Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia [2006]
Durante nossas férias, ao longo de janeiro e fevereiro de 2026, iremos trazer aqui matérias relacionadas com álbuns/eventos ocorridos em anos terminados com o número 6 (1966, 76, 86, 96, 2006 e 2016). Ao mesmo tempo que rememora essas matérias, aproveite para ouvir nossa Playlist com os Melhores de 2025, escolhidos por nossos consultores. Desejamos à todos um excelente 2026, e após re-calibrarmos nossas energias, voltaremos com novas matérias a partir de março. Forte abraço e obrigado pela leitura e participação de sempre.
Por Micael Machado (Publicado originalmente em 15 de fevereiro de 2016)
Nelson Motta e Tim Maia juntos em Nova Iorque
As histórias e relatos (por vezes beirando o inverossímil, mas quase sempre engraçadas, e todas muito interessantes, graças à forte personalidade de Tim, que, como declara Motta, era um personagem de tal feita que nenhum ficcionista seria capaz de criar) sucedem-se de forma natural, bem como as análises feitas pelo autor da discografia do cantor e dos bastidores de suas gravações. A vida particular de Tim também não é deixada de lado, e a importância de sua família, de seus amigos e de suas (várias) mulheres é ressaltada ao longo de toda a narração da trajetória do “síndico” (apelido que recebeu de Jorge Benjor, eternizado na música “W/Brasil (Chama O Síndico)”). Destaca-se ainda, ao longo da leitura, as inclusões de termos “peculiares” do vocabulário do cantor, como “Bauret” (gíria para maconha eternizada pelos Mutantes no disco Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets, e cuja origem é esclarecida no livro), “Garrastazu” (um local no prédio onde estivesse no qual ele poderia se esconder e “queimar um bauret”), “Levadinho” (o cachê de seus trabalhos, que poderia ser um “levado” ou um “levadão” dependendo do tamanho) ou “Estratégia”, comando que, quando dado por Tim a seus músicos, significava algo como “abandonar o navio”, independente das consequências que a debandada fosse causar.
Chama a atenção também a quantidade de hits que o cantor gravou ao longo de sua carreira (mesmo eu, que nunca fui o mais dedicado fã deste artista, ao ler o nome das músicas de destaque em sua trajetória citadas por Motta ao longo da obra, lembrava quase que imediatamente a melodia e/ou a letra – ou pelo menos o refrão – de praticamente todas elas), assim como o grande número de personalidades que surgem aqui e ali ao longo das páginas do livro, em interações por vezes fugazes, por outras duradouras e permanentes na vida de Maia. Músicos, artistas, políticos, jogadores, muitas e muitas figuras conhecidíssimas, as quais normalmente não seriam associadas a um cantor tão popular quanto o biografado, acabam marcando presença em situações as mais variadas, e cujos rumos a personalidade forte e decidida de Tim poderia mudar rapidamente!
Algumas imagens das páginas do livro Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia
Depois de saber tudo isto a respeito do livro, o caro leitor há de estar pensando: “Ok, pode até ser interessante, mas eu já assisti ao filme (ou ao musical, ou ainda à minissérie exibida na televisão) baseado nesta obra aí, então já conheço a história, e não preciso perder meu precioso tempo me dedicando a conhecer um registro tão comprido (400 páginas, por favor, né?)”. Ledo engano, meu estimado amigo: o que você viu na tela (ou no palco) não corresponde, arrisco a dizer, a vinte por cento daquilo que consta nas páginas da biografia. E mesmo aquilo que foi selecionado para ser filmado (ou encenado) surge de forma mais extensa e detalhada no livro, tornando a leitura deste bastante prazerosa (e, sobretudo, indicada) mesmo aqueles que já tiveram a oportunidade de estar presentes às três mídias que usaram Vale Tudo como fonte de inspiração. Confira lá, e depois venha aqui me dizer que estou errado, caso tenha coragem!

