Por Marcelo Vieira (originalmente publicado no site vandohalen.com)

Demônio no palco, beberrão incorrigível e roqueiro sem papas na língua. O baixista que foi a figura central de todos os grupos dos quais fez parte. Veja agora os cinco discos para conhecer o reverenciado Pete Way!


ufo_-_lights_outUFO – Lights Out [1977]

Quando o assunto da conversa for o hard rock dos anos 70, você pode apostar que, cedo ou tarde, alguém vai mencionar o UFO. O supergrupo (que está de passagem pelo país nesse mês de maio, com shows em São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Goiânia), ainda que nunca tenha figurado no primeiro escalão do gênero, contava com o talento de Michael Schenker na guitarra, e foi uma das principais influências da New Wave of British Heavy Metal, movimento que revelou, por exemplo, o Iron Maiden – o próprio Steve Harris não cansa de reconhecer o papel do UFO e, em especial, de Pete Way em sua formação musical. Lights Out é o sexto álbum de estúdio do UFO e traz a banda no auge, com produção caprichada assinada por ninguém menos que Ron Nevison (apenas o cara que produziu o clássico Physical Graffiti do Led Zeppelin). Apesar de curtinho, o play carrega em seu âmago uma energia animalesca. Schenker timbra sua guitarra na medida certa e detona em solos com velocidade à frente do seu tempo. A faixa-título tornou-se um hino, que já deu as caras em filmes e séries de TV.

Phil Mogg (vocal), Michael Schenker (guitarra), Pete Way (baixo), Andy Parker (bateria), Paul Raymond (teclados, guitarra)

1. Too Hot To Handle
2. Just Another Suicide
3. Try Me
4. Lights Out
5. Gettin’ Ready
6. Alone Again Or
7. Electric Phase
8. Love To Love


1364837285_frontWaysted – Vices [1983]

Questões contratuais impediram que a parceria com o guitarrista “Fast” Eddie Clarke saísse do papel e o Fastway acabou decolando sem Pete Way. Com isso, o baixista juntou suas músicas e reuniu alguns amigos músicos já conhecidos na cena britânica (entre eles, Paul Raymond do UFO e Frank Noon do Def Leppard) para formar o Waysted, no início de 1983. A estreia em disco veio no mesmo ano. Em matéria de som,Vices se estabelece na zona de conforto entre o hard e o heavy, sem o apelo pop e melódico que fez Pete pular fora do UFO anos antes. A voz de Fin Muir se encaixa no padrão NWOBHM: grave por natureza, mas arriscando (e nem sempre mandando bem) um agudo ou outro. O trabalho de guitarras é o mais elementar possível, sem firulas ou rodeios. Em resumo, é tudo que Pete quis que o bom e velho UFO continuasse sendo.

Fin Muir (vocal), Paul Raymond (guitarra rítmica, teclados), Ronnie Keyfield (guitarra solo), Pete Way (baixo), Frank Noon (bateria)

1. Love Loaded
2. Women in Chains
3. Sleazy
4. Night of the Wolf
5. Toy With the Passion
6. Right From the Start
7. Hot Love
8. All Belongs to You
9. Somebody to Love


1294295176_frontWaysted – Save Your Prayers [1986]

Em meados da década de 80, bandas que fundiam o espírito jovem do hard rock com a proposta adulta do rock de arena estavam na crista da onda. Levando isso em conta, Pete Way conduziu seu Waysted por um novo caminho sonoro, mais melódico e de extremo potencial comercial. Para isso, contou com a ajuda de um cantor ainda iniciante, mas já dono de uma voz poderosa e marcante – Danny Vaughn, futuro vocalista do Tyketto. A formação responsável pela gravação de Save Your Prayers contava também com o baterista John Diteodoro, o Johnny Dee do Britny Fox, e o ex-colega de UFO, falecido no último dia 9 de junho, Paul Chapman, na guitarra. O grande (e talvez único) hit do álbum é a baladaça “Heaven Tonight“, que fez sucesso até em terras tupiniquins graças ao comercial do cigarro Hollywood, mas independentemente disso, Save Your Prayers cheira a coletânea onde nada é de se jogar fora. As minhas preferidas são “Black and Blue (que também foi lançada como single, mas passou longe de obter qualquer visibilidade), “Out of Control” (ouça a guitarra dos anos 70 falando mais alto) e a releitura de “Fortunate Son“, do Creedence Clearwater Revival, faixa bônus presente apenas em algumas edições.

Danny Vaughn (vocal), Paul Chapman (guitarra), Pete Way (baixo), John Diteodoro (bateria)

1. Walls Fall Down
2. Black and Blue
3. Singing to the Night
4. Hell Comes Home
5. Heroes Die Young
6. Heaven Tonight
7. How the West Was Won
8. Wild Night
9. Out of Control
10. So Long


MI0000233232Mogg/Way – Chocolate Box [1999]

O destino se encarregou de reunir Phil Mogg e Pete Way quase duas décadas após o colapso da formação clássica do UFO dando origem ao Mogg/Way. O primeiro trabalho lançado pelo projeto foi Edge of the World (1997), mas a consolidação da parceria viria dois anos mais tarde. Mais bem produzido que o antecessor, Chocolate Box realça todo o poder de fogo que a dupla, à época beirando os 50 anos de idade, ainda possuía. Acompanhando-os, ninguém menos que o batera Simon Wright (AC/DC, Dio, MSG etc) e o fiel escudeiro de Way, Paul Raymond. Repleto de composições de alto nível, Chocolate Box atendeu às expectativas tanto dos fãs de longa data, fundamentalistas do Classic Rock, quanto dos apreciadores de sons mais pesados e de timbres mais modernos. Um bom exemplo dessa amálgama musical é a fantástica “Jerusalem”, que incorpora um piano elétrico a la anos 1970 a um arranjo típico do rock do novo milênio. Vale mencionar também que o tempo foi generoso com a voz de Phil Mogg, que atingiu a maturidade mantendo-se firme e marcante.

Phil Mogg (vocal), Jeff Kollman (guitarra), Paul Raymond (guitarra, teclados), Pete Way (baixo), Simon Wright (bateria)

1. Muddy’s Gold
2. Jerusalem
3. Too Close to the Sun
4. This Is a Life
5. Living and Dying
6. King of the City
7. Death in the Family
8. Whip That Groove
9. Last Man in Space
10. Sparkling Wine


120307cd_m4Pete Way – Amphetamine [2001]

Chega um determinado momento na vida de qualquer músico que a vaidade de ter seu nome completo estampado na capa de um álbum fala mais alto. Por mais que Pete Way sempre estivesse na linha de frente dos compositores das bandas das quais fez parte, faltava ainda lançar um álbum “só seu” neste aspecto. Mas Amphetamine vai além disso, uma vez que o próprio Pete chamou para si a responsabilidade e assumiu o vocal principal em todas as músicas aqui presentes, e ainda tocou boa parte das guitarras base. Walt James e Scott Phillips, os escolhidos para acompanhar o mestre nesta empreitada, contribuem com a energia na medida certa. A sonoridade de Amphetamine é um rock n roll enraizado no old school, mas com uma pegada quase punk. As canções são marcadas por um tom mais grave e fraseados de baixo que você pode acompanhar com os lábios. Nas letras, como a de “Fooled Again” e as duas partes de “Hole” (ambas com breves arranjos acústicos em suas introduções), Way põe pra fora boa parte de seus demônios pessoais sem demonstrar o menor arrependimento. E por mais que não seja um cantor de primeira (talvez nem de segunda), o cara cativa e convence com uma atitude que anda em baixa ultimamente por conta dos excessos dos quais nunca abriu mão. Tudo tem seu preço…

Pete Way (vocal, baixo, guitarra), Walt James (guitarra, backing vocals), Scott Phillips (bateria)

1. That’s Tuff
2. Hangin’ Out
3. Fooled Again
4. American Kid (What A Shame)
5. Hole
6. Hole 2
7. Crazy
8. Hand To Hold
9. That’s Tuff (Demo)
10. Fooled Again (Demo)
11. American Kid (Demo)

1 comentário

  1. André Kaminski

    Acho que ao invés de repetir um disco do Waysted, poderia ser citado o disco The Plot de 2003, gravado junto a Michael Schenker.

    Responder

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