Editado por André Kaminski
Tema escolhido por Fernando Bueno
Com Daniel Benedetti, Davi Pascale e Mairon Machado

Se formos resumir a definição de AOR encontradas em alguns sites especializados podemos citar a produção sofisticada, a presença de melodia marcantes e o estilo vocal em altas tonalidades. É basicamente isso mesmo que representa o AOR musicalmente, mas não conseguimos dissociar o estilo da cultura dos anos 80 principalmemte dos filmes e comerciais de televisão. Também foi chamado de soft rock em alguns momentos na sua época de ouro e hoje as gravadoras preferem o termo melodic rock. Quando sugeri o tema a ideia foi tentar trazer bandas fora daquele eixo de bandas comumente associadas ao AOR como o Journey, REO Speedwagon, Foreigner, Survivor e outras. Algumas ainda são adicionadas à essas listas por conta de alguns sucessos específicos sendo que seus trabalhos não são completamente orientado por esse tipo de música, como é o caso do Boston e do Kansas, só para citar alguns. Também não podemos deixar de lembrar das diversas bandas com sonoridades distintas que fizeram suas contribuições ao estilo como Styx, Chicago, UK e até Led Zeppelin. Vamos ver quais foram as recomendações dos nossos consultores dessa vez. (Fernando)


Cutting Crew – Broadcast [1986]

Por Fernando Bueno

Não sei qual o conhecimento de vocês em relação ao Cutting Crew. Eu nunca havia ouvido algo deles e nem lido seu nome em algum lugar. Descobri a banda ao acaso por uma indicação do Youtube. Seu quase sucesso “(I Just) Died In Your Arms” me chamou atenção e fui ouvir o restante do álbum. Esse foi o grande single do álbum, que deve ter feito seu sucesso localizado, mas não explodiu como certamente era o esperado. Tinha tudo o que toda música que fez sucesso em algum filme da época precisava, até mesmo um daqueles video clips meio contrangedores. “Any Colour” certamente foi também um candidato à sucesso. É uma música muito melhor que a que virou single e, para quem ouvir com calma vai identificar alguma coisa de Genesis oitentista nela. Também me parece um pouco o John Wetton a voz em “I’ve Been In Love Before”.E a relação à essas bandas mais clássicas que foram para essa vertente nos anos 80 não pára por aí. Em “Life In A Dangerous Time” aquela aura mais etérea do Yes vem à tona. Ahh… e se o Toto rompeu fronteiras com “Africa”, por que não uma música chamada “Sahara”? Ou seja, Broadcast rechea suas ótimas músicas com muitas influencias de grandes bandas, é um excelente disco que vai fazer você deixar de ter que recorrer toda vez ao Escape (1981) para tocar naquele churrascão à beira da piscina com família e amigos.

André: Uma boa banda da linha mais leve do estilo, com guitarras ali muito mais no overdrive e uma produção bem limpa. Só ouvi um disco deles (Compus Mentus de 1992) e nada que tenha me chamado muito a atenção. Mas este aqui é um disco bacana no qual destaco a balada “I’ve Been in Love Before” o rock tipicamente oitentista (com saxofone) de “Don’t Look Back” e aquele pop rock ao estilo Roxette de “Sahara”. E claro, tem o hit “(I Just) Died in Your Arms” que aparece muito em programas de rádio de rock dos anos 80. Chamo a atenção para os vocais de Nick Van Eede. O cara tem uma voz muito bonita. Poderia facilmente assumir os vocais de qualquer banda maior do estilo caso alguma delas precisasse de um novo cantor.

Daniel: Este eu não posso falar muito, pois a experiência foi terrível. Aliás, o que eu consegui ouvir, já que a balada “I’ve Been In Love Before” me fez desistir do resto do disco para nunca mais voltar.

Davi: Não tinha muito conhecimento desse grupo. A única faixa que conhecia é “(I Just) Died In Your Arms” que havia escutado em algum programa de flashback por aí. Quando usam o termo AOR, não é esse o som que vem em minha cabeça, costumo pensar mais naquelas bandas meio Journey, Toto, Foreigner e afins. Aqui já vai para um lado mais Mr. Mister. Pouca guitarra, teclado em evidência, som bem clean, linhas vocais bem melódicas, arranjos mais pop. De todo modo, o trabalho é muito bem feito. É um bom disco, dentro daquilo que os músicos se propõe a fazer. As minhas canções preferidas ficam por conta de “Any Colour”, “One Of The Mocking Bird”, “It Shouldn´t Take Too Long”, além da já citada “(I Just) Died In Your Arms”. Interessante…

Mairon: Não conhecia o som do Cutting Crew, e cara, me lembrou muito o Simple Minds. Fui atrás de informações, e não me surpreendi ao saber que os caras são de Londres. Ainda, descobri que esse álbum fez 36 anos ontem, 22 de novembro. É um som bem típico daquela região à época, com uma batida quadradinha, presença de sintetizadores, vocais mezzo sussurrados e uma guitarra distorcida que surge vez que outra, como atestam “Any Colour”, “Life In A Dangerous Time” e “The Broadcast”. O destaque em geral vai para “I’ve Been in Love Before”, que foi um grande sucesso. Me lembrei dela na hora que ouvi, mas não saberia dizer que pertencia a esta banda. Me atraíram bastante as experimentações de “Sahara” (tem até um fretless ali), a vibe agitada de “One for the Mockingbird” e principalmente “(I Just) Died in Your Arms”, que se colocasse para rodar, eu só não chutaria que é Asia por que conheço bem a turminha do Geoff Downess. Achei mais fraquinhas “Fear of Falling” e “It Shouldn’t Take Too Long”. É bem interessante conhecer algo nessa linha, e ver como os anos 80 também pariram um número diversos de grupos com características muito parecidas, mas que ficaram relegados a ser um one hit wonder, no caso “I’ve Been in Love Before”, e olhe lá.


Jefferson Starship – Freedom at Point Zero [1979]

Por Mairon Machado

A história desse disco é tão complexa quanto as várias fases do Jefferson Starship. Depois de saírem das entranhas do Jefferson Ariplane, e começarem como uma expansão musical dos métodos hippies do casal Paul Kantner e Grace Slicke, junto também dos ex-Airplane Marty Balin e Papa John Roach, isso na primeira metade dos anos 70, a coisa começou a degringolar. Grace passou a beber álcool quase 24 horas por dia, chegando ao ponto de ofender aos alemães em plena Alemanha, gritando aos microfones “quem ganhou a guerra”? Ela foi afastada da banda, assim como qualquer ligação aos anos 60, e para seu lugar, entrou o vocalista Mickey Thomas, bem como Aynsley Dunbar foi chamado para socorrer na bateria, deixando apenas para David Freiberg e Paul Kantner tentar manter uma raiz flowe power. Pois essa mistura gerou um AOR de primeira qualidade no final dos anos 70, através desse álbum, que evoluiu nos anos 80 até chegar na sensacional Starship. Faixas como a faixa-título, o mega sucesso “Jane”, a espetacular “Just The Same”, são canções fortes, onde o potente vocal de Thomas, junto as melodias e harmonias exclusivas de Kantner, quebram qualquer paradigma musical até então já ouvido advindo de bandas do ensolarado leste americano. Até baladinha os caras fizeram, e bem lindinha por sinal, chamada “Fading Lady Light”. Por outro lado, “Lightning Rose” ainda traz um certo de ar adolescente de Airplane, mas com toda a maturidade de um Starship, vide a presença certeira do saxofone de Steven Schuster, ou então os sintetizadores das pancadas ‘Girl With The Hungry Eyes” e  “Things To Come”. A longa “Awakening” é o atestado máximo da excelência de Freedom at Point Zero, com uma participação mais que fenomenal de Craig Chaquico nas guitarras, além de Dumbar destruindo na bateria. A produção de Ron Nevison colabora e muito para esse clima espetacular. Alguns aqui vão dizer que isso não é AOR, mas daí deixo para eles só o que há letra de “Rock Music” diz, e nada mais. Na essência de todas as grandes bandas do AOR, o que o Jefferson Starship fez em Freedom at Point Zero é a mais legítima representação desse pilar central que é o estilo. Disco divisor de águas na carreira do grupo, e forte candidato a melhor dos mesmos.

André: O Jefferson Airplane e seus filhotes possuem uma história tão complicada que é melhor nem perder meu tempo de contextualizar aqui. Mas após mudarem sua sonoridade, eles resolveram se adequar aos “novos tempos” e partir para uma sonoridade sem o psicodelismo pelo qual o Airplane era conhecido. Este disco não é tão “AOR” quanto outros da lista (seria meio que um proto-aor), mais se encaixando no estilo “soft rock”, mas ainda assim é um bom representante do início do que o estilo iria se tornar nos anos 80. Particularmente não sou muito fã de “Jane”, o single principal do disco, mas acho “Things to Come” simplesmente fantástica em seus arranjos, ritmo e encaixe das vozes. “Fading Lady Light” e sua pegada acústica para depois vir um acompanhada de um show de órgão Hammond é outra que é brilhante. Infelizmente não acho que as outras faixas estejam no nível dessas duas que citei. Contudo, é um bom disco e vale uma checada se você curte este tipo de música.

Daniel: Este é disparado o melhor disco da lista, muito melhor até que minha própria indicação. É bem notável que o grupo bebeu nas fontes originais do estilo (Boston, Foreigner) e acrescentou sua própria identidade nas composições. Ótimas faixas como “Jane”, “Things to Come” e principalmente “Awakening” merecem uma conferida.

Davi: Freedom At Point Zero marca um ponto de virada na carreira do Jefferson Starship. A lendária Grace Slick pulou fora do barco e trouxeram para o seu lugar, o cantor do Elvin Bishop Group, Mickey Thomas. A sonoridade também mudou. Começaram a fazer um rock mais direto, mais radiofônico, que dividiu a opinião de crítica e público. O (bom) single “Jane” já deixa explícita a vontade de serem mais pops e acredito que seja a faixa que tem maior relação com o tema do post, já que ela tem uma pegada bem Foreigner. Além dela, gosto bastante da balada “Fading Lady Light” e dos rocks “Things to Come” e “Rock Music”. Embora não seja um álbum impecável, o disco é, de fato, bem interessante. O único senão é que não considero esse trabalho tão obscuro assim.

Fernando: Banda “das antigas”. O Jefferson Airplane, ícone, da psicodelia californiana do clássico “White Rabbit” dá uma folga para Grace Slick, faz um upgrade em seu nome e ataca uma sonoridade que estava começando a se estabelecer. Eu não consegui decidir se a voz de Slick fez falta no disco. Acredito que ele soaria menos hard com ela nos vocais e a banda pode, ou se permitiu, variar um pouco mais. Como em várias bandas de AOR que vieram dos anos 70 a sonoridade mais progressiva era uma das características e isso aparece em “Awakening”, uma bela faixa.


Quarterflash – Quarterflash [1981]

Por Daniel Benedetti

Sendo um tema no qual não sou grande conhecedor, o único disco que consegui pensar para indicação foi este e, confesso, nem sei se cabe perfeitamente no tema. O que mais me atrai neste álbum é a voz da vocalista Rindy Ross e o saxofone safado que permeia as músicas, também tocado por ela. Na verdade, depois de tantos anos sem o ouvir, nem o achei grande coisa. Uma curiosidade: o percussionista brasileiro Paulinho da Costa participou das gravações do trabalho.

André: Gosto muito do Quarterflash. Acho a voz de Rindy Ross muito lindinha. Parece um anjinho. Curiosamente, já ouvi outros três discos da banda mas nunca ouvi o primeiro e principal lançamento deles. Assim como o Jefferson Starship, não fui muito com “Harden my Heart”, seu principal hit, mas gostei muito mais do que as outras músicas têm a oferecer que, por sinal, foram as duas últimas do Lado B.  “Love Should Be so Kind” é um amorzinho na voz doce voz de Rindy e “Williams Avenue” tem mais um tema sacolejante do saxofone da cantora junto a um baixo incrível de Rich Gooch dando um jeitão funkeado a música que mais gostei do disco. Também não diria que é um AOR aorzento como todo AOR deveria ser, mas que é um ótimo registro musical para quem curte uns rocks mais leves como do Rick Springfield ou da carreira solo do Eagle Don Henley.

Davi: Não conhecia essa banda. Ouvi o disco de cabo à rabo, mas infelizmente não gostei do resultado. Particularmente, não gosto da voz de Rindy Ross e seu trabalho de saxofone também não me emocionou. Pelo contrário, aliás. O trabalho de sax em “Harden My Heart”, que é a principal faixa do grupo, me lembrou o mala sem alça do Kenny G. O instrumento não aparece em excesso, está bem dosado, mas acho um diferencial meio chatinho. Do mais, achei o som polido em demasia. Bateria sem peso, trabalho vocal bem regular e as composições bem fracas. A melhorzinha acho que foi “Right Kind of Love”, ainda assim longe do que considero uma grande canção.

Fernando: Claro que logo de cara reconhecemos “Harden My Heart”, o difícil foi lembrar de onde que essa música era reconhecível. Aí lembrei do filme Rock of Ages, procurei pela sua trilha sonora e bingo! Apesar de agradável, a voz da moça carece de um pouquinho mais e força, achei contida demais, mas fiquei com dúvidas se não foi a mixagem que jogou sua participação mais no fundo da gravação. O guitarrista Jack Charles canta em “Critical Times” em uma música bem característica do que as rádios comerciais da época procuravam, ou seja, um soft rock inofensivo. Aqui lembrei do Asia que mesmo fazendo um som que muita gente torce o nariz botava uma guitarras na cara das pessoas, bem diferente do que se ouve nesse disco do Quarterflash. Achei fraquinho no todo.

Mairon: O Quarterflash teve muito sucesso no início dos anos 80, baseado nos vocais e no saxofone de Rindy Ross, e em uma linha musical que me lembra muito o Fleetwood Mac de Rumours. Este álbum de estreia da banda traz o mega-hit “Harden My Heart”, um daqueles momentos de eternização de um riff, no caso, o do saxofone. Há outros bons momentos, como a lindinha “Right Kind of Love” (saxofone manjadíssimo, mas ótimo para se brincar de air-sax), a magnífica voz de Rindy na ótima “Love Should Be So Kind”, o baixão destacado de “Valerie” e a melhor do disco, “Find Another Fool”, com um final sensacional. Todas elas apresentam a essência do Quarterflash, centrada em um refrão grudento, uma batida que te envolve e aquela sensação de relaxamento durante a audição. Faixas mais datadas como “Find Another Fool”, “Try to Make It True” e a longa “Williams Avenue” também são de qualidade no mínimo nota 7, e sempre com a participação crucial do saxofone. Não consegui gostar das faixas com o guitarrista Jack Charles nos vocais, as quais são a chatérrima “Critical Times” e “Cruisin’ With the Deuce”, essa última até com poucos momentos de destaque nos vocais de apoio e nos solos de piano e guitarra, mas no geral, ambas não agregam nenhum valor ao disco. No geral, as letras são bem bobinhas, o som é bem simplesinho, mas é bem gosto de ouvir sem pretensões. Isso é O AOR!


The Ladder – Sacred [2007]

Por André Kaminski

O The Ladder parte para o lado mais pesado e “hard rocker” do AOR, com guitarras mais baixas e de mais distorção, uma sonoridade que também me agrada quando ouço o estilo. Steve Overland é um vocalista que gosto bastante e sabendo que o tema encaixa com este projeto paralelo (que rendeu apenas dois discos, com Steve depois retornando o seu foco ao FM), achei que era uma boa colocar algo aqui mais moderno para o pessoal ouvir. Aqui a receita do gênero é seguida à risca.

Daniel: Se você já ouviu a maior parte das bandas de AOR deste milênio, você já ouviu o The Ladder. Totalmente comum e genérico, o ouvinte não encontrará nada de novo por aqui. Não necessariamente ruim, mas indico só para fanáticos pelo estilo.

Davi: Esse é um projeto paralelo do Steve Overland, vocalista do FM. Steve sempre foi um grande cantor, portanto não preciso dizer que seu trabalho vocal é acima da média. No entanto, por conta de seu passado, esperava um projeto mais raiz. Esse álbum do The Ladder tinha uma preocupação em soar um pouco moderno. Há várias programações por trás dos arranjos (sutis, ok, mas estão ali), guitarras com afinação mais baixa e coisas do tipo. O repertório mistura faixas bem bacanas como “Body and Soul”, “Here I Am” e “Abandon Me” com outras bem sem sal como “Something To Belive In” e “Mean Streets”. Resumindo: bom disco, mas por ter um músico desse calibre, esperava mais.

Fernando: Trazendo de volta músicos do FM, Ultravox, Asia e Wildlife o The Ladder conseguiu reunir a sonoridade que todas essas bandas tinham para uma sonoridade mais alinhada com a época que foi lançada. Ótimo disco e com o clima do que eu pensei para o tema dessa edição, apesar de achar que os anos 80 iriam dominar as indicações. (Nota: o que vai me marcar em relação ao The Ladder foi que no momento em que eu cliquei para ouvir a primeira música do disco eu recebi a informação que minha cachorrinha querida tinha morrido na clínica veterinária e só fui voltar ao disco dias depois. Triste!)

Mairon: Mais uma banda que não conhecia, e surpreendente que esses caras sejam dos anos 2000. Sonoridade puramente AOR, como manda o figurino, encaixando vocais muito bem, camas de tecladinhos e aqueles solos de guitarra recheados de bends e arpejos. Ainda há inclusão de alguns eletrônicos, vide “All My Life”, “Believe in Me” e “Here I Am”, que as vezes parece que as band boys como N’ Sync resolveram colocar uma distorção em seus sons, o que prejudica bastante o resultado final.  Claro, há baladinhas melosas como sempre, e no caso, “Run To You” e “Something To Believe In” cumprem seu papel com propriedade, apesar de não curtir muito. O violãozinho e os eletrônicos de “Make A Wish” são constrangedores, e o mesmo se repete em “Abandoned”, com uma letra que certamente o pessoal do sertanejo universitário iria adorar regravar. A faixa inicial, “Body And Soul”, é a melhor em disparado, o que gerou uma expectativa maior para a audição. Ouvir “Mean Streets”, “Sea of Love” e a faixa-título foram um tanto quanto momentos de chatice, desculpem. Não consegui curtir, creio que muito por conta de que “Body And Soul” é muito acima das demais!


Perfect Plan – Time for a Miracle [2020]

Por Davi Pascale

Quando foi lançado o tema, fiquei pensando por dias qual álbum deveria indicar. E eis que, aos 45 do segundo tempo, me recordei desse álbum do Perfect Plan. Um dos discos que mais me chamaram a atenção no ano passado. O Fernando havia explicado que queria indicações de discos de AOR, mas queria que a galera saísse dos nomes óbvios, que focassem em trabalhos mais obscuros. O Perfect Plan é uma banda nova desse segmento. Na verdade, esse é o segundo disco deles. E como eles não tiveram nenhum hit (afinal, esse som hoje está fora das rádios), achei que tinha a ver. Além do tracklist extremamente bem consistente, o que mais me chamou a atenção foi justamente o trabalho vocal Kent Hilli. Para mim, uma das melhores vozes da nova geração, ao lado do Dino Jelusick (Animal Drive). Curioso para ver os comentários da galera.

André: Para falar bem a verdade, gostei mais deste disco do que o meu próprio que indiquei. É daqueles AORs clichezentos que eu gosto bastante. Um teclado bem tinhoso, vocais melosos, umas baladas açucaradas e aqueles refrãos feitos para cantar com a força dos pulmões. Muito bom, pode botar no seu carro conversível e sair pelas estradas do deserto brasileiro até a costa oeste.

Daniel: Nunca havia ouvido falar nesta banda, mas, com um minuto e meio de audição, percebi que se tratava de mais um produto da fábrica inesgotável de bandas AOR da Frontiers Records. Apesar de “genérico do genérico”, não é o pior da lista, afinal consegui o ouvir todo. Ah, as baladas são verdadeiramente constrangedoras.

Fernando: A Frontiers faz um excelente trabalho nessa seara do AOR ou melodic rock. Porém é difícil não dissociar o caráter meio caça níqueis dos trabalhos que eles lançam. São muitas bandas com as mais diversas formações que duram pouco tempo, o que faz o fã desanimar ao tentar acompanhar. Gostei muito das músicas do Perfect Plan por um motivo: todas elas são candidatas à hit do álbum, pois são muito regulares e podemos dizer que não há fillers. Por outro lado nenhuma chamou mais a tenção para ser citada individualmente. Acho que isso acaba atrapalhando o álbum. Vou ouvir mais!!!

Mairon: á havia ouvido falar da Perfect Plan, mas nunca tinha parado para ouvir. Sempre foram comentários bem vindos do pessoal do AOR, e cara, realmente, para o estilo os suecos não ficam atrás em nada. Lembram um pouco o auge do Journey, ao meu ver, principalmente pelos arranjos bem encaixados de teclados e guitarras, e claro, o vozeirão rouco e choroso de sempre. Se colocassem “Every Time We Cry” certamente iria chutar que era Boston, enquanto “Give A Little Lovin'” me lembrou muito o Van Halen de Sammy hagar. Aliás, o vocalista se puxa bastante em tentar imitar o Red Rocker né?. Fiquei surpreso com a introdução bluesy de “Nobody’s Fool”, pena que não seguiu nessa linha, mas é uma ótima faixa, assim como a faixa-titulo, bem pesada e diferente das demais. Faixas como “Better Walk Alone”, “Living on the Run”, “What About Love” agradam quem curte o melhor do AOR, principalmente pelos refrãos grudento, camadas de teclados e os solos de guitarra cheios de bends e vibratos. Em tempo, “Fighting To Win” e “Don’t Leave Me Here Alone” são baladaças, sem tirar pontos, enquanto “Don’t Blame It on Love Again”, “Just One Wish e “”Heart To Stone” são totalmente desnecessárias, ou eu que não tive saco para a melosidade das letras. Interessante que o álbum tenha saído aqui no Brasil, e que o Perfect Plan consegue passear por diversos estilos ao longo de composições puramente AOR. Bom disco.

8 comentários

  1. Mairon

    Fiquei surpreso com os comentários da Jefferson Starship, achei que o pessoal ia detonar. Davi, creio que quando falam da banda, apesar do sucesso, dificilmente atribuem ela ao AOR, vide a marcante presença da Grace Slick e do Paul Kantner, e que o grupo virou realmente AOR a partir daqui. Por isso indiquei ele. Apesar da banda ser famosa, creio que este álbum não seja um dos mais referenciados dentro do AOR. Concorda?

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    • Davi Pascale

      Fala Mairon,

      Então… Realmente, eles não são lembrados como uma banda de AOR. Por outro lado, a “Jane” é um dos hits deles. Então, não sei se consideraria obscuro, mas está valendo. Sem crise…

      Responder
  2. Fernando Bueno

    Vocês combinaram de usar a palavra “lindinha” em vários dos comentários?

    Eu achei que só teriam indicações de bandas oitentistas, mas no fim das contas apenas dois discos da época entraram. Fui ouvir de novo o Quarterflash e achei melhor dessa última vez, mas ainda achei polido demais. Achei que alguém iria tirar da cartola um Magnum ou alguma banda da NWOBHM que acabou seguindo essa linha depois dos primeiros discos. Eu estou com uma lista de discos para ouvir aqui oriundas da pesquisa que fiz com o tema na cabeça. Vou deixar 5 discos que eu ainda não ouvi, mas que achei em algumas listas por aí:
    Aviator – Aviator (1986)
    Fortune – Fortune (1985)
    Prophet – Prophet (1985)
    David Roberts – All Dressed Up (1982)
    Arc Angel – Arc Angel (1983)

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    • André Kaminski

      Eu quase recomendei o A.S.A.P. do Adrian Smith após a saída dele do Maiden, mas achei que o disco não era “AOR o suficiente”. Mas aí ouvindo outros discos da lista, vi que não ficaria tão deslocado.

      Responder
      • Daniel Benedetti

        Gostava bem deste disco, independentemente se encaixe ou não na lista. Faz tempo que não ouço. Boa pedida!

    • Daniel Benedetti

      É, o Quarterflash é muito polido mesmo. Eu até pensei em indicar algum dos “trocentos” projetos do Jeff Scott Soto, mas ele é figurinha carimbada demais no AOR.

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  3. ALESSANDRO ALVES CORDEIRO

    TEM REALMENTE MUITAS BANDA OBSCURAS TOPS EM AOR, INDICO UM DISCO QUE CONHECI A POUCO TEMPO, DA BANDA LE ROUXSo fired up E A BANDA AIRRACE.MAIS REALMENTE TEM MUITAS.

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