Por Thiago Reis

A banda Dimmu Borgir voltou à cena metálica mundial em 2017, após um longo hiato, desde o lançamento e a subsequente turnê de suporte ao álbum Abrahadabra (2010). Turnê essa que rendeu o lançamento do muito bem recebido álbum ao vivo com orquestra Forces of the Northern Night, nos formatos CD, DVD e Blu-ray no ano passado, com direito a críticas muito positivas por parte dos fãs e da crítica.

Tal lançamento serviu de combustível para o lançamento do muito aguardado Eonian, em maio deste ano. A formação da banda consiste ainda no mesmo núcleo que participou dos álbuns de estúdio da banda desde Puritanical Euphoric Misanthropia (2001), com Shagrath (vocais, teclado, arranjos orquestrais e efeitos), Silenoz (guitarra) e Galder (guitarra). O mais curioso é que o trio dividiu a gravação do baixo das músicas no estúdio. Completam o time que gravou Eonian, o tecladista Gerlioz, que também participou da criação dos arranjos orquestrais e Daray na bateria.

Eonian abre com a faixa “The Unveiling”, com uma introdução bem diferente do que costuma-se ouvir em discos do Dimmu Borgir, mas logo aparecem riffs bem pesados e um clima soturno, já com a presença de corais, que se tornam cada vez mais constantes na música da banda de black metal sinfônico. A bateria também merece destaque, já que apresenta além dos famosos bumbos duplos, um acompanhamento bem interessante quando Shagrath começa a cantar as primeiras letras. Percebe-se que a banda alcança patamares cada vez maiores com a sua música, não se restringindo apenas a um estilo e as levadas com teclado a partir dos dois minutos e meio comprovam isso. “The Unveiling” mostra-se como uma faixa muito bem escolhida para ser a primeira do álbum.

“Interdimensional Summit” já se inicia com uma parte orquestral muito interessante que inclusive é a base do refrão, cheio de corais. Percebe-se claramente que o encontro com a Orquestra e Coral para a gravação do álbum ao vivo já mencionado pode ter sido influência para os músicos. Além disso, “Interdimensional Summit” é um dos singles e foi lançada em formato vídeo clipe. A levada é muito bem construída, fica na cabeça do ouvinte e com certeza tem tudo para ser um hit, além de estar presente no set list para a turnê.

A próxima é “Ætheric”, com dedilhado de guitarra bem sombrio comandando a introdução, além da presença da bateria de forma bem marcante. O riff que começa por volta de 50 segundos é de muito bom gosto, também com grande potencial para ser executado ao vivo. Shagrath contribui mais uma vez com seus vocais guturais bem característicos e o corais também estão presentes, mais uma vez fazendo uma trabalho primoroso.

“Council of Wolves and Snakes” é a quarta faixa e Segundo single do disco. A introdução possui uma guitarra com um “toque” oriental. O riff aparece e encorpa ainda mais as notas da introdução. A música possui uma levada bem lenta em seus primeiros minutos, misturando uma espécie de doom com o já citado “toque” oriental. A velocidade aparece a a partir dos dois minutos e meio, mas logo depois um dedilhado sinistro e sombrio toma conta da música, além de efeitos que deixam o clima ainda mais soturno. Os corais tomam conta da canção, mais uma vez de forma muito bem encaixada e executada. Percebe-se a maturidade musical que os três membros principais da banda atingiram, quando se percebe que as músicas são totalmente diferentes uma das outras e possuem uma grande riqueza de detalhes, que se desprende totalmente de estilos, o que pode ser ruim em alguns momentos para aquele fã mais “die hard”, que acompanha a banda desde os seus primórdios em discos como For All Tid (1994). Mas é fato que a banda vem se distanciando bastante do estilo black metal sinfônico a partir de discos como Puritanical Euphoric Misanthropia (2001), Death Cult Armaggedon (2003), In Sorte Diaboli (2007) e Abrahadabra (2010), o que não significa ser algo ruim, muito pelo contrário, já que grandes clássicos da banda estão presentes nestes quatro discos citados.

O disco segue com “The Empyrean Phoenix”, que possui como principal destaque seus riffs bem marcantes, a velocidade da bateria de Daray e a presença marcante dos vocais de Shagrath, além dos refrão potente, pronto para ser cantado a plenos pulmões pelos fãs na turnê de promoção do disco. “Lightbringer” possui ótimos riffs, que não são velozes, mas possuem uma marcação bem precisa do tempo, juntamente com a bateria. O riff se repete por aproximadamente um minuto e depois a velocidade e os efeitos orquestrais aparecem para tomar conta de todo o clima da música, uma sacada bem interessante. No final encontramos uma passagem bem característica do estilo que o Dimmu Borgir coloca em suas músicas, sendo finalizada com mais um riff digno de nota.

“I Am Sovereign” mantém o alto nível, com riffs e passagens de teclado de muito bom gosto, que culmina em riffs mais elaborados e lentos, vocais que nos deixam envolvidos com a música e mais uma vez a participação dos corais é um ponto alto. Pode-se dizer que os primeiros minutos de “Archaic Correspondence” são os que mais remetem ao Dimmu Borgir antigo, tanto pelos riffs quanto pelos vocais de Shagrath. Entretanto, alguns novos elementos principalmente por parte dos teclados mostram o direcionamento que o Dimmu Borgir vem seguindo por pelo menos 15 anos e faixas como “Archaic Correspondence” mostram essa evolução.

“Alpha Aeon Omega” possui em sua introdução elementos orquestrais maravilhosos, que cairiam perfeitamente em um show ao vivo com orquestra. Os riffs entram em cena e acompanham a mais um épico criado pelo Dimmu Borgir, o que transforma ainda mais a música em um verdadeiro espetáculo. Logo depois, um ritmo mais lento conduz a música, juntamente com os vocais guturais de Shagrath. Sem dúvidas, “Alpha Aeon Omega” possui todos os elementos para ser uma música que simbolize o momento que a banda está passando com Eonian. Finalizando em grande estilo, “Rite of Passage”, com a sonoridade característica do Dimmu Borgir, um som obscuro, em que podemos nos imaginar em uma floresta densa e escura, prestes a testemunharmos algo sinistro. A orquestração é primorosa e tudo indica que o fim está próximo, pode-se perceber a cada nota das guitarras de Silenoz e Galder e os teclados de Gerlioz que literalmente este é um rito de passagem para o desconhecido e para ambientes nunca antes explorados. Se uma música é capaz de lhe proporcionar tal viagem sem você sair do lugar é porque estamos diante de algo épico.

Eonian solidifica cada vez mais o Dimmu Borgir na cena, mostrando tudo que a banda é capaz de criar, sem se prender a estilos, ao evidenciar a qualidade sonora que Shagrath, Silenoz, Galder e cia limitada são capazes de criar. Quando um álbum transcende estilos e mostra uma sonoridade com qualidade em composição, riffs e produção, podemos dizer que estamos diante de um disco que pode definir a carreira de uma banda e que daqui a muitos anos será lembrado como um dos clássicos do grupo. Destaques para as faixas “Interdimensional Summit”, “Council of Wolves and Snakes”, “Lightbringer”, “Alpha Aeon Omega” e a instrumental que encerra o álbum “Rite of Passage”.

Track list

  1. The Unveiling
  2. Interdimensional Summit
  3. Ætheric
  4. Council Of Wolves And Snakes
  5. The Empyrean Phoenix
  6. Lightbringer
  7. I Am Sovereign
  8. Archaic Correspondence
  9. Alpha Aeon Omega
  10. Rite Of Passage

 

2 comentários

  1. Alessandro Peres

    Excelente resenha!! Li ouvindo o álbum para curtir ambos!! Concordo com vc, apesar das diferenças e, provavelmente até por causa delas, esse álbum pode ser considerado um dos grandes da banda!!! Grande abraço!

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  2. Thiago Reis

    Muito obrigado, Alessandro! Pra escrever a resenha, eu escutei o álbum junto pra ter realmente as minhas impressões 100% escritas. Abração!

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