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Por Christiano Almeida

Talk Talk

O Talk Talk foi formado na Inglaterra, em 1981, pelo compositor e vocalista Mark Hollis, após ele ter deixado o “The Reaction”, banda que manteve com seu irmão Ed Hollis. Juntamente com Lee Harris (bateria), Paul Webb (baixo) e Simon Brenner (teclado), produziram algumas demos, até conseguirem um contrato com a EMI, gravadora que tinha em seu cast o Duran Duran, com quem o Talk Talk chegou a ser comparado no início da carreira.

Seu primeiro disco foi The Party’s Over (1982) que apresentou uma sonoridade muito próxima do New Romantic e do Synthpop, assim como o Duran Duran, tornando as comparações inevitáveis. Embora se enquadrasse perfeitamente nesse estilo, o grupo de Mark Hollis trazia um som um pouco mais sombrio e maduro que seus companheiros da época.

Para o seu segundo lançamento, It’s My Life (1984), contaram com a ajuda do produtor e multi-instrumentista Tim Friese-Greene (que já havia colaborado com o Mandalaband, um grupo progressivo da década de 70), que passou a atuar como colaborador da banda, ocupando o lugar deixado pelo tecladista Simon Brenner. Neste disco, abandonaram os traços New Wave do disco anterior, apostando em climas um pouco mais soturnos e experimentais. It’s My Life foi o maior sucesso comercial do Talk Talk, impulsionado pela música tema, que até hoje é executada em rádios de todo o mundo.

Em 1986 foi lançado seu terceiro álbum, The Colour of Spring, uma evolução do que fizeram em It’s My Life, mostrando uma banda que fazia um som cada vez mais difícil de rotular, com arranjos sofisticados, experimentações e utilização de diferentes texturas e instrumentos musicais. Nesse disco, contaram com a participação de Steve Winwood (Traffic, Blind Faith, etc), que tocou órgão em algumas faixas.

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O Talk Talk trilhou um caminho pouco usual, se comparado com a maioria dos grupos de sucesso: no início de sua carreira, tinha claras influências de música pop radiofônica. Com o tempo, foi se tornando uma criatura cada vez mais estranha e peculiar, eliminando os elementos de fácil assimilação de sua música, e investindo em experimentações e em novas estéticas. Tal tendência atingiria seu auge com o lançamento do seu quarto álbum – Spirit of Eden – em 1988. Após 14 meses em estúdio, e a recusa de lançar algum single, o disco chegou às lojas e mostrou uma banda completamente diferente, apostando em arranjos etéreos e refinados, experimentando o silencio com a alternância de climas estranhos e claustrofóbicos. Foi um sucesso de crítica, mas o público não compreendeu a proposta, ocasionando um fracasso comercial, o que desagradou os representantes da EMI, que investiram muito dinheiro e não tiveram o retorno esperado.

Como consequência, romperam com a gravadora e assinaram um contrato com a Polydor, lançando o que viria a ser seu último disco – Laughing Stock – em 1991. O baixista Paul Webb deixou o grupo, que passou ao contar com o auxílio de vários músicos de estúdio. As experimentações do disco anterior foram radicalizadas, gerando um disco contemplativo, pouco convencional e de difícil assimilação. Esse foi o último álbum do Talk Talk, que encerrou as atividades 1992, mas deixou um belo legado para a história da música.

Discografia: The Party’s Over (1982); It’s My Life (1984); The Colour of Spring (1986); Spirit of Eden (1988); Laughing Stock (1991).

tt3Disco Recomendado: It’s My Life – Esse é o disco que contém o maior sucesso do Talk Talk – “It’s My Life”- , mas conta também com grandes músicas, como “Renee”, “Call In The Night Boys”, e “Dum Dum Girl”. Foi nesse álbum que a banda conseguiu fundir toda a sua criatividade com a sonoridade Pop, que seria abandonada aos poucos em seus futuros lançamentos. A atmosfera meio sombria, característica de alguns grupos dos anos 80 (época de guerra fria) é um elemento marcante em todo o disco. Mesmo assim, a melancolia foi perfeitamente alinhada aos elementos típicos do Synthpop oitentista, como baterias eletrônicas e teclados cheios de efeitos. Engana-se quem associa o Talk Talk somente ao seu grande hit – “It’s My Life”, talvez a música mais convencional do disco. Esse álbum foi bem recebido tanto pela crítica, quanto pelo público, colocando o nome do grupo entre os medalhões do Synthpop oitentista.

Vale a pena conferir: Asides Besides, coletânea constituída de raridades e versões estendidas e remixadas de alguns clássicos da carreira do grupo até 1988.

17 comentários

  1. Eudes Baima

    Estes discos do Talk Talk emulando o Duran Duran são, ao meu ver, destituídos de interesse. Agora os discos a partir de The Colour of Spring (Spirit of Eden é um deleite!)são maravilhosos…uma cornucópia de sonoridades, a serviço de belas melodias e da atmosfera de sons rarefeitos e marcantes. Se o espírito não me engana, coloquei estes dois discos nas listas de melhores de 86 e 88…mas ninguém me ouve.

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    • maironmachado

      Spirit of Eden chega a ser um progressivo melhor que Jethro Tull, King Crimson e Genesis (nos anos 80, claro). Bela matéria Christiano

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      • António Marcos

        Discordo. Invisível touch é um clássico do Genesis.

      • maironmachado

        Adoro Invisible Touch, com certeza um clássico. Mas Abacab e We Can’t Dance são bem inferiores ao Spirit of Eden

      • Alisson Caetano

        Discordo²: Beat e Three of a Perfect Pair são ótimos discos.

      • Marco Gaspari

        Crimson, Tull e Genesis nos anos 80 foram nota 6. Esse Spirit of Eden é muito legal, mas ficar fazendo comparações só depõe contra. O que deve ser enaltecido aqui é a iniciativa de se escrever sobre synth-pop. Parabéns aos envolvidos.

      • maironmachado

        Da fase beat do KC, aturo somente a faixa título do disco amarelo. Os demais são interessantes, mas não melhores que o Spirit of Eden

      • Christiano

        Mas eu concordo muito contigo. Spirit of Eden é bem melhor que os discos de vários medalhões que gravaram nessa época. Aliás, acho que o Talk Talk adotou uma postura essencialmente progressiva, no sentido de propor novos caminhos para a música pop daquele tempo.

      • António Marcos

        Como diria o filósofo Gessinger: o Talk Talk ousou ousar

  2. Eudes Baima

    Sou fãzaço da fase atmosférica do TT, e me amarro no KC de Adrian Below. Não vejo sentido em comparações.

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  3. António Marcos

    A melhor banda com climas, ambiências e quetais é o Cocteau Twins

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    • Eudes Baima

      A então novidadeira Bizz falava tanto desta banda que comprei Heaven or Las Vegas (ou algo assim), já no crepúsculo do LP. Mas achei chato pra dedeu.

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      • Christiano

        Do Cocteau Twins eu indico o Blue Bell Knoll e o Treasure. Acho uma das melhores bandas da época.

      • António Marcos

        Não é nenhuma novidade. O rock inglês indie não é de seu agrado, apesar de grandes bandas como Jesus & Mary Chain, The Echo and Bunnymen, The Smiths e The Stone Roses

      • Eudes Baima

        Posso até não gostar, mas dei chance (e muitos cruzados) a quase todas. Outra que a descrição não batia com o som era o Aztec Camera.

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