Meu reino por um touro: Horslips – The Táin [1973]

8 de outubro, 2011 | por Marco Gaspari
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Por Marco Gaspari

The Táin é o grande épico da Irlanda, também conhecido como a Ilíada dos irlandeses. Uma história tão selvagem e fascinante que extrapolou o mundo celta para se tornar a maior saga de toda a Europa ocidental. Na mitologia irlandesa existem várias outras lendas que carregam o táin no nome (Táin Bó Froích, Táin Bó Dartada, Táin Bó Fridais…), mas apenas o Táin Bó Cuailnge (O Ataque ao Gado de Cooley), pela sua grandeza, teve a honra de ser chamado simplesmente The Táin.
Na antiguidade, os contadores de histórias costumavam levar as tardes de uma semana inteira para contar toda a saga, protagonizada por Cu Chulainn, a quintessência do herói da mitologia irlandesa, e pela deusa rainha Maeve, considerada promíscua já que teve vários relacionamentos ao longo de sua existência e gerou tantos filhos que foi adotada no país como a deusa da fertilidade.
Maeve, na época, era casada com o mortal Ailill e os dois governavam a província de Connacht. Uma noite, entre os lençóis, o casal começa a comparar suas posses para saber quem tinha mais poder para governar. Quando tudo parecia caminhar para um empate técnico, eis que Ailill apresenta uma vantagem: ele possui o Touro de Chifres Brancos, um animal de origem sagrada.
Enciumada, Maeve procura por toda a Connacht um animal tão maravilhoso ou superior ao do marido. Não encontra, mas fica sabendo que na província de Ulster existe um grande touro marrom, também sagrado e imortal, o Touro Marrom de Cooley, pertencente a um tal de Daire mac Fiachniu. Este consente em emprestar seu Touro em troca de uma grande recompensa, mas os homens de Maeve resolvem roubá-lo, assim a rainha não teria que despender um tostão. Daire percebe a manobra e esconde o touro. Não resta outra saída a Maeve do que invadir Ulster com seu exército e levar o touro a força. E assim começa a guerra.
Por guerra entenda-se que, apesar dos exércitos, cada parte envolvida enviava seus campeões para disputas até a morte e, quando não houvesse mais campeões a serem derrotados, haveria um vencedor. Maeve achava que venceria fácil, pois todos os campeões de Ulster estavam sob efeitos de uma maldição lançada pela deusa Macha. Durante certo período do ano todos eles sentiam as dores do parto devido a um insulto feito à deusa.
Acontece que o rei de Ulster, Conchobar, era pai de criação do grande herói Cu Chullain e este, por suas origens divinas, não era afetado pela maldição. Então coube ao herói sozinho enfrentar todos os campeões enviados por Maeve e derrotá-los um após o outro. Como último recurso, Maeve convocou seu maior guerreiro, o paladino Ferdias, irmão de leite de Cu Chullain. A luta entre os dois se prolonga por dias, encerrando com a morte de Ferdias.
Finda a batalha, Maeve volta para Connach, mas não totalmente derrotada já que havia conseguido capturar o tão desejado Touro Marrom. Quando este animal encontra o rival, o Touro de Chifres Brancos de Ailill, os dois entram em sangrento combate e o touro de Connacht é derrotado e suas partes são espalhadas por toda a Irlanda. Fim da história.
Em 1972, o Teatro Abbey, de Dublin, decidiu adaptar The Táin para o palco e solicitou à banda Horslips que fizesse a trilha da peça. Ela havia acabado de lançar seu primeiro LP e juntava ao seu rock várias referências celtas e da música tradicional irlandesa. Hoje eles são considerados um dos pais do rock celta e são muito cultuados na Irlanda, embora pouco conhecidos fora do país. Vendo nessa montagem uma oportunidade rara, os músicos do Horslips adaptaram várias canções tradicionais para uma sonoridade roqueira e lançaram em 1973 um dos mais deliciosos álbuns conceituais do rock progressivo, todo ele baseado na saga do ataque ao gado de Cooley.
Vamos ao álbum:
1. “Setanta” [Instrumental]

Setanta foi o nome que Cu Chulainn recebeu ao nascer. Cu Chulainn quer dizer o “cão de Culann” e tem relação com um acontecimento da infância do herói: Culann, o ferreiro, tinha um cachorro com poderes mágicos que foi morto por Setanta e este prometeu ao ferreiro guardar sua ferraria como antes fazia o animal. A associação de Cu Chulainn com o cão segue por toda a sua vida porque na ocasião ele prometeu também jamais comer carne de cachorro. Quando rompeu sua promessa, teve início sua própria destruição.
2. “Maeve’s Court” [Instrumental]

Esta música retrata a fortaleza de Maeve, construída sobre uma colina de Connacht. O Horslips se baseou numa melodia tradicional chamada Knockeen Free, que na Irlanda significa uma pequena colina coberta de urze, planta que dá flores multicoloridas.

3. “Charolais”

Charolais é uma raça de boi originária de uma região da França cuja carne é mais vermelha e com menos gordura. É um boi usado para abate, com um temperamento dócil, bem diferente do Touro Marrom de Cooley, uma besta mitológica. Então parece que a banda usa Charolais com duplo sentido para representar o touro marrom, procurando manter o estilo excêntrico da narrativa do Táin. A melodia tradicional adotada nesta música é Rosc Catha na Mumhan, que significa Hino da Batalha de Munster. A letra se refere à despretensiosa disputa entre lençóis de Maeve e seu marido Ailill e que acaba se transformando em uma convocação para a guerra contra Ulster.
Letra traduzida:
As palavras dela foram cortantes e o cortaram fundo,
Numa guerra entre os lençóis.
Mas quando ele trouxe o seu touro para ela
Significou que a mulher faria uma guerra
Além do edredom.

Os druidas leram a fumaça e a areia;
Disseram que ela iria amar novamente.
Os ritmos dos tambores de pele de lobo
Chamaram para a guerra os homens em pele e bronze.
Esta deusa usava uma coroa.

Charolês, charolês …
…estamos vindo hoje até você.

Os campeões e os Sete Filhos estão
vindo para roubar o Donn.
Mas a Fada Criança sabia mais;
Ela viu o exército manchado de vermelho na guerra,
Viu a luz do herói em volta da cabeça
de um dragão menino já amadurecido
para a cama de esposas e filhos valorosos.

4. “The March, Part 1” [Instrumental]

O exército marcha para Ulster.

5. “The March, part 2” [Instrumental]

6. You Can’t Fool the Beast

Sempre se especulou muito sobre a natureza do Touro Marrom. Alguns manuscritos se referem ao Touro como um “Donn Cooley”. E ao mesmo tempo que Donn significa marrom, pode se referir também ao antigo Deus da Morte da mitologia irlandesa.

Você pode enganar a mulher
– Um dia destes, você vai
enganar o homem
Porque você tem o discernimento
Pode ver um mundo de coisas

Você pode dizer que está ganhando.
Pode contar o placar
e dizer que sabe que eles perderam.
Mas você vai acabar admitindo
Que o preço é mais do que simplesmente contar
o custo.
Ah, sim, eles já estão cegos.
Cegos para o amor, cegos para a dor.
Cegos para a esperança, cegos para vencer.
Ah, você pode enganá-los bem.
Mas você pode enganar a besta?

Você pode enganar a mulher.
Qualquer um pode ver que você vai
enganar o homem.
Porque você tem meios de saber.
Você pode dizer que o orgulho
os fará cegos no final.
E vai deixá-los olhando sem ver.

7. “Dearg Doom”

Esta é a música que descreve Cu Chulainn. Dearg Doom significa o Destruidor Vermelho. A melodia foi calcada na tradicional O’Neill’s Cavalry. Esta faixa foi lançada como single e fez sucesso, alcançando o primeiro lugar na Alemanha.

Meu amor é mais frio que o mármore preto marinho
Meu coração é mais velho que o frio carvalho.
Eu sou um clarão de prata ao sol.
Quando me ver chegando é melhor você
correr… correr… correr…
De Dearg Doom.

Você sussurra sobre os demônios que eu matei,
Pelo fogo da minha Lâmina do Diabo prateada,
E ainda que ouse exibir-se para mim.
Eu não quero você, eu não preciso de você,
Eu não amo você, você não vê que
Eu sou Dearg Doom.

E quando as estrelas surgirem
Você pode me ouvir gritar
“Duas cabeças pensam melhor do que nenhuma,
Cem cabeças são muito melhor do que uma “.

Eu sou um menino que nasceu cego para a dor
E, como um falcão, eu arremeto e
arremeto novamente.
Eu sou o brilho do olho do falcão ao sol.
Quando me ver chegando é melhor você
correr… correr… correr…
De Dearg Doon.

8. “Ferdias Song

Ao som que reprisa a introdução do álbum, chegou a hora de Cu Chulainn enfrentar Ferdias, seu irmão de leite e paladino do reino de Connacht. E por mais que ele procure evitar o confronto porque sabe que no final irá matar Ferdias, o amigo insiste na luta que irá durar dias.

“Tudo que eu digo” Cu Chulainn chorou,
“É muito maior do que a própria vida”.
Mas Ferdias apenas riu e balançou seus cabelos dourados.

“E tudo que eu faço é cercado de
fantasia “. Mas Ferdias apenas riu
Balançou sua lança de prata e partiu para batalha novamente.

“Cada passo que dou” Cu Chulainn chorou,
“É medido em séculos”.
Mas Ferdias apenas riu e balançou a juba dourada.

“E agora eu preciso parar, porque sua morte
É o meu destino “. Mas Ferdias apenas riu
Balançou sua lança de prata e partiu para a batalha novamente.

9. Gae Bolga [Instrumental]

Gae Bolga é o nome da lança sobrenatural de Cu Chulainn

10. Cu Chulainn’s Lament

Você sentiu o arrepio gelado da meia-noite
Enquanto eu partia seu coração em dois.
E eu senti o beijo do vazio
Enquanto observava sua vida escurecer.

A vida era um jogo.
Agora eu sinto falta do seu nome;
Seu cabelo dourado.
O azul do céu não está mais em seus olhos
Só vergonha.

Uma alma solitária, traída pelo amor,
Você caminhou para a correnteza.
Com lágrimas de amor sobre o meu rosto
Eu ouvi o seu grito final.

11. “Faster than the Hound

Hounds eram cães celtas muito respeitados pela realeza e pelos guerreiros. Eram presenteados aos homens de honra e vários guerreiros e comandantes se apropriavam do título de hound para demonstrar sua lealdade e coragem. Cu Chulainn era um deles, já que tinha matado o hound do ferreiro e assumiu sua missão de guardar a ferraria. Nesta canção, é o mensageiro de Maeve, Mac Roth, aquele que foi enviado pela rainha para negociar o Touro Marrom com Daire mac Fiachniu, quem narra os acontecimentos do Táin.

Uma vez eu disse a ela
Onde ela poderia encontrar seus sonhos.
E eu ainda a adoro,
Não importa como isso pareça.
Eu vi as nossas estrelas cairem,
Se quebrarem sem um som.
As estrelas caindo
Mais rápido que o cão.

Eu o vi dormindo
Sozinho sob o céu.
Eu o peguei chorando,
E eu sabia o por que.
Eu vi os corvos,
Negros sem um som.
Corvos em turbilhão
Mais rápido que o cão.

Eu viajo a Irlanda em um dia.
Você só acena a cabeça, eu já estou a caminho.
Eu tenho asas douradas nos meus pés.
Eu raramente toco o chão.
A única coisa que eu não sou
É mais rápido que o cão.

Agora eu a vejo indo embora
Com a luz dos sonhos das pessoas,
Ignorante dos arco-íris
Nas árvores por onde estivemos.
Além disso, existem corvos
Elevados acima do solo.
Corvos se aproximando
Mais rápido que o cão.




12. “The Silver Spear” [Instrumental]

Os homens de Ulster preparam suas armas. O Horslips aqui usa três melodias tradicionais: The Silver Spear, Tie the Bonnet e uma canção sem nome.

13. “More Than You Can Chew”

Provavelmente a mais conhecida das marchas irlandesas, The March of the King of Laois, é usada para compor a estrutura melódica desta canção, uma espécie de advertência de Cu Chulainn para a rainha Maeve.

As pessoas dizem que você está vestida para matar.
Você não é uma garota que chega devagar.
Uma vez que experimenta um bocado entre os dentes
Você não quer deixar escapar.
Mas antes que você ache que se deu bem
Deixe-me dizer que você mordeu
Mais do que pode mastigar.

Lembro-me de como você riu,
E tentou me fazer de tolo.
Como você pensou que poderia fugir
Sem o meu conhecimento é difícil ver.
Embora as coisas possam parecer duvidosas,
Você mordeu um bocado a
Mais do que pode mastigar.

Você pode me devolver o meu orgulho
E eu vou negociar com você tudo aquilo que é devido.
Pois como uma aranha eu estou rastejando de volta
Vou armar minha teia sobre você.
E se fizer as coisas precipitadamente
Você vai desperdiçar
Ah, você não pode provar
Mais do que pode mastigar.

14. “The Morrigan’s Dream” [Instrumental]

Sobre a batalha que chega. Esta música foi baseada numa melodia de dança chamada Old Noll’s Jig.

15. “Time to Kill

A melodia tradicional usada nesta faixa provém do hop jig com andamento em 9/8 chamada The Humours of Whiskey. É a última faixa do disco e de certa forma enfatiza a inutilidade da guerra.

Eu vejo o último cisne negro
Voando próximo ao sol.
Eu gostaria, também, de estar
Voltando para casa novamente.

Parece que os nossos destinos mentiram
Apesar dos nossos ganhos.
Nossas lágrimas cairam como o nosso orgulho.
Choramos de vergonha.

Agora temos tempo para matar!
Matar as sombras em nossa pele.
Matar o medo que cresce por dentro.
Matando o tempo, meu amigo.

Eu olho fixamente em seus olhos.
Mas não posso ver muito longe.
Você me coloca no meu devido lugar.
Você traz a escuridão.

Meu corpo está machucado e dolorido.
Eu preciso dormir.
Ouça agora os rugidos do céu.
Eu não posso escapar.

Agora temos tempo para matar!
Matar as sombras em nossa pele.
Matar o medo que cresce por dentro.
Matando o tempo, meu amigo.

Horslips:

Jim Lockhart – flauta, teclados.
Charles O’Connor – ocais, violino, bandolim
John Fean – guitarra, vocais
Barry Devlin – baixo, vocais
Eamon Carr – bateria, percussão

Diferente de outras bandas irlandesas da época, o Horslips estava baseado na Irlanda e tinha seu próprio selo, licenciando para a RCA o lançamento de seus discos no exterior. Durou até 1980 e seu outro grande disco conceitual, The Book of Invasion: a Celtic Synphony (1976), também baseado em lendas da mitologia celta, chegou a ser lançado no Brasil. Foi provavelmente o maior nome irlandês do rock progressivo nos anos 70.

Os links disponibilizados acima possuem o disco completo com vídeos tirados do YouTube: na quinta música estão as cinco primeiras faixas, na oitava música estão as faixas de 6 a 8, na décima primeira música estão as faixas de 9 a 11, e na última música estão as restantes.



10 Comentarios

  1. diogobizotto disse:

    Uau. Taí uma coisa que eu provavelmente nunca conheceria se não fosse o talento de explorador do Marco. Por ora ouvi apenas as primeiras faixas, mas já fiquei com uma boa impressão. Trilha sonora para um épico sem soar épica, no pior sentido da palavra, como sinônimo de exagero. Gostei.

  2. fernandobueno disse:

    O Marco tá de brincadeira!!! Se não fossem os links eu iria falar que ele tá inventando essas bandas….hahahaha

  3. Mister disse:

    Sacanagem. Fiquei dias pesquisando essa história toda e traduzindo as letras para um formato pelo menos com algum sentido e me vem o cervejeiro dizer que eu invento bandas, hehe… Mas tudo bem, Bueno, gostei de ver que foi você que postou o texto com aquele seu capricho habitual. Achei que você estava viajando.

  4. fernandobueno disse:

    Eu iia viajar Marco. Para o Rock in Rio, ver o Metallica, mas tivemos um contratempo aqui e não deu para ir. Quando o Diogo me mandou o texto eu logo falei para ele que esse não era um texto dele…hehehe
    Fico contente que vc gostou do resultado. O blogger as vezes dá um acanseira, mas eu sou persistente…

  5. Caro Gaspa
    Do Horslips eu conehço apenas o The Book of Invasion. E o The Unfortunate Cup of Tea, belos álbuns onde mesmo as musicas sendo curtas, acabam criando um efeito muito bom no contexto geral. Pela quantidade de musicas, o The Táin é um álbum simples ou duplo? (O book tem 14 e é simples, mas o unfortunate tem 9 e eh duplo)

    Estou procurando o mesmo para download, mas por enquanto, nao consegui encontra-lo. Caso encontre, vou ouvir e comentar melhor aqui, mas sem duvidas, a musicalidade do grupo era muito boa

    Parabens pela belissima descriçao historica

  6. Parabéns pelo texto, Gaspari. Eu, que só agora tô começando a ouvir Van Morrison, curto essas coisas da Irlanda e fiquei interessado, apesar de ter achado as faixas rockers meio tosquinhas. Continue assim!

  7. Mister disse:

    Mairon:
    O LP é simples, como o Invasion, e é muito fácil encontrar links para baixá-lo.

    Adriano:
    Você está começando a ouvir Van Morrison e isso me deixa muito feliz, pois ouço suas músicas há mais de 40 anos. Nesse tempo todo, graças a Deus, ultrapassei sem grandes sequelas essa idade ingrata da testosterona e consigo hoje ouvir qualidades em coisas que os jovens, até pela compreensiva falta de vocabulário e critério, só conseguem definir como tosquinhas. Mas você chega lá, garoto.

  8. diogobizotto disse:

    até pela compreensiva falta de vocabulário e critério

    AHUEHUEHUEAHAUEHUEHAU… Malandro, depois dessa você tem que se esconder na caverna prog de Horizonte por uns meses e só aparecer de volta quando O Ritchie Blackmore fizer as pazes com o Ian Gillan!

  9. Luiz Correia dos Santos disse:

    peço licença ao amigo Marco Gaspari, porque tenho alguns amigos (tudo bem é tudo criançada) rsrsrsrsrs mas eles curtem este tipo de assunto, sobre mitologias e culturas, medievais, nórdicas celtas, enfim, posso postar o link na pagina deles ? com o se devido crédito é lógico

    • Marco Gaspari disse:

      Pode sim, Luiz. A ideia é divulgar e chamar o máximo de pessoas possíveis para este site. Grato, meu amigo.

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