Datas Especiais: 40 anos sem o Rei Lagarto

4 de julho, 2011 | por Diogo Bizotto
Datas Especiais
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Por Davi Pascale
Ontem fizeram exatos 40 anos que Jim Morrison foi encontrado morto em uma banheira, por sua companheira Pamela Courson. A causa da morte ainda é um mistério. Os laudos apontaram ataque cardíaco. Existem suspeitas de overdose de droga – o que não seria uma surpresa, levando em conta o estilo de vida que o cantor levava. A teoria, entretanto, nunca foi comprovada. Tudo o que sabemos é que no dia 3 de Julho de 1971, James Douglas Morrison morreu aos 27 anos. Sua arte, contudo, permanece viva até hoje.

Jim é conhecido por seu estilo único de cantar. A volta do The Doors à ativa foi vista por muitos fãs como um erro. Discussões à parte, uma coisa é certa: substituir Morrison é uma tarefa quase impossível. Um das características mais admiradas entre os seguidores são justamente os improvisos que o vocalista executava no palco. Nunca se sabia o que ele iria declarar, recitar, nem como iria agir. Por mais de uma vez, isso trouxe problemas à banda. Quem não conhece a história do show de New Haven, onde o cantor foi preso em cima do palco por ter contado em detalhes ao público as agressões que havia sofrido de um policial nos bastidores, minutos antes do show? Ou a história do show de Miami, onde simulou colocar o pênis para fora da calça?

Sem contar a poesia que declamava no meio de “The End”, onde foi acusado erroneamente de incentivar o incesto e fez com que o The Doors perdessem um contrato no cultuado The Whisky Bar? (No final do show, Phil Tanzini – co-proprietário do Whisky – andava de um lado para o outro dizendo coisas como “você é o mais doente de todos, Morrison. Você não pode falar assim da sua mãe, seu depravado”). A citação era uma referência à história de Édipo, personagem mitológico grego famoso por ter matado seu pai e se casado com sua mãe.
Jim Morrison e Pamela Courson
Morrison nunca teve a ambição de ser um cantor, muito menos um rockstar. Por isso, acreditava que o valor da música estava acima do valor do dinheiro. Foi por essa razão que o cantor brigou com os colegas de banda quando ouviu a canção “Light My Fire” em um comercial de TV. Foi por essa razão também que ele se negou a alterar uma frase dessa mesma canção durante uma apresentação no televisivo Ed Sullivan Show, um dos programas de maior audiência nos Estados Unidos.

Jim Morrison gostava de música, mas era amarrado mesmo em cinema (foi na faculdade de cinema UCLA, inclusive, que ele conheceu o tecladista Ray Manzarek) e literatura. Adorava escrever poesias. Muitas letras do The Doors nasceram de algumas de suas poesias. As expressões utilizadas como referência a Jim também foram criadas por ele em letras de canções. “Rei Lagarto” nasceu de uma frase presente em “Not Touch the Earth,” do álbum Waiting For the Sun (1968). “I am the lizard king. I can do anything” (“Eu sou o Rei Lagarto e posso fazer o que quiser”). “Mr Mojo Risin'” nada mais era do que um anagrama que Jim criou a partir de seu próprio nome para a canção “L.A. Woman” do álbum homônimo. Curiosamente, “mojo” é uma gíria que significa “proeza sexual”.

Durante muitos anos, sua história foi desconhecida. Jim Morrison inventava muita coisa durante as entrevistas. Algumas delas ficaram conhecidas, como a história de um acidente no meio de uma estrada envolvendo um bando de índios e a história de que seus pais haviam morrido quando era garoto, e que ele não tinha família. Nenhuma delas era verdadeira. Seus pais eram vivos. Jim tinha um irmão e uma irmã: Andy e Anne Morrison. Existem duas teorias para o cantor – ou poeta, se preferirem – ter criado essa história. Uma diz que Jim não queria envolvê-los (sabia que seu pai era da Marinha e não aprovava suas atitudes). Outra teoria diz que queria criar uma aura de mistério ao redor da banda. Quanto aos índios, George Morrison (pai de Jim) declarou que o tal acidente nunca existiu e que provavelmente essa imagem veio de um sonho.


John Densmore, Jim Morrison, Robby Krieger e Ray Manzarek
Ainda que não fosse seu desejo inicial, Jim Morrison acabou tornando-se um rockstar e tirou proveito da situação. Abusou de bebidas e drogas (Ray Manzarek chegou a declarar certa vez que todos os integrantes chegaram a ter experiência com drogas, mas que Jim não tinha limites), dormiu com várias mulheres, etc. Certamente seu estilo de vida alucinado ajudou para que Jim fosse embora cedo demais.

Em 3 de Julho de 2011, 40 anos depois, inúmeros fãs reuniram-se no cemitério Père-Lachaise (Paris, França) para homenagear o ídolo. O mais curioso é que nesse encontro, onde apareceu também o guitarrista Robby Krieger e o tecladista Ray Manzarek, a maior parte dos presentes era formada por jovens que nem sequer haviam nascido quando o The Doors estava nas paradas de sucesso. Essa inusitada situação serve apenas para demonstrar, uma vez mais, de que o legado de Jim é eterno.



11 Comentarios

  1. micaelmachado disse:

    Belíssimo texto, Davi. Uma justa homenagem a um dos maiores ícones que o mundo do rock já criou!

    Eu, como fanático das teorias da conspiração, sou um dos que acreditam que Morrison não morreu de verdade naquela banheira em Paris, e que isso tudo foi um golpe para ele se afastar dos excessos do show business, que, como o texto deixa claro, nunca lhe atraíram. Se ele foi para um convento na Espanha e morreu anos depois, ou se ainda está por aí escondido em algum local paradisíaco, eu não sei. Mas que ele pode muito bem ter aplicado um golpe em todo mundo simulando sua morte (exatamente uma ano depois da morte de Brian Jones, que ele considerava uma grande influência e que lhe abalou profundamente), isso ele pode.

    Long live the (Lizard) King!

  2. Apenas corrigindo, o Brian Jones morreu em 3 de julho de 69

    Abraços

  3. davipascale disse:

    Obrigado pelo elogio, Micael! Fico feliz que tenha curtido. Também sou fã do cara, mas nunca acreditei muito nessas 'teorias da conspiração'…

  4. Baita texto. Uma merecidissima homenagem. Morrison é um daqueles idolos injustiçados (assim como a Janis). POr mais que diversos fãs admirem seu trabalho, sempre tem um mala para falar mal do cara, dizer que ele era um aparecido, um amostrado, ou um fanfarrão sem talento.

    O Davi pegou bem quando escreveu "Morrison nunca teve a ambição de ser um cantor, muito menos um rockstar. Por isso, acreditava que o valor da música estava acima do valor do dinheiro."

    Morrison fazia da sua poesia a arte. Inspirado em Rimbaud, foi a versão moderna do poeta frances. Atitudes muito similares podem ser vistas entre ambos. Um cara que eu penso se inspirou muito em Morrison foi Axl Rose. Mas com uma grande diferença: as poesias de Jim estão muito acima de qualquer Patience da vida.

    Enfim, Morrison não morreu. Esta escondido em uma cabana no meio dos campos franceses, fazendo poesia e aproveitando a beleza (ainda que envelhecida) de Pamela Morrison!

    • Anônimo disse:

      O que voce escreveu é muito bonito a cabana nos campos franceses aproveitando a beleza da companheira. Voce é uma pessoa muito romantica

  5. diogobizotto disse:

    Bah, Mairon… pegar justo "Patience" (que é de Izzy Stradlin) pra comparar é sacaneige… por que não "Nightrain" ou "Welcome to the Jungle"???

    "I got a Molotov cocktail
    With a match to go
    I smoke my cigarette with style
    And I can tell you honey
    You can take my money tonight"

    Pura poesia urbana.

  6. Anônimo disse:

    É por causa de babacas,otários,que enem esse Jim Morrrison,que já peidou pra muzenga,faz tempo,que somos obrigados,a aguentar esses tipos,que pagam de roqueiros,aqui nos botecos,em São Paulo,e que põe na jukebox,umas dez músicas desse lixo,chamado The Doors!!Se uma música já é insuportável de ouvir,imagine dez músicas!!Quem ouve The Doors(não querendo generalizar),é em sua maioria,patricinhas,metidas a besta,de nariz empinado,junkies,estudantes boyzinhos,e pseudo intelectuais!!Quando eu vejo um cara ir na Juke box,por algumas músicas do Doors,eu tenho vontade socálo!!Porra brother,ninguém merece,ficar ouvindo músicas longas,com um mala,gemendo como um bêbado!!O pior é que quando o cara morre,a idolatriaa,fica ainda mais insuportável.E aqui no nosso Brasil varonil,nós temos dois belos exemplos,de idolatria exagerada,e tola:Raul "mala e pentelho"Seixas,e Renato "Rosquette" Russo.Ninguém merece!!!!!!!!!!!!!!!

  7. Anônimo disse:

    Deveria existir,uma punição,para quem vai a um boteco,e põe naa jukebox,músicas do Doors!!!!Pena de 8 meses,sem ver a luz do dia,pro cara aprender a respeitar,o ouvido dos outros.Meu ouvido não é penico.Quando eu estou lá bebendo,minha breja sossegado,e vem um desses maconheiros,estudante de faculdade de rico,botar músicas,do Doors,na Jukebox,eu grito bem alto:Deram uma descarga no meu ouvido!!!!!

  8. Anônimo disse:

    Pessoal da Consultoria do Rock,me desculpem,mas minha sinceridade é humanitária!!!

  9. Anônimo disse:

    ….e me despeço,ao som de "Black Magic",do SLAYER(essa sim,a melhor banda do mundo)

  10. Rejane Faria disse:

    A sinceridade é tão humanitária, mas a coragem não, falar mal de Doors e postar anônimo, fala serio né!!!
    Deveria existir uma punição pra quem posta anônimo e também pra quem dá uma de metaleiro mas q gosta mesmo é de Luan Santana…

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