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Por Mairon Machado
Texto escrito originalmente em 2013
Sempre fico com um pé atrás para comprar um DVD de uma banda que não conheço muito bem. Nesse caso, pestanejei um pouco antes de adquirir o DVD Phoenix Rising – Classic Ash: Then & Now do Wishbone Ash. Meu único conhecimento do grupo (até aquele momento) eram os álbuns Live Dates (1973) e Argus (1972 – um dos excepcionais LPs da história da música).
Quando vi o DVD em promoção em uma famosa loja na internet e observei a listagem das músicas duas coisas já me atraíram. A primeira delas, a inclusão da imortal faixa que dá nome ao DVD, ficando a expectativa de que estariam ali os 18 minutos da obra original, já que a data anunciada para o registro desta canção era 2003. A segunda, nada mais que 15 canções que viajavam desde apresentações do início dos anos 70 até um show realizado em 2003. Portanto, a história da banda estaria retratada nos pouco mais de 90 minutos previstos na contra-capa.

E é realmente isso que acontece. De cara já podemos ver o que o Wishbone Ash tinha de bom. Os talentos individuais condensados em um grupo sólido com ótimas passagens instrumentais e muita técnica. Tudo apresentado na fantástica canção “Vas Dis” que também abre o espetacular Pilgrimage (1971), aqui retirada de uma apresentação na BBC em 1971. O DVD começa com a introdução da poderosa bateria de Steve Upton mostrando os ainda jovens Martin (baixo, voz) e Ted Turner (guitarras) – com Martin dando uma aula de baixo e vocalizações – além de Andy Powell e a tradicional Flying V que marcou sua carreira.

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Formação clássica do Wishbone Ash: Steve Upton, Martin Turner, Ted Turner e Andy Powell

Dali, pulamos para o show de 2003, onde temos na formação contando com Powell gordo e careca, fazendo a voz principal, e o talentoso Ben Grafelt dividindo as guitarras com Powell. Bob Skeat no baixo e Ray Weston na bateria. Eles interpretam a lendária “The King Will Come”, o clássico que abre o lado B de Argus, de forma primorosa. Com a longa introdução e o riff matador, e que apesar do grupo apresentar sinais da estrada, mandam ver nas famosas melodias das guitarras gêmeas que caracterizaram a banda e nas ótimas linhas vocais.

Voltamos ao passado com uma apresentação em preto-branco de “Blowin’ Free” (Argus) na ABC australiana em 1972 com a clássica formação citada no início e que durou toda a década de 70. Apesar do playback, é sensacional ver como Powell tinha o comando da banda, sendo o mais sério dos quatro ao vivo, enquanto Martin é o que parece se divertir mais com a fanfarronice. Até aqui, três clássicos, mostrando que o DVD começa com tudo.

Para os apaixonados pela banda não poderia vir presente maior do que “Phoenix”, no já citado show de 2003. E para quem acha que o grupo esqueceu como se toca, temos uma aula de resgate do maior clássico da banda. Lá estão mais de 10 minutos de uma obra-prima (apesar de estar incompleta), lançada no álbum de estreia do grupo, em 1970. Algo que somente assistindo podemos compreender, tamanha a emoção e participação dos músicos interpretando esse clássico. Apesar do pequeno local e do público, fica clara a emoção de todos os presentes. Cada passagem das guitarras; o baixão da introdução acompanhado as melodias que inspirariam, sem sombra de dúvidas, o Iron Maiden em várias canções; a bateria avassaladora de Weston; a famosa frase “Raise your head to the sky” em uma das menores letras (se não a menor) da melhor canção do grupo, são ouvidas dentro do teatro de Londres como que se o público não acreditasse no que estão assistindo diante de seus olhos. Com certeza, esse é o ponto máximo do show. Aqui, já valeu cada centavo investido na mídiazinha.

Voltamos então a 1973 com a clássica “Warrior” (Argus). As lágrimas que você segurou em “Phoenix” vem abaixo. Fantástico é pouco! O que ouvimos é mais uma bela interpretação do auge da carreira do Wishbone Ash com uma suavidade que poucas bandas do hard conseguiam dar as suas canções.Depois desse início realmente avassalador entramos nos anos 80 com uma apresentação em Bristol no ano de 1989. Apresentando a fraca “Classic Jazz”, traz a formação clássica do grupo, porém com uma sonoridade muito moderna comparada ao que o Ash fazia nos anos 70, bem no estilo anos 80, quase como um AOR.

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Wishbone Ash em 2003: Ben Granfelt, Ray Weston, Bob Skeat e Andy Powell

A apresentação de 2003 em Londres surge novamente com “Living Proof” com Laurie Wisefield no lugar de Ted Turner. Depois, voltamos a apresentação da BBC com “Jail Bait”, outra de Pilgrimage.A partir daí O DVD desfila por várias canções alternando somente entre os shows de Londres e Bristol. Apresentando, inclusive, uma nova versão para “Blowin’ Free” e encerrando com uma apresentação nos Estados Unidos onde “Where Were You Tomorrow” (Pilgrimage) é apresentada.O maravilhoso início do DVD acaba ofuscando o resto. Porém, se começarmos o DVD de trás para a frente, torna-se óbvio a importância do Wishbone Ash para consolidar o hard rock e as guitarras gêmeas. Apesar de não ser citada entre as grandes bandas do rock, o grupo deixou sua marca. Os clássicos citados no título do DVD e apresentados aqui são realmente fenomenais.Para quem acha que também vai aprender sobre a história da banda fica o alerta de que não temos nada de entrevistas ou documentários. Somente a sonzeira comendo solto.

Trata-se contudo de um ótimo aperitivo para correr atrás da discografia da banda, uma das mais importantes e valiosas do rock britânico.

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Contra-capa do DVD

Track list
1. Vas Dis
2. The King Will Come
3. Blowin’ Free
4. Phoenix
5. Warrior
6. Cosmic Jazz
7. Living Proof
8. Jailbait
9. Wings of Desire
10. Why Don’t We
11. Ballad of the Beacon
12. Real Guitars Have Wings
13. Blowin Free
14. Bad Weather Blues
15. Where Were You Tomorrow

4 comentários

  1. Marcello

    Este DVD é muito bom! Wishbone Ash é outra daquelas bandas que merecem mais destaque por aqui. Já viu a box The Vintage Years? É fantástica!

    Responder
      • Marcello

        A box traz todos os discos originais lançados entre 1970 e 1991, a maioria com faixas-bônus, bem como sete CDs adicionais gravados ao vivo entre 1973 e 1980. Além disso, traz o single japonês com Blind Eye em flexidisc, dois livros (um com a história da banda contada a partir dos discos) e outro só com posters de shows e turnês, e uma reprodução do kit de imprensa do lançamento do primeiro LP, com fotos dos integrantes da banda impressos em cartão. Para completar, reproduções de 4 posters originais. Coisa fina!

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