Por Daniel Benedetti

Em abril de 1973, os membros do Deep Purple (Ritchie Blackmore, Jon Lord e Ian Paice) compareceram a um show da banda Trapeze, no Whiskey a Go Go, em Los Angeles, Califórnia, com o intuito de convidar o baixista Glenn Hughes para que substituísse Roger Glover, o qual havia deixado o Purple.

Quando foi abordado novamente em outro show, no mês seguinte, Hughes recusou o convite em favor de permanecer no Trapeze, alegando que, na época, ele estava “em um estado de espírito muito, muito diferente como músico” ainda apontando que o Deep Purple era “rock básico demais para mim”. No entanto, o elevado status do Deep Purple na época, combinado com a perspectiva de trabalhar com o ex-vocalista do Free, Paul Rodgers, o qual havia sido convidado para substituir o vocalista Ian Gillan, fizeram Hughes reconsiderar e concordar a se juntar à banda como baixista e segundo vocalista.

Dave Holland

A mudança na formação foi anunciada oficialmente na revista musical Melody Maker em 14 de julho de 1973. Rodgers acabou desistindo da oportunidade, focando, em vez disso, na formação do Bad Company. Posteriormente, David Coverdale foi trazido como substituto de Gillan, depois de contatar o grupo em resposta a um artigo da mesma Melody Maker, que mencionava o grupo permanecendo na procura por um novo vocalista. Desde então, Hughes descreveu a escolha de deixar o Trapeze como “horrível” de se fazer, apelidando a banda de sua “família” e alegando em várias entrevistas que, em certa medida, arrependeu-se de ter saído.

Aos membros remanescentes do Trapeze, o guitarrista Mel Galley e o baterista Dave Holland, couberam a reconstrução.

Após um breve hiato, o Trapeze retornou em 1974 com Galley nos vocais, adicionando o segundo guitarrista Rob Kendrick e o baixista Pete Wright à sua formação.  Em julho, foi anunciado que a banda assinou um contrato com a Warner Bros. Records, com um novo álbum previsto para ser lançado no final do ano. O selo anterior, Threshold, lançou a primeira coletânea da banda, The Final Swing, em outubro, que apresentava faixas de seus três primeiros álbuns, bem como as inéditas “Good Love” e “Dats It”.

Mel Galley

The Final Swing foi o primeiro disco da banda a chegar às paradas, conquistando na Billboard 200 dos Estados Unidos a 172ª posição. Dezembro viu o lançamento do quarto álbum de estúdio da banda, Hot Wire.

O álbum foi gravado no Island Studios, em Londres, e no Lee Sound Studios, em Birmingham, também na Inglaterra. A produção ficou a cargo de Neil Slaven (e do próprio Trapeze). O selo responsável, como foi dito anteriormente, o Warner Bros. Records. “Back Street Love” começa o disco com bastante balanço e é baseada em um ótimo riff de guitarra. “Take It on Down the Road” traz à mente a sonoridade de bandas como o Free, mas, diga-se, sem a mesma pujança. Os sintetizadores e o baixo trazem um ritmo bem ‘funkeado’ à boa “Midnight Flyer”, uma composição repleta de malícia. “Wake Up, Shake Up” é um Hard Rock simples e certeiro, com as guitarras dando as cartas.

O baixo é um protagonista em “Turn It On”, uma música em que o groove é um elemento crucial. “Steal a Mile” aposta em uma abordagem mais suave, abusando de uma melodia cativante e de um ótimo trabalho de backing vocals. “Goin’ Home” é aquele ‘hardão’ típico dos anos 70s, com as guitarras dominando o ambiente, sendo a faixa mais pesada de Hot Wire. Para encerrar o álbum, sua mais longa canção: “Feel It Inside”, outra composição com uma pegada bem ‘funkeada’.

Hot Wire alcançou o 146º lugar na Billboard 200. O tecladista Terry Rowley também foi apresentado como convidado no álbum, sendo o responsável por sintetizadores, órgão, piano elétrico e backing vocals. Rowley permaneceu no conjunto para a turnê de Hot Wire e apareceu no álbum Live at the Boat Club, de 1975, embora novamente não seja creditado como um membro do grupo.

Rob Kendrick

Evidentemente, Hot Wire não possui a relevância musical de um trabalho como Medusa, mas está, simultaneamente, muito longe de ser apenas mais um disco. Mel Galley assume os vocais com competência, suprindo a ausência de Glenn Hughes satisfatoriamente. A banda está azeitada, investindo no Hard Rock, mas com grandes pitadas de Blues e de Funk em sua sonoridade, com momentos em que até um saxofone maroto surge como protagonista. Portanto, é uma obra que se sugere uma audição para que o leitor tire suas próprias conclusões.

Ainda em 1975, o Trapeze lançou um segundo álbum, autointitulado, no qual Hughes voltou a fazer os vocais em duas faixas.

Formação:

Mel Galley – guitarra, vocal principal, backing vocals (faixas 3, 5, 6 e 8), slide guitar (faixa 6)

Rob Kendrick – guitarra, backing vocals

Pete Wright – baixo, backing vocals

Dave Holland – bateria, pandeiro (faixa 8)

Músicos adicionais:

Terry Rowley – sintetizadores e backing vocals (faixas 3, 5, 6 e 7) órgão (faixa 2), piano elétrico (faixa 8)

Kenny Cole – backing vocals (faixas 3, 5, 6 e 8)

Misty Browning – backing vocals (faixas 3, 5, 6 e 8)

John Ogden – congas (faixas 2, 3 e 8)

Chris Mercer – saxofone (faixas 2 e 6)

Faixas:

  1. Back Street Love
  2. Take It on Down the Road
  3. Midnight Flyer
  4. Wake Up, Shake Up
  5. Turn It On
  6. Steal a Mile
  7. Goin’ Home
  8. Feel It Inside

Banda

8 comentários

  1. André Kaminski

    Gosto do Trapeze pós-Hughes. Apesar dos três primeiros álbuns serem os melhores (You Are the Music…We’re Just the Band é o meu favorito), o Hot Wire também está no mesmo nível dos primeiros.

    Só mesmo o auto-intitulado de 1976 que eu acho meia boca.

    Responder
    • Daniel

      Eu também gosto do Trapeze pós Hughes, mas eu confesso que acho Medusa uma obra-prima! Hot Wire é um exemplo de como a banda continuou legal.

      Responder
    • Mairon

      Medusa para mim é obra prima. Intragável é o Running (Hold On), que tem poucos momentos decentes, apesar da linda capa na versão alemã

      Responder
  2. Ronaldo

    Acho esse disco bem foda! o Trapeze era uma banda muito boa e não só por causa do Glenn Hughes. Ótima pauta!
    Abraço

    Responder

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.