Entrevista Exclusiva: Dustin Hill (Black Pussy)

17 de outubro, 2017 | por Mairon
Entrevistas
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Por Mairon Machado

Versão em português

Uma das grandes bandas da atualidade no cenário americano, e que aos poucos vem sendo citada como referência de boa música no mundo inteiro, é o grupo de Portland, Oregon, Black Pussy. O grupo lançou seu terceiro full lenght no mês de maio, e esteve excursionando pelos Estados Unidos nos últimos meses. Durante a excursão, o vocalista e guitarrista Dustin Hill nos concedeu essa entrevista, na qual comenta sobre o atual momento da banda, algumas polêmicas que o nome Black Pussy causou no sempre conservador país da América do Norte, e muito mais. Confira.


1. Consultoria do Rock: Olá Dustin, obrigado por esta entrevista. Gostaria primeiro de falar sobre a promoção do novo disco, Power. Vocês tiveram a agenda cheia nos últimos meses, com shows em todo o Estados Unidos. Como tem sido a receptividade de seus fãs com as novas canções?

Dustin Hill: Sim, a turnê tem sido lotada, para promover o Power, e isto é um dos motivos que demoramos para responder. Tem sido uma psicodelia em nossa nave-espacial. Então, os fãs realmente estão descobrindo os novos sons. Eu realmente não poderia pedir uma recepção melhor.

2. Quais foram os principais momentos do processo de gravação de Power que você pode nos contar?

A gravação de foi realmente compatível. Eu coloquei muito mais tempo na pré-produção desta vez, o que permitiu-me concentrar nas afinações versus partes no estúdio, e exercer um pouco o papel de produtor. Algumas das principais coisas para este registro foram apenas testar todos os diferentes tipos de instrumentos e misturar ideias.

3. Temos dois grandes vídeos do novo álbum: “Slice of Paradise” e “Home Sweet Home“. Conte-nos sobre a história destes vídeos, e por que essas canções foram as escolhidas para terem os vídeos promocionais.

Temos agora um vídeo fresquinho para “Parasols”. Estamos super animados com ele, já que apresenta Nathan Barnatt (n. r. ator e dançarino). Quanto aos dois primeiros lançamentos, aquelas eram as canções que tínhamos acabado de fazer.

4. Vocês estão lançando seu terceiro álbum completo. Conte-nos sobre o sentimento de alcançar esse número – e alguns EPs – hoje em dia, onde a música parece ter perdido seu valor, no sentido de que as pessoas, em geral, não param para ouvi-la. Somente tem a música como fundo para fazer outras coisas.

Sinto-me abençoado por poder escrever tantos discos, ou devo dizer, estou abençoado que os deuses enviaram eles em meu caminho. Somos apenas artistas, então, tentamos não nos preocupar se as pessoas estão ouvindo agora, apenas queremos fazer a arte. Se as pessoas terminam prestando atenção a isto, isto é legal. E se elas não fazendo, isto realmente não importa enquanto estivermos fazendo isso. A vida é curta, faça seu destino.

5. Black Pussy é uma banda que aqui no Brasil, está começando a conquistar seu espaço. Por favor, conte-nos sobre os primeiros dias do grupo.

Bem, lá no início era apenas eu com uma ideia. Fui sortudo o suficiente para encontrar um grupo que queria ser parte da luta. Realmente, nós mantínhamos a mesma ideia naquela época, e é o que tentamos fazer, a melhor arte que pudermos, e excursionar tanto quanto possível.

6. Em nosso país, tivemos algumas informações, pela internet, sobre alguns problemas da Black Pussy, relacionados com o nome do grupo. Isto é verdade?

Sim, existe um pouco de controvérsia. Isto pare ser uma forma do mundo no momento, ou talvez seja como o é o rock ‘n’ roll. De qualquer forma, não estamos importando com este tipo de gente, eles não pertencem ao rock n’ roll.

7. Acredito que vocês tomaram a atitude correta em manter o nome. Com tantos absurdos acontecendo no mundo hoje em dia, as pessoas se preocuparem com algo tão fútil quanto isto é estúpido. Parabéns! Porém, se possível, gostaria honestamente de ouvir uma opinião sobre o polêmico texto de Kristy Love, feito dois anos atrás, criticando fortemente vocês.

Para falar sério tanta bobagem neste artigo, é pura perda de tempo. É só um absurdo para ganhar cliques. Estamos na estrada por cinco anos direto, e temos 5 álbuns sob este nome da banda. É somente sobre música e ter um tempo legal com todo mundo.

O primeiro EP, Galaxies

8. Vamos falar sobre seu primeiro EP, com uma única faixa, “Galaxies”. Uma incrível peça musical com 22 minutos, que nos traz memórias de grandes canções psicódelicas dos anos 70. Como foi a criação desta canção?

On Blonde foi nosso primeiro lançamento. Galaxies era apenas outro projeto de arte que queríamos fazer. Não há regras na arte. Isto surgiu ao mesmo tempo, de forma muito rápida, e foi gravada ao vivo. Fizemos apenas duas tomadas, pegamos a segunda e lançamos ela.

9. Então, “Galaxies” foi gravada ao vivo. Eu a acho uma baita música. Vocês ainda a fazem nos shows?

Nós tocamos ela de vez em quando, quando o público não nos deixa sair do palco. É sempre uma ótima noite quando isto ocorre.

10. Adoro quando o Black Pussy mergulha em caminhos psicodélicos, lembrando bandas clássicas como Hawkwind  ou Blue Oyster Cult, mas fazendo uma mistura inovadora, com algo na linha do Monster Magnet. Quais são as principais influências de vocês?

As bandas que você mencionou são todas influências. Isto é desafiadoramente uma mistura de gêneros que nós fazemos, mas sempre mantemos uma ideia da psicodelia do final dos anos 60 no ingrediente. Syd Barrett é uma enorme influência para mim, o gancho entre o pop e o psicodélico.

11. On Blonde e Magic Mustache, os dois primeiros full length, trazem lembranças do grunge do rock alternativo, muito diferente de  “Galaxies”. Por que vocês decidiram mudar o som da banda?

Com este projeto, uma das principais coisas é que não há regra. Fazemos o que sentimos naquele momento, e colocamos isto para fora.

A bela versão em roxo transparente de Power

12. Os EPs Galaxies e Where the Eagle Flies foram lançados em vinil, sendo o último em uma belíssima versão vermelha. On Blonde foi lançado em um incrível vinil transparente, e Power foi lançado uma versão em vinil roxo transparente muito embasbacante. Por que vocês escolheram fazer estes lançamentos?

Amamos arte e queríamos dar as pessoas algo especial e limitado. Todos os nossos lançamentos são limitados, e quando eles esgotam, esgotam para sempre. Então, fazemos uma nova cor para a próxima prensagem. É uma forma de você saber que realmente tem a primeira edição. A primeira tiragem de On Blonde era um vinil preto de 180 gram as, e a versão clara é a segunda tiragem, limitada a 1000 peças com uma diferente cor na capa também. É sempre somente arte para nós.

A versão transparente de On Blonde

13. Qual a sua opinião sobre o espalhamento de sons pela internet, seja através de torrents ou blogs de download?

Pegue isto! Se as pessoas estão ouvindo, isto realmente não importa como.

14. Vocês tiveram a oportunidade de tocar na Europa recentemente. Como foi a experiência?

Sim, acabamos de fazer uma turnê europeia. Tocamos no Desert Fest London e Berlin. Foi incrível. Nada de negativa para dizer sobre isto. Estou louco para voltar.

15. E sobre o Brasil, o que você conhece de nossa música?

Conheço algumas bandas de metal muito bem, e já estive no samba da Toca do Coelho. Mas sei que existe muito a conhecer. Eu adoraria excursionar por aí, ou passar algumas semanas para poder absorver algo.

16. Quais os próximos passos para a carreira do Black Pussy, e qual é o grande sonho, como músicos, de todos os membros do grupo?

Sempre o mesmo para nós: escrever, gravar e excursionar. Estamos vivendo o sonho completamente. O grande sonho é uma turnê mundial.

17. Por favor, envie uma mensagem para seus fãs aqui no Brasil, e novamente, obrigado por sua atenção.

É muito legal termos fãs no Brasil, o que significa que precisamos fazer uma turnê por aí e fazer a festa. Apreciamos toda a força que dirigem para nós permanecermos com o verdadeiro rock ‘n’ roll, não importa de qual forma. Espero vê-los em breve


English version

One of the great bands of the present time in the American scene, and that little by little has been cited as reference of good music in the whole world, is the group of Portland, Oregon, Black Pussy. The group released its third full lenght in May, and has been touring the United States for the past several months. During the tour, vocalist and guitarist Dustin Hill gave us this interview, commenting on the current moment of the band, some controversies that the name Black Pussy caused in the ever conservative country of North America, and more. Check it.


1. Hello Dustin, thank for this interview. I wish first to talk about the promotion of the new album, Power. You have a busy schedule in last months, with shows in all USA. How have been the receptivity of your fans to the new songs?

Yeah the tour has been super busy in support of the Power album hence why it’s taken awhile to write this interview. It gets psychedelic out here in the spaceship. So far the fans have been really digging the new tunes. I really couldn’t ask for a better reception.

2. How were the main moments of the Power record process that you can talk to us?

The tracking of Power went really smooth compatibly. I put a lot more time into pre-production this go around to be able to focus on tones vs parts in the studio which enabled me to take more of a producer roll. Some of main things for this record were just testing all different kinds of instruments and mix ideas.

3. We have two great videos from the new album: “Slice of Paradise” and “Home Sweet Home”. Tell us about the history of these videos, and why do you choose these songs to make a promotional video-clips.

We have a brand new video for Parasols right now; Which we’re super stoked on featuring Nathan Barnatt. As for the first two releases those are songs we were just stoked on getting out.

4. You are in the third full lenght. Tell us about the feeling of reach it – and some EPs – in this time, where music seems to be lost its value, in the sense that mostly of people, in general, don’t stop to listen it. Only have music as a background to do other things.

I feel blessed that I’ve been able to write this many albums or should I say I’m blessed that the gods send them my way. We’re just artist so we try not to be concerned if people are listening now, we just want to make the art. If people end up caring about it cool; and if they don’t, it really doesn’t matter as long as we’re doing it. Life is short do thy destiny.

5. Black Pussy is a band that here, in Brazil, is beginning to conquer its space. Please, tell us about the first days of band.

Well in the early days it was just me with an idea. I’ve been lucky enough to find a team that wants to be apart of the struggle. Really we’ve held to the same idea the whole time and that is to try and make the best art we can; and tour as much as possible.

6. In our country, we had some information, by internet, about Black Pussy’s troubles, because of the name of the band. Is it truth?

Yeah there has been a little controversy. It just seems to be the way of the world at the moment or maybe it’s always been like this in rock n’ roll. Either way we’re not caving to these people, they don’t belong in rock n’ roll.

7. I believe that you have been took the correct attitude in keeping the name. With so many absurdities happening in the world today, people worrying about something as futile as that is stupid. Congratulations! However, if is possible, I wish would honestly like to hear from you an opinion about the polemical Kristy Love text, made two years ago criticizing strongly the band 

To get to deep into her bullshit article is a waste of time. It’s all click bait nonsense. We’ve been on the road for 5 years straight and have 5 albums out under this band name. It’s only about the music and having a good time with everybody.

The First EP, Galaxies

8. Let’s talk about your first EP, with an only song, “Galaxies”. An incredible musical piece with 22 minutes, that brings memories of great psychedelic songs from the seventies. How was the creation of this song?

On Blonde was the first release. Galaxies was just another art project we wanted to do, there are no rules in art. It came together pretty quick and was recorded live. We only did 2 take and kept the second and pressed it.

9. So, “Galaxies” was caught in the act. I think that it is a great song. Do you still made it live?

We play it live every once in awhile when people won’t let us get off stage. It’s always a great night when it happens.

10. I like so much when Black Pussy dives in psychedelic ways, remembering classical bands like Hawkwind or Blue Oyster Cult, but making and innovative mix, with something like Monster Magnet. Which are the main influences of Black Pussy’s musicians?

The bands you mentioned are all influences. It’s defiantly a mixing of genres we do, but always keeping a hint of that late 60’s psychedelic in the ingredients. Syd Barrett is a huge influence for me, the pop hooks with the psychedelic.

The Red version of Where The Eagle Flies‘ EP

11. On Blonde and Magic Mustache, the two first full length, bring memories from grunge and alternative rock, very different that “Galaxies”. Why you decide to change the sounds of the band?

With this project one of the main things is there are no rule. We do what we feel at the moment and put it out.

12. The Eps “Galaxies” and the “Where the Eagle Flies” were released as vinyl, since that the last one is a beautiful red version. On Blonde was released in an awesome clear vinyl, and Power is being released in a CLEAR PURPLE VINYL version very dizzying. Why do you choose to do these releases?

We love art and we want to give people something special and limited. All our color releases are limited runs and when they are gone, they are gone forever. Then we do a new color for the next pressing. It’s a way of truly knowing you have a first edition. On Blondes first run was 180 gram black vinyl and the clear is the second run limited to a 1000 with a different color cover as well. It’s always about the art for us.

13. What is your opinion about the spreading of songs by internet, either through torrents or through download’s blogs?

Take it! If people are listening, I really don’t care how.

The Red Orange Version of Magic Mustache

14. Do you have some opportunity to play in Europe? In a positive case, how was the experience? In negative case, is there some expectations to do it?

We just did a euro tour. We played Desert Fest London and Berlin. It was awesome. Nothing negative to say about it. Can’t wait to head back.

15. And about Brazil, what do you know from our music?

I know some of the metal bands quite well and have been down the samba rabbit hole. But I know there’s a lot I’m missing. I’d love to tour down there or just come hang for a couple of weeks to soak some up.

16. What is the next steps from Black Pussy’s career, and what is the great dream, as musicians, of all members band?

Always the same for us, writing, recording and touring. We are living the dream fully. The great dream is to tour the world.

17. Please, send a message to your fans here in Brazil, and again, thank you for your attention

It’s pretty sweet we have fans in Brazil, which means we need to get a tour going down there so we can party. We appreciate all the support which drives us to stay true to rock n’ roll no matter what. Hope to hang soon.



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