Rob Halford, entoando a letra: “Faster than a bullet / Terrifying scream / Enraged and full of anger / He’s half man and half machine / Rides the metal monster / Breathing smoke and fire / Closing in with vengeance soaring high / He is the Painkiller / This is the Painkiller”. Nesse momento você começa a suar frio, seu coração aumenta os batimentos e o sangue começa a pulsar em uma velocidade incrível! Uma descarga de adrenalina é liberada a cada nota musical, e seu cérebro entra em estado de atenção máxima para conseguir processar as infinitas sequências de notas musicais liberadas em perfeita sincronia. A letra continua: “Planets devastated / Mankind’s on its knees / A saviour comes from out the skies / In answer to their pleas / Through boiling clouds of thunder / Blasting bolts of steel / Evil’s going under deadly wheels / He is the Painkiller / This is the Painkiller”. Gritos de fúria são seguidos pela voz do Deus do Metal que anuncia a entrada do anjo: “Faster than a lazer bullet / Louder than an atom bomb / Chromium plated boiling metal / Brighter than a thousand suns”. Dois maravilhosos solos de guitarra levam a música a seu apogeu, e a velocidade é tamanha que você é obrigado a se privar de todos os sentidos para ouvir apenas as guitarras. Então, finalmente, Halford vocifera a vitória do anjo que retorna triunfal aos céus: “Flying high on rapture / Stronger free and brave / Nevermore encaptured / They’ve been brought back from the grave / With mankind ressurrected / Forever to survive / Returns from Armageddon to the skies / He is the Painkiller / This is the Painkiller / Wings of steel Painkiller / Deadly wheels Painkiller / ahhhhhhhh!”. Novos solos de guitarra, e enfim a música acaba… Alguns segundos se passam e novamente porradas anunciam a entrada de “Hell Patrol!”, uma música superlativa, com a letra praticamente constituída de adjetivos. Logo depois, “All Guns Blazing” inicia com Halford vociferando como nunca, em um agudo perfeito e impressionante. O mestre Scott Travis toca insanamente, e o refrão apenas tenta grudar na sua mente, pois em seguida vem “Leather Rebel”, “Metal Meltdown” e a tétrica “Night Crawler”. Basicamente não há muito que dizer, pois o disco é perfeito e figura certamente entre os três mais importantes álbuns de metal de todos os tempos em qualquer ranking sério que se faça. A entrada do baterista Scott Travis deu sangue novo à banda, que ressurgiu na cena musical com sua antiga temática dark e apocalíptica, renovada pelo Speed Metal. Diversas bandas foram profundamente influenciadas por este trabalho, como Gamma Ray, Primal Fear e Iron Savior.
Pôster do filme “Rock Star”

Se por um lado PAINKILLER foi um sucesso, também marcou a saída de Rob Halford da banda, em um episódio tão clássico que inspirou o filme “Rock Star” (2001), estrelado por Mark Wahlberg e Jennifer Aniston, que vale a pena ser assistido para entender a nova fase em que o Judas Priest estaria entrando com seu novo vocalista, Tim “Ripper” Owens. Mas isso é história para a terceira parte desta discografia comentada, que você confere na semana que vem…

7 comentários

  1. Mairon Machado

    Essa é uma fase bem irregular na minha opinião. Dos cinco citados, apenas Painkiller possui esplendor para ser considerado bom (e no caso, é um baita disco). Screaming for Vengeance é uma sequência perfeita para o British Steel (que eu já disse, não gosto), e o Defenders of Faith tem um q outro som mais legal de se curtir. Já Turbo e Ram it Down ainda hoje não consegui tragar. Apesar de não achá-los ruins, para uma obra tão grandiosa quanto a do Judas eles não entram entre os cinco melhores de jeito nenhum. Estava no aguardo da fase Ripper nessa postagem, mas o autor esticou em uma terceira e inesperada matéria a disco do Judas.

    Vamos ver o que virá pela frente, pois a fase Ripper é bem relevante

    E quanto a Sinner?????

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  2. Fábio RT

    Mairon… vc é o ouvinte mais do contra que eu já conheci !!!! heheheeh …. falo isso numa boa viu… não via estressar comigo não …. mas pelo AMOR DE DEUS !!!! Tu tem um gosto MUITO ESQUISITO RAPAIZ !!!!
    Abraço

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  3. Anônimo

    Eu ainda acho que esse tal "gosto" é só para aparecer e se sentir melhor e diferente da maioria. Baixa auto-estima com uma capa de aristocracia musical.

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  4. micaelmachado

    Beleza criticar os outros de forma anônima! Isso que é integridade! Seria esse anônimo um certo publicitário com "reconhecimento no centro do país" não querendo arriscar sua tão prezada "credibilidade"?

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  5. Everton Moraes

    Era 2001, eu tinha 18 anos, um velho Uno 1992 com um bom som e 4 cds originais do Judas…british steel, screaming for vengeance, defenders of faith e painkiller. Morava no interior de Minas, numa pequena cidade rodeada de montanhas…toda sexta á noite reuniamos a galera do rock para ouvir judas lá no alto da montanha mais alta, donde víamos as estrelas, o céu majestoso e as luzinhas das casas lá longe…tomavamos umas ali, riamos muito, todo isso ao som do Judas…bons tempos!

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  6. Anônimo de volta

    Ram it Down é um álbum injustiçado pacas. E de fato, ele é uma preparação para o álbum seguinte, o Painkiller. Se percebe um aprimoramento no instrumental, cada vez mais virtuoso e técnico. “Heavy Metal” e “Hard as Iron” são músicas incríveis. Duas das melhores músicas de toda a carreira do Judas. Uma pena que depois do Painkiller o Halford tenha caído fora da banda. Nem consigo imaginar qual caminho a banda teria seguido se ele tivesse continuado na banda. E vou causar polêmica aqui. Questão de gosto eu sei, mas nunca consegui curtir os dois únicos discos que o Judas Priest gravou com o Tim “Ripper” Owens nos vocais. Esses discos não tem nada a ver com a banda, foge completamente da sonoridade clássica. É um Judas tentando soar thrash.

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    • Igor Maxwel

      Eu até gosto do Ram it Down também (tirando o terrível cover de “Johnny B Goode” que o JP fez) e do Turbo, mas não tanto quanto os discos mais clássicos da banda. Não entendo por que o motivo da injustiça com estes dois discos… Quanto ao discos com o Ripper, não é exatamente o Judas Priest que todo mundo conhece.

      Felizmente o Halford voltou nos anos 2000… PARA NOOOOOOOOOOSSA ALEGRIA!!! Coloco Angel of Retribution e a edição Deluxe de Redeemer of Souls no mesmo nível dos discos mais famosos do Judas Priest. Recentemente ouvi uns boatos de que a banda irá lançar um disco novo em 2017… Pensei que desta vez o grupo iria infelizmente acabar…

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