Podcast Grandes Nomes do Rock #12: Iron Maiden [1994 – 2011]

28 de março, 2011 | por Mairon
Diversos
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Por Mairon Machado
Na décima segunda edição do Podcast Grandes Nomes do Rock, apresentaremos a segunda parte da homenagem ao Iron Maiden, contando a história do grupo do ano de 1994 até os dias de hoje, com a turnê que passa atualmente pelo Brasil. Canções das carreiras solo dos três vocalistas, raridades do grupo e também clássicos de bandas que influenciaram o Iron Maiden no início de carreira estarão presentes em uma hora e meia de muito som.

Em 1994, cantores de diversos países enviaram suas demos para o Iron Maiden em busca do posto de vocalista oficial do grupo após a saída de Bruce Dickinson. De Michael Kiske (Helloween) até André Matos (ex-Viper), pelo que consta a lenda, todos queriam estar sob os holofotes do microfone da donzela. Porém, o mais cogitado era o retorno de Paul Di’Anno, que na época liderava o grupo Killers.

Iron Maiden em 1995: Nicko, Harris, Blaze, Janick e Murray

Surpreendentemente, Steve Harris, o vocalista Blaze Bayley (ex-Wolfsbane) e  o resto do Iron Maiden logo entraram em estúdio, lançando em 1995 o álbum The X Factor. Apesar de boas canções como “Sign of the Cross”, os fãs de Bruce Dickinson torceram o nariz para a nova formação, e The X Factor se tornuo o disco do grupo com pior marca de vendas desde o lançamento do álbum de estreia em 1980. O grupo saiu em turnê durante os anos de 95 e 96, onde tocaram pela primeira vez em Israel e na África do Sul. Após a turnê, saiu a coletânea Best of the Beast (1996), apresentando uma canção inédita: “Virus”.

Mais dois anos de hiato e, em 1998, foi lançado Virtual XI, que vendeu menos ainda, atingindo menos de um milhão de cópias comercializadas pela primeira vez na história do Iron Maiden. As canções com tendências progressivas realmente não agradaram aos fãs, ainda mais quando Blaze cantava as canções da era Bruce, chegando por diversas vezes a ser vaiado. Ao mesmo tempo do lançamento de Virtual XI, que também contém boas canções como “Futureal” e “The Clansman”, os fãs cada vez mais se afastaram. A solução encontrada foi a saída de Blaze em um acordo amigável.

Iron Maiden na terceira edição do festival Rock in Rio

Para surpresa e delírio de todos, Steve Harris anunciou, em fevereiro de 1999, o retorno de Bruce Dickinson (que vivia uma ótima fase em sua carreira solo) e também de Adrian Smith para as guitarras. Contando agora com o trio Janick, Dave e Adrian nas seis cordas, mais Harris, McBrain e Bruce, o agora sexteto partiu para uma turnê intitulada de “The Ed Hunter Tour”, ao mesmo tempo que foi lançado o jogo eletrônico Ed Hunter, que também acompanhava uma coletânea. O primeiro álbum de estúdio com a nova formação saiu em 2000. Brave New World mantinha as influências progressivas dos álbuns com Blaze, em faixas como “The Wicker Man” e “The Nomad”, mas que, com a voz de Bruce, encaixaram-se no gosto dos fãs. Assim, a Donzela praticamente saiu das cinzas com a extensa turnê mundial, contando com mais de 100 shows, encerrada no dia 19 de janeiro de 2001, com a apresentação na terceira edição do festival Rock in Rio para uma plateia de aproximadamente 250 mil pessoas, cuja performance ficou registrada no CD e DVD ao vivo Rock in Rio, lançado em março de 2002.

Após mais uma curta turnê, a “Give Me Ed… ‘Til I’m Dead Tour”, que ocorreu durante o verão de 2003, foi lançado o álbum Dance of Death, que foi aclamado tanto por fãs quanto pela imprensa, que rotulou o álbum como o melhor desde Piece of Mind. Canções como “Montségur” e “Paschendale” resgataram os temas históricos. Na turnê “Dance of Death World Tour”, o grupo se apresentou para cerca de 750 mil pessoas durante um período de quatro meses, realizando 50 shows entre 2003 e 2004 pela América do Sul, Japão, Europa e América do Norte.
Em 2005, a banda apresentou-se no Westfalenhalle em Dortmund, na Alemanha, tendo registrado no show o CD e DVD Death on the Road. Para celebrar os 25 anos de carreira do grupo, o grupo iniciou a turnê The Early Days, onde somente material dos quatro primeiro álbuns foi interpretado. Um dos principais espetáculos dessa turnê  foi realizado no Ullevi Stadium, na Suécia, onde o Iron Maiden apresentou-se para um público de 60 mil fãs e teve seu show transmitido pela televisão em toda a Europa. O término dessa gira foi como headliner nos festivais de Reading e Leeds (Inglaterra), nos dias 26 e 28 de agosto, encerrando de vez com uma data onde tocaram para 40 mil fãs no RDS Stadium, na Irlanda.
No outono de 2006, A Matter of Life and Death chegou às lojas, continuando o trabalho de canções elaboradas, temas complexos e próximos ao progressivo. Mais uma turnê foi realizada, com o álbum sendo interpretado na íntegra durante a primeira parcela de apresentações. Na segunda parte, a turnê passou a se chamar “A Matter of the Beast”, adicionando canções do álbum The Number of the Beast, que completava 25 anos em 2007. Pela primeira vez, o Iron Maiden se apresentou nos Emirados Árabes Unidos, participando do Dubai Desert Rock Festival em 2007, em um espetáculo para 20 mil fãs. Também visitaram a Índia pela primeira vez, onde realizaram um show em Bangalore para 45 mil pessoas. Além disso, fizeram sua quarta apresentação como headliner no festival de Donington Park para 80 mil pessoas.

Ed Force One

No dia 5 de setembro de 2007, foi anunciada a “Somewhere Back in Time World Tour”, com o palco baseado na turnê de Powerslave. A primeira apresentação foi em Mumbai, na Índia, no dia 1º de fevereiro de 2008, com a primeira parte da turnê consistindo de 24 shows em 21 cidades, passando inclusive mais uma vez pelo Brasil e por países onde o grupo colocou os pés pela primeira vez, como Colômbia e Costa Rica, além da primeira apresentação na Austrália após 13 anos. As viagens entre as cidades onde os espetáculos tiveram palco foram feitas com o avião oficial do grupo, o Ed Force One, pilotado pelo vocalista Bruce Dickinson.

Em 12 de maio de 2008 foi lançada a coletânea Somewhere Back in Time, trazendo faixas desde o LP de estreia até Seventh Son of a Seventh Son (1988). Apesar de contar com tantos anos de carreira, foi apenas nessa turnê que o grupo realizou sua primeira apresentação em um estádio inglês, no caso, o Twickenham Stadium, o segundo maior do país. A segunda perna realizou-se entre fevereiro e março de 2009, com as primeiras apresentações no Peru e no Equador, assim como o retorno para a Venezuela após 19 anos e para a Nova Zelândia após 16 anos. Foi nesse período que se realizou o terceiro show na Índia em menos de dois anos, durante o festival Rock in India 2009, além de ter sido superado o recorde de público exclusivamente para ver a banda, fato ocorrido na apresentação realizada São Paulo no dia 15 de março de 2009. O encerramento da “Somewhere Back in Time World Tour” ocorreu em 2 de abril, com um show realizado na Flórida (EUA). A turnê foi registrada e lançada em DVD através do filme Iron Maiden: Flight 666, além do CD de mesmo nome. 

Palco da “The Final Frontier Tour”

Após o término de mais uma extensa turnê, o grupo voltou para os estúdios e lançou em agosto de 2010 o álbum The Final Frontier, que alcançou a primeira posição em 28 países logo no seu lançamento, chegando ao primeiro posto em mais dez países no dia 6 de setembro, além de ter atingido uma inédita quarta colocação nas paradas norte-americanas, a mais alta do grupo até então.

Em 21 de setembro, foi anunciada uma turnê pelos países escandinavos, e em 11 de novembro, a “The Final Frontier World Tour” foi anunciada, tendo início em 11 de fevereiro com uma apresentação na Rússia. O Iron Maiden encontra-se  atualmente em solo brasileiro, com shows em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Recife e Belém, de onde seguirá para mais uma extensa turnê ao redor do planeta.

Discos de estúdio desse período
Pictures de Rock in Rio
Pictures de Rock in Rio
Flight 666 Picture
Flight 666 Picture
Raridades do Iron Maiden (veja mais no blog Clássicos e Achados)
Track list podcast # 11 – Iron Maiden Part 1
Bloco 01
Abertura: “Iron Maiden” [do EP The Soundhouse Tapes – 1979]
“Prowler” [do EP The Soundhouse Tapes – 1979]
“Charlotte, the Harlot” [do bootleg Nijmegen – Holland 28.04.1981 – 1981]
“22 Acacia Avenue” [do bootleg UK – 3/9/1982 – 1982]
“Wasted Years” [do bootleg Burning in Hell, Porto Alegre 2008 – 2008]
Bloco 02
Abertura: “Phantom of the Opera” [do bootleg Maiden in Brussels – 1981]
“Rock ‘n’ Roll Woman” [do EP Black Leather Fantasy – 1977 (Urchin)]
“Too Close to Rock” [do álbum Head On – 1980 (Samson)]
“Living in a Dream” [do álbum Hot Tonight – 1984 (Lionheart)]
“That Girl” [do bootleg Marquee Club – 1985 (The Entire Population of Hackney)]
Bloco 03
Abertura: “The Number of the Beast” [do álbum The Number of the Beast – 1983]
“Seventh Son of a Seventh Son” [do bootleg Donington – 1988]
“The Rime of the Ancient Mariner” [do bootleg Rock in Rio I – 1985]
Bloco 04
Abertura: “Alexander the Great” [do álbum Somewhere in Time – 1986]
“Cross Eyed Mary” [do bootleg Live 76 – 1976 (Jethro Tull)]
“Communication Breakdown” [do bootleg Atlanta Pop Festival – 1969 (Led Zeppelin)]
“My Generation” [do álbum Sings My Generation – 1965 (The Who)]
“Woman in Uniform” [do álbum Guilty Until Proven Insane – 1977 (Skyhooks)]
Encerramento: “The Evil That Men Do” [do bootleg Iron Maiden Prayer for the Dying – 1990]
 



11 Comentarios

  1. fernandobueno disse:

    Mairon
    Gostei bastante dos dois podcasts em homenagem à maior banda de Heavy Metal de todos os tempos…A ansiedade para o show está alta. Alguém da Consultoria foi nem algum dos dois primeiros shows? apesar que não sei se falo dois ou três primeiros…hehehe. Afinal o Rio tivemos dois dias de "shows"….rs
    Como disse o Lobão o Rio é o túmulo do rock…
    Gostei das escolhas de quase todas músicas. Apenas algumas versões tiradas de bootlegs que achei que poderiam ser melhores.

  2. Valeu Fernando. Infelizmente tu tens razão quanto aos bootlegs. Da turnê atual, não achei nada com qualidade boa, e com o Di'Anno foi a mesma coisa. Acabei escolhendo as que estavam com qualidade "melhor" (imagina as outras como estavam)

    Abração e bom show. Eu estou no aguardo do Ozzy!!

  3. diogobizotto disse:

    Nossa, fazia anos que eu não escutava "Virus", uma boa música gravada com Blaze. Tenho uma predileção especial pelo "The X-Factor" quando se trata do Iron Maiden nos anos 90, que ganha de longe dos outros discos registrados na década. Além de apresentar um Maiden mais sério, com uma densidade nunca vista antes, traz possivelmente as melhores letras que o grupo desenvolveu até então.

    Aliás, digno de nota: maravilha esse som do Wishbone Ash, heinhô Batista?

  4. Fala Diogo, recuperado da viagem? Cara, eu tb gosto do X-Factor. O próprio Virtual XI não é tão ruim assim. Acho q muito se deve a cabeç fechada dos fãs de Bruce Dickinson. Como eu prefiro a fase Di'Anno, não tenho problemas com o Blaze.

    Wishbone Ash é uma banda excelente, e esse som aí é imbativel, no auge da carreira do grupo!

    • Renan Menezes disse:

      Concordo contigo, Di’anno foi a melhor fase do Iron Maiden, agora X Factor e Virtual IX são grandes álbuns, nenhum dos álbuns lançados de 2000 para cá os superaram.

  5. diogobizotto disse:

    Por enquanto conheço por inteiro apenas o "Argus", que é um senhor discaço!

    Quanto ao Maiden, eu considero sim o "Virtual XI" o disco mais fraco da banda, mas muito disso se deve a falhas de produção, resultando em músicas muito repetitivas, vide "The Angel and the Gambler" e "Don't Look to the Eyes of a Stranger", que poderiam receber vários cortes. Mas há material de qualidade, sem dúvida, vide "Futureal" e "The Clansman".

  6. Diogo, ouça Pilgrimage, Wishbone Ash e Fou. Tão bons (ou melhores) que o argus, que é um excelente disco

    A historia do Iron ter feito as musicas do Blaze pensando em Bruce ateh pode ser real, ja que o Bruce canta bem a fase Blaze, e isso eu acho legal dele, não se furta de cantar canções q nao foi ele q compos (como um certo voz de prata q eu conheço)

  7. diogobizotto disse:

    Exato, cara. Isso é uma coisa que me irrita no Ian Gillan, a recusa total em cantar canções compreendidas fora de sua fase no grupo, com exceção de "Hush". Que ele é o vocalista mais importante que a banda já teve, isso é inegável, mas algumas músicas de outras épocas mereciam ao menos uma tentativa.

  8. Thiago disse:

    Gosto muito do "X Factor" tb! Escuto direto e nunca canso dele…está no meu TOP 5 do Maiden tb…Virtual XI está um pouco atrás em relação ao X Factor, mas também é um bom álbum…

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