Por Adrian Dragassakis

Um dos maiores ícones do doom/gothic metal é também um dos maiores “camaleões” em se tratando de estilo musical. Formado em 1988, o inglês Paradise Lost iniciou sua carreira com suas primeiras demos e seu debut, Lost Paradise (1990), com canções pesadas, afinações baixas, escalas e riffs inspirados em temas de filmes de horror, com vocais guturais. Muitos dizem que a banda foi precursora do chamado gothic metal, gênero que ficou mais explícito no seu segundo álbum, Gothic (1991), misturando temas pesados com letras poéticas e vocais femininos.

Lee Morris (bateria), Gregor Mackintosh (guitarra e teclados), Nick Holmes (vocais), Aaron Aedy (guitarra) , Stephen Edmondson (baixo)

Dando um breve salto no tempo, para o ano de 2001, ouvir o álbum Believe in Nothing, em seguida de Lost Paradise ou Gothic, para quem não conhece a banda, pode até nos fazer pensar que são outros os integrantes, outro vocalista… O curioso, porém, é que apesar de toda essa mudança musical, a única alteração no line-up foi a do baterista. Os demais sempre foram os mesmos. Toda essa mudança deve-se às mentes criativas do grupo, o guitarrista Greg Mackintosh e o vocalista Nick Holmes, que tomam a frente nas composições.

Diferente dos álbuns clássicos, nos quais se destacavam o doom/death metal, Believe in Nothing segue os passos de seu antecessor, Host (1999), que é um álbum diferente, acentuando batidas eletrônicas, vocais limpos, letras depressivas… Calma, não é o Radiohead!

O mesmo exemplo aconteceu naturalmente com a banda Anathema, também precursora do doom/death metal, que, com o passar do tempo, começou a utilizar elementos mais comerciais, mudando seu estilo. O resultado foi extremamente positivo (como a obra de arte Alternative 4, de 1998), apesar de muitos discordarem, com o devido respeito às opiniões.

Believe in Nothing abre com a excelente “I Am Nothing”, que apresenta uma grande composição melódica, porém simples e de fácil audição. A característica melancólica das letras continua sendo marca registrada. “Mouth”, primeiro single, tem um refrão pegajoso e um solo de guitarra simples, porém bem criado e executado por Greg. “Fader” talvez tenha mesmo aquele toque de Radiohead, meio “Karma Police” ou afins (fãs atirando pedras em 3,2,1…), mas também é uma das melhores do álbum. Ambas ganharam videoclipes.

Mackintosh e Holmes: os principais compositores da banda

Nem só de melancolia vive o Paradise Lost. “Look at Me Now” tem um clima interessante e diferente, sendo uma canção mais animada. É também uma característica da banda, colocar canções menos densas em alguns álbuns, como “Soul Corageous”, no excelente One Second (1998).

Dentre as faixas seguintes, podemos destacar “Something Real”, “Divided” e “Never Again”, esta última uma das melhores do “lado B” do álbum, que fecha muito bem com “World Pretending”. Em algumas edições, o encerramento dá-se com a faixa bônus “Sway”.

Believe in Nothing é um trabalho que os próprios integrantes da banda podem ignorar, por achar abaixo da média e ter sido criado em uma época difícil, pessoalmente falando, para os compositores, segundo algumas entrevistas. Para alguns fãs como eu, contudo, é indispensável.

Tracklist:

  1. I Am Nothing
  2. Mouth
  3. Fader
  4. Look at Me Now
  5. Illumination
  6. Something Real
  7. Divided
  8. Sell It to the World
  9. Never Again
  10. Control
  11. No Reason
  12. World Pretending

5 comentários

  1. André Kaminski

    Eu já ouvi falar de um pessoal que desgosta desse álbum e do anterior. Embora o Anathema tenha ficado bom mesmo depois de deixar o peso de lado, o Paradise Lost ainda é muito superior nessa linha gothic/doom.

    Eu gosto mesmo é do Draconian Times. Esse eu não cheguei a ouvir justamente pelas resenhas da época serem negativas. Mas eu gosto do também do posterior Symbol of Life que, aparentemente, foi bem melhor recebido do que este. No mais, bem vindo ao time, Adrian!

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  2. Igor Maxwel

    Vamos ver se nas próximas edições do “Discos que parece que só eu Gosto” alguém vai resenhar o “Captain Fantastic” do Elton John, que é uma sugestão minha para as próximas matérias deste quadro.

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      • Igor Maxwel

        Boa Marcel! Eu gosto bastante do Elton John e até acho esse álbum que eu citei um trabalho interessante, mas o problema é que o Captain Fantastic não tem tantas músicas conhecidas como o caso de Goodbye Yellow Brick Road, obra-prima de 1973. Só tem apenas um hit (“Someone Saved my Life Tonight”), e acho que este álbum como um todo deveria ser mais valorizado tanto pelo próprio artista quanto pelos seus muitos fãs espalhados pelo mundo. Daí a minha ideia de sugerir este disco para o quadro “Discos que Parece que Só eu Gosto”.

  3. Fernando Bueno

    De uns meses para cá tenho ouvido muita coisa do Paradise Lost que passou batido por mim na época dos lançamentos. Esse é um desses. Hoje, por coincidência, estou ouvindo o One Second que também é diferente dos discos mais clássicos da banda.

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