Maravilhas do Mundo Prog: Beggar’s Opera – Classical Gas [1973]

16 de junho, 2011 | por Mairon
Diversos
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Por Mairon Machado
São vários os grupos na literatura musical que começaram como progressivo e, com o passar dos anos, viraram um pastiche sonoro de difícil definição. Moody Blues, Barclay James Harvest, Henry Cow, Som Nosso de Cada Dia, Kansas, La Maquina de Hacer Pajaros, Ars Nova, Triumvirat, …, isso só para citar alguns. E um dos casos mais curiosos é o do grupo escocês Beggar’s opera.
O grupo foi fundado em 1969 pelo guitarrista Rick Gardiner, o vocalista Martin Griffiths, o baixista Marshall Erskine, o pianista Alan Park e o baterista Raymond Wilson. Os primeiros shows ocorreram em dezembro de 1969, e no início de 1970, a pianista Virginia Scott ingressou no grupo, formando uma linha sólida de teclados ao lado de Parker, e que surpreendeu o mundo logo no álbum de estreia do grupo, o excepcional Act One, um dos primeiros LPs do selo Vertigo. Misturando as linhas clássicas de Parker e Virginia com a pesada sonoridade da guitarra de Griffiths, o grupo pegou diversos temas compostos por Franz Von Suppe, e transformou em um disco único na história do rock progressivo, destacando os sombrios trabalhos instrumentais nas longas “Raymond’s Road” e “Light Cavalry“, e na clássica “Poet and Peasant“.

A fundamental estreia do grupo
O segundo disco do Beggar’s Opera, Waters of Change (1971) já é bem diferente, com canções mais pesadas, sem tantas peripécias clássicas e muito mais progressivas com a entrada do mellotron como um instrumento de destaque, que fez de “Time Machine“, canção de abertura do LP, uma das mais tocadas na Alemanha, onde o grupo virou sensação, tocando para mais de 100 mil pessoas em uma apresentação de 1971.
O terceiro LP do grupo, Pathfinder, apresentava um longo texto de Griffiths, onde ele explica que Pathfinder era completamente diferente de Waters of Change, e que ambos eram muito diferentes de Act One. De fato, a entrada de Gordon Sellar para o lugar de Erskine trouxe uma sonoridade mais leve, com o grupo flertando com o country rock e até mesmo com baladas. O maior destaque é sem dúvida a longa “Mac Arthur Park“, que ainda assimila as linhas progressivas dos álbuns anteriores, porém sem tanto peso. A exaustiva turnê de promoção do álbum, bem como a não identificação com o direcionamento musical que o grupo estava tomando, fizeram com que Griffiths abandona-se o barco em 1972. Virginia e Ray Wilson também desistiram de seguir o projeto.
Para seus lugares, o ex-Savoy Brown, Pete Scott, foi o contratado para os vocais, enquanto Colin Fairlie assumi as baquetas, adicionando ao grupo melodias de blues e jazz. Apesar de não ser creditado, Scott participou das gravações do quarto LP. Em Get Your Dog Off Me, o grupo desistiu de fazer canções complicadas, apresentando ao seu público composições simples, que em pouco lembravam os inspirados duelos de guitarra e órgão de seus três primeiros álbuns. Afinal, a faixa-título, mais “Sweet Blossom Woman” e “Morning Day” podem ser consideradas canções quase country; “Turn Your Money Green”, “La-Di-Da” e “Open Let It In” são leves baladas, assim como “Requiem”, uma pequena peça para guitarra, órgão e baixo. Rock de verdade é encontrado em “Workin Man” e “Freestyle Ladies”, só que nada tão chamativo ou intrincado como antes.
Beggar’s Opera: Raymond Wilson e Andy Parker (acima); Gordon Sellar, Pete Scott, Rick Gardiner
Curiosamente, é nesse álbum que o Beggar’s Opera criou uma verdadeira Maravilha Prog, como que se despedindo de suas veias progressivas para entrar em um mundo novo de canções amenas. O nome dessa maravilha: “Classical Gas”, uma adaptação para o sucesso composto e gravado por Mason Williams em 1968.

Se a versão de Williams apresentava o tema principal em cima do violão, contando com orquestrações e metais, sendo quase uma balada, o Beggars Opera a transformou em uma linda canção onde sintetizadores, cravo e guitarra são o centro das atenções. 

“Classical Gas” começa apenas com o piano fazendo o tema introdutório, em um andamento bem clássico, e assim, as guitarras surgem fazendo o tema central com oitavas, acompanhadas pelo cravo, que repete o tema central tendo o baixo e a bateria como companheiros, chegando no recheio da canção em um belo crescendo, onde o moog e o mellotron começam a trabalhar sobre as camadas de cravo, guitarra, bateria e baixo.

Sintetizadores comandam o segundo tema, após uma marcação de bateria, baixo e cravo, com uma rápida levada da bateria e do baixo, partindo para o terceiro tema, novamente após a marcação, com o cravo enlouquecido ao fundo de uma levada de baixo muito característica das canções do Renaissance. Gardiner manda ver no wah-wah, e Parker executa um belíssimo solo no moog, levando ao emocionante tema do cravo, que volta para o tema central, com o leve acompanhamento do baixo e da bateria.

Voltamos ao tema do moog e do mellotron, com a bateria fazendo rolos perfeitamente encaixados, para mais uma vez o tema dos sintetizadores estourarem nas caixas de som, junto do tema marcado de baixo, cravo e bateria. A repetição do tema central pelo cravo, encerra a canção com um pequeno solo do instrumento, em uma magnífica sequência de temas marcados entre guitarra, baixo, bateria e cravo.

Beggar’s Opera: Gordon Sellar, Alan Parker, Rick Gardiner, Raymond Wilson e Martin Griffiths
Existe uma bela recriação da violinista Vanessa Mae para “Classical Gas”, bem como a canção é sinônimo de estudo ao violão para diversos garotos que estão aprendendo a arte de tocar violão clássico, assim como músicos experientes, mas a versão do Beggar’s Opera surpreende principalmente pelos sintetizadores e o cravo sobrepostos.
Depois, Linnie Paterson ainda iria trabalhar com o Beggar’s Opera no LP Sagittary (1974), mas o grupo encerrou suas atividades em 1974. Gardiner foi trabalhar com David Bowie, fazendo as guitarras de Low (1977) e também criando um dos riffs mais importantes do rock, o de “The Passenger”, clássico de Iggy Pop lançado no essencial Lust for Life (1977). O Beggar’s opera voltou em 1980, lançando mais alguns LPs que nunca conseguiram colocar o trem do grupo na linha, alterando diversas formações e longe do progressivo de sua fase inicial, o qual já havia sido encerrado em “Classical Gas”.



2 Comentarios

  1. Nunca ouvi a banda, mas pelo jeito é uma lacuna que eu preciso preencher. Parabéns, Mairon!

  2. Groucho, eses caras fizeram miserias. Act One é EXTREMAMENTE fundamental numa prateleira prog!! Corre atras e vlw o comentario.

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