Por Daniel Benedetti

Spreading The Disease é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana Anthrax, lançado em 30 de outubro de 1985 pelo selo Megaforce Records. Fistful Of Metal, lançado em janeiro de 1984, foi o disco de estreia do Anthrax, resultado de alguns anos de batalha e insistência pelo sucesso por parte da banda. Nele, canções como “Metal Thrashing Metal” e o cover de Alice Cooper, “I’m Eighteen”, destacam-se.

Logo após, o baixista Danny Lilker deixa o grupo, devido às tensões criadas pelo seu comportamento considerado ‘pouco profissional’. Lilker formaria outra banda de sucesso, o Nuclear Assault. O substituto para a posição de baixista surgiu no sobrinho do baterista Charlie Benante – e também roadie da banda – Frank Bello. Em Agosto de 1984, o vocalista Neil Turbin foi demitido da banda, formando um novo grupo chamado Deathriders.

Em seu livro Eddie Trunk’s Essential Hard Rock and Heavy Metal, o jornalista musical Eddie Trunk admitiu que chegou a pressionar o produtor Jon Zazula e a própria banda pela demissão de Turbin.

O Anthrax chegou a se apresentar como um quarteto, com o guitarrista Scott Ian nos vocais e mais o guitarrista Dan Spitz, com um repertório de covers dos estilos punk e hardcore. Também Matt Fallon chegou a ser contratado como vocalista substituto temporariamente. A escolha para o posto de vocalista foi por Joey Belladona.

Com ele, a banda grava e lança já no ínício de 1985 o EP Armed and Dangerous, o qual continha 2 faixas ao vivo e 2 canções de um single chamado “Soldiers Of Metal”. Mais tarde, também em 1985, Ian, Benante e Lilker colaboraram com o vocalista Billy Milano para produzir o álbum satírico Speak English or Die, como a banda chamada Stormtroopers of Death.

Depois se reuniram em Ithaca, no Pyramid Sound Studios, para gravarem seu segundo álbum de estúdio, que se tornaria Spreading The Disease. A produção ficou sob responsabilidade de Carl Canedy, Jon Zazula e da própria banda.

“A.I.R” abre o disco rápida e pesada, com a típica fúria Thrash Metal. “Lone Justice” apresenta um riff típico do Thrash Metal, rápido, intenso e com certo peso, mas sem abrir mão de uma melodia envolvente, e Belladonna tem uma atuação brilhante, em uma das melhores composições de toda a discografia do Anthrax. A clássica “Madhouse” possui um riff pesadíssimo e inconfundível e, embora o ritmo seja um pouquinho mais cadenciado que o das faixas anteriores, o peso é ainda mais impactante e tanto a ponte quanto o refrão são espetaculares.

“S.S.C/Stand or Fall” traz influências que podem ser atribuídas ao Iron Maiden e mantém o ritmo alucinante do disco. Em “The Enemy”, o grupo traz uma pegada muito mais clássica, bem tradicional, que remete diretamente a bandas como o Black Sabbath da fase Dio. O Thrash Metal está de volta em “Aftershock” e o Anthrax usa de um típico riff do estilo, bem direto, pesado e veloz, com Belladonna em uma boa atuação e Benante bastante presente na bateria.

Após a leve introdução de “Armed and Dangerous”, a banda desenvolve uma pegada que faz a fusão precisa entre o Heavy Metal tradicional e o Thrash Metal, compondo outra das mais brilhantes músicas da discografia do grupo. A pegada Heavy/Thrash é a sonoridade proposta e o resultado final é impressionante, pois o ouvinte está diante de mais um clássico do conjunto em “Medusa”. “Gung-Ho” encerra o trabalho e se trata de um Thrash Metal típico, direto, intenso e brutal com peso absurdo, assim como a velocidade do riff, com a banda construindo outra pérola do Thrash Metal. A força da banda, neste álbum, está em seu coeso conjunto. Belladonna se mostra a escolha ideal para dar voz à intensa massa sonora produzida pelos instrumentistas, dos quais podemos apontar Charlie Benante e sua bateria insana como o proeminente. Outro ponto de destaque no grupo são as letras, criativas, críticas e inteligentes, bem acima da média normal de bandas do estilo.

Em termos de sucesso, Spreading the Disease conquistou a 113ª posição da principal parada norte-americana de álbuns e passou em branco em todas as demais. “Madhouse” foi o single escolhido, mas sem maior repercussão nas paradas de sucesso desta natureza. Entretanto, as revisões feitas pelos críticos especializados são em geral bastante positivas e o disco é considerado um clássico entre fãs do grupo.

Um novo álbum de estúdio do Anthrax viria em 1987 com o fenomenal Among the Living.

Formação:

Joey Belladonna – Vocal

Dan Spitz – Guitarra

Scott Ian – Guitarra, Backing Vocals

Frank Bello – Baixo, Backing Vocals

Charlie Benante – Bateria

Faixas:

  1. A.I.R. – 5:45
  2. Lone Justice – 4:36
  3. Madhouse – 4:19
  4. S.S.C./Stand or Fall – 4:08
  5. The Enemy – 5:25
  6. Aftershock – 4:28
  7. Armed and Dangerous – 5:43
  8. Medusa – 4:44
  9. Gung-Ho – 4:34

2 comentários

  1. CLEIBSOM CARLOS ALVES CABRAL

    Me recordo da crítica da finada ROCK BRIGADE do Spreading the Disease…A revista foi da opinião de que o disco seria perfeito se não fosse a “introdução acústica mela-cueca” de Armed and Dangerous e o “comercialismo descarado” da “péssima” Medusa.Vejam como a crítica especializada às vezes é estúpida!

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    • André Kaminski

      Nisso eu concordo muito contigo. Algumas críticas, principalmente dessas revistas mais antigas são cheias daquelas ideias errôneas de que tudo tem que soar pesado e “tr00” o tempo todo. Como que espaço para um momento mais calmo ou um riff mais simples porém marcante como o caso de “Medusa” fosse algo ruim. Sem contar aquela pegada de bateria do Benante dessa música que é muito foda.

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