Por Daniel Benedetti

Fool for the City é o quinto álbum de estúdio da banda britânica chamada Foghat. Seu lançamento oficial aconteceu em 15 de setembro de 1975, através do selo Bearsville e produção por conta de Nick Jameson.

Para se começar a contar a história do Foghat, é obrigatório voltar-se ao ano de 1970. Em março daquele ano, foi lançado o álbum Raw Sienna, o quinto disco de estúdio da banda britânica Savoy Brown.

O Savoy Brown foi formado em 1965, pelo guitarrista Kim Simmonds e pelo homem da gaita/harmônica John O’Leary. Ao longo do tempo, o conjunto foi amadurecendo uma sonoridade que caminhava entre o Blues e o Rock. Em Raw Sienna, a banda estava formada pelo vocalista Chris Youlden, o guitarrista Kim Simmonds, o guitarrista-base ‘Lonesome’ Dave Peverett, o baixista Tony Stevens e o baterista Roger Earl.

Peverett era um ávido fã do Blues e do Rock baseado no Blues, dominando estes formatos durante suas apresentações. Nos anos “pré-Beatles” da década de 1960, ele foi o vocalista e guitarrista principal de um grupo chamado The Nocturnes, o qual incluía seu irmão John Peverett (mais tarde, o gerente de turnês de Rod Stewart antes de se tornar um pastor batista nos EUA) na bateria, Keith Sutton na guitarra-base e Al ‘Boots’ Collins (mais tarde, editor de revistas de turismo nas Índias Ocidentais e Oriente Médio) no saxofone.

O The Nocturnes alcançou popularidade em Londres como uma banda de pubs e clubes noturnos, além de fornecer apoio para outros artistas em um estúdio de gravação na região de Soho, em Londres. Depois de uma breve turnê com uma banda suíça de Blues chamada Les Questions (com a qual Peverett foi creditado como ‘Lonesome Dave Jaxx’), Dave se juntou ao Savoy Brown como guitarrista-base, eventualmente assumindo o papel de vocalista.

Já o londrino Tony Stevens, adentrou o Savoy Brown em 1968, quando tinha apenas 19 anos de idade. O baterista Roger Earl também entrou no conjunto no mesmo ano que Stevens, mas já com 22 anos de idade. Além disso, Earl participou de uma audição para integrar a lendária The Jimi Hendrix Experience.

Voltamos para 1970 e o lançamento de Raw Sienna.

Infelizmente, o líder Kim Simmonds perderia o seu maior trunfo quando o vocalista Chris Youlden, após a gravação do disco, deixou o grupo para seguir em uma carreira-solo. Youlden tinha uma das vozes mais distintivas do blues britânico e o Savoy Brown nunca se recuperaria completamente de sua saída. Raw Sienna marcou a primeira vez em que a mesma formação da banda havia gravado álbuns consecutivamente sem mudanças no pessoal. O grupo gravou seu próximo álbum, Looking In, de 1970, como um quarteto.

Looking In atingiu a 39ª posição da principal parada de álbuns dos Estados Unidos, sendo bem-sucedido comercialmente. Depois de uma turnê de concertos nos EUA, para apoiar Looking In, Kim Simmonds, o líder de fato do Savoy Brown, dissolveu esta versão do grupo.

O vocalista/guitarrista Dave Peverett, o baixista Tony Stevens e o baterista Roger Earl decidiram continuar juntos e formaram uma nova banda. Simultaneamente, em 1969, também era lançado Barbed Wire Sandwich, o único álbum do grupo Black Cat Bones. O Black Cat Bones era uma banda também voltada para a sonoridade Blues/Rock e que teve em suas prévias formações o guitarrista Paul Kossoff e o baterista Simon Kirke. Ambos deixariam o grupo para formarem o lendário Free.

Quem substituiu Paul Kossoff nas guitarras e gravou o único registro do conjunto, Barbed Wire Sandwich, foi o guitarrista Rod Price. Roderick Michael “Rod” Price, nascido em Willesdem, ao norte de Londres, entrou no Black Cat Bones com apenas 21 anos de idade.

O álbum foi gravado no Tangerine Studios e no Decca Studios, lançado em novembro de 1969, no novo selo da Decca, chamado Nova, dedicado à música rock progressiva. Rod Price, o guitarrista, juntou-se ao grupo depois que deixou o Black Cat Bones, em dezembro de 1970. A nova formação foi chamada de Foghat (uma palavra sem sentido, a qual era um jogo de infância de Peverett e seu irmão), em janeiro de 1971.

O álbum de estreia surgiu em julho de 1972, Foghat, e foi produzido por Dave Edmunds. O trabalho apresenta um cover para “I Just Want To Make Love to You”, do bluesman Willie Dixon, e que recebeu considerável divulgação, especialmente nas estações de FM. O disco atingiu a modesta 127ª posição da principal parada norte-americana de álbuns.

Em março de 1973, saiu o segundo autointitulado álbum do grupo, Foghat, mas que por conta de sua capa, ficou conhecido entre os fãs como Rock and Roll. Em janeiro de 1974 sai o terceiro álbum do grupo, Energized, o qual mantém o viés de crescente da popularidade do grupo. O álbum atingiu a 34ª posição da parada norte-americana. Aproveitando a boa fase, ainda em 1974, o grupo compõe, grava e lança seu quarto disco de estúdio, Rock and Roll Outlaws. Foi a primeira vez que a banda contou com a produção de Nick Jameson, o qual havia produzido os primeiros álbuns do cantor Tim Moore. O trabalho ficou com a 40ª colocação na parada norte-americana.

Rock and Roll Outlaws também marca a despedida da formação inicial do grupo que se mantinha a mesma desde o início.

Em 1975, Tony Stevens deixou a banda, devido ao seu calendário de turnê infinito. Stevens foi substituído temporariamente pelo produtor Nick Jameson, ainda no mesmo ano, especialmente para a gravação de Fool for the City, o vindouro quinto álbum de estúdio do grupo.

Contando com uma pegada diferente, o disco foi gravado em 1974, nos estúdios Suntreader Studios, no estado norte-americano do Vermont. A capa do álbum mostra o baterista, Roger Earl, sentado, sozinho, em uma caixa de sabão, pescando uma bula no meio da East 11th Street (entre 2ª e 3ª Avenida) em Nova York, perto do endereço do escritório americano do Foghat.

A capa traseira apresenta espectadores céticos, observando a atividade incomum de Earl, e os outros membros da banda perguntando o que ele está fazendo e/ou tentando dissuadi-lo daquilo.

 O disco é aberto com a faixa-título,”Fool for the City”, uma canção contagiante e que demonstra as qualidades do Foghat. Em “My Babe”, o baixo de Nick Jameson e, principalmente, a bateria de Roger Earl constroem uma base Bluesy saborosa para a guitarra de Rod Price brilhar. “Slow Ride” é a mais extensa faixa do álbum, com sua sonoridade sendo um clássico Hard Rock, mas que aposta muito mais em uma melodia repleta de lascividade que propriamente no peso. Em “Terraplane Blues”, a banda banca uma excelente sonoridade Blues Rock, mas com uma inegável roupagem Hard, esta, desenvolvida pelas guitarras de Price e Peverett.

Já em “Save Your Loving (For Me)”, o grupo aposta em uma faixa mais curta e direta, um Hard Rock em roupagem original, com uma musicalidade que remete ao Led Zeppelin. As guitarras continuam brilhando e com a dose certa de peso em “Drive Me Home”, mas com um teclado muito envolvente ao fundo, tocado pelo baixista Nick Jameson. A derradeira música do disco, “Take It or Leave It”, merece que o ouvinte esteja com o espírito aberto, pois o Foghat se empenha em uma sonoridade mais intimista e suave, com influências da escola Soul, mas com um resultado bem interessante. Em Fool for the City, o Foghat aposta na musicalidade Hard Rock, mas sem jamais abrir mão de sua base Bluesy. Isto é ainda mais óbvio na escolha dos dois covers excelentemente executados no disco, “My Babe” e “Terraplane Blues”. A veia Hard é bem exposta em faixas contagiantes como o clássico “Fool for the City” e o petardo direto “Save Your Loving (For Me)”.

Fool for the City elevou o Foghat de patamar, conquistando uma nova audiência para a banda. Em termos da principal parada norte-americana de álbuns, o disco conquistou a 23ª posição, o ponto mais alto do grupo até então.

Durante o ano seguinte, Jameson foi substituído por Craig MacGregor e o grupo lançou seu sexto álbum de estúdio, Night Shift, em novembro de 1976. Fool for the City supera a casa de 1 milhão de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.

Formação:

Lonesome Dave Peverett – Vocal, Guitarra

Rod “The Bottle” Price – Guitarra, Slide Guitar, Steel Guitar, Backing Vocals

Roger Earl – Bateria, Percussão

Nick Jameson – Baixo, Teclados, Violão, Backing Vocals

Faixas:

1 – Fool for the City

2 – My Babe

3 – Slow Ride

4 – Terraplane Blues

5 – Save Your Loving (For Me)1

6 – Drive Me Home

7 – Take It or Leave It

6 comentários

  1. Mairon

    É um disco que ouvi bastante. hard de primeira. O álbum ao vivo dessa tour é muito bom tb

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    • Francisco

      O álbum “Foghat live” é um dos melhores “ao vivo” da história. Prova que, no palco, a banda era incendiária. As versões de “Fool for the city” e “Slow ride” são nada menos que arrasadoras…

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  2. Marcello

    Tanto o Savoy Brown quanto o Foghat merecem destaque. É pena que no final dos anos 70 o Foghat acabou se perdendo, mas a versão atual liderada por Roger Earl consegue honrar o grupo original, sem parecer uma paródia. Quanto ao Savoy Brown, o trabalho da banda com Dave Walker no começo dos anos 70 rivaliza com a formação clássica com a turma que formaria o Foghat e com o Chris Youlden.

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  3. Rubens roberto jordao

    P MIM, O ÁLBUM DE ESTREIA, FOGHAT, DE 72, É O MELHOR. NÃO TEM NENHUMA FAIXA FRACA. TODAS SAO BOAS.

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