Alice Cooper

Nesta primeira semana de janeiro, de segunda a sexta, diversos colaboradores da Consultoria do Rock estarão apresentando listas com suas preferências particulares envolvendo os novos álbuns de estúdio lançados em 2011. Cada redator tem a oportunidade de elaborar sua listagem conforme seus próprios critérios, escolhendo dez álbuns de destaque, além de uma surpresa e uma decepção (não necessariamente precisam ser discos). Conforme o desejo de cada um, existe também a possibilidade de incluir outros itens à seleção, como listas complementares, enriquecendo o processo e apresentando sugestões relacionadas ao ano que acabou de se encerrar. Como culminância do processo, no sábado, os dez álbuns mais citados serão compilados e receberão comentários de todos os colaboradores, não importando o teor das opiniões.

Nosso parceiro João Renato Alves, do blog Van do Halen, também nos deu a honra de participar com suas escolhas. Confiram:
Por João Renato Alves
2011 foi um grande ano em termos de lançamentos. Foi difícil organizar essa lista e alguns grandes discos ficaram de fora. Mas aqui está aquilo que o caro leitor não deve deixar passar de forma alguma.

Álbuns do ano
Alice Cooper – Welcome 2 My Nightmare
Resgatar um clássico sempre é tarefa complicada. Ao longo da história vimos bandas dar com os burros n’água nesse tipo de tentativa, que sempre soou um tanto quanto oportunista. Em seu três álbuns anteriores, Alice Cooper já se aproximava da sonoridade dos primórdios de sua carreira. Agora, resolve dar prosseguimento à história de seu primeiro lançamento solo, adaptando a temática aos tempos atuais. Para ajudá-lo, o mesmo produtor de 1975, o lendário Bob Ezrin. A volta da parceria acentuou o lado dramático das composições de Vincent Furnier. Com isso, trouxe uma variação maior dentro da proposta sonora. Portanto, se você espera um disco puramente Hard Rock, a chance de decepção é enorme. Tal qual sua obra precursora, Welcome 2 My Nightmare não deve ser encarado como um trabalho convencional, ou não será absorvido em sua integralidade. Mais que um álbum de Rock, é o atestado de genialidade a duas das mais brilhantes mentes da história da música. E um daqueles momentos que não podem ser repetidos toda hora. Abra sua mente e aproveite a viagem ao mundo maluco de Vincent Furnier em um dos melhores discos lançados em sua rica história!

Voodoo Circle – Broken Heart Syndrome
Alex Beyrodt é, sem dúvida, um dos grandes nomes da guitarra na cena Hard/Heavy atual. Não à toa, possui uma folha corrida representativa, com trabalhos no Primal Fear, Sinner e Silent Force, apenas citando alguns mais conhecidos. Mas nenhum chega perto de seu projeto autoral, o Voodoo Circle. E quem diria que após um primeiro disco espetacular, viria outro ainda melhor? Mas é exatamente o que acontece em Broken Heart Syndrome, petardo Hard/Heavy misturando o que há de melhor nas eras dos estilos.

The Magnificent – The Magnificent
A nova geração definitivamente não tem medo de esconder suas preferências. Enquanto por muito tempo criou-se um abismo separando o Hard Rock oitentista do resto do mundo, hoje a influência é assumida e muito bem recebida. Como podemos ver no caso do The Magnificent, projeto encabeçado pelo vocalista Michael Eriksen, conhecido na cena metálica pelo seu trabalho no Circus Maximus. Aqui, em parceria com Torsti Spoof (Leverage), ele escancara outra faceta de sua personalidade musical, mostrando um trabalho que mescla sonoridade de grupos atuais com as lendas do estilo. Para melhorar, ainda há bem-vindos toques Heavy pontuais nas faixas, especialmente nas guitarras.

Iced Earth – Dystopia
Um misto de expectativa e angústia tomava conta de mim antes de ouvir o novo álbum do Iced Earth. Afinal de contas, fazia tempo que a banda me decepcionava. As primeiras músicas que vazaram mostravam que Stu Block, o novo vocalista, parecia se adaptar rapidamente, sem fugir do que Matt Barlow sempre fez. Porém, a prova de fogo definitiva não estava no registro vocal, mas nas composições, ponto fraco dos mais recentes trabalhos. Pois as dúvidas se dissiparam já na primeira conferida de Dystopia, que resgata o que de melhor a banda de Jon Schaffer fez na carreira e injeta sangue novo nas veias de um grupo que parecia condenado a se tornar uma cópia de si próprio.

Beth Hart & Joe Bonamassa – Don’t Explain
Talento de sobra. Seria simples definir em poucas palavras o encontro da bela voz de Beth Hart com Joe Bonamassa, um dos melhores guitarristas surgidos nas últimas décadas. Mas ainda seria pouco para justificar o que temos aqui. Don’t Explain reúne covers de várias lendas da música, interpretados com alma. Para completar o espetáculo, a banda que acompanha a dupla é acima de qualquer suspeita, trazendo feras que não precisam provar mais nada a ninguém, como Blondie Chaplin (Rolling Stones, The Byrds) e Anton Fig (KISS, Frehley’s Comet, David Letterman’s Band).
Chickenfoot – III
Após ter dividido opiniões em sua estreia, o Chickenfoot retorna mais coeso e entrosado em III, o segundo álbum – sim, o título exalta o bom humor de quatro músicos com a carreira ganha e que se juntaram para tocar um Rock and Roll sem maiores compromissos. A princípio acharia desnecessário dizer, mas pensando melhor, creio que vale a pena: esqueçam o Van Hagar. Sim, afinal de contas, esse foi o motivo que fez muita gente desgostar do disco anterior. E convenhamos, seria uma bobagem retomar aquela sonoridade, além de um desrespeito às histórias de Joe Satriani e Chad Smith, que possuem uma força muito grande para se tornarem meros imitadores.
King Kobra – King Kobra
Terminou a espera! Desde o anúncio de seu retorno, o King Kobra alimentou uma grande expectativa junto aos fãs. Não apenas pela volta em si, como pela curiosidade de ver como se sairiam com Paul Shortino assumindo o microfone. Quem acompanha a carreira do vocalista há mais tempo, sabe muito bem de sua qualidade. Mas é claro que, muitas vezes, isso não é suficiente para garantir o sucesso da empreitada. Felizmente, nesse caso deu certo, pois o álbum auto-intitulado tem tudo para agradar os conhecedores do trabalho do grupo.

Whitesnake – Forevermore
A espera foi até mais longa que o imaginado. Mas finalmente, David Coverdale e sua trupe retornam com Forevermore, trabalho que dá continuidade à saga Hard Rock da Cobra Branca. Quem aprovou Good to Be Bad, trabalho anterior, pode correr atrás sem medo de errar. As diferenças não são das maiores, o que por si só já é muito bom. Mas esse álbum possui uma veia Blues mais forte em comparação aos mais recentes – leia-se por recente, últimos vinte anos, já que o grupo não é lá muito constante em trabalhos inéditos.

Ritchie Kotzen – 24 Hours
E lá vem o brilhante Richie Kotzen com mais um exemplar de sua musicalidade diferenciada. Aliás, está cada vez mais difícil encaixá-lo em um segmento específico. O que é algo muito positivo, já que sua genialidade não poderia mesmo ficar presa a um gênero. 24 Hours não se diferencia muito de seu trabalho anterior, Peace Sign. Talvez esteja um pouco mais focado na parte suingada de sua formação. Mas quem gostou de um, automaticamente gosta do outro sem a menor dificuldade. Todos aqueles elementos que caracterizam a carreira solo de Kotzen estão presentes, com sua capacidade ímpar de compor temas que, ao mesmo tempo, são acessíveis e evidenciam uma técnica muito acima da média comum.
Work of Art – In Progress
Esses suecos já tinham deixado uma boa impressão em seu álbum de estreia, que chamou a atenção de fãs de AOR/Melodic Rock em todo o mundo. A competência técnica e a capacidade de criar passagens marcantes se sobressaiu, fazendo com que o trio se tornasse respeitado na cena. O conceito só aumentou quando Robert Sall, a mente brilhante por trás da empreitada, se juntou a Jeff Scott Soto no W.E.T., projeto que surpreendeu, lançando um espetacular álbum em 2009. E o que já era bom ficou ainda melhor em In Progress, novo trabalho do Work of Art, apresentando clara evolução em relação ao anterior.

A surpresa

The Magnificent – The Magnificent
A decepção

Hammerfall – Infected 

Eles já estavam mal das pernas há algum tempo. Mas agora enterraram a carreira de vez com seu trabalho mais redundante e preguiçoso. Longe da pegada dos primeiros e sem melodias cativantes, o Hammerfall mostrou realmente estar infectado com algo.

2 comentários

  1. diogobizotto

    Terei que conferir com brevidade esse álbum do Voodoo Circle, pois as referências passadas são ótimas, e não são poucas as citações a seu respeito. Nunca havia lido a respeito do The Magnificent, mas também entrou para a lista de álbuns a conferir em um curto espaço de tempo.

    Ouvi esse novo álbum do King Kobra e curti, achei surpreendente, ainda mais para quem estava acostumado àquela sonoridade mais AOR, quase pop, do início da carreira, em especial no álbum "Thrill of a Lifetime". Não achei tuuuudo aquilo, mas gostei, é um álbum de hard rock de verdade, sem frescurada, e Paul Shortino manda bem.

    Gostei do que o João Renato escreveu a respeito das influências oitentistas serem bem mais assumidas hoje em dia, fato que julgo ser reflexo do respeito que o gênero conquistou com o passar do tempo, passando a ser visto como um movimento musical tão digno quanto qualquer outro. O trabalho do grupo Work of Art é um belo exemplo disso. Apesar de não tê-lo incluído na minha listagem, certamente se trata de um dos melhores (se não o melhor) álbum relacionado ao AOR que ouvi em 2011. Outro disco do gênero que curti bastante foi o álbum solo de Fergie Frederiksen, em especial devido à sua excelente faixa-título, "Happiness Is the Road".

    E Richie Kotzen, hein? Parece que, mesmo que tente, esse cara não consegue errar. Apesar de não considerar "24 Hours" tão bom quanto o anterior, "Peace Sign", sempre é com muita expectativa que recebo novos álbuns do cara, e nunca tenho me decepcionado.

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  2. Carlos

    Até que o mundo não tá perdido não, 2011 foi um ano prospero pro rock,
    isso pra quem não se deixa levar por listinhas da MTV ou de outra publicação que vive a base de jabá…ou que leva em conta a opinião de guris de fraldas, parabéns pelo nivel das resenhas, isso com certeza ajudará muita gente a degustar melhor certos discos que as vezes pela demanda e facilidade q a rede nos propicia, acabam não sendo ouvidos com a devida atenção!!!

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