Por Davi Pascale

O álbum que marcou o retorno do spaceman à ativa é relançado com faixas bônus. Ainda que não seja um trabalho considerado clássico, o disco foi bem recebido à época entre seus fiéis seguidores. Esse lançamento segura a ansiedade de seus admiradores até que seu novo trabalho de inéditas chegue às lojas em abril.

Nunca tive dúvidas. Meu guitarrista favorito do Kiss sempre foi o Ace. Sim, gosto muito de Bruce, Vinnie, Mark e Tommy, mas Ace soa mágico e o rapaz, ainda que incompreendido por muitos, possui um estilo muito próprio de tocar. Já vi muitos covers dele por aí. Até agora não vi um que tocasse igual. Tocar igual um artista não é apenas reproduzir as notas de seus riffs e seus solos, mas é saber timbrar o instrumento de acordo, saber manter a palhetada, enfim… E aí está o mistério. A palhetada de Ace, principalmente nos solos, ninguém faz igual. Sorry, folks.

Além de ser um guitarrista de primeira, o rapaz também sempre foi um senhor compositor. Além de ter escrito sozinho alguns clássicos dos mascarados – como “Cold Gin” e “Parasite” – ele é dono da melhor carreira solo entre os músicos do Kiss. Anomaly foi celebrado na época justamente porque trazia o rapaz de volta aos holofotes depois de muito tempo afastado da mídia. Seu último álbum de inéditas havia sido o Trouble Walkin´, lançado em 1989. E o mais bacana de tudo é que ele voltou em boa forma. Boas composições, excelente qualidade de gravação, um cover bem bacana e muito bem executado e um time de primeira por trás.

A primeira parte do disco é para fã nenhum botar defeito. “Fox & Free” e “Outer Space” é nada mais, nada menos do que o som clássico de Ace Frehley com uma dose extra de peso. “Pain In The Neck” se distancia um pouco do seu material pela sonoridade sombria do refrão, mas nos versos remete bastante aos tempos de Frehley´s Comet. O cover de “Fox On The Run” (Sweet) ficou espetacular. Bem rock n roll, bem pra cima. Casou bem na voz de Frehley. “Gengis Khan” não está entre minhas favoritas, mas gosto muito da introdução que ele faz com o violão. “Too Many Faces” é mais um daqueles rocks despretensiosos que ele sabe fazer como ninguém. O refrão nos leva de volta aos dias de Trouble Walkin´, o trabalho solo que mais gosto de Ace.

Para quem acompanha a cena, os músicos do projeto são mais manjados do que cantiga de ninar. Anton Fig chegou a tocar no Frehley´s Comet e gravou com o Kiss os álbuns Dinasty e Unmasked. Scott Coogan é um nome manjado na cena. Já tocou com Lynch Mob, Brides of Destruction e já vinha se apresentando com Ace Frehley desde 2007. O tecladista Marti Frederiksen é muito conhecido como musico de estúdio e já chegou a trabalhar ao lado de Aerosmith, Scorpions, Ozzy Osbourne, Jeff Healey, Sheryl Crow, Motley Crue, para citar alguns. Brian Tichy voltou a ganhar destaque recentemente por seu trabalho ao lado do Dead Daisies, mas antes deles, chegou a gravar com Billy Idol, Gilby Clarke, Vinnie Moore, além de ter feito parte do Pride & Glory, ao lado do Zakky Wylde. Anthony Esposito é mais um músico que fez parte do Lynch Mob. Como podem notar, só nome de responsa.

O disco segue adiante com “Change The World”, uma balada bem bacaninha. A instrumental “Space Bear (Extended)” traz um inspirado riff. Em “A Little Bit of Angels”, o nível cai um pouquinho novamente. A idéia da letra é muito bacana. Fala sobre sua então nova fase de sua vida, a questão da sobriedade (nem é preciso lembrar os inúmeros problemas que esse cara teve com o álcool no passado). O coro com as crianças é uma sacada legal, mas não consegue repetir o impacto de “Great Expectations”. Na sequência, temos “Sister”, uma faixa que seus fãs esperavam pelo lançamento há anos, até então. Ace chegou a tocar esse som em vários shows solo nos anos 90 e a demo dela circulava em vários bootlegs. Facilmente, uma das melhores canções de sua carreira solo. Um acerto tirar esse som do seu velho arquivo. “It´s a Great Life” tem um verso apagado, mas o refrão é bem legal. E encerrando o playlist tradicional temos “Fractured Quantum”. Uma nova sequência para o clássico “Fractured Mirror”. Não supera a original de 78, mas ainda assim é um numero interessante.

Na época de seu lançamento, Ace lançou esse disco em vinil e CD. O CD foi vendido na versão standard e deluxe que trazia uma nova arte, onde você poderia montar o encarte na forma de uma pirâmide. A arte de agora é um digipak simples, onde foram acrescentadas 3 faixas adicionais. “The Return Of Space Bear” já é manjada entre os fãs. Ela era um bônus da versão digital. A curiosidade é que essa é a primeira vez que lançam ela no formato físico. O creme daqui são as demos.

“Pain In The Neck” reaparece em uma versão mais cadenciada, mas a mais bacana de todas é a polêmica “Hard For Me”. Essa é uma canção que Ace escreveu junto com Sebastian Bach (Skid Row) na época do Psycho Circus e acabou ficando fora do disco. Na verdade, eles recriaram uma composição de Ace com Marty Sanders, de 1985. A ideia era manter a letra criada junto com Sebastian, mas o músico teve que altera-la à contragosto, por conta dos dirigentes da gravadora que a consideravam muito forte. A letra gira em torno de sexo e acabou sendo retrabalhada para o álbum e se transformando em “Foxy & Free”. O próprio Ace já disse que prefere a versão original do que a que entrou no disco. Portanto, essa é a hora de matar sua curiosidade. Além disso, o encarte traz o músico comentando um pouco as canções do CD, o que sempre acaba sendo divertido. Ou seja, quem não morre de amores pelo músico e já tem a edição de 2009, está tudo ok. Mas para quem é muito fã de Ace, esse CD acaba sendo um complemento bacana. E quem não pegou na época, bem… Essa é a hora de corrigir o erro.

Faixas:

  • Foxy & Free
  • Outter Space
  • Pain In The Neck
  • Fox On The Run
  • Genghis Khan
  • Too Many Faces
  • Change The World
  • Space Bear (Extended)
  • A Little Below The Angels
  • SIster
  • It´s a Great Life
  • Fractured Quantum
  • Hard For Me
  • Pain In The Neck (Slower Version)
  • The Return Of Space Bear

2 comentários

  1. Tiago Bittencourt França

    Excelente álbum. Tenho a versão de 2009. Lembro que aguardei ansiosamente pelo lançamento e superou todas as minhas expectativas. Inclusive prefiro este ao Space Invader.

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    • Davi Pascale

      Também tenho a edição de 2009. Esse disco é muito legal mesmo.

      Responder

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