I Wanna Go Back: Brother Firetribe – False Metal [2006]

13 de abril, 2011 | por Diogo Bizotto
Diversos
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Por Diogo Bizotto
O guitarrista finlandês Emppu Vuorinen adquiriu fama mundial tocando no grupo de heavy metal Nightwish. No entanto, apesar de ser membro da banda desde seu princípio, em 1996, e se configurar como uma peça-chave na sonoridade do quinteto, Emppu nunca contribuiu em grande quantidade nas composições, tarefa majoritariamente ocupada pelo tecladista Tuomas Holopainen. Dessa maneira, foi até bastante natural ter recebido, em 2006, a notícia de que o guitarrista havia se juntado a outros quatro músicos finlandeses e lançado o primeiro álbum do Brother Firetribe.

False Metal, que também era o nome original do grupo, conta, além de Emppu, com Pekka Ansio Heino (vocal), Jason Flinck (baixo), Kalle Torniainen (bateria), e Tomppa Nikulainen (teclados). Quem pensou que a sonoridade apresentada no álbum traria alguma semelhança com a do Nightwish se enganou feio. A única semelhança é a predominância dos teclados conduzindo as melodias cunhadas pelo grupo. De resto, o heavy metal melódico de caráter sinfônico praticado pela banda que revelou a vocalista Tarja Turunen passa muito longe do hard rock bombástico do Brother Firetribe, que carrega no que de mais exagerado o AOR já produziu até hoje: melodias grudentas, refrões chiclete prontos para ser entoados pelas plateias e riffs de teclado sem a mínima vergonha de soarem bregas. Algumas canções são praticamente música pop com guitarras pesadas, o que não necessariamente significa algo ruim. A intenção do quinteto finlandês não é agradar aos ouvintes mais exigentes, que procuram alguma intelectualidade na música, e sim tocar como diversão, remetendo diretamente aos anos 80, mas com uma produção atualizada.

Uma boa referência para ajudar a definir o som do Brother Firetribe está presente em uma entrevista do vocalista Pekka Heino para o site Melodic Rock. “Sempre fui um fã de melodias. Se você não tem uma melodia, não tem uma música.” É em uma grande profusão destas que se baseia False Metal, álbum repleto de uma dramaticidade até certo ponto brega, mas irresistível e capaz de colocar um sorriso no rosto de quem está para baixo, estimulando a diversão, de preferência acompanhado dos amigos e de boas cervejas.

Tomppa Nikulainen, Pekka Ansio Heino, Emppu Vuorinen e Jason Flinck

Raros são os momentos pouco bombásticos presentes no disco, algo que já é sentido desde o início, com “Break Out”, onde baixo, bateria e guitarra fazem uma base simples para que teclado e voz dominem a canção, em especial no primeiro de muitos refrões chiclete, carregados de backing vocals. As linhas vocais de “Valerie” remetem aos momentos mais simples de grupos como Bon Jovi e Def Leppard, influências diretas na construção da sonoridade do Brother Firetribe, contudo, carregando bem mais nos teclados. Assim como no Nightwish, Emppu Vuorinen concentra-se em executar bases, sua especialidade, e quando sola, o faz de maneira simples, como em “Valerie”.

No decorrer do disco vai ficando cada vez mais evidente o papel de protagonista exercido por Tomppa Nikulainen. Seus teclados dominam a sonoridade do grupo, rivalizados somente pela forte personalidade do vocalista Pekka Heino, que, ora cantando sobre as melodias construídas por Tomppa, ora passeando com mais liberdade pelas canções, constrói linhas que podem soar clichês, mas agradam ao ouvinte sedento por melodias agradáveis. Quem pretende ouvir o álbum e tem a ideia de que o Brother Firetribe se trata apenas da “banda do guitarrista do Nightwish” invariavelmente vai quebrar a cara. Claro que Emppu tem seus momentos, como no curto mas belo solo em “I’m on Fire”, destaque do disco.

“Love Goes Down”, levada pelo violão e pelo teclado simulando piano, é uma balada nem tão típica quanto se esperaria, pois não se baseia em fortes melodias tocadas na guitarra. Ao invés disso, cresce conforme o vocal vai adquirindo destaque. Outra que destaca um pouco mais o trabalho de Emppu é “Devil’s Daughter”, repleta de riffs mais ganchudos, além de um solo acompanhando o teclado.

Se o ouvinte não enjoou de tanta sacarina presente nas faixas anteriores, tem grande chance de gostar bastante de “Midnite Queen”, e mais ainda da canção seguinte. “One Single Breath” é o grande destaque de False Metal. Quem não suporta os exageros perpetrados pelas bandas de hard rock surgidas nos anos 80 e seus hinos produzidos com o propósito de agitar arenas lotadas vai odiar, mas quem gosta dessas características vai se deleitar com essa música, dotada de um riff de teclado que a conduz em seus mais de quatro minutos, fazendo a cama perfeita para o não menos que bombástico refrão. Viciante!

Tomppa Nikulainen, Jason Flinck, Pekka Ansio Heino, Kalle Torniainen e Emppu Vuorinen

Após “One Single Breath” fica até difícil manter o nível do álbum, mas “Lover Tonite” e “Kill City Kid” passam longe de fazer feio. No entanto, não são tão boas quanto “Spanish Eyes”, raro momento que traz um tom um pouco (veja bem, eu disse “um pouco”) mais sério ao disco, em uma power ballad romântica que traz linhas vocais menos previsíveis que o resto do disco, mas soando agradabilíssimas.

False Metal não vai mudar a vida de ninguém nem se tornar o álbum favorito de muitas pessoas, mas certamente pode trazer bons momentos de diversão a quem tem o hard rock dos anos 80 correndo nas veias. Se você tem a mente aberta e aprecia melodias pegajosas que remetem a trilhas sonoras de filmes produzidos no período, pode ter certeza que o disco tem tudo para lhe agradar. Falando nisso, uma dica final: em 2008 o álbum foi relançado como Break Out, contando com uma faixa-bônus especialíssima, um cover para “Mighty Wings”, canção registrada pelos norte-americanos do Cheap Trick para a trilha sonora do filme “Top Gun” (1986). Fiel à original e ao mesmo tempo soando como se tivesse sido composta pelo grupo, a versão é um indício ainda mais forte das influências da banda, com Pekka soando bastante próximo a Robin Zander, vocalista do Cheap Trick. Excelente!

Track list:

1. Break Out
2. Valerie
3. I’m on Fire
4. Love Goes Down
5. Devil’s Daughter
6. Midnite Queen
7. One Single Breath
8. Lover Tonite
9. Spanish Eyes
10. Kill City Kid



4 Comentarios

  1. Diogo, ouvi as tres faixas que disponibilizasse, e nao é que curti, principalmente os teclados de one single breath. Isso é o verdadeiro AOR, de melhor categoria. Uma banda nova que faz um som bem interessante, mas nao posso deixar de comentar que I'm on fire me lembra muito Bon Jovi, principalmente pela linha vocal e aquele andamento quadradão.

  2. diogobizotto disse:

    Mairon, que bom que assististe aos vídeos; acertaste em cheio na associação de "I'm on Fire" com o Bon Jovi, que inclusive traz uma pequena citação lírica e instrumental que a relaciona com "In These Arms", canção do quinteto de New Jersey.

    Escrevi essa resenha de uma maneira que, espero eu, tenha servido ao mesmo tempo de crítica e exaltação. Só depende da visão de quem ler, hehe.

  3. jantchc disse:

    BFT é uma ótima banda..

    não sei qual dos CDs deles é o melhor o 1º ou o 2º..

    e ainda tem o ao vivo q tb é muito bom..

    o Pekka tb canta numa banda mais metal chamada Leverage q tb é otima..

    na verdade não sei qual das duas banda do gente fina é melhor..

    vale a pena conferir..

  4. diogobizotto disse:

    Cara, ao ler as entrevistas concedidas pelo Pekka fica bem claro uma coisa: o cara é, acima de tudo, um grande fã de rock que quer se divertir fazendo o que mais gosta. E acho que ele vem sendo muito bem sucedido nisso. Os dois discos do BFT são bem legais, e eu poderia ter escolhido facilmente o segundo, vide músicas como "Wildest Dreams" e "Runaways"…

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