Lançamentos de 2026

Lançamentos de 2026

Por Marcello Zapelini

O ano de 2026 tem apresentado alguns lançamentos bem interessantes, e isso que estamos concluindo o primeiro semestre. Veteranos, novatos e os “intermediários” estão disponibilizando bons álbuns, e vou falar rapidamente de alguns dos quemais gostei nesse primeiro semestre. Os arquivos das gravadoras também estão gerando bons relançamentos, disponibilizando material inédito e/ou disperso em várias fontes. Tem muitos outros lançamentos interessantes, como os novos do Kreator e do Metal Church, mas não dá para incluir todos!

Chama a atenção a produtividade dos veteranos, pois Van Morrison, Yes, Paul McCartney, Peter Frampton, músicos que estão chegando nos (ou passaram dos) 60 anos de carreira já lançaram novos álbuns de inéditas, ou estão com discos novos prontos para os meses seguintes – julho trará Rolling Stones e Deep Purple, cujas músicas já disponibilizadas parecem prenunciar a vinda de coisas boas, o novo do Muse também parece recolocar a banda nos eixos, e os novatos do Parker Barrow também estão com disco novo para lançar. O Yes está num ritmo febril: além de seu novo álbum de estúdio, uma reedição do EP From a Page já está nas ruas e um álbum ao vivo oficial de 1976 está anunciado. Além disso, as gravadoras não descansam em termos de relançamentos, e o território das box sets anda febril em 2026.

Selecionei vinte discos de estúdio, ao vivo e lançamentos de arquivo que me chamaram muito a atenção, incluindo algumas descobertas recentes. Como não se trata de uma lista de “melhores do 1º semestre”, vou colocá-los em ordem alfabética, começando pelos discos de estúdio.


ESTÚDIO:
THE BLACK CROWES
Quarto álbum dos corvos desde que os irmãos Robinson decidiram deixar suas diferenças de lado, o sucessor do excelente Happiness Bastards (2024), o ironicamente intitulado A Pound of Feathers foi gravado como quarteto, pois Rich Robinson se encarrega tanto das guitarras quanto do baixo. Cada vez mais calcado no som dos Faces (viva!) e dos Rolling Stones (viva! parte II), A Pound of Feathers abre com uma guitarra a la Keith Richards dos anos 70 em “Profane Prophecy” e não deixa a peteca cair com “Cruel Streak” e “Pharmacy Chronicles”. Outros destaques são “Queen of the B-Sides", e no lado B (intitulado A Pound of Lead), “You Call this a Good Time?” e “It’s Like That”. A única música que não gostei muito é a que encerra o disco, “Doomsday Doggerel”, mas o resto mantém o bom trabalho da banda.


THE BLACK KEYS

Dan Auerbach e Patrick Carney voltam com o terceiro álbum em pouco mais de dois anos, Peaches!, um disco de covers em que eles revisitam algumas velhas influências. “She Does it Right”, clássico do Dr. Feelgood, é minha música favorita, mas há bastante coisas legais como “You Got to Lose” (do bluesman Earl Hooker, o primo menos famoso de John Lee), “Who’s Been Fooling You” (do ancestral Big Boy Crudup), “Tell Me You Love Me”, e por aí afora. O álbum não está sendo muito bem recebido pela crítica, mas gostei mais deste do que No Rain, No Flowers, lançado no ano passado – e menos do que o ótimo Ohio Players, de 2024, que entrou na minha lista de melhores daquele ano. De todo modo, o disco é divertido e te garante 45 minutos de boa música (mas se você não gosta do Black Keys, não vai ser com este aqui que irá mudar de opinião).


BLACK LABEL SOCIETY

Não acompanho muito a banda de Zakk Wylde e fui ouvir este álbum por recomendação de um amigo; ainda bem que o fiz, porque este é um disco com potencial para fazer parte da minha lista de dez melhores de 2026. Engines of Demolition é um disco muito bom, com Wylde cantando bem e desempenhando como se espera em sua guitarra, e composições muito bem feitas, como mostram as três músicas que abrem o disco (“Name in Blood”, “Gatherer of Souls”, “The Hand of Tomorrow’s Grave”) e a comovente homenagem ao ex-chefe Ozzy que encerra os trabalhos. E no meio disso tudo ainda temos as boas “Lord Humungus”, “Better Days & Wiser Times” e “Broken and Blind”. Gostei tanto do disco que estou ouvindo novamente o BLS – e mudando minha opinião sobre alguns dos discos antigos.


JAY BUCHANAN

O Rival Sons tem lançado alguns dos meus discos favoritos dos últimos anos, e seu ótimo vocalista Jay Buchanan nos brindou este ano com seu álbum solo Weapons of Beauty, com uma sonoridade mais suave do que a da banda. O resultado: um disco que dificilmente estará fora da minha lista de dez melhores quando 2026 acabar. “Sway”, em que Buchanan dá um show com seus vocais, é simplesmente impressionante e a melhor música deste disco fantástico, que ainda inclui “Caroline”, “High and Lonesome”, “Deep Swimming” a faixa-título. É bem provável que não tenhamos nada novo do Rival Sons ainda em 2026, mas este disco cobre muito bem a ausência.


PETER FRAMPTON

Já faz algum tempo que Frampton fala em aposentadoria, mas se for para continuar lançando discos como o novo Carry the Light, espero que ele mude de ideia. O álbum começa diferente, com um acento de world music na boa faixa-título e segue com vários convidados, como Graham Nash (em “I’m Sorry Elle”), Sheryl Crow (“Breaking the Mold”), Tom Morello (em “Lions at the Gate”, uma das melhores do disco), até chegar em duas canções com o saxofonista Bill Evans, até concluir com a excelente instrumental “As the End of the Day”. Peter ainda segura bem nos vocais e sua guitarra continua ótima; o veterano mostra que ainda há muita música boa dentro dele, e espero que ele nos traga mais no futuro.


GENERAL PURPOSE

One Last Word é o disco de estreia de um grupo com influências de prog rock liderado pelo guitarrista Uno Dos Santos e o baixista Xul Rutty, do qual tenho poucas informações. Em pouco menos de 34 minutos, eles trazem um repertório muito interessante, com destaque para “Lion’s Den” (em que Santos brilha na guitarra), minha música favorita do disquinho, “PR-66” (o que quer que signifique), “Marionettes” (segunda música mais longa) e a faixa-título. O álbum foi lançado pelo próprio grupo, e até onde sei só está disponível no streaming, sem lançamento físico. Espero que dê certo e inspire os músicos a gravarem mais músicas no futuro, pois One Last Word mostra um grupo com potencial.


PAUL McCARTNEY

Macca lança discos bons, discos medianos e verdadeiras bombas. The Boys of Dungeon Lane felizmente faz parte da primeira categoria. O eterno Beatle toca quase todos os instrumentos e conta com a boa produção de Andrew Watt, que sabe respeitar o som de McCartney ao mesmo tempo que inclui algumas coisas novas. Não esperava uma mudança tão radical quanto as que ocorrem em “As You Lie There” e “Mountain Top”, nem uma melodia tão linda quanto a de “First Star of Night”. O álbum possui vários destaques: “Lost Horizon”, “Days We Left Behind” (linda!), “Home to Us” (uma daquelas melodias que soam tolas em qualquer um exceto Paul), soa nostálgico (mesmo com um trompete meio mariachi) em “Salesman Saint” e se encerra com a bela “Momma Gets By”.


MEGADETH

Primeiro disco de 2026 que ouvi, ainda em janeiro, e um candidato à lista dos melhores do ano, o álbum que marca a despedida (mais uma vez) do grupo de Dave Mustaine traz o som pesado e bem trabalhado (sem soar pomposo ou artificial) dos melhores lançamentos deles. Mustaine revisitou “Ride the Lightning”, e embora a versão não seja tão boa quanto a do Metallica, não compromete em nada. A abertura com “Tipping Point” é um dos destaques do disco, que segue em um padrão tão elevado que é difícil destacar algo – até que chega ao final, com a sequência “I am War”, “The Last Note” e a já citada “Ride…”, que foi o que mais me impressionou. James e Lars, aprendam com o guitarrista mal-humorado que vocês demitiram mais de 40 anos atrás, e lancem um disco para deixar os fãs com saudade quando chegar a hora de encerrar a carreira do Metallica.


ANTON ROOLART

O multi-instrumentista holandês era um ilustre desconhecido para mim quando li uma resenha favorável ao seu terceiro disco, The Ballad of General Jupiter, alguns meses atrás. Fiquei curioso e fui procurar – e gostei do que ouvi. Roolaart é um bom vocalista, toca quase todos os instrumentos neste disco, e apresenta aqui oito músicas que derivam do prog setentista, com direito a uma (boa) versão para “Yesterday and Today”, bela balada esquecida no primeiro LP do Yes. “Amsterdam”, a faixa-título, “The Cry of Seven Doves” (mais longa do disco, com mais de 9 minutos) e “Rain” são outros destaques deste álbum de cerca de 43 minutos de duração que provavelmente não fará parte de nenhuma lista de melhores do ano, mas que rende audições bastante agradáveis. Anton conta com o apoio de Rave Tesar, que tocou teclados com o Renaissance.


TEDESCHI TRUCKS BAND

Future Soul, mais recente disco da ótima banda de Susan Tedeschi (cada vez cantando melhor) e Derek Trucks (um dos melhores guitarristas em atividade atualmente), reafirma a qualidade do trabalho iniciado em 2011.Inegavelmente, a Tedeschi Trucks Band é melhor ao vivo, com longas jams instrumentais que mostram todo o talento dos músicos (e é interessante que eles revisitam álbuns clássicos do rock como Mad Dogs & Englishmen, a obra-prima de Joe Cocker), mas canções como “Crazy Cryin’”, “Devil be Gone”, “Under the Knife”, “Ride On” e “Future Soul” estão bem dentro do espírito do grupo. É verdade que eles já fizeram discos de estúdio melhores, mas o novo álbum não decepciona (ainda que provavelmente não irá atrair novos fãs).


U2

Com dois EPs que, até onde sei, só foram lançados digitalmente, o U2 rompeu o silêncio em termos de músicas novas que durava desde 2017. 12 músicas que trazem de volta o quarteto original, pois Larry Mullen Jr. esteve afastado dos shows entre 2023 e 2024. O primeiro deles, Days of Ash, trouxe músicas com letras politizadas como nos anos 80, e não me agradou tanto quanto o segundo, Easter Lilly, cujas letras são mais intimistas e, inclusive, religiosas. Do primeiro, “American Obituary” foi a música que mais me chamou a atenção, e do segundo, “Song for Hal”, “Easter Parade” e “Coexist” me deram esperança de que a banda lance algo melhor do que a trilogia Songs…, que não se alinha com o que a banda fez de melhor. Um novo álbum está prometido, mas não sei se repetirá as músicas lançadas nos dois EPs.


YES

Pretendo fazer uma análise mais profunda dos três lançamentos do Yes neste ano, mas para isso Live at Roosevelt Stadium 76 precisa ser disponibilizado. Por enquanto, falarei de Aurora, mais recente álbum de estúdio do quinteto de Steve Howe. Os dois anteriores com a formação atual (sem Chris Squire e, desde 2022, Alan White) traziam músicas mais impactantes, no meu ponto de vista, mas o novo disco traz a boa faixa-título, a longa “Countermovement” e a semi-instrumental “Outside the Box” como destaques – mas também inclui a ridícula “Jambustin’”, forte candidata a pior música do Yes desde os tempos de Tormato. É interessante observar que, pela primeira vez em muito tempo, cada músico tem pelo menos um crédito.


AO VIVO:
AGUSA

A banda sueca de prog lançou seu décimo álbum, o ao vivo Panacea. Já tinha ouvido algumas coisas deles, mas nada que tivesse me chamado tanto a atenção quanto este disco. São apenas três músicas em cerca de 45 minutos de duração, e apenas uma (“Ur Askan”) traz o belo vocal da flautista Jenny Puertas. Dois músicos em especial brilham: o guitarrista (e único integrante da formação original) Mikael Ödesjö e o tecladista Roman Andrén, que fazem ótimos solos ao longo das músicas. Andrén tira um som do seu órgão que parece saído do final dos anos 60, tornando o disco uma experiência muito interessante para quem, como eu, prefere as bandas dessa época.


BLUES PILLS

A turma de Elin Larsson está disponibilizando em seus shows (exclusivamente em vinil) o álbum Birthday Live (felizmente facilmente encontrável nos serviços de streaming). Com dez faixas, nove delas extraídas do álbum de 2024 (Birthday), o álbum só confirma a excelência dessa banda sueca, cujo rock com fortes tons setentistas continua sendo uma das coisas mais agradáveis de se ouvir dos últimos 10-15 anos. Larsson canta bem como sempre, Zach Anderson é um guitarrista seguro e consciente, e a seção rítmica segura muito bem a onda. Confesso que não tinha gostado muito do disco anterior, mas as versões ao vivo me fizeram reavaliá-lo; destaco em especial “Birthday” e “Bad Choices”.


JOE BONAMASSA

Joe já tinha lançado neste ano um CD duplo (LP triplo) dedicado a revisitar, junto a vários convidados, clássicos de B. B. King, quando foi anunciado The Spirit of Rory Live from Cork, agora dedicado a homenagear o grande Rory Gallagher. Contando com a participação de Gerry McAvoy, baixista da banda do mestre irlandês, o novo álbum ao vivo traz 14 boas versões para clássicos de Gallagher como “Cradle Rock”, “Who’s That Coming”, “A Million Miles Away”, “Tattoo’d Lady”, recriados com teclados que lembram os de Lou Martin e um som de guitarra que parece ter sido extraído daquela Fender massacrada de Rory. Mas nem tudo são flores: Joe não consegue recriar o clima incendiário de “Messin with the Kid” e “Bullfrog Blues”, mas está valendo. Quem sabe o disco inspira ouvintes mais jovens a buscarem o trabalho do maior guitarrista irlandês de todos os tempos…


ARQUIVOS/BOX SETS:
IAN GILLAN BAND

Para mim, a IGB foi o projeto mais ousado de um ex-integrante do Deep Purple entre o fim da banda em 1976 e seu retorno em 1984 (só os dois trabalhos de Glenn Hughes, o solo Play Me Out e o álbum em dupla com Pat Thrall se distanciam tanto do som da banda, mas Hughes era meio que um estranho no ninho no Purple). Down the Road: The Complete Ian Gillan Band Story se junta a Gillan: 1978-1982 para disponibilizar todo o trabalho do Silver Voice em seus projetos solo, incluindo os três álbuns de estúdio, três ao vivo (Live at the Budokan, Live at the Rainbow 1977 e Live Yubin Chokin Hall: Hiroshima 1977, bem como a mixagem original de Clear Air Turbulence e um CD de raridades. Particularmente prefiro a fase seguinte (a banda simplesmente intitulada Gillan), mas Clear Air Turbulence é um dos melhores discos lançados por um ex-Purple e os álbuns ao vivo são excepcionais. O CD de raridades é um pouco decepcionante: se alguém cogitar comprar a box por causa dele, é mais recomendável procurar Rarities 1975-77, lançado em 2003 pela Angel Air.


JETHRO TULL

Ian Anderson juntou dois dos discos mais xingados de sua carreira, Under Wraps e Walk Into Light (seu primeiro álbum solo) numa box com cinco discos e um Blu-Ray (Under Wraps – The Unwrapped Edition – Walk Into Light). Como bônus, uma versão mais completa do raro disco ao vivo Live at Hammersmith ‘84. Os dois álbuns incluem bonus tracks e são disponibilizados em duas versões cada, uma delas remixada por Bruce Soord (Steven Wilson declinou o convite alegando que só remixa os discos que ele conhece bem), e uma segunda com nova bateria no lugar da originalmente programada por Ian. Como sempre, a box é muito bem cuidada, com livreto muito informativo, recheado de fotos, e o som está perfeito. Eu teria preferido uma regravação com menos eletrônicos para os dois álbuns, mas não adianta chorar. Pessoalmente, acho que as novas versões jogam nova luz sobre esses discos, mas se você não gosta deles, passe longe (ou compre para completar sua coleção). O disco ao vivo é muito bom, e confirma o que eu já achava: Peter-John Vettese é um tecladista excelente.


RAINBOW

Com o lançamento de The Temple of the King 1975-1976, o Rainbow anuncia uma nova série de boxes dedicadas a revisitar a carreira da banda. Nesse caso, dois clássicos com Dio, Ritchie Blackmore’s Rainbow e Rising ganham a companhia de três shows da turnê alemã de 1976 (em 6 CDs) e um nono disco (Rarities) trazendo mixagens alternativas, as rough mixes da edição Deluxe de Rising, e até uma mono mix de “The Temple of the King” feita na Bolívia! O oitavo CD, contendo a parte final do show de Nurenberg, traz quatro músicas gravadas em ensaio para a turnê – “Kill the King” ainda tinha o título original “Getaway”. Os discos ao vivo já tinham sido lançados na íntegra numa box set japonesa (que hoje custa um rim no mercado de usados), e o repertório é praticamente o mesmo nos três shows, mas a banda introduz diferenças suficientes nos solos para chamar a atenção. O livreto é muito bom e a caixa tem uma apresentação bonita e conveniente, mas bem que poderiam ter incluído as duas mixagens de Rising. Nem tudo é perfeito…


ROBIN TROWER

Desde 2023 os discos de Trower estão sendo relançados em edições comemorativas de seu 50º aniversário, e Live! (1976) recebeu um belo mediabook, apesar de ser tecnicamente um CD duplo. Com o primeiro CD incluindo o show completo registrado pela rádio de Estocolmo (incluindo Trower falando com a plateia), a nova edição é acompanhada de um bom livreto com várias fotos e os dois sobreviventes (Trower e Bill Lordan) compartilhando suas memórias. Falei mais sobre o disco original no artigo sobre o rock ao vivo em 1976, e tudo o que posso dizer é: se você gosta do ex-guitarrista do Procol Harum, não deixe de incluir essa box na sua coleção.


YES

Em 2019, Oliver Wakeman organizou um EP contendo cinco faixas gravadas entre 2008 e 2011, quando estava na banda junto a Howe, Squire e White, e o vocalista era Benoit David. Neste ano, uma caixinha com 2 CDs incluindo essas músicas e mais material do período foi lançada, mostrando que essa formação era capaz de fazer coisas mais interessantes do que o grupo registraria em Heaven & Earth, de 2014. Como mencionado em Aurora, quero falar mais desse álbum em alguns meses, mas desde já considero From a Page bem superior ao novo disco, especial pelo belo trabalho de Oliver, que honra o sobrenome do pai – acho que nos últimos discos do Yes, Geoff Downes tem sido mantido em posição muito discreta.

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