Por Leonardo Castro
Quando o Manowar anunciou que regravaria seu disco de estréia, Battle Hymns, confesso que não me empolguei. Primeiro porque o EP Thunder in the Sky foi o melhor material lançado pela banda em anos, o que me deixou ansioso por mais material inédito. Segundo, porque o disco em questão, gravado originalmente em 1982, teve uma ótima produção para os padrões da época, e continua soando bem até hoje. E, por fim, a própria banda não é mais a mesma. Não só o guitarrista Ross the Boss, co-autor da maioria das faixas, não a integra mais, como a voz de Eric Adams, responsável por momentos memoráveis no disco original, não é mais a mesma após 30 anos. Portanto, minhas expectativas pela regravação não eram das maiores.

Battle Hymns
Entretanto, o resultado me surpreendeu. Não, não chega nem perto do original, mas também não destruiu as músicas. A afinação está mais baixa, Eric Adams está cantando como canta ao vivo hoje em dia, em um tom mais baixo e rasgando onde antigamente soltava os agudos, e o andamento está um pouco mais lento, mas sem perder o pique e o vigor das músicas. Pouca coisa mudou no baixo e na bateria, exceto “William’s Tale”, agora mais limpa e menos distorcida. No geral, o disco flui numa boa, gerando poucas decepções se comparado ao original. É o disco de 1982 tocado pela banda de 2010, com alguns novos arranjos do guitarrista Karl Logan.

Entretanto, um ponto foi extremamente decepcionante. A nova versão de “Battle Hymn”, a música, principalmente o solo de guitarra e a passagem vocal após a parte lenta. O estilo do Ross the Boss dava a essa música uma agressividade no solo que contrastava totalmente com a levada épica, algo único e inusitado. E o novo solo, do Karl Logan, mais melódico, não reproduziu o mesmo sentimento. O vocal do Eric Adams após a parte lenta, na versão de 1982, é uma das coisas mais fantásticas que eu já ouvi na vida. Agudo e forte, deixa qualquer fã da banda arrepiado só de lembrar. Hoje em dia, infelizmente, ele não tem mais a mesma potência e alcance.


A versão original da “Battle Hymn” é uma daquelas coisas que, por mais que se tente, jamais será superada. É uma música perfeita, captada de uma forma perfeita naquele disco. Pode se tentar reproduzir tudo de novo, com os mesmos integrantes e equipamentos, mas duvido que fique tão bom. É um daqueles momentos mágicos do heavy metal que não têm como ser explicados. E, frente a esta nova versão, isso fica ainda mais evidente. Não deixa de ser uma composição excepcional, mas a nova versão não tem o mesmo esplendor, mesmo com todas as melhorias tecnológicas.

Mesmo assim, Battle Hymns MMXI é de longe o melhor álbum da banda em anos, ou talvez décadas. Mostra claramente que o Manowar não precisa de tecladistas, orquestras, coros e outros recursos que tem utilizado recentemente. Precisa de boas músicas. E disso, o Battle Hymns, tanto MCMLXXXII quanto MMXI, está cheio.

3 comentários

  1. diogobizotto

    Por ora ouvi apenas "Battle Hymn" e "Dark Avenger" do álbum regravado, minhas favoritas no original. Entendi o que quiseste dizer a respeito do novo solo de Karl Logan… ele é um tanto "certinho" em comparação ao de Ross, sem o mesmo impacto.

    A partir do que ouvi, o disco soou um tanto desnecessário, baseado especialmente no fato de que o original realmente não é um disco mal produzido ou algo do tipo. Ao menos não escolheram "Hail to England" e "Into Glory Ride", esses sim meus favoritos.

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  2. Edu Verme

    Nossa, não sou um fã de Manowar, e não sabia da regravação desse álbum. Mas realmente, me soou como algo totalmente desnecessário, conforme o amigo aí em cima comentou. O primeiro álbum é um clássico do heavy metal, e como dito na matéria, é perfeito. Por isso mesmo, me nego a escutar essa nova versão, certamente muito abaixo do nível do original. E me pergunto: pra quê, meu deus? Que mania essas bandas têm de ficar regravando as próprias músicas!

    E devo dizer que concordo plenamente contigo, caro Leonardo, quando diz que Battle Hymn é insuperável. O que é aquele vocal depois da parte lenta? É simplemente absurdo o que o cara canta. Baita música para uma baita banda.

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  3. Anônimo

    O Sr DeMayo criou mais uma lenda, com a oficial entrada de Hamzik na Bateria, nada como um recomeço!
    Por ser um Manowarrior sou suspeito para falar, mas regravar antigos sucessos é trazer o verdadeiro Metal para a nova geração. se bem que o sr DeMayo é quase um Gene Simmons mesmo…
    Hail and Kill, fuck the world

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