Por Fernando Bueno
Apesar de ter sido lançado há quase um ano no Brasil pela Hellion Records, fui ouvir Big Dogz apenas uns dois meses para cá. Antes de escutá-lo e me interessar por esse disco, li diversas opiniões positivas a respeito  do mesmo. Confesso que, em termos de Nazareth, tenho conhecimento muito restrito, tendo ouvido por completo apenas os álbuns considerados obrigatórios, como Razamanaz (1973) e Hair of the Dog (1975), além de uma ou outra música de outros discos.
É evidente que você não encontrará nada desses clássicos supracitados em Big Dogz. Desde a capa até a sonoridade há um ar de modernidade. Modernidade que, segundo diversas fontes, vêm permeando não só esse álbum, mas também os mais recentes registros do quarteto. Isso é natural de acontecer com uma banda que já havia gravado 21 álbuns anteriormente e que não sofre da “síndrome AC/DC”. Podemos traduzir essa supracitada modernidade em um acréscimo considerável de peso, para os padrões do Nazareth, é claro, mas com um som sem muito distorção, como seria de se imaginar. Creio que essa característica atual é influência direta do baterista Lee Agnew, filho do baixista Pete Agnew (completam a banda atualmente o vocalista Dan McCafferty e o guitarrista Jimmy Murrison).
Jimmy Murrison e Pete Agnew (acima), Lee Agnew e Dan McCafferty (abaixo)
Segundo o próprio Lee o nome do álbum vem de um ditado que diz não ser possível ensinar a cachorros velhos novos truques. A intenção da banda é mostrar que isso não é verdade, e que no caso deles isso não só é possível como eles estão provando em Big Dogz. Achei bem apropriado, já que a renovação em seu som está se mostrando muito satisfatória.
Você não vai se apaixonar logo na primeira audição. Ou seja, se você é imediatista e impaciente, passe longe desse disco. Após ouví-lo algumas vezes, podemos notar alguns destaques entre as onze músicas que compõem o registro. “Big Dog’s Gonna Howl”, a faixa de abertura, com um groove pesado e arrastado, é uma delas. Aliás, essas são características que aparecem ao longo de todo álbum.
“No Mean Monster” é mais animada e lembra um pouco o que o Deep Purple vem fazendo nesses últimos discos. O mesmo acontece com “Radio”, que possui o refrão mais marcante do álbum. Já “When Jesus Comes to Save the World Again” tem a função de trazer um pouco de melancolia ao disco. A balada “Butterfly” é uma tentativa sem sucesso de criar uma nova “Love Hurts”. No mais, outro destaque fica para a viagem sonora com versos falados ao estilo Dark Side of The Moon (Pink Floyd) em “Sleeptalker”.
Esse disco não mudará sua vida, mas vale a audição. Big Dogz pode ser encarado de duas maneiras; como uma porta de entrada para a extensa discografia da banda, e uma maneira dos fãs antigos se acostumarem às bandas e às sonoridades atuais.

Track list:

1. Big Dog’s Gonna Howl
2. Claimed
3. No Mean Monster
4. When Jesus Comes to Save the World Again
5. Radio
6. Time and Tide
7. Lifeboat
8. The Toast
9. Watch Your Back
10. Butterfly
11. Sleeptalker

3 comentários

  1. Marco Gaspari

    Gostei de ver o Bueno homenageando a semana santa. Mas diferente do Homem de Nazaré que ressuscitou para a glória do cristianismo 3 dias depois de crucificado, o Nazareth deveria permanecer mortinho após seus bons discos dos áureos tempos. Cristo faz muita falta, agora o Nazareth, convenhamos…

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  2. Daniel

    Sou completamente leigo quando assunto é o Nazareth. Apesar de já ter ouvido falar muito da banda, nunca me interessei em ouvir um álbum. Porém ao ler essa resenha, fiquei interessado em conhecer esse álbum dos caras. Grande post.

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  3. Groucho KCarão

    Ainda não ouvi esse disco. Aliás, não sou tão familiarizado assim com o Nazareth, apesar de ter ouvido muito o Hair of the Dog e algumas vezes os otros discos dessa época. Valeu a dica.

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