Clássicos e Achados: Danger Danger – Cockroach [2001]

4 de março, 2011 | por Diogo Bizotto
Clássicos e Achados
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Por Daniel Sicchierolli
Alguns fatores me motivaram a escrever sobre esse disco, e o primeiro deles é que o Danger Danger é uma daquelas bandas norte-americanas de hard rock dos anos 80 que a grande maioria das pessoas critica, fala mal e se recusa a ouvir devido ao visual adotado e tudo mais que envolve o estilo. Outro fator que me incentivou a criar este artigo é que esse disco traz um fator curioso que é consistir em um lançamento duplo contendo duas versões do mesmo álbum, um disco com o vocalista Paul Laine e o outro com Ted Poley. Exatamente, temos o mesmo disco, só que cantado por dois vocalistas diferentes.

E o que há de mais nisso? Imagine qualquer banda que você gosta e que tenha trocado de vocalista. Imaginou? Agora pense em ter o mesmo disco cantando por cada um deles, com ambos mostrando do que são capazes! Só isso já vale a conferida em Cockroach! Mas vamos ao álbum em si e à história por trás de suas gravações!

A história que envolve Cockroach é bem interessante. Para começar, os anos 90 não foram lá muito produtivos para as bandas de hard rock que estouraram nos anos 80, visto que não tinham mais o apoio da MTV e as próprias gravadoras estavam investindo em algo diferente. Em 1992, a banda retornava de uma turnê bem sucedida, porém, o giro havia sido exaustivo e alguns atritos começaram a aparecer, e o primeiro reflexo disso foi a demissão do tecladista da banda, amigo de longa data de todos os integrantes, além da separação do empresário que cuidava dos negócios até o momento.

Formação que gravou Cockroach: Andy Timmons (guitarra), Ted Poley (vocal),
Bruno Ravel (baixo) e Steve West (bateria)

Problemas resolvidos e após algumas semanas de férias, a banda registrou um álbum com uma pegada mais heavy, mas sem perder as características que consagraram o grupo. O disco foi apresentado para a gravadora que o classificou o disco como “great” (excelente), e tudo estava de volta à rotina.

Eis que uma briga interna com o vocalista Ted Poley tornou o ambiente instável, determinando novos caminhos a serem seguidos, dividindo banda para um lado e vocalista para o outro. Segundo o próprio grupo a discussão foi motivada por questões de ego, dinheiro e diferenças pessoais. Algo um tanto comum nesse meio, não?

O próximo passo foi avisar à gravadora que a banda não tinha mais um vocalista. Imaginem o ânimo do Danger Danger  em um cenário desfavorável, com um disco mais pesado e informando a gravadora que agora estavam sem seu vocalista. Tudo para dar errado, certo? A resposta da gravadora surpeendeu a todos: “Vão em frente e achem um novo vocalista”.

A banda rapidamente recrutou o vocalista Paul Laine, que regravou todos os vocais em tempo recorde (três dias), e apresentou o material registrado para a gravadora. Os responsáveis pela administração da banda dentro da gravadora vibraram com o resultado e ficaram até chocados com o resultado extremamente positivo e como a banda estava soando com o novo vocalista.

A estratégia interna foi apresentar a banda ao resto da gravadora somente com o título provisório do álbum, que naquele momento era “Scarred”. Todos que escutaram adoraram o álbum, e ficavam espantados ao perguntar qual banda estava tocando no disco, obtendo como resposta: Danger Danger. Tanto é que a gravadora sugeriu, tendo em vista o cenário grunge desfavorável às formações tipicamente oitentistas, que o grupo adotasse um novo nome.

Steve West e Bruno Ravel com o vocalista Paul Laine (ao centro)

O Danger Danger decidiu manter seu nome e resolveu batizar o álbum como Cockroach (barata). Por que esse nome? Simples, as baratas são dificeis de ser mortas, sobrevivem a  praticamente tudo e quanto mais são atacadas, mais conseguem se fortalecer e continuar vivas. Exatamente tudo aquilo que a banda sentia e vinha passando. Eles tinham a certeza e a vontade de sobreviver e continuar cada vez mais fortes e unidos!

Tudo estava pronto para que o disco fosse lançado com as faixas regravadas com o novo vocalista, até que a gravadora Sony os comunicou que o lançamento deveria ser cancelado porque o ex-vocalista Ted Poley havia aberto um processo impedindo o lançamento do álbum. Além disso, a Sony decidiu cancelar o contrato com o Danger Danger.

A banda retornou para casa sem a possibilidade de lançar o disco e sem contrato. Arquivaram as gravações e, enquanto decidiam o que fazer, o guitarrista Andy Timmons deixou a banda, instaurando um desastre no grupo. Mesmo assim, o Danger Danger decidiu continuar de maneira independente, lançando outros álbuns na sequência.

Somente em 2001 o disco foi lançado oficialmente (e finalmente), contando com o seguinte “release” no encarte: “oito anos, um processo, inúmeros bootlegs e milhares de e-mails depois, nós apresentamos Cockroach em suas duas versões”.

Classifico Cockroach como um dos melhores álbuns de hard rock já lançados. O disco com Ted Poley remete aos bons momentos dos primeiros discos com uma pegada muito mais pesada e direta, repleta de backings vocals no estilo Def Leppard e com Andy Timmons destruindo tudo na guitarra. A versão com Paul Laine, que é exatamente o mesmo disco, apenas com os vocais regravados, soa realmente como uma banda nova, pesada, quase heavy metal e com a mesma qualidade nos vocais e backing vocals. É Realmente interessante comparar como apenas uma mudança na voz pode trazer tanta diferença nas impressões finais. Isso é evidente, pois alguns vocalistas trazem a indentidade de uma banda estampada em sua voz.

Como sugestão, indico a audição das músicas “Shot of Love” (com Ted Poley), “When She’s Good She’s Good” (com Paul Laine), “Still Kickin'” (com Ted) e “Goin’ Goin’ Gone” (com Paul). Confiram também uma versão de “Still Kickin'” editada por um fã, mixando a faixa de maneira a incluir os dois vocalistas, cujo resultado foi fantástico.

Confiram e curtam um disco sensacional!



7 Comentarios

  1. diogobizotto disse:

    Eu já conhecia o Danger Danger dos dois primeiros álbuns e, apesar de não considerar uma das melhores do gênero em sua época, gostava bastante, especialmente devido ao guitarrista Andy Timmons, que é um animal, toca fabulosamente como se estivesse brincando.

    Aí o Daniel me apresentou "Cockroach", e contou a história sobre seu lançamento. Olha, entendo quem curte mais o vocalista original, Ted Poley, especialmente por seu trabalho remeter diretamente a uma sonoridade mais oitentista, mas Paul Laine é arrasador! O cara consegue rasgar a voz e soar agudo sem jamais ficar irritante, e tem um timbre belíssimo.

  2. Rafael "CP" disse:

    É complicado falar sobre injustiça no mundo da musica , mais essa foi uma banda que considero injustiçada , pela sua qualidade , como pode um cara como Ted POley hj ser sustentado pela esposa , não ter um puto , sendo o baita vocalista que sempre foi.

  3. Esse disco é muito bom!!! E ainda para quem curte e coleciona, o preço hoje em dia é um absurdo, raridade total!!!

  4. Eu que sugeri essa matéria ao Daniel, então quero meus royalties! Vc não pode lançar a matéria!!! [Ted Poley mode on xD]
    Quanto ao disco, eu ouvi antes de ler a matéria e pude perceber isso que falaram. Parecia meio metal, meio Lionsheart, com o Paul Laine. Quando começou o Poley virou farofa total! xP

  5. Isso que dá indicar discos para as pessoas…. o cara não escuta… e ainda diz que a sugestão da matéria foi dele… heheheheh….

    Mas vc não deixou claro se gostou ou não???

    Não acho a diferença dos discos tão gritante quanto vc citou… sim, eles soam diferentes, mas são só os vocalistam mudaram…. estranho isso não???

  6. Depois que eu ouvir umas 5 vezes, pelo menos, eu venho aqui dizer se gostei ou não!

    E vc já aprendeu: se me indicar algo, tem que escrever uma matéria, senão eu não ouço!

    Pior é vc que nem ouviu o que eu indiquei! E olha que o Diogo escreveu um texto sobre…

  7. OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

    O DANIEL VOLTOOOOOOOOOOOOOOOOO

    O DANIEL VOLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

    O DANIEL VOLTOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

    Que bom ler um texto do clássicos e achados novamente. E mandou ver. Já estou baixando para ouvir e tentar comprovar se o que foi escrito é verdade

    Abraço e parabéns!

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