Por André Kaminski

O Noturna foi uma banda brasileira de gothic metal surgida em 2002, lá em Belo Horizonte. Inicialmente tendo Fabio Bastos (guitarra, vocais) como principal compositor e Vivian Rennó (anteriormente, Bueno) no vocal, Victor Munhoz (teclado) e Guilherme Carvalho (baixo) e ainda sem um baterista fixo, fizeram uma demo lançada em 2003 chamada Symphony of Decadence. Depois de conseguirem o baterista Rafael Costa, eles conseguiram um contrato com a representante brasileira da alemã Hellion Records para lançarem seu debut Diablerie [2005], disco este que tenho em minha coleção.

Um ano depois do lançamento do primeiro disco, o guitarrista Fabio Bastos deixa a banda. Outros membros também acabam saindo, com o núcleo permanecendo a vocalista Vivian e o baterista Rafael. Infelizmente, devido ao fim da banda, grande parte das informações a respeito deles estão escassas na internet. Infelizmente, como o lançamento desde álbum foi exclusivamente online, não tenho material físico para saber exatamente quem gravou os outros instrumentos, exceto mesmo o vocal e a bateria. Eles encerraram o site e excluíram a página do Facebook, mas de acordo com as poucas fontes disponíveis, a última formação conteve, além de Vivian e Fábio, o guitarrista e vocalista Sergio Barbieri, a tecladista Laura Pataro e o baixista Ed Zimerer. Mas não tenho como confirmar se foram eles que gravaram este segundo álbum.

Lançado gratuitamente no exato dia de Halloween de 2011, venho agora quase 10 anos depois resenhar sobre este disco que, por sinal, é muito bom. Mesmo lançado de forma independente, há aqui composições impressionantes e de qualidade alta, que infelizmente meio que acabaram passando despercebidos por muitos sem a promoção e o aporte de uma gravadora já que nessa época eles não estavam mais na Hellion. As letras seguem com temas mais melancólicos assim como foram no disco anterior.

Laura Pataro (teclado), Ed Zimerer (baixo), Vivian Rennó (vocal), Rafael Costa (bateria) e Sergio Barbieri (guitarra, gutural)

O disco começa com “A Dream Within a Dream”, faixa-título, com uma pegada um pouco mais eletrônica e Vivian mandando ver no vocal lírico, junto aos guturais e ao restante do instrumental, aliás, com o teclado fazendo aquele sonzinho “macabro” muito comum em desenhos animados mas que achei que ficou bem legal aqui. Na sequência, temos “Losing Control” com um toque sutil de piano para depois seguir em uma espécie de “gothic/prog” metal. Há uns riffs de guitarra e uns licks de teclado que me remeteram a bandas como Symphony X e Evergrey. “Falls of Mankind” começa veloz com uma linha de baixo muito legal que depois é repetida pelo teclado numa vibe meio industrial deixando essa intro muito ganchuda. É a música que mais gostei do álbum.

“Lethargic Dreams” começa com sussurros e um som de caixinha de música e então acelera em um ritmo mais ao estilo metal sinfônico. Os guturais (que imagino serem do Sergio) são muito bons e com uma excelente pronúncia, algo que nem sempre é comum no meio. Um coro de vozes muito bom surge ao meio da canção, me lembrando o Lacrimosa que também faz este uso constantemente em seus lançamentos. “Cry of a Fallen” já é uma balada melancólica bem ao estilo tradicional gothic metal: lenta, muito lírico e lembra até aquelas músicas tristes de desenhos da Disney com suas vocalizações.

“October 13th” lembra novamente aquela pegada mais prog misturada a atmosfera gótica do disco, com uma bateria rápida e quebradas de ritmo junto ao coral de vozes antes de entrar a voz de Vivian que se entrega aqui em grandes agudos. Após “The Fool” que foi uma faixa que não curti muito devido a eu achá-la mais filler se comparada as outras, o disco finaliza bem com “Tactile Coma” mostrando força em grandes riffs de guitarra e “To Ruin or to Reign” que com muita agressividade finaliza um disco bem pesado instrumentalmente, ao menos considerando os padrões do gothic metal.

A banda em sua carreira abriu shows para bandas enormes aqui no Brasil tais como After Forever (quando também existia), Epica e Kamelot. Infelizmente, com o passar dos anos, a banda foi ficando inativa até que em 2015 eu lembro da mensagem de Vivian anunciando o fim da banda na página da banda no Facebook. Uma pena, é complicadíssimo viver de música no Brasil, quem dirá de metal. Mas ao menos no gothic metal tupiniquim, eles com certeza deixaram sua marca com dois ótimos registros.

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