(Crédito das fotos: Doug Silva)


Os colaboradores da Consultoria do Rock compareceram em peso no recente show de Alice Cooper e sua banda, ocorrido no Pepsi On Stage, em Porto Alegre, em uma data que coincidiu com o aniversário de um membro da turma, Micael Machado. Então resolvemos, ao invés de oferecer uma resenha com apenas um ponto de vista do evento, publicar quatro visões, com suas similaridades e distinções. Apreciem!
Por Diogo Bizotto
O desconto oferecido àqueles que deixaram para comprar o ingresso nos últimos dias antes do espetáculo, além de indignar quem o fez com antecipação, já dava sinais de que teríamos um público reduzido, o que acabou se confirmando na noite do último dia 31. Novidade alguma em se tratando da cidade que muitos gostam de intitular como a capital mais roqueira do Brasil, o que não passa de um delírio de pessoas a fim de emular uma falsa intelectualidade superior. Felizmente, isso não afetou o ânimo dos presentes nem a performance de Alice e sua competentíssima banda, que executou todo o set de maneira a fazer honra aos membros originais do Alice Cooper Group, desfeito em 1974.

É essencial citar que, provavelmente pela primeira vez, tive o prazer de assistir a um show que contou com todo o aparato de palco habitual, justificando o porquê de Alice Cooper ter sido o pioneiro na inserção de elementos teatrais no rock. Diversos figurinos, guilhotina, um boneco gigante, espadas, dólares com o rosto de Alice, performances cênicas… tudo contribui para tornar ainda mais interessante um espetáculo que já seria excelente focando-se apenas nas músicas, um compêndio de hits, se não comerciais, ao menos entre os fãs.

Tommy Henriksen, Alice Cooper e Steve Hunter

Da abertura com “Black Widow” até o término com “Fire”, cover de Jimi Hendrix, não houve sequer um ponto baixo na uma hora e quarenta e cinco minutos de show. Preferências à parte, um set que conta com canções da estirpe de “I’m Eighteen”, “Under My Wheels”, “No More Mr. Nice Guy”, “Cold Ethyl” e “School’s Out” não tem como receber uma recepção morna, a não ser que a performance decepcione, o que não foi o caso. Formada pelos guitarristas Steve Hunter (parceiro de Cooper desde os anos 70, vestido de tal forma que parecia o personagem “Pitbicha”), Tommy Henriksen (a cara de Billie Joe Armstrong, guitarrista do Green Day) e Damon Johnson, pelo baixista Chuck Garric (que, com as suíças e a maquiagem nos olhos, ficou a cara de Glenn Danzig), além do baterista Glen Sobel, a banda não apenas tocou seus instrumentos com competência, como também foram atores do teatro comandado por Alice.

Como fã, a longa e climática “Halo of Flies”, que teve um interlúdio instrumental estendido, foi, para mim, o ponto mais alto da noite. Entretanto, a maior interação por parte do público provavelmente ocorreu em “Poison”, principal hit de Alice em carreira solo. Durante a execução de “Only Women Bleed”, uma curiosidade: pela primeira vez presenciei em Porto Alegre uma moça realmente mostrando os seios em direção ao palco, fato que se repetiu em “Feed My Frankestein” e chamou a atenção do público ao redor. Por sorte, a moça estava ao meu lado, e pude presenciar seu pequeno espetáculo com facilidade.

Outra coisa interessante foi o fato de Alice em momento algum ter se comunicado verbalmente com o público, incorporando seu personagem do início ao fim do evento, inclusive deixando o palco sem despedidas. Algo a princípio estranho, mas compreensível, demonstrando a seriedade com que o artista leva sua apresentação, garantindo sua longevidade em um meio que às vezes dá destaque excessivo às efemeridades. Parabéns, Vincent Furnier.

Damon Johnson, Alice e Chuck Garric


Por Mairon Machado
O show de Alice Cooper na última terça-feira valeu cada centavo investido. Na companhia dos colegas de Consultoria do Rock, incluindo meu irmão, Micael Machado, o aniversariante da noite, tive o prazer de ver uma lenda viva do rock interpretar algumas de suas melhores canções, que não por acaso são as minhas favoritas em sua carreira. Interpretações muito próximas das originais para pérolas como “Halo of Flies”, “School’s Out”, “Under My Wheels” e “Elected” aqueceram a fria noite de 31 de maio.
Boneco gigante

Mesmo com público reduzido, que acompanhou com interesse o show de abertura do Rosa Tattooada, o Pepsi on Stage vibrou em diversos momentos, como a dança com a boneca em “Only Women Bleed”, o assassinato do repórter chato em “Killer”, seguido pela execução na guilhotina da Tia Alice durante “I Love the Dead” (um dos pontos altos do show) e na fantástica “Feed My Frankestein”, onde um boneco foi transformado em um gigantesco Alice Cooper que caminhou pelo palco, lembrando o famoso Eddie do Iron Maiden. Durante essa canção o público também teve o prazer de ver uma garota exibindo seus seios para Alice Cooper, prática que está começando a pegar nos shows de rock feitos na capital gaúcha.

O show de horrores que foi divulgado já não choca hoje como chocava na década de 70, mas, mesmo assim, os truques e a movimentação no palco são muito interessantes de se ver. Além disso, Alice trouxe uma banda muito boa, destacando os guitarristas, Tommy Henriksen e Steve Hunter, além do excepcional baterista Glen Sobel, que fez misérias no solo de “Halo of Flies”.
Grande show, com grandes canções que mostram como um grande artista constrói e mantém sua carreira após 40 anos de muitas maluquices, passeios por hospícios e clássicos eternos do rock.

Por Micael Machado
Nunca fui muito fã de Alice Cooper, apesar de ter tentado bastante. Mas ter a chance de assistir a uma lenda do rock na cidade onde você mora no dia do seu aniversário não acontece todo dia! Então, lá fui eu na terça-feira à noite, dia 31 de maio, rumo ao Pepsi On Stage, para presenciar o show de horrores de Tia Alice e seus comparsas, junto ao meu irmão Mairon Machado e aos amigos da Consultoria do Rock.
Após a competente abertura do Rosa Tattooada (espécie de heróis locais, com uma carreira de mais de 20 anos de estrada no mundo do hard rock), o palco foi invadido por uma equipe vestida como operários de construção, com capacetes e tudo. Um enorme pano com o desenho de Alice Cooper misturado a temas constantes de sua carreira (aranhas, cobras, caveiras, etc) foi estendido na frente do palco, enquanto o pessoal de apoio preparava tudo para a entrada do mestre de cerimônias e dono da noite.
Após a introdução com a voz de Vincent Price, o show começou com a pesadíssima “Black Widow”, com Alice sobre uma espécie de torre bastante alta, com fogos saindo de suas mãos e uma jaqueta que imitava as patas da aranha que dá nome à canção. A partir daí, estava decretado que o espetáculo seria algo inesquecível, com o aspecto teatral sendo tão valorizado quanto o musical.
A guilhotina

Alice vestiu-se de cientista maluco em “Feed My Frankestein”, onde um enorme boneco surgiu pelo palco, ao estilo Eddie, distribuiu notas de dólar com sua face estampada em “Billion Dollar Babies”, dançou com uma boneca de pano em “Only Women Bleed” (para logo depois bater e maltratar a coitada em “Cold Ethyl”), imitou um robô (bem como os membros de sua banda) em “Clones”, assassinou um repórter chato em “Killer”, soltou balões recheados de confete na clássica “School’s Out”, nos brindou com uma chuva de papeis picados em “Elected”, e foi gloriosamente decapitado por uma guilhotina em “I Love the Dead”, para delírio do reduzido, mas participativo, público presente no local. O mais legal é que tudo isso acontecia enquanto a música rolava em alto e bom som, com a competentíssima banda de apoio dando conta do recado com sobras nos instrumentos e nos backings vocals. E mesmo eu, longe de ser um fanático pelo grupo, conhecia e vibrava com a maioria dos sons, especialmente “I’m Eighteen”, “Poison” e o inesperado cover para “Fire”, do Jimi Hendrix Experience, que encerrou o show, mostrando o quanto a escolha do repertório foi acertada, e quantas músicas clássicas Alice tem em sua carreira (e olha que, segundo quem entende, ainda faltaram várias).

Se puder haver alguma reclamação, foi o fato do volume do microfone de Tia Alice estar muito baixo ao longo de todo o espetáculo, sendo por vezes apagado pela “sonzeira” das três guitarras e da cozinha. Mas este foi um detalhe menor em uma noite memorável, onde finalmente Porto Alegre presenciou um espetáculo obrigatório no mundo do rock há quase quarenta anos. Que não demoremos outros tantos para repetir a experiência.

Por Vinícius Moretti

Apesar de estar em número reduzido, o público foi participativo e foi ganho logo no início, quando Alice Cooper adentrou em uma plataforma, ficando bem acima do palco. O set list foi composto somente por canções que poderiam tranquilamente integrar um best of do artista e que não deixaram a desejar àquelas pessoas que esperavam os clássicos. Estavam eles ali: desde a abertura, com “Black Widow”, até “I’m Eighteen”, “Under My Wheels”, “Billion Dollar Babies”, “No More Mr. Nice Guy”, “Muscle of Love”, “Poison”, “School’s Out”, “Elected”…
A produção do show também estava toda ali. Acho que pela primeira vez vi um show em Porto Alegre com todo o aparato que é presente no exterior. Pensei que veria somente o artista, mas Alice Cooper sem encenações não é Alice Cooper. Outra coisa muito legal ao meu ver foi quando ele entrou no palco para executar uma música inédita vestindo uma jaqueta onde estava escrito nas costas “new song”. Achei sensacional. Toda a teatralidade, as trocas de figurino, tudo se encaixando de acordo com cada música, foi mesmo um show de verdade.
Falando da performance do velho Cooper, ela estava ótima. Um velhinho de 63 anos com toda essa vitalidade não é fácil de se encontrar. Imagino meu pai, que tem a mesma idade, ali no lugar: reclamaria já na segunda música. A idade foi generosa com Alice Cooper, não lhe tirou voz nem muito alcance, somente lhe deu mais experiência para continuar proporcionando muito mais do que um show, mas uma aula de como se unir música de qualidade, performances teatrais e respeito pelo público.

Set list:

Camisa com o nome da nova música

1. Black Widow
2. Brutal Planet
3. I’m Eighteen
4. Under My Wheels
5. Billion Dollar Babies
6. No More Mr. Nice Guy
7. Hey Stoopid
8. Is It My Body
9. Halo of Flies
10. I’ll Bite Your Face Off
11. Muscle of Love
13. Only Women Bleed
13. Cold Ethyl
14. Feed My Frankenstein
15. Clones (We’re All)
16. Poison
17. Wicked Young Man
18. Killer / I Love the Dead
19. School’s Out

Encore:

20. Elected
21. Fire

3 comentários

  1. Mairon Machado

    Algo que esqueci de comentar foi a primeira vez que ouvi ao vivo algo que já em mente há anos mas nunca vi ninguém fazer, principalmente por desconhecer a carreira de Alice Cooper: ouvir na sequência School's Out e Another Brick in the Wall part 2. Dois clássicos anti-sistema escolar fracassados, mas que somente o segundo tem conhecimento dos jovens atuais, como vimos no Pepsi on Stage.

    Valeu aos colegas consultores pela companhia, e se alguem achar fotos da garota citada, cuidado para não babar!

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  2. Anônimo de volta

    O set list dos shows da tia Alice é sempre previsível. E acho estranho ele não tocar nada dos discos da fase do meio dos anos 80 dele. No ano passado ele tirou do baú a “The World Needs Guts” do Constrictor(1986). Seria legal ele fazer um show ESPECIAL só com o repertório da fase “glam metal” dele. Seria fantástico ouvir músicas como “Roses on White Lace”, “Freedom”, Lock Me Up” e “Life and Death of The Party”.

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  3. Anônimo de volta

    Corrigindo, ele toca algumas músicas do fim da década de 80, mas só as que ficaram conhecidas, as que se tornaram hits. Poison não vale, porque essa ele nunca deixou de tocar. É uma pena que Al Pitrelli e Reb Beach passaram pela banda da tia Alice mas nunca gravaram nenhum disco de estúdio com ele. Só tocaram ao vivo. Imagino que discos fantásticos de estúdio teriam saído com esses grandes guitarristas.

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