Por Fenando Bueno

Fui ouvir o Black Swan despretensiosamente. Normalmente eu tenho um pouco de preguiça de acompanhar os projetos desses super grupos que aparecem quase toda semana. Normalmente juntam-se bons nomes para gravar o material de um compositor que pode nem estar nessa banda. A Frontiers tem vários projetos desses em que artistas com contrato com eles são escalados para isso.

O que me fez ouvir o Black Swan inicialmente foi a presença do grande guitarrista Reb Beach, que está com o Whitesnake desde 2003, mas já tocou com o Dokken, mas é como guitarrista fundador do Winger que ele é mais lembrado. No baixo temos Jeff Pilson que teve três passagens pela banda do Dio e atualmente está no Foreigner. Matt Starr é o mais desconhecido, mas tocou na banda solo de Ace Frehley e atualmente é o baterista do Mr. Big. E aí, para fechar o line up Robin McAuley como vocalista e foi ele que me fez prestar atenção de fato no que estava ouvindo. Passei batido por aquela banda que ele montou com o Michael Schenker no final dos anos 80 e ouvi uma ou outra vez o Grand Prix. Portanto nunca tinha dado muita bola para o trabalho dele. Tanto que quando vi a foto daquele cara cheio de botox eu demorei para saber quem era. Hoje ele é o vocalista do Survivor e, analisando todas as bandas que esses caras passaram, dá para perceber qual é a linha de trabalho do Black Swan, ou seja um hard rock com pitadas de AOR, mas que não deixa de pesar a mão quando necessário.

Reb Beach, Robin McAuley, Jeff Pilson e Matt Starr

Destaque principal é mesmo a faixa de abertura “Shake the World”, com um instrumental bastante dinâmico, para cima e com McAuley cantando em tom tão alto a música toda que impressiona, afinal ele não é mais um rapazinho. Reb Beach entrega um solo cheio de técnica que é praticamente o que ele faz durante o disco todo. Ele sempre foi um excelente músico. “Big Disaster” também entrega um refrão marcante. Uma faixa que pode passar batido se o ouvinte não prestar atenção é “Johnny Came Marching”, uma música mais cadenciada com uma linha vocal excelente com backings vocal fazendo contrapontos bastantes interessantes. Já a linda “Imortal Souls” vai ser aquela que vai ficar por mais tempo na sua cabeça depois de algumas audições e tem mais um show de participação de McAuley. Claro que uma formação com esse background não poderia deixar de registrar uma daquelas baladas que fariam a alegria das rádios dos anos 80 e é com “Make It There” que eles saciam a nossa expectativa por isso. Para deixar mais um destaque, e para não acabar falando de todas as faixas, “She’s On To Us”, lembra alguma coisa do Dokken ou do Lynch Mob.

Sei que é difícil acompanhar todas essas bandas que estão surgindo, principalmente esses projetos que nem sabemos se terão ou não continuidade. Os músicos não estão mais ganhando dinheiro com os discos, mas precisam deles para não parar de fazer shows durante o período de inatividade de suas bandas principais. Acredito que pelo bom conjunto de músicas de Shake the World um segundo álbum é certo que aconteça. Vamos esperar.

Set List:

01. Shake The World
02. Big Disaster
03. Johnny Came Marching
04. Immortal Souls
05. Make It There
06. She’s On To Us
07. The Rock That Rolled Away
08. Long Road To Nowhere
09. Sacred Place
10. Unless We Change
11. Divided / United

3 comentários

  1. Geraldo Costa

    Sei que é difícil acompanhar todas essas bandas que estão surgindo, principalmente esses projetos que nem sabemos se terão ou não continuidade. Os músicos não estão mais ganhando dinheiro com os discos, mas precisam deles para não parar de fazer shows durante o período de inatividade de suas bandas principais.
    Resumiu o momento do rock …boa analise da banda…

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