Por Fernando Bueno

O thrash alemão não é tão prolífico quando o metal americano, também não alcançou os picos de sucesso mercadológicos quanto algumas bandas lá dos Estados Unidos conseguiram. Porém a Alemanha possui bandas com carreiras tão sólidas quanto as das americanas. O Assassin pode não ter tido uma sequência tão linear em sua carreira e teve uma interrupção nos seus planos graças à um infortúnio banal num primeiro momento, um assalto que levou todo seu equipamento lá em meados de 1989, logo após o lançamento de seu segundo álbum Interstellar Experience (1988) que deu sequência ao clássico The Upcoming Terror (1986), disco que todo colecionador de thrash deveria ter em sua prateleira.

Em 2002 o Assassin retomou suas atividades com uma formação bastante diferente da que encerrou a carreira na primeira vez em 1989. O vocalista original Robert Gonnella juntou-se ao guitarrista Jürgen Scholli, que só tinha gravado o debut com a banda e em 1987 já não fazia mais parte da mesma quando ela se separou, reuniram novos músicos e lançou o fraco The Club (2005) e após algumas mudanças de formação se estabilizou em 2009 com o baixista Joachim Kremer e o baterista Björn Sondermann. Gonnella deixou a banda em 2014 e desde então Ingo Bajonczak está no posto.

Joachim Kremer, Jürgen Schholz, Frank Blackfire, Ingo Bajonczak e Björn Sondermann

Do início com “The Swamp Thing” até o encerramento, Bestia Immundis, seu então sexto álbum de estúdio, traz músicas que tem velocidade e peso tal qual uma locomotiva em alta velocidade. Tirando algumas partes de mais calmaria como no início dedilhado de “The Killing Light” – o restante da música é uma pancadaria só –  e na climática primeira parte da faixa “Chemtrails” o que se ouve ao longo do disco todo é o puro thrash alemão. É como se Alemanha tivesse uma lei nos moldes da Lei da Pureza da Cerveja da Bavária, a Reinheitsgebot, para garantir que as características do thrash metal produzido em seu solo mantenha as suas características e modos de produção. “No More Lies” tem uma pegada do thrash mais atual em seu refrão. Um dos destaques do disso é “Hell’s Work Is Done” em que Bajonczak é destaque com a potência de sua voz.

Se ainda não consegui convencê-lo à ouvir Bestia Immundis vou acrescentar uma nova informação para tentar mudar sua opinião. No início do texto comentei que algumas bandas alemãs possuíam carreiras que poderiam fazê-las rivalizar com a das bandas americanas e duas delas, o Sodom e o Kreator, talvez as duas maiores, tiveram em sua formação em grandes períodos de qualidade o guitarrista Frank Blackfire. Pois ele juntou forças com o Assassin para Bestia Immundis e, se não participou das composições, trouxe toda sua experiência de anos acompanhando umas das maiores bandas do país. É um belo reforço!

O clássico de 1986 – The Upcoming Terror

Track List:

1 The Swamp Thing
2 Hoch Much Can I Take?
3 No More Lies
4 Not Like You!
5 The Wall
6 Hell’s Work Done
7 The Killing Light
8 Shark Attack
9 War Song
10 Chemtrails (Part 1)
11 Chemtrails (Part 2)

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