Por Daniel Benedetti

A formação inicial do Exodus surgiu no final dos anos 1970, através dos guitarristas Kirk Hammett e Tim Agnello, do baterista/vocalista Tom Hunting e do vocalista Keith Stewart, enquanto eles estudavam juntos no colégio.

A banda adicionou o baixista Carlton Melson em 1980, e o quinteto começou a se destacar tocando em festas de quintal e em vários eventos escolares. Eles tocavam principalmente covers na veia do hard rock dos anos 1970 e da nova onda do heavy metal britânico (NWOBHM), mas também desenvolveram algumas de suas próprias canções originais.

Stewart logo deixou a banda e Hunting se tornou o único vocalista por algum tempo. Carlton Melson foi substituído em 1981 pelo baixista Geoff Andrews. Tim Agnello também deixaria o grupo, mudando-se para Nova York e permanecendo envolvido na indústria da música como guitarrista, empresário e compositor. Isso deixou o Exodus atuando como um power trio até que um substituto foi encontrado no amigo de Hammett (e roadie do Exodus), o guitarrista Gary Holt.

Também em 1981, Hammett conheceu um morador de El Cerrito, Paul Baloff, em uma festa em North Berkeley, uma amizade que começou – de acordo com Hammett – por suas admirações compartilhadas pelo punk rock e pelo heavy metal dos anos 1970. Baloff se tornou o vocalista principal da banda e o quinteto gravou uma fita demo de 3 faixas, em 1982, consistindo nas canções “Whipping Queen”, “Death and Domination” e “Warlord”, um lançamento que seria a única gravação de Hammett com o Exodus até 2014.

A música da banda começou a incorporar elementos do punk hardcore em suas raízes NWOBHM, e o Exodus foi considerado um pioneiro na cena thrash metal da Bay Area.

Em novembro de 1982, o Exodus abriu um show no Old Waldorf, em San Francisco, para o Metallica, uma banda então relativamente desconhecida (e sem gravadora) de Los Angeles. Conforme o Exodus começou a fazer mais shows em clubes da Bay Area, eles ganharam uma grande e fervorosa base de fãs, a qual ficou conhecida por seu comportamento violento nos shows. No início de 1983, Hammett deixou o Exodus para se juntar ao Metallica, por recomendação do empresário/produtor Mark Whitaker, sobrando a Gary Holt efetivamente assumir o controle criativo da banda.

Gary Holt

Hammett foi substituído por Mike Maung, seguido por Evan McCaskey, antes que o grupo finalmente encontrasse um substituto permanente no guitarrista Rick Hunolt. Geoff Andrews também saiu para iniciar uma encarnação inicial da banda de death metal Possessed, e foi substituído pelo baixista Rob McKillop. No segundo trimestre de 1984, o Exodus entrou no Turk Street Studios com o produtor Doug Piercy para gravar demos de canções que mais tarde apareceriam em seu álbum de estreia.

A banda assinou contrato com a Torrid Records de Nova York e o Exodus preparou-se para entrar no Prairie Sun Recording Studios na metade daquele ano.

Embora o álbum tenha sido concluído no meio de 1984, ele não foi lançado até 1985 devido a problemas entre o Exodus e sua gravadora. É considerado um dos álbuns de thrash metal mais influentes de todos os tempos.

É também o único álbum de estúdio completo do Exodus a apresentar Paul Baloff nos vocais, embora ele também estivesse em sua Demo de 1982. Baloff voltou ao Exodus por cinco anos (de 1997 até sua morte em 2002), e apareceu em seu álbum ao vivo de 1997, Another Lesson in Violence. Bonded by Blood foi originalmente intitulado de “A Lesson in Violence”, mas teve seu nome alterado quando uma ideia adequada para a capa não foi encontrada.

Uma cópia em fita cassete do álbum (com o título original) foi amplamente distribuída pela rede de troca de fitas após a conclusão do álbum no final do verão americano de 1984, criando um imenso burburinho underground antes do lançamento oficial do LP. O lançamento foi adiado, no entanto, devido a problemas com a arte.

A música “Impaler” seria originalmente apresentada em Bonded by Blood, mas foi abandonada quando Kirk Hammett levou o riff principal com ele para o Metallica (foi usado em “Trapped Under Ice”). A arte da capa do álbum original era uma ilustração de bebês gêmeos siameses do bem e do mal. Na reedição de 1989, essa capa foi substituída pelo logotipo da banda em uma imagem em vermelho e preto de uma multidão.

Paul Baloff

O álbum foi remasterizado e relançado pela Century Media em 1999 apenas na Europa, com duas faixas ao vivo de seu relançamento da Combat em 1989, com Steve Souza nos vocais. Esta reedição da Century Media restaurou a arte da capa original.

O disco é aberto com a faixa-título, uma canção poderosa com guitarras furiosas e bateria frenética, no melhor estilo thrash metal. “Exodus” continua em um ritmo intenso e furioso, o qual contagia o ouvinte pela intensidade insana – e ótimos vocais de Baloff. O riff inicial de “And Then There Were None” é muito bom e a música segue em um andamento mais cadenciado, sem abrir mão do peso. “A Lesson in Violence” continua com uma trilha Thrash feroz e um refrão matador, em um ponto alto do disco. A excelente “Metal Command” encontra ecos do Motörhead em seu riff inicial e segue um tanto quanto mais contida, mas é outra faixa incrível. “Piranha” é uma verdadeira porrada, uma composição insana a qual conta com guitarras afiadíssimas e vocais aguçados de Baloff.

“No Love” é mais lenta, mas pesadíssima, e Baloff tem mais uma atuação inspirada nos vocais. “Deliver Us to Evil” é a canção mais longa do álbum, superando os sete minutos, oscilando entre passagens rápidas e outras cadenciadas. “Strike of the Beast” encerra o trabalho em altíssimo nível trazendo uma música que sintetiza bem a intensidade agressiva do Thrash Metal.

Bonded by Blood é um disco seminal dentro do Thrash Metal, sendo composto por vários clássicos, não apenas do Exodus, mas do próprio estilo em geral. Um álbum que ditou os moldes de como o Thrash seguiria no futuro, além de ser o registro definitivo do lendário Paul Baloff. Em termos de paradas de sucesso, Bonded by Blood não fez qualquer barulho, porém, isto não revela seu real valor.

Em 2013, Bonded by Blood foi classificado em 80º lugar no ‘Top 100 Heavy Metal Albums’ do site Metalrules.com.

Em agosto de 2014, a revista Revolver colocou o álbum em sua lista “14 Thrash Albums You Need to Own”. O álbum foi classificado em primeiro lugar na lista dos dez primeiros “Álbuns Thrash NÃO Lançados pelos Big 4” do site Loudwire.

Em 2017, a revista Rolling Stone classificou Bonded by Blood como o 45º lugar em sua lista dos “100 melhores álbuns de metal de todos os tempos”.

O Exodus promoveu o álbum saindo em turnê com Venom e Slayer. Quatro canções de sua apresentação em 5 de abril de 1985, no Studio 54 em Nova York, foram filmadas e lançadas em vídeo caseiro como Combat Tour Live: The Ultimate Revenge. A banda posteriormente fez turnês ou tocou em shows com bandas como Exciter, Megadeth, Anthrax, King Diamond, Possessed, D.R.I., Nuclear Assault e Hirax.

Pouco depois de terminar a turnê de Bonded by Blood, Paul Baloff foi demitido da banda, supostamente devido ao seu comportamento relacionado ao álcool e às drogas. Ele foi substituído por Steve “Zetro” Souza, que anteriormente havia sido o vocalista do Legacy, uma encarnação inicial dos colegas thrashers da Bay Area, o Testament. Baloff formou a banda Piranha em 1987.

Um segundo álbum de estúdio do Exodus sairia também em 1987, com Pleasures of the Flesh.

Formação:

Paul Baloff – Vocais

Gary Holt – Guitarra

Rick Hunolt – Guitarra

Rob McKillop – Baixo

Tom Hunting – Bateria

Faixas:

  1. Bonded by Blood
  2. Exodus
  3. And Then There Were None
  4. A Lesson in Violence
  5. Metal Command
  6. Piranha
  7. No Love
  8. Deliver Us to Evil
  9. Strike of the Beast

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.