Por Davi Pascale

Fotos: Vinicius Pereira (publicadas no site do Jornal do Brasil
No último final de semana, tivemos a primeira edição brasileira do cultuado festival Lollapalooza. Criado em 1991 pelo líder do Jane’s Addiction, Perry Farrell, o evento tornou-se um marco na música alternativa, uma vez que ajudou a popularizar nomes como Pearl Jam, Soundgarden, Primus e Nine Inch Nails, entre inúmeros outros.
Os shows estavam programados para iniciar ao meio-dia, mas o grupo Band of Horses (que voltou a se apresentar mais tarde) fez um show surpresa para aquecer os presentes. Eu, no entanto, resolvi encarar a maratona um pouco mais tarde. Cheguei ao local, o Jockey Club de São Paulo, pouco depois das 16h. Consegui acompanhar pelo televisor o roqueiro baiano Marcelo Nova e metade da apresentação do Cage the Elephant. Gostei do que vi pela transmissão, mas como não gosto de resenhar transmissão de TV, vamos ao que interessa.
Cheguei ao Jockey debaixo de um sol escaldante. O público já contava com um bom número de pessoas, algo que me impressionou. Já fui a muitos festivais nos quais o público começava a se formar depois do anoitecer. Quando cheguei, o conjunto O Rappa estava no meio de sua apresentação. A banda não faz meu gênero, mas demonstrou-se competente no que faz e agradou os presentes com seus hits.
Band of Horses

A estrutura era boa, o local é espaçoso, nenhum artista atrasou sua apresentação ou tocou mais do que o previsto, e o som estava bem equalizado. Mapas do evento eram distribuídos gratuitamente na porta para que as pessoas pudessem escolher as apresentações que gostariam de assistir. Os únicos problemas eram a fila interminável para a compra de comida e utilizar o banheiro – que persistiu durante todo o espetáculo – e a distância entre os dois palcos que contavam com as principais atrações. Ah… Sim, é claro. Faltou também uma estrutura melhor em relação ao transporte. Não há estacionamento no local, os taxistas cobravam preço fechado e inflacionado (o que é uma falta de respeito) e o metrô aparentemente teve problemas.

Aproveitei que estava por lá e conferi duas bandas internacionais que são bastante comentadas, mas cujos sons ainda não conhecia: Band of Horses e TV on the Radio. Ambos demonstraram-se esforçados e competentes, mas não me cativaram. Não sei se por falta de algum hit ou por outro motivo qualquer, mas achei os shows cansativos. Inevitavelmente são bons no que se propõem a fazer, mas não me empolgaram. Aliás, acabei não ficando até o final da apresentação do TV on the Radio. Aproveitei para conhecer o local direito e conseguir um bom lugar para assistir o show de Joan Jett & The Blackhearts, o qual eu estava realmente ansioso para assistir.
Joan Jett and The Blackhearts
Assim como os artistas anteriores, a cantora subiu ao palco pontualmente. Logo de cara emendou três grandes clássicos de sua carreira: “Bad Reputation”, “Cherry Bomb” e “Light of Day”. Com um grupo preciso, carisma invejável e muita simpatia, Joan conquistou os presentes rapidamente. Foi uma das artistas com menor público no dia (muitos não quiseram arriscar perder o inicio do show do Foo Fighters e acabaram não atravessando o Jockey para assisti-la), mas certamente teve uma das melhores receptividades.
Nos shows da Band of Horses e do TV on the Radio uma boa parte da plateia estava apática. Era comum vermos grupos de amigos conversando em roda e gente sentada no chão enquanto os grupos se apresentavam. Joan Jett, por outro lado, conseguiu prender a atenção do público e, inclusive, que a plateia cantasse algumas músicas com ela. Era nítida a diferença entre a apresentação dela e dos demais. Realmente tempo de estrada faz a diferença…
Um ícone no palco do Lollapalooza
O show foi curto (pouco mais de uma hora), mas todos seus grandes hits tiveram lugar garantido. Não faltaram “I Hate Myself for Lovin’ You”, “I Love Rock ‘n’ Roll”, “Do You Wanna Touch Me”, nem sua versão de “Crimson and Clover” (hit de Tommy James & The Shondells). Ainda arrumou tempo para demonstrar três canções inéditas e reviver o tempo das Runaways com “You Drive Me Wild”. Ao contrário das demais atrações, não tocou até o último minuto e resolveu sair do palco 10 minutos antes do início do Foo Fighters.
Com isso, quem foi assisti-la obteve tempo para voltar para o outro lado do Jockey, onde estava montado o palco do Foo Fighters. Quem não foi, perdeu o melhor show da noite. Ou, pelo menos, o mais profissional!
Às 20h30 iniciou a apresentação do grupo liderado por Dave Grohl. Essa era outra atração que esperava ansiosamente. Comecei a acompanhar Dave quando era baterista do Nirvana, e, por conta disso, passei a seguir o Foo Fighters muito antes de tornarem-se uma febre. Acompanho o conjunto desde o lançamento de seu álbum de estreia e esperava uma oportunidade de vê-los ao vivo. 90% do público de 75 mil pessoas estava lá por conta da banda. É realmente impressionante a fama que os rapazes conquistaram, e o mais impressionante é a devoção. A maior parte da plateia sabia todas as letras de cor: hits e lados B.
Foo Fighters em ação
A apresentação teve início com o hit “All My Life”. Já no início dava para perceber o que viria adiante: um show extremamente enérgico e com músicos competentes. Tudo perfeito se não fosse um pequeno detalhe: a voz de Dave Grohl não estava em seus melhores dias. Mesmo rouco o rapaz não poupou esforços e gritou o show inteiro. Por conta disso, na parte final do espetáculo, sua voz dava umas falhadas.
O público, no entanto, parecia não se importar com o fato e curtia cada canção apresentada. Hits como “Monkey Wrench”, “Breakout” e “Best of You” tiveram presença garantida. O músico desculpou-se pela demora para vir a São Paulo, elogiou a plateia e disse que voltariam em breve. Assim como Dave, os músicos Pat Smears (guitarrista que chegou a integrar o Nirvana, ao lado de Dave Grohl) e Taylor Hawkins (baterista) também são ovacionados pelo público. 
Em 150 minutos, o Foo Fighters apresentou todos seus grandes hits, mostrou canções de seu mais recente álbum (o ótimo Wasting Light) e fez uma pequena homenagem ao Pink Floyd interpretando o clássico “In the Flesh?”. Antes de encerrar com o hit “Everlong”, Joan Jett subiu ao palco para uma pequena jam com “Bad Reputation” e “I Love Rock ‘n’ Roll”. Os fãs saíram do local satisfeitos, torcendo para que o músico cumpra sua promessa de não demorar mais 17 anos para retornar a São Paulo. 
Foo Fighters, o grande nome da noite
Mesmo com algumas falhas, o que é comum nesse tipo de espetáculo, o Lollapalooza conseguiu fechar com um saldo positivo. Foi muito legal ver que as apostas não foram somente com os artistas internacionais. Tanto no sábado como no domingo vários artistas brasileiros, que não costumam ter oportunidades nesse tipo de evento, tiveram a oportunidade de demonstrar seu trabalho. Fiquei muito feliz com a escalação de artistas como Velhas Virgens, Cascadura e o já citado Marcelo Nova. Agora é torcer para que Perry Farrel continue apostando em nosso país e brinde o nosso povo com uma segunda edição em 2013. Por que não?
Set list do Foo Fighters:
1. All My Life
2. Times Like These
3. Rope
4. The Pretender
5. My Hero
6. Learn to Fly
7. White Limo
8. Arlandria
9. Breakout
10. Cold Day in the Sun
11. Long Road to Ruin
12. Big Me
13. Stacked Actors
14. Walk
15. Generator
16. Monkey Wrench
17. Hey, Johnny Park!
18. This Is a Call
19. In the Flesh? [Pink Floyd]
20. Best of You
Bis:
21. Enough Space
22. For All the Cows
23. Dear Rosemary
24. Bad Reputation/ I Love Rock ‘n’ Roll [Joan Jett]
25. Everlong

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