Lucifer’s Friend – Lucifer’s Friend [1971]

Por Daniel Benedetti
Lucifer’s Friend é o autointitulado álbum de estreia da banda alemã homônima. A banda Stonewall, do vocalista John Lawton, separou-se durante uma turnê na Alemanha Ocidental em 1969. Enquanto o grupo voltava para casa, na Grã-Bretanha, Lawton decidiu ficar na Alemanha por um tempo. Naquele país, Lawton conheceu Peter Hesslein (guitarra), Dieter Horns (baixo), Peter Hecht (teclados) e Joachim Reitenbach (bateria), todos membros de uma banda chamada The German Bonds. Os cinco se uniram para gravar um álbum com o nome da banda, então Asterix, em 1970, logo depois mudando seu nome para Lucifer’s Friend.
Os primeiros álbuns do grupo foram lançados pelo selo Vertigo Records na Europa, mas nos Estados Unidos, foram lançados por uma série de pequenas gravadoras independentes (Billingsgate, Janus, Passport), muitas vezes um ano ou mais após seu lançamento original na Europa. Assim, apesar do airplay em alguns mercados e de um culto de seguidores, os discos do conjunto eram difíceis de se encontrar, e o sucesso comercial lhes escapava.


A banda finalmente assinou um contrato com a Elektra Records em 1977: lançou três discos com um som pop mais comercial, mas a essa altura o interesse pelo grupo havia diminuído; esses álbuns tiveram ainda menos sucesso do que os anteriores. O Lucifer’s Friend ficou conhecido por mudar de estilos musicais e de influências a cada álbum. A estreia autointitulada, de 1970, contém letras sombrias e um estilo despojado de guitarra e órgão, soando semelhante a nomes como Deep Purple, Uriah Heep, Led Zeppelin e Black Sabbath. O álbum foi gravado nos estúdios TonStudio Maschen e Windrose-Dumont Time Studios, ambos na Alemanha, com produção de Herbert Hildebrandt e coprodução da própria banda. A arte da capa, bastante sombria (para a época), foi obra do Juligan Studio. Algumas prensagens originais vinham em um belíssimo LP Gatefold.
Com uma força e um peso impressionantes, “Ride the Sky” possui um riff principal matador e John Lawton arrasando nos vocais. Que música!!! “Everybody’s Clown” possui uma pegada que lembra o Deep Purple da Mark II, com os teclados e a guitarra bem proeminentes, sendo um Hard vigoroso. “Keep Goin’” tem um ritmo cadenciado, alternando momentos de calmaria com outros de intensidade absurda, com os teclados dominantes! “Toxic Shadows” oscila em termos de sonoridades, com uma pegada jazz em algumas passagens, mostrando uma influência prog e uma atuação impecável de Lawton nos vocais.

Em “Free Baby”, os teclados são bem proeminentes e toques de rock espacial são muito presentes. “Baby You’re a Liar” é curta, direta, indo certeira ao ponto, com um grande trabalho do órgão e das guitarras. Que porrada! “In the Time of Job When Mammon Was a Yippie” traz uma pegada mais pesada e mais direta, na qual a potência das guitarras é fundamental. A faixa-título encerra o trabalho de forma poderosa, unindo Hard e Prog, com exuberância instrumental e vocais matadores de Lawton.
Este disco de estreia do grupo alemão se trata de um item essencial e praticamente obrigatório para os amantes dos primórdios do Hard Rock e do Heavy Metal. As guitarras cortantes de Peter Hesslein em associação aos teclados de Peter Hecht trazem à memória, bandas como o Deep Purple e o Uriah Heep praticamente de modo imediato. Toda esta massa sonora é recheada pela atuação vocal soberba do grande John Lawton, um vocalista muito competente e bastante talentoso, mas muitas vezes esquecido e subestimado.

Este álbum é um retrato fiel do talento de Lawton. “Everybody’s Clown”, “ Toxic Shadows” e a faixa-título mesclam o Heavy Rock com arranjos complexos, dando uma amostra da sonoridade mais intrincada que o grupo exploraria no futuro. “Keep Goin’” é uma porrada, bem como a excelente “Baby You’re a Liar”. Mas a favorita é mesmo a impactante “Ride a Sky”, uma canção com o poder metálico de grupos como o Black Sabbath e a voz impressionante de Lawton.
Apesar de sua inegável qualidade, a estreia do Lucifer’s Friend não fez nenhum barulho em termo das principais paradas de sucesso, a britânica e a norte-americana. A ótima “Ride the Sky” foi lançada como single, mas obteve os mesmos resultados do disco. Atualmente, o trabalho é reconhecido como uma peça influente no desenvolvimento do Heavy Metal e é um item muito procurado por fãs dos primórdios do Heavy Metal e Hard Rock, como afirmei acima. Críticas contemporâneas enaltecem o trabalho. O segundo álbum do grupo, Where the Groupies Killed the Blues, foi lançado em 1972.

Faixas:
1. Ride the Sky
2. Everybody’s Clown
3. Keep Goin’
4. Toxic Shadows
5. Free Baby
6. Baby You’re a Liar
7. In the Time of Job When Mammon Was a Yippie
8. Lucifer’s Friend

Tenho esse disco e um gravado ao vivo numa das reuniões da banda com o John Lawton; aliás, só comprei os discos por causa da presença do Lawton, que é um dos meus vocalistas favoritos (o que ele cantou nos tempos do Uriah Heep e nesse primeiro álbum do LF é algo que não está escrito). Fazia tempo que não ouvia, e fui escutar de novo motivado pela resenha. Minha conclusão é que o repertório forma uma curva em U, com a primeira e a última músicas como as melhores do álbum – mas tem outro “pico” no meio, porque “Baby You’re a Liar” é outra maravilha! Como sempre, um ótimo álbum que o Daniel Benedetti recupera aqui na Consultoria.
Muito obrigado, amigo. O que mais curto é fazer este trabalho de resgatar álbuns para que os leitores conheçam ou se recordem. Massa que vc curtiu.
Abraço!
Bela resenha, Daniel, valeu muito! Continue com esse seu trabalho de historiador do bom e velho rock and roll! E concordo contigo, esse discaço está na conta do Lawton…
Olá ,faltou citar a “semelhança” entre Ride The Sky e Immigrant Song do Led Zeppelin…
Verdade; certamente, Lawton, que era inglês, deve ter ouvido “Immigrante Song” na turnê do Led Zeppelin nas Ilhas Britânicas, dado que “Led Zeppelin III” foi lançado enquanto o “Lucifer’s Friend” estava sendo gravado.
Gosto demais do Lucifer’s Friend. Um dos textos que fiz para a Consultoria e não conseguimos recuperar foi sobre o Banquet, álbum bem diferente dessa estreia o que comprova o que vc disse sobre cada disco ser diferente.