DVD: Emerson Lake & Palmer – 40th Anniversary Reunion Concert [2011]

26 de janeiro, 2012 | por micaelmachado
Diversos
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Por Micael Machado

Tudo começou com um convite dos organizadores do High Voltage Festival, na Inglaterra, aos empresários do trio Emerson Lake & Palmer, propondo um show especial em comemoração aos quarenta anos do grupo. Surpreendendo a todos os envolvidos, os três músicos toparam se apresentar (segundo Lake conta no documentário que vem de bônus neste disco, como um encerramento adequado à carreira deles, na cidade onde tudo começou, e como uma forma de presentear os fãs mais jovens, que não tiveram a oportunidade de vê-los ao vivo – a grana alta que eles devem ter ganho não pesou em nada, hein?), e, desse modo, a 25 de julho de 2010, ocorreu este evento histórico, lançado agora no mercado brasileiro pela gravadora Coqueiro Verde. Para quem gosta da música destes gigantes do Rock Progressivo, um DVD imperdível.
Quase tudo o que se espera de um espetáculo do trio está presente na uma hora e meia de duração deste show: Lake tocando sobre um tapete persa, Palmer tirando a camisa na hora de seu solo de bateria enquanto mantém o ritmo com os pés, Emerson com um teclado portátil que solta fogos de artifício e que ele esfrega em suas pernas e nádegas enquanto interpreta “Tarkus”, além de seu moog com uma “parede eletrônica” cheia de fios por trás, canhões disparando ao final de “Pictures At An Exhibition… só faltou mesmo Emerson esfaqueando o teclado ou fazendo amor com o Hammond, como nos anos 70!
Keith Emerson
Após um anúncio de “London, will you please welcome on stage Emerson, Lake And Palmer” (senti muita falta do anúncio tradicional que dá nome ao triplo ao vivo lançado pelo grupo em 1974), os três entram no palco: Carl Palmer (bateria) com os cabelos grisalhos e uma saliente barriguinha, Greg Lake (baixo, violão e voz) pesando uns 300kg (mas conservando a mesma voz grave que tinha nos anos 1990), e Keith Emerson (teclados) parecendo uma tia velha. Se eu visse os três na rua, e não soubesse quem eles eram, dificilmente diria serem três dos mais importantes músicos do cenário mundial em todos os tempos. Mas o que esses senhores fazem ao tocar juntos, mesmo depois de uma ausência de doze anos dos palcos, é emocionante!
O set list apresentado não foge muito daquele que eles tocavavam nas turnês da década de 1990, sendo “Farewell To Arms”, do disco Black Moon (1992), a maior surpresa (eu, pelo menos, nunca tinha ouvido esta música ao vivo). Particularmente, senti falta de “Pirates”, mas, mesmo assim, pouco há do que se possa reclamar neste show.
A versão abreviada de “Karn Evil 9” que o grupo apresenta desde a turnê do citado Black Moon (ou de antes ainda) abre os trabalhos, com o público cantando junto (aliás, o público é muito participativo ao longo de todo o DVD), sendo seguida por uma lenta e quase irreconhecível “The Barbarian” (do disco de estreia, autointitulado, de 1970, e uma das minhas favoritas na longa carreira do trio), com Emerson viajando muito em seus vários teclados (essa redução na velocidade também é perceptível mais adiante em “Knife-Edge”, também do disco de estreia, talvez devido à idade dos músicos). “Touch And Go”, originalmente do disco Emerson, Lake & Powell (1986, com Cozy Powell substituindo Palmer) saiu praticamente perfeita, talvez por já ter um andamento mais lento em sua versão original.

Greg Lake
Por ser tocada em um moderno teclado digital, e não em um piano de cauda como nos anos 1970, faz falta em “Take a Pebble” aquela parte na introdução onde Emerson tocava nas cordas do instrumento, substituídas aqui pelas teclas convencionais. A canção é tocada até a parte do solo de piano, emendando com “Tarkus“, que começa também naquela parte ao piano antes de “Stones of Years”, sendo tocada em uma versão abreviada a partir daí (sendo essas reduções devido, suponho eu, à limitação no tempo de apresentação do trio, que teve de cortar quase meia hora de seu set list inicial devido aos atrasos do festival e à necessidade de tudo acabar as dez e meia da noite, como é explicado no documentário presente no DVD).
Lucky Man” é anunciada por Palmer, e ainda emociona mesmo 40 anos depois de gravada, com o público cantando junto e fazendo um show a parte. E outra música que aparece em uma versão abreviada é a já citada “Pictures…”, com apenas quatorze minutos contra os mais de trinta da versão original do trio. Mesmo assim, de arrepiar!
Carl Palmer
O encerramento se dá com parte de “Fanfare For A Common Man”, emendada ao solo de Carl Palmer (veja parte dele aqui), onde o baterista mostra que, fora do mundo do jazz, somente Bill Bruford pode competir com ele em termos de talento. Mike Portnoy? Neil Peart? Depois de assistir Carl Palmer, você vai ficar pensando que esses caras não tocam nada. Abro um parênteses para dizer que Keith Emerson sempre foi o meu músico favorito dos três, mas, neste show, embora o tecladista esteja tocando muito, quem rouba a cena é o baterista, com uma técnica e uma precisão absurdas, segurando a baqueta inclinada na mão esquerda como os grandes mestres do jazz, e dando marretadas em seus gongos ao longo da apresentação, para satisfação da estupefata plateia, que responde com vibração a cada paulada dada por ele nos pobres instrumentos. Um espetáculo a parte! Tudo se encerra com um trecho de “Rondo”, e muitos fogos de artifício iluminando o céu de Londres. 
Como disse, de bônus há um documentário de quase meia hora com detalhes do show, desde o convite até sua realização, narrado por empresários, jornalistas, fãs e os próprios músicos, felizmente tudo com legendas em português feitas por quem entende da língua e do assunto tratado, e não aquelas coisas toscas que muitas vezes encontramos por aí. Ponto para a edição nacional, e um enorme respeito ao público consumidor.
O trio no palco
A idade pode ter retirado algumas coisas destes jurássicos representantes do rock progressivo, mas não lhes tirou seu talento e sua capacidade de emocionar. Se este for mesmo o último show do trio, foi uma despedida digna, e um espetáculo que, certamente, ficará na memória dos felizardos presentes naquele festival. E que podemos agora compartilhar, ainda que pelas ondas da televisão.
Sendo assim, “welcome back my friends to the show that never ends. Ladies and Gentleman, Emerson, Lake And Palmer!” Mais uma vez!
Set List:

1. “Karn Evil 9: 1st Impression – Part 2”
2. “The Barbarian”
3. “Bitches Crystal”
4. “Knife-Edge”
5. “From The Beginning
6. “Touch and Go”
7. “Take a Pebble”/”Tarkus”
8. “Farewell To Arms”
9. “Lucky Man”
10. “Pictures At An Exhibition medley”
11. “Fanfare for the Common Man/Drum Solo/Rondo”



10 Comentarios

  1. Marco Gaspari disse:

    Vou desabafar uma coisa aqui que pode soar como paradoxo. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de rock progressivo. Foi a música que marcou minha vida dos 15 aos 22 anos. Esses caras do ELP, YES, GG, Jethro, VdGG, Genesis, KC, PF eram meu heróis. Mas juro que, para mim, essas bandas acabaram lá por 1976. Ver esses senhores ao vivo, trinta anos depois é muito “baile da saudade”. Me deprime. Mostra que o velho sou eu e envelhecer, meus amiguinhos, é uma merda. Não tenho nada contra eles se reunirem, matarem a saudade de seus fãs e darem risada, ganhando seu dinheirinho honesto. Mas não esperem que eu tome meus remedinhos para pressão alta e coloque o DVD para ter fortes emoções. As experiências que tive nesse sentido foram um tiro no pé, com raras exceções. Gosto quando eles formam grupos novos e a gente sente que sua música evoluiu. Caso do Carl Palmer, que se juntou tempos atrás com dois garotos e parecia mais novo do que eles. Keith Emerson e Greg Lake, por outro lado, são caricaturas do que eram. Tenho muitos amigos da minha idade que ficam defendendo os senhores do progressivo, dizendo que eles sim são os músicos de qualidade e a prova viva de que não se fez nada melhor depois deles no rock. Essas bobagens. Não penso assim. Apesar de não me entusiasmar com muita coisa que foi feita a partir dos anos 80, acho essas reuniões jurássicas tão excitantes quanto descer pela frente do ônibus e outras condescendências da terceira idade. De toda forma, é sempre agradável ver um jovem como o Micael se emocionando com os velhinhos. E aposto que a opinião dos jovens, para os senhores do ELP, é muito mais importante do que o ressentimento dos velhos fãs. Abração, Micael.

  2. fernandobueno disse:

    Gosto muito de ELP e eles estão, junto com Pink Floyd, Yes, Genesis e King Crimson, no meu top 5 das bandas progressivas. Eu achava que a banda era mais respeitada pelo público em geral quando comecei a ouvir música, mas depois de um tempo percebi que eles eram vistos como exemplos de todos os excessos do progressivo da década de 70. PAra falar a verdae soube desse DVD, mas nem lembrava mais. Vou ter que ir atrás agora…

  3. Não curto muito o ELP ao vivo, pelo menos não como acho que a maioria curte. Acho que a coisa vira espetáculo demais e arte de menos. Claro que há exceções, e QUE exceções! "Pirates", na versão que saiu do King Biscuit Flower Hour dá de pau na original, sendo uma das – senão A – minhas músicas favoritas da banda, nessa versão! Acho que esse tipo de reunião realmente deve empolgar mais a nós, fãs jovens da banda. Acho compreensível que os fãs da época, ao menos aqueles que mantiveram o espírito progger juvenil, como o Gaspari, não vejam a menor graça nisso.

  4. micaelmachado disse:

    Gaspa, o problema é que você curtiu esses caras na época áurea deles, e nada vai superar o topo. Quando eu conheci o ELP, eles estavam para lançar o Black Moon, ou seja, quase fundo do poço. Foi pelos parcos vídeos disponíveis que fui saber do que eles eram capazes nos seventies. Sendo assim, é claro que hoje eles são pálidas caricaturas do que já foram um dia, mas só o fato de ainda estarem "de pé" e fazendo um som com dignidade (e não uma enrolação desrespeitosa) acho que deve ser louvável. Sei que teu comentário não quis dizer nada oposto a isso, mas, de todo modo, prefiro me emocionar com os velhos senhores queimando os últimos resquícios de combustível que sobraram na reserva do tanque (embora a 10km por hora, não a 100 como na juventude) do que com muita banda de garotinho colorido de hoje em dia…

    Abraço também!

  5. Marco Gaspari disse:

    Pois é, Micael… O nono aqui tá chato bagarai. Mas saiba que banda de garotinho colorido sempre existiu e tinha um monte nos anos 70. Uma mais estúpida que a outra. O que significa também que bandas boas sempre existirão. Hoje e no futuro. Como eu disse, quero mais é que Mr. Emerson, Mr. Lake e Mr. Palmer toquem e encantem seus fãs até onde puderem. Mas eu não me emociono mais com eles.

  6. Sinceramente, em 1998 ou 97 eu assist um VHS do ELP na citada turne do Black Moon. Que tristeza. Ouvir o Lake cantar foi terrivel, quase tão depreciativo quanto ouvir Ian Gillan ao vivo em 2006. Tnebroso é pouco.

    Keith Emerson, um dos maiores tecladistas do progressivo, virou fantoche de suas maluquices no palco, e não adianta, não é mais o mesmo. Somente Palmer, com sua tecnica inegavel, continua algo palpavel e apreciavel.

    Isso sobre um show de 92, ou seja, 20 anos atras. Com certeza, em 2010, tudo deve ter piorado, portnto, prefiro ficar vendo oVHS original de Pictures at an Exhibition (totalmente podado na versão do DVD) do que ter q aturar o Greg Lake fanho e forçando os Ss para cantar "Welcome back my friendsss to the show that never endssssss"

    O lado positivo fica para a Coqueiro Verde fazer ese tipo de lançamento. Tem varios DVDs da gravadora que estao saindo, e q mesmo parecendo uns bootlegzao, tem agradado pelas raridades

    Voltando ao prog, as unicas bandas que ao vivo ainda da prazer de ver e ouvir são yes e VDGG (isso das famosas). O resto (King Crimson, ELP, …) é muito brabo

  7. Exijo retratação do Mairon quanto ao que disse do King Crimson, que ainda brilha muito ao vivo!

  8. Só insistindo nessa stória – e já sabendo que a geral vai chiar -, uma ótima performance ao vivo foi a do Roger Waters naquele duplo In the Flesh. Tirando as músicas cantadas por otras pessoas, ficou tudo muito bom, PRINCIPALMENTE as faixas da carreira-solo dele! Não teve nenhuma do Radio K.A.O.S., mas isso é perfeitamente compreensível, já que é praticamente impossivel sequer chegar perto do nível de perfeição que as músicas desse disco alcançaram já em estúdio!

  9. Concordo cntigo Groucho, masnão esquece que o IN THE FLESH é de dez anos atras. Hoje, o Waters ta meio baleado, e eu tenho medo da The Wall Tour, principalmente depois de ter ouvido ele cantar Wish You Were Here no Live 8

  10. Marco Gaspari disse:

    Acho que foi em 2003 ou 04, sei lá, mas fui assistir o PFM aqui no Credicard Hall. Adorei. Um show ótimo, sem grandes firulas e muita empatia. Um dos músicos não veio (não me lembro qual) porque tinha medo de avião. Fiquei num dos camarotes/mordomia junto com uma rapaziada que estava lá mais pela boca livre. Não faziam idéia de quem iria tocar e eu, sem graça, tive que fazer uma introdução. Quinze minutos de show e estavam todos de queixo caído ou engasgando com os petit-fours, hehe…

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