Dirty Honey – Can´t Find The Brakes (2023):
Por Davi Pascale
Estamos prestes à mais uma edição do festival Monsters of Rock. E, dessa vez, o cast mistura artistas da velha guarda (Guns n´ Roses, Lynyrd Skynyrd, Extreme e Yngwie J. Malmsteen) com artistas da nova geração (Halestorm, Jayler e, é claro, Dirty Honey). E qual não foi a minha surpresa, ao começar a ler os comentários e notar que muita gente não sabia da existência do Dirty Honey? E foi justamente essa, a minha motivação para escrever esse texto.
O Dirty Honey começou da mesma forma que começam a maioria dos grupos. Um jovem sonhador – no caso, o guitarrista John Notto – se muda para Los Angeles em busca da oportunidade de se tornar um rockstar. Assim que chega à cidade começa a tocar com uma banda de covers – Ground Zero – em busca de ganhar uns trocados e fazer alguns contatos. Conversa vai, conversa vem, e o cantor e o baixista do tal conjunto – Marc Labelle e Justin Smolian – decidem montar uma banda autoral junto com o tal guitarrista. E assim surge… o Dirty Honey.
Antes de se juntarem ao baterista Corey Coverstone, os músicos tinham optado pelo nome de The Shags, mas logo após completarem a formação optaram por um novo nome. A ideia surgiu depois que o vocalista ouviu uma entrevista de Robert Plant no Howard Stern. No bate papo, o ex-cantor do Led Zeppelin comentou sobre o projeto Honeydrippers, o que levou Labelle a imaginar que se tratava de um dirty rock n roll name. Nascia daí, o trocadilho.
“Havia uma lista com centenas de nomes anotados em nossos telefones e Dirty Honey foi um que Labelle lançou”, comenta Smolian em entrevista ao Screamer Magazine. “Aparentemente, ele estava ouvindo o Howard Stern e Robert Plant era o convidado (…) Foi o único nome que os 4 não odiaram”.

Os músicos caíram na estrada e conseguiram algumas conquistas, como dividir o palco com alguns de seus ídolos. Entre eles; Guns n´ Roses, The Black Crowes, Kiss e The Who. Mas sua maior conquista foi ver a faixa “When I´m Gone” entrar na programação das rádios e atingir as paradas da Billboard, mesmo sendo um artista independente. E aí? Seria mais uma daquelas promessas que somem do nada? Ou conseguiriam firmar seu nome no mercado?
A resposta veio em 3 de Novembro de 2023, com seu segundo álbum de inéditas (terceiro se contarmos o EP), e até agora seu trabalho mais recente, Can´t Find The Brakes. O disco mantém a sonoridade de seus trabalhos anteriores: um hard rock enérgico, com altas influências de anos 70, porém com uma mixagem moderna. A única mudança foi a entrada do baterista Jaydon Bean.
Para não dizer que tudo continuou exatamente igual, houve mais uma mudança significativa que foi o método de gravação. O primeiro álbum foi gravado durante a pandemia. Portanto, os músicos estavam todos fisicamente distantes. Para registrar o novo material, os rapazes foram para o estúdio do produtor Nick DiDia (Alice Cooper, Stone Temple Pilots, Bruce Springsteen), localizado na Austrália.
Marc Labelle relembra as gravações em entrevista à Classic Rock Magazine. “Nós alugamos uma casa, andávamos até a praia todos os dias, tipo cinco ou seis da manhã. Daí, tomávamos o café e íamos para o estúdio. Fazíamos isso 6 vezes por semana. Acabou gerando um envolvimento muito frutífero, muito criativo”.

Ao dar o play no álbum, damos de cara com Labelle cantando um verso a capella antes de entrarmos na suingada e divertida “Don´t Put Out The Fire”. “Won´t Take Me Alive” mantém o nível com um empolgante riff de John Notto, mas o primeiro grande momento vem a seguir com a bluesy “Dirty Mind”. Como toda boa banda de hard rock, além de ter um ótimo guitarrista, eles possuem um ótimo vocalista com LaBelle cantando com a voz lá no alto. Oras, se utilizando de falsetes e oras enchendo os pulmões.
Embora os artistas de hard rock costumem nos entregar grandes baladas, sou obrigado a dizer que não gostei das que estão presentes aqui. Tanto “Roam”, quanto “Coming Home” e “You Make It All Right” me dão a sensação de algo faltando. Contudo, nos momentos mais rock n roll, eles não deixam por menos.
Existe um depoimento de Jimmy Page, onde ele diz: “eu nunca processaria alguém por uma música soar parecida. E, acredite em mim, eu poderia fazer isso mais do que você imagina”. E, de fato, sempre que pegamos um álbum de um artista que traz influência do rock dos anos 70, em algum momento terá algo de Led Zeppelin. E aqui notamos essa sonoridade em faixas como “Get a Little High” e “Satisfied”. Embora a referência não seja tão descarada quanto em grupos como Greta Van Fleet e Kingdom Come, não precisa muito esforço para ver que John andou ouvindo os discos gravados por Page.
Além desses 2 grandes sons, também gosto muito da festeira “Ride On”. Música que é divertida e empolgante. Se você está indo ao Monsters of Rock no próximo fim de semana e não sabe o que esperar do Dirty Honey, Can´t Find The Brakes pode ser uma bela porta de entrada.
Faixas:
01) Don´t Put Out The Fire
02) Take Me Alive
03) Dirty Mind
04) Roam
05) Get a Little High
06) Comin´ Home (Ballada of the Shire)
07) Can´t Find The Brakes
08) Satisfied
09) Ride On
10) You Make It All Right
11) Rebel Son

Esse disco é muito legal, tanto que foi o meu favorito na lista de 2023 – lembro-me de ter escrito que, para ganhar dos meus amados Rolling Stones (que ressurgiam com “Hackney Diamonds”), tinha que ser coisa muito boa (e é!). Não sabia que viriam ao Monsters, pois, como não tenho como ir ao festival, nem me preocupei em ver a lista das bandas. O álbum ao vivo (“Mayhem and Revelry Live”) do ano passado é coisa boa também, vale a pena conferir