Maravilhas do Mundo Prog: Van der Graaf Generator – A Plague of Lighthouse Keepers [1971]

31 de março, 2011 | por Marco Gaspari
Maravilhas do Mundo Prog
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Por Marco Gaspari
O gerador Van Der Graaff é uma traquitana capaz de produzir até quinze milhões de volts e provocar uma faísca de seis metros de comprimento. Ele é usado em física nuclear para produzir as tensões muito elevadas necessárias em aceleradores de partículas. Convenhamos então que uma banda de rock que resolveu assumir este epíteto não pode oferecer aos ouvintes menos do que uma potência sonora equivalente.
A primeira fase do VdGG, aquela que compreende os anos de 1967 a 1972, era sim pura energia. E desenvolveu um som tão peculiar que acabou sendo referência para toda uma escola dentro do rock progressivo.
Na segunda metade de 1970, o VdGG tinha Hugh Banton nos teclados, baixo e vocais; Guy Evans na bateria, percussão e piano; David Jackson nos sopros e vocais e Peter Hammill na guitarra e teclados. Hammill também era o letrista, vocalista principal e o líder da banda. E quem costumava dar uma canja nos discos do grupo era Robert Fripp, o guitarrista e líder do King Crimson . Foi essa formação que começou a trabalhar no quarto álbum do VdGG, que viria a se chamar Pawn Hearts e é até hoje considerado a obra prima do grupo.
Apesar da qualidade de seus integrantes e do perfeito entrosamento e respeito entre eles, o processo de criação da banda geralmente começava com alguma canção que Hammill havia composto sozinho. Ele chegava com um rascunho, tocava para o grupo e a partir daí todos se envolviam, palpitavam e acrescentavam suas idéias até a música ganhar sua forma definitiva. No caso de Pawn Hearts, as duas músicas do lado A do álbum, “Lemmings” e “Man Erg”, seguiram esse processo e levaram seis meses de trabalho para o grupo considerá-las terminadas, isso no começo de 1971.
A longa suíte que toma todo o lado B, “A Plague of Lighthouse Keepers”, tema desta matéria, seguiu um processo diferente. Ela nasceu do nada, de uma espécie de compromisso entre os músicos de que eles poderiam ir além de tudo aquilo que já haviam feito. Desta vez não existia um rascunho pronto. Hammill tinha no máximo algumas linhas escritas desordenadamente, alguns fragmentos de canções. Durante os outros seis meses em que o VdGG trabalhou só nesta suíte, o desgaste emocional foi muito grande; eles precisavam ter fé de que as coisas no final se encaixariam e que a suíte funcionaria como conjunto. Pensem o seguinte: era uma longa música planejada para 10 a 12 partes em seu início e quando os músicos estavam trabalhando na sexta parte, por exemplo, já tinham perdido todo o envolvimento com as partes já trabalhadas. Um quebra cabeças enlouquecedor. Além do mais, a música foi se revelando muito estranha para os padrões normais de uma banda do começo dos anos 70 e o que mais sustentou a vontade de ir em frente é que o VdGG era realmente um grupo muito estranho, fora dos padrões.
Não existia uma sequência ordenada. Uma parte em separado era composta, tocada, gravada uma, duas, quantas vezes fossem necessárias e deixada de lado para que outra parte pudesse ser composta, tocada, gravada uma, duas, quantas vezes fossem necessárias… No final, foi Hugh Banton quem trabalhou sozinho na edição e providenciou todos os fades para que a música tivesse seu resultado final como conhecemos. Quando o resto da banda ouviu finalmente a música completa, o impacto foi o mesmo causado aos milhões de ouvintes que ouviram depois pela primeira vez. Foi um momento de pura redenção.
Na ficha técnica do álbum lemos que Pawn Hearts foi gravado no Trident Studios, em Londres, entre julho e setembro de 1971. Agora sabemos que a coisa não foi tão simples assim. “A Plague of Lighthouse Keepers” é uma das músicas mais emblemáticas do rock progressivo e sua complexidade é tão imensa que tudo aquilo a que me proponho escrever daqui para frente não chega nem a arranhar sua superfície. Mas pelo menos serviu para exorcizar boa parte dos fantasmas hammillianos que passaram a habitar minha alma desde a primeira vez que ouvi Van der Graf Generator. Justamente o Pawn Hearts. E justamente essa suíte.
I – EYEWITNESS
Abertura sinistra, calma, quase quieta. O som se apresenta sutilmente como se subisse e descesse no movimento de ondas. PH começa a narrativa: “Still waiting for my saviour…”. Não existe capitular no “s” de saviour, o que parece limitar qualquer interpretação religiosa da letra. Mais detalhes saltam aos olhos: o adorável (porém desalentador) paradoxo da frase “I’m so far out I’m too far in”; a sutil referência ao jogo de xadrez (recorrente na obra de PH) na frase : “And now my knights are numbered too”; o apelo surreal de “I’ve seen the smiles on dead hands”, aparentemente sem sentido, mas que nos remete a um poema do poeta inglês Coleridge onde a palavra hands está associada a marinheiros, ou seja: são as mãos dos marinheiros mortos que sorriem. Chegamos finalmente ao foco central desta parte da saga, quando o narrador diz “I prophesy disaster and then I count the cost”. Esse é o grande dilema aqui, pois se alguém professa desastre, como pode acreditar em algo? Como pode esperar um salvador? Será então que o preço do conhecimento é a solidão? O sax de David Jackson sugere fantasmagóricas aves marinhas no final desta faixa. São arautos do desastre.
(tradução da letra) TESTEMUNHA OCULAR
Continuo esperando pelo meu salvador,

Tempestades me desfazem membro por membro
Meus dedos parecem algas…
Eu estou tão longe que estou muito perto.
Eu sou um homem solitário, a minha solidão é sincera.
Meus olhos são testemunhas desoladas
E agora os meus cavaleiros também estão contados.
Eu vi os sorrisos das mãos mortas,
As estrelas brilham, mas não para mim.
 

Eu prevejo desastre e calculo os custos…
Eu brilho, porém, brilhando, morrendo,
Eu sei que estou praticamente perdido.
Sobre a mesa repousa um papel em branco
Minha torre é construída em pedra
Tudo o que eu tenho são tesouras cegas,
Tudo o que eu tenho é o mais pobre dos lares…
Eu tenho sido a testemunha, e o lacre da morte
Detém-se na cera derretida que é a minha cabeça.
 

Quando vir os esqueletos
Dos mastros dos navios a afundar
Você começará a imaginar se
Tudo o que os mitos antigos queriam dizer
Foram solenemente dirigidos diretamente a você…
II – PICTURES / LIGHTHOUSE
O que temos aqui é uma metáfora sonora, porém vívida, como uma pintura onde testemunhamos uma catástrofe em pleno mar. O fantástico sax de Jackson (sempre ele) e os efeitos de órgão de Hugh Banton iludem o ouvinte de tal forma que ele se sente transportado para uma espécie de nevoeiro estereofônico onde dois navios se aproximam às cegas até a inevitável e impressionante colisão. A seguir, Banton faz o som de seu órgão emergir lentamente das profundezas, ganhando consistência à medida que parece lutar para chegar à superfície.
IMAGENS / FAROL
(redemoinhos, rochas, navios, colisão, remorso)
III – EYEWITNESS (reprise)
Mais do mesmo: isolamento, remorso, desesperança – “so I only think on how it might had been” e a retomada de imagens em “as the waves crash on the bleak / Stones of the tower I start to freak”. Quer referência mais perfeita de isolamento do que uma solitária torre de pedra açoitada pela tempestade? Outro detalhe interessante que notamos em toda a saga é a mudança da tonalidade de voz de PH, caminhando entre o apelo desesperado, a interpretação angelical e a demência. Para qualquer desavisado que comece a ouvir VdGG por esta suíte, a sensação que ela passa é a de que a banda tem vários cantores. E, bem a propósito, já li PH afirmar que poderíamos entender o título da música como “uma praga de faroleiros” ou, num outro sentido, como “um encontro (ou uma porção) de faroleiros” (o que, estou especulando, poderia explicar a mudança de vozes).
TESTEMUNHA OCULAR (Reprise)
Não há tempo para arrependimentos:
Essa hora já passou.
As paredes são finas como tecido e
Se eu falar, quebrarei o vidro.
Então apenas penso em como isso poderia ter sido,
Trancado em um monólogo silencioso, em um grito silencioso.
 

De toda forma, estou cansando demais para falar
E, à medida que as ondas quebram nas rochas
Frias da torre, eu começo a enlouquecer
E me sinto vencido…
IV – S. H. M.
Jamais consegui descobrir o que significam essas iniciais (seria ótimo se fossem de Sadness. Hopeless. Madness) e agradeceria muito se alguém pudesse explicar. Esta parte da saga é capitaneada pelo fantástico riff do sax de Jackson, criando o clima perfeito para que um ensandecido Hammill mergulhe no seu mar de loucura: “Unreal, unreal, ghost helmsmen scream”. Mil poetas já rimaram as agruras do oceano, mas poucos com o poder de síntese dos versos de PH. A bateria de Guy Evans martela um anticlímax antes da próxima faixa.
S. H. M.
“Irreal, irreal”, gritam os timoneiros fantasmas
E caem através dos céus,
Sem serem impedidos pelos guinchos das minhas gaivotas…
Sem interrupção até que eu morra:
Os espectros arranham as ranhuras das janelas –
Rostos vazios e sorrisos insensatos
Com a única intenção de destruir o que perderam.
 

Eu escalo o muro até que sua inclinação termine
Na queda vertical;
O meu balde pôs-se ao mar:
Nada de esperanças brincando ao amanhecer.
Ossos brancos brilham em uma máscara com mandíbula de aço
Paralelos à minha torre isolada…
Não há parafina para a chama
Não há nenhum porto a conquistar.
V – PRESENCE OF THE NIGHT / KOSMOS TOURS
Temos um convidado ilustre nestes dois segmentos: Robert Fripp. Na presença da noite sua guitarra é atmosférica, reflexiva, e no tour cósmico assume a função de um limpa trilhos (ou será um quebra gelo?) para o trem (com certeza um navio) das galáxias. Se existiu vida por aqui, já morreu e a noite revela apenas fantasmas. Um sussurro envolto em trevas formula a pergunta: “Would you cry if I died?” Fantasias, máscaras, tudo se desnuda em camadas, e o que sobra é um grito suplicante que tenta romper a solidão quando diz “I don’t want to hate / I just want to grow,/ why can’t I let me live and be free?”. Uma súplica como esta é poesia carregada de simbolismos, de imaginação… enfim, tem poder. Enquanto isso a banda reforça este argumento com toda a sua força instrumental, criando um redemoinho estranho e terrível que após atingir sua força máxima, morre abruptamente. O narrador revela então que esse redemoinho é sua memória.
PRESENÇA DA NOITE / VIAGENS CÓSMICAS
“Solitário, solitário”, chamam os fantasmas,
Definem-me na luz.
A única vida que eu sinto
É a presença da noite.
 

Você choraria se eu morresse?
Você choraria se eu morresse?
Você ouviria as minhas últimas palavras?
Você ouviria as minhas palavras?
Eu sei que não há tempo
Eu sei que não há rima…
Sinais falsos me encontram
Eu não quero odiar,
Eu só quero crescer;
Por que eu não posso me permitir
Viver e ser livre?
 

Mas eu morro lentamente sozinho.
Não sei de outros caminhos,
Eu estou com muito medo,
Eu não me permito
Ser eu mesmo
E com isso, fico totalmente sozinho…
 

O redemoinho da minha memória
É um vampiro e se alimenta de mim
Agora, cambaleando loucamente, além da borda, eu caio.
VI – (CUSTARD’S) LAST STAND
Um momento de calmaria no mar antes revolto. E uma brincadeira no título onde custard’s pode se referir a um pudim de leite ou a um trocadilho para o famoso quadro “A Última Resistência do General Custer (Custer’s Last Stand)”. E de forma conveniente nosso herói arrisca aqui uma débil tentativa de apresentar algum tipo de esperança – “Lighthouses might house the key”. Musicalmente o clima é mais elevado, e por um breve instante as coisas se apresentam claramente. “Lighthouses” é uma imagem de esperança e de resgate, um forte e proposital contraste para as torres de pedra surradas pela tempestade. Mas não passa de um instante, pois logo o narrador retoma sua sina: “I don’t think I see right, for I blind me”. E uma sórdida nuvem negra volta a cobrir o sol.
A ÚLTIMA PAUSA (do Pudim)
Faróis talvez hospedem a chave
Mas será que eu consigo alcançar a porta?
 

Eu quero caminhar sobre o mar
Para poder mais depressa alcançar a costa…
Mas como será que eu posso manter os meus pés secos?
Eu sondo o horizonte
Eu tenho que manter meus olhos como sendo partes de mim.
 

Olhando para os últimos anos
Parece que eu perdi o meu caminho:
Como um cão na noite, eu tenho que correr para um abrigo
Agora que eu sou um estranho eu permaneço do lado de dentro.
Toda a dor que eu já vi
Faz-me perseguir uma paz solitária;
Mas eu guardo a experiência na minha cabeça…
Eu estou perto demais da luz
Não creio que veja bem, pois eu me ceguei…
VII – THE CLOT THICKENS
O coágulo engrossa. E como! A banda retorna implacável, obsessiva, e a voz de PH deixa de ser humana em seu esganiçar estridente. Somos impactados por uma onda de questões: “Where is the God that guides my hand? / How can the hands of others reach me? / When will I find what I grope for? / Who is going to teach me?”. Quem conhece bem o disco Pawn Hearts não terá dificuldades de associar “I can see the Lemmings come in…” com sua primeira faixa do lado A. A música vai se entrelaçando como uma impossível sequência de nós górdios até ser finalmente cortada pelas notas de um piano.
O COÁGULO ENGROSSA
Onde está o Deus que guia a minha mão?
Como as mãos dos outros podem me alcançar?
Quando encontrarei aquilo que procuro?
Quem é que vai me ensinar?
Eu sou meu eu / meu eu somos nós / nós não podemos enxergar
Nenhum caminho para fora daqui.
Mar turbulento – uma história atrofiada:
A oportunidade perdeu a minha Guinevere…
 

Eu não quero ser uma onda na água
Mas o mar vai me arrastar para o fundo
Mais um afogado perdido…
 

Eu posso ver os lêmingues chegando,
Mas eu sei que eu sou apenas um homem;
Me junto a eles ou me afogo?
Qual a melhor das escolhas?
VIII – LAND’S END (Sineline) / WE GO NOW
Já disse anteriormente que poderíamos entender a palavra plague como encontro e isso fica um tanto mais evidente aqui, pois a voz de PH se desdobra em várias para transformar o final desta suíte numa espécie de hino. O som do órgão de Banton parece ressoar nas paredes de uma catedral, afastando a tempestade, abrindo o tempo, vencendo a crise: “It doesn’t feel very bad now”. Entretanto, liricamente, este final continua pontuando as mesmas questões de toda a saga, como nas frases ambíguas “All things are a part” e “All things are apart” (ou seja: isoladadas). Como não poderia deixar de acontecer no final de uma suíte, a música vai se desenrolando num crescendo (Fripp sola por aqui), mas o órgão de Banton, ao invés de explodir num clímax típico, prefere nos deixar em suspensão.
O FIM DA TERRA (Linha do Seno) / AGORA NÓS VAMOS
Oceanos ondulando a deriva,
O feitiço me atrai;
Eu sinto você ao meu redor… eu lhe conheço bem.
As estrelas dividem o horizonte aonde as linhas permanecem
Inflexíveis;
Eu sinto que estou afundando… mãos espalmadas no escuro.
 

Campos de panóplias e de majestade,
O que é Liberdade de Escolha?
Aonde eu permaneço na pompa…
Qual dessas é a minha voz?
Não me sinto tão mal agora:
Eu penso no fim como sendo o começo,
Começo a me sentir feliz agora:
Todas as coisas são uma parte
Todas as coisas são isoladas
Todas as coisas são uma parte
Fontes: algumas poucas informações foram tiradas da internet e outras foram coletadas de revistas, livros e de alguns números do fanzine Pilgrims, do fã clube do VdGG na Inglaterra.



27 Comentarios

  1. Will disse:

    Texto escrito com muita propriedade e inteligência. Parabéns Marco (Siri). Confesso que não conheço absolutamente NADA desta banda a não ser o nome e o seu texto certamente tratou de despertar uma curiosidade em conferir o trabalho dos caras. Grande abraço.
    Will.

  2. luiz mayro disse:

    Muito bom mesmo…Parabéns Siri por expressar de forma simples um som complexo como é o som do VDGG….uma das melhores bandas que tenho no meu acervo….um som que é para ser ouvido com a mente do lado de fora do cérebro…Fantástico !!!

    NAZA

  3. Merlinus disse:

    Como de hábito, "Siri da Gaita" "desce a caneta" com uma propriedade e conhecimentos tão intensos, que fazem até os menos admiradores do VdGG como é o caso deste "velho Mago", renderem-se às maravilhas criativas do Progressivo.

    Parabéns pelo belíssimo texto e parabéns a Rapaziada da Consultoria do Rock em especial ao Fernandão por permitir que talentos natos da escrita como o Marco Gaspari estejam acessíveis à todos.

    Forte Abraço…

  4. Giulianella disse:

    Belíssima análise em texto maravilhoso. Um álbum de complexidade ímpar como é Pawn Hearts merecia mesmo ser dissecado com essa clareza e paixão.
    É meu disco predileto do grupo, e sempre o ouvi mais com o coração e com a intuição (como de sorte sempre faço). Você me permitiu, também, ouvi-lo com racionalidade (até onde isso é possível para um trabalho do VDGG).
    Um grande abraço, caro amigo

  5. Leandro disse:

    Beleza de suíte. A mais bela da história do rock. A simulação do choque entre navios é o ponto alto dessa música.
    Parabésn ao blog pelo texto.

  6. Eu tava ansioso por ler uma Maravilha do Mundo Prog pelas mãos do Gaspari, mas achei que seria alguma banda da antiga Tchecoslováquia, sei lá. Caralho, quando li Van der Graaf Generator, quase caio aqui da cadeira! xD Meu aniversário não chegou, mas obrigado pelo presente!
    Agora, falemos do conteúdo do post. Permitam-me apenas discordar da frase "e é até hoje considerado a obra prima do grupo", pois meu favorito é o Godbluff. Mas são ambos geniais, é até difícil realmente decidir qual o melhor. E, poxa, "A Plague of Lighthouse Keepers"… Eu comecei o ano vendo essa música no DVD do Godbluff!
    Pô, o texto tá muito bom! Meu inglês é fraco, e minha interpretação de poesia não fica muito atrás, mas a riqueza de imagens que surgem do texto do Hammill salta aos olhos! Nem preciso falar do aspecto musical.. Uma das melhores suítes do prog, sem dúvida! E, sim, um dos aspectos mais interessantes é que o final da música tinha tudo pra chegar a um clímax, mas termina meio que "morrendo na praia", mas isso de forma alguma soa mal. Muito pelo contrário! Esperar um final feliz pra um hino claustrofóbico como esse seria tolice.
    Parabéns, Gaspari. Depois dessa, eu vou aposentar a caneta! xD
    Parabéns ao Naza tb pelo comentário: "um som que é para ser ouvido com a mente do lado de fora do cérebro…" =D

    P.S.: Coincidentemente, acabei de assistir o Encouraçado Potemkin com legendas em inglês, e, sim, 'hands' são os marinheiros. =]

  7. Merlinus disse:

    KCarão, não aposente a caneta, vc. é muito novo ainda e continuo com expectativas que suas linhas sejam tangenciais à linha do horizonte.
    Forte Abraço do Mago…

  8. micaelmachado disse:

    Belíssimo texto. Eu nunca tive capacidade suficiente para entender muito do VDGG (por culpa puramente minha), mas há de se reconhecer a importância e o valor da banda dentro do progressivo… só é "pirado" demais para o meu cérebro limitado, embora um dia quem sabe eu consiga chegar ao nível deles…

    Essa não é a primeira vez que eu vejo alguém dizer que começou a ouvir VDGG por esta faixa, e se "viciou" na banda… o que é estranho, porque esta música é tudo, menos comum ou atraente… ela é sombria, variada, exige uma atenção do ouvinte que outras músicas dentro do próprio prog não demandam… mas consegue capturar quem a ouve de um modo que todos ficam "reféns" dela para sempre… e, por consequência, da banda.

    E parabéns pela coragem de traduzir o PH… suas letras são tão cheias de metáforas e expressões "estranhas" ao inglês que nós, estrangeiros, usamos regularmente, que é realmente um desafio traduzir com precisão as imagens que ele cria através de seus versos… não é para qualquer um! E foi muito bem feito aqui!

  9. O Micael disse uma verdade: tem muita coisa estranha nas letras do Hammill. Desisti de tentar traduzir as letras dele, ou pelo menos de decorar pra cantar junto, quando li a palavra "limbo", tal qual no português, na letra de "The Sleepwalkers". Isso foi só pra citar um dos vários exemplos.
    Quanto ao som, Micael, não se ponha pra baixo. Imagino que a maioria aqui curta VdGG, mas entender que é bom, a gente só faz fingir. O Gaspari foi quem disfarçou melhor! xD
    Merlinus, há quanto tempo, hein?! Valeu pelo comentário ao meu comentário. Até recuperei a vontade de escrever depois da miséria feita pelo Gaspari! =]

  10. Mister disse:

    Quero agradecer aos comentários. Sejam eles favoráveis ou críticas contundentes, é sempre muito bom saber que existe leitor para o que escrevemos.
    Mas percebo agora que cometi um engano e quero tentar esclarecê-lo: sempre que escrevo um texto procuro no final citar as fontes consultadas. A menos que essas informações sejam apenas factuais: integrantes da banda, datas, discografias, etc…
    No caso do texto acima, citei algumas fontes e três delas foram para a tradução das letras. Como foi bem dito aqui, Peter Hammill não é um letrista muito simples de entender, traduzir e, principalmente, analisar.E meu inglês não é tudo isso. Para essa tradução, comparei uma feita pelo português Alexandre Vargas no livro da editora Assírio & Alvim chamado “Camaleão na sombra da noite” com a dos espanhóis Alberto Manzano e Miguel Angel Fernandez para o livro “Peter Hammill – Canciones” lançado pela Editorial / Fundamientos. Outra ainda foi tirada da internet.
    A tradução portuguesa eu simplesmente não gosto, muito ao pé da letra. A espanhola é mais lírica e agradável de ler. Tomei então como base a da internet, acrescentei elementos das duas traduções e onde eu achei que poderia melhorar o sentido pesquisei e escolhi palavras.
    Não é então, de forma alguma, uma tradução feita por mim.
    Quanto à interpretação das músicas, aí sim fui mais autoral. Mesmo assim, me inspirei também em trechos já analisados por membros do fã-clube do VdGG que costumavam publicar um fanzine muito interessante chamado Pilgrims e que eu assinei durante algum tempo nos anos 90.

  11. Mister disse:

    O Pawn Hearts foi o primeiro LP do VdGG lançado no Brasil. Se não me engano na mesma época do Fragile (Yes) e do Foxtrot (Genesis). Fui o primeiro dentre os meus amigos a comprar o disco e como existia uma certa ditadura entre Yes e Genesis no gosto deles, resolvi ser diferente e adotar o VdGG como minha banda preferida. E eles não gostavam desse som nem um pouco, hehe… o que só aumentava a minha preferência (outra banda que ocorreu o mesmo foi com o Can).
    Na hora de ouvir o disco, comecei pelo lado b porque devia estar meio chapado e troquei as bolas. Mas foi o que aconteceu e é por isso que a primeira música que ouvi do VdGG foi “A plague…” O lado a é muito mais digerível. Daí fui comprando os outros discos pela ordem que iam aparecendo por aqui: o H to He importado, o Aerosol nacional e o The least we cand do… importado (os da segunda fase saíram todos no Brasil). Também comprei toda a discografia solo do PH e os LPs do The Long Hello em vinil importado até o começo dos anos 80. Sem dúvida é minha banda progressiva favorita.

  12. luiz mayro disse:

    Muito bom mesmo….Valeu….

    NAZA

  13. Uma das melhores canções de todos os tempos, A Plague of Lighthouse Keepers recebeu um belo tratamento, mas confesso que nosso Gaspa tem total razão quando diz q "não chega nem a arranhar sua superfície". essa canção é extremamente complexa, e só posso dar os parabéns pela bravura do trabalho do Mister Master Gaspa. Foi a segunda canção que conheci do VDGG (a primeira foi The Undercover Man) e cara, eu cai no chão. acostumados com as suites do Floyd, Genesis e Yes, APOLK não tem nada a ver com as demais. A letra densa e sombria, uma espécie de apocalipse marinho, contrasta com uma perfeita harmonia musical.

    Como diz um narrador de futebol conhecido aqui no sul, "É DEMAAAAAAAAIS". Peter Hammill é gênio. Não só essa letra, mas diversas outras (das quais eu destaco Undercover man, still life e childhood's …) são fantasticas, para se pensar como se fazia musica e letra de fundamento, sem tanto ilusionismo ou imaginações, basta colocar no papel uma historia como a que ouvimos nessa faixa.

    Demoraria anos para escrever algo como o Gaspa escreveu sobre essa musica. discordo em alguns pontos da tradução e do significado, que aliás, SHM pelo que eu sei dos meus tempos na Siberian Khatru Communitty significa Saviour Helping a Man.

    Essa é daquelas bandas que apenas uma canção pode gerar um papo pro resto do dia, e só não é a melhor pq tem tanta coisa boa na polonia e cortina de ferro q seria pecado dizer isso. Fica a pergunta para o Gaspa e os demais, a versão do vinil de vocês tem "Theme One" no lado B? A minha versão, inglesa, tem … Mas parece q na original não é assim

    Mais uma vez, parabens

  14. A minha versão mp3 muderninha tem não só "Theme One" como mais otras 4 músicas, além das 3 do disco original, é claro! =D

  15. Excelente…excelente

  16. Mister disse:

    Mairon
    Gracias por me dar uma luz a respeito do SHM. E fico muito feliz em saber que temos o PH em comum, entre tantas outras coisas. Nos anos 70 cheguei a ter 3 versões vinílicas do Pawn Hearts ao mesmo tempo: a nacional, que trazia a ilustração do importado duplo numa capa simples (talvez a única a sair assim no mundo. Digo talvez porque não tenho mais certeza e a memória anda fraca) e o encarte com as letras; uma inglesa que não tinha "Theme One" (saiu em single por lá) e que faltava o encarte no meu exemplar; e a americana, que tinha a faixa "Theme One" entre Lemmings e Man Erg no lado A e que, também se não me engano, não trazia o encarte. Acabei conservando só a edição americana com o encarte da nacional. Sou estúpido, fazer o quê?

  17. Acontece Mister, acontece.

    Eu tenho minhas duvidas tb sobre o significado de SHM, mas segundo o pessoal que era do fanzine ingles do VdGG e que colaborava com a Siberian, esse era realmente o significado que foi atribuído por Hammill e cia. Agora na real, va se saber o que passa na cabeça de alguem como é esse gênio do prog.

    Abração

  18. Dave disse:

    É tão bom ler artigos como este… Estava pesquisando imagens do Van der Graaf no google imagens e caí aqui.
    Òtima surpresa.

    Esta banda é realmente algo inexplicável… Se destaca de tudo de progressivo que conhece, não por ser melhor ou pior, acho que esta questão é irrelevante, mas por ser realmente diferente.

    Parabéns pelo blog. Já tô seguindo.
    Abraço

  19. Valeu Dave, seja bem-vindo. Puxa o mochinho, pega uma costela e dá uma olhada no nosso acervo, que talvez tu te interesses por mais material já divulgado aqui no Consultoria do Rock

    Um abraço

  20. Pier Carllo (Uga.) disse:

    Há alguns meses, depois de ler esse texto do amigo Siri, comprei o famoso e sombrio PAWN HEARTS. Esse trabalho clássico do VDGG mudou minha concepção do que é rock progressivo pois a sonoridade aqui é mais tensa e inquietante. É como uma versão maligna do King Crimson estivesse sendo tratada aqui. Eu adorei as 3 faixas e meu cd traz ainda algum amterial bonus. Mas a música que eu viciei mesmo é MAN ERG. Se o diabo fizesse rock progressivo em época de apocalipse, o som seria o que o VDGG faz.

  21. Pois confere aí esse video, Pier:

    http://www.youtube.com/watch?v=A2K1mUSN-tI

    VDGG + Dario Argento

  22. Bernardo Moreira disse:

    Realmente maravilhoso este texto, Mario Gaspari, sobre uma das melhores bandas de Prog de todos os tempos !!! É simplesmente impressionante o VdGG, as letras que o Hammil fazia não são para qualquer um, lendo estas letras dá um certo embolamento na mente, você não sabe o que significa tudo, é realmente muito complexo tanto o som quanto as letras, é um quebra-cabeças de 8 peças simplesmente impossível de apenas se começar a montar, os temas falam de isolamento e ao mesmo tempo metaforizado por isso tudo aí…Sei lá, o tema é tão complexo que vc não sabe se isso tudo é simples demais ou complexo demais…Eu começei a re-ler a resenha hoje e me esqueci que o tema era isolamento, e acabei achando por um tempo que a letra era simples, mas quando lembrei que falava de isolamento, aí você vê que é mais difícil de entender…Neim o que é o que, não sei se é por falta de atenção ao ler ou por confusão msm…Depois acho que vou re-ler novamente…
    Muito obrigado pela resenha, apesar de não conhecer tão a fundo a obra, meus discos preferidos são: Pawn Hearts, H to He…, Still Life e também conheço pouco mas gosto muito de The Least We Can Do…

    • Marco Gaspari disse:

      Grato pelas palavras, Bernardo. Procure conhecer melhor o disco de estreia, Aerosol Grey Machine. É um disco na minha opinião bastante menosprezado, mas brilhante. Abração.

      • Bernardo Moreira disse:

        Eu acho que talvez eu não tenha falado coisa com coisa, mas obrigado msm assim, Mairon…E quanto ao Aerosol Grey Machine, eu ouvi pouco deste disco, a única música que conheço bem e adoro é Afterwards, e tbm já ouvi Orthenthian St., Parts 1 & 2 e gostei tb, e acho que cheguei a ouvir Running Back e Into A Game e tb curti a curtinha Aerosol Grey Machine, parece msm ser um disco muito bom…
        PS:.Ouvi melhor o Godbluff a pouco tempo e parece ser um discaço, gostei das faixas, mas ainda não o digeri por completo…PETER HAMMIL É GÊNIO, amo este cara msm não conhecendo demaaaais de Van Der Graaf e nada da obra solo dele.Abração…

    • H to He tem a música que mais gosto do VdGG, Killer. A letra também contém uma metáfora sobre relacionamento bastante perturbadora….

  23. Myke disse:

    Muito bom! Sintetizou muito bem os pontos centrais da música. Sou intrigado nessa capa do “Pawn Hearts”.Alguém sabe o que significa esses desenhos de pessoas da capa?

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