Por Mairon Machado

A manhã de hoje amanheceu mais triste no mundo da música. Nada mais nada menos do que um dos maiores gênios que a humanidade viu e ouviu no século passado, e ainda conseguiu apreciar um pouco de sua obra nesse século, nos deixou: Ravi Shankar.

Nascido Robidro Shaunkor Chowdhury, na cidade de Varanasi (Índia), Shankar surgiu para o mundo ocidental em meados da década de 60, conquistando uma legião de fãs tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. O Sitarista inseriu o instrumento (Sitar) no mundo do rock, e acabou influenciando grupos como The Beatles, Rolling Stones, Yardbirds, Led Zeppelin, Faces, The Who e muitos outros.

O menino Shankar começou a aprender música com cinco anos, através das aulas de violino dadas por seu pai, o violinista V. Lakshinarayana. Com quinze anos, deixou sua cidade Natal, mudando-se para a França, aonde foi fazer o papel de dançarino na companhia de dança de seu irmão, Udar Shaunkor. Chegando na Europa, começou seus estudos de Sitar, e não demorou para compor os primeiros ragas, apresentados em excursões pela Europa e Estados Unidos.

Durante uma apresentação na Inglaterra, em 1965, Shankar foi apresentado a George Harrison. O Beatle era fã de Shankar, mas a apresentação do músico acabou alimentando uma chama experimental em Harrison que pariu “Norwegian Wood” (gravada em Rubber Soul, 1965) e também apresentou-o visualmente no filme Help! (1965). O primeiro grupo a usar a Sitar na verdade foi o Yardbirds de Jeff Beck, na clássica “Heart Full of Soul”, e dali, o instrumento não parou de aparecer nos álbuns de centenas de bandas de rock, jazz, blues e até pop.

George Harrison e Ravi Shankar

A parceria com Harrison foi levada durante muitos anos. No famoso Concerto for Bangladesh (1973), Shankar foi a atração principal, e lá, fez questão de não receber nenhum honorário, apesar da insistência de Harrison em pagá-lo. Paciente e tranquilo, era convidado certo para a maioria das grandes salas norte-americanas, francesas, inglesas e demais países da Europa, difundindo a música oriental e misturando a mesma com a ocidental, como comprovam os belos álbun West Meet East Vol. 1 (1996), e West Meet East Vol. 2 (1967), ambos com o violinista Yehudi Menuhin. 

Ravi Shankar em Monterey

Mas Shankar não foi só importante por causa disso. Seu carisma, simpatia e sabedoria, faziam dele um guru para os demais músicos que o acompanhavam e o seguiam. Durante os festivais de Monterey (1967) e Woodstock (1969), Shankar foi o único músico a ser dado um cachê, principalmente pela importância dele na presença de outros artistas.

Seus ragas de longa duração são verdadeiras viagens dentro da mente humana, meditativos, atraentes, inspiradores de energia e sabedoria. Ouvir os discos de Shankar – que gravou no total mais de sessenta álbuns – é uma aula de sabedoria, música e paz.

Shankar faleceu vítima de uma operação cardíaca, sem conseguir recuperar-se da mesma. Deixou como herança, além de sua música, um carisma inigualável. Fora sua filha, a cantora Norah Jones, a qual estaria apresentando-se hoje em Porto Alegre, e fazendo turnê pelo país, mas que cancelou tudo devido à morte do pai.

Mais um gênio que se vai …
Norah revela-se ano após ano com um talento muito grande, que se não chega aos pés de seu pai, é por que seu pai foi um gigante no mundo em que viveu.

3 comentários

  1. Gilberto Franco

    Shankar é um exemplo do músico, que atravessou um século e ficou conhecido no munndo ocidental por sua participaçõa em festivais como Monterrey Pop, onde apresentou as belas e nirvanicas ragas hinuds, em movimentoe musicais com divisões diferentes dos padrões ocidentais. Talvez o George Harrison tenha sido o músico que mais beneficiou-se com o sitar de Shankar, chegando a participar de discos de Shankar como Family Friends, nos anos 70. Mais do que ter influenciado uma geração roqueira, Shankar mostrou ao mundo à direção da musica classica hindu, bem como a improvisição de notas sobre a sólida batida da tabla. Como foi também dançarino, deixou obras para dança e um legado musical bastante vasto, para ainda ser descoberto pelo mundo ocdental ! Anoushka Shankar, sua filha segue os passos do Pai, já reconhecida no mundo da música, bem como sua filha mais nova Norah Jones, com sua voz suave e belas melodias.

    Responder
  2. Groucho KCarão

    Grande Ravi. Recentemente baixei um disco de um outro músico indiano que começou a gravar na merma época que ele, mas por enquanto Ravi Shankar é uma das poucas coisas que conheço de música indiana, e ainda conheço mal. Só complementando o que foi dito no início, é importante lembrar que o primeiro raga rock – segundo minhas fuleiras pesquisas – noticiado foi a canção "See My Friends", dos Kinks. Embora não utilize o sitar, ela tenta fundir o rock inglês da época com a inspiração indiana. E a banda que talvez mais se tenha notabilizado por criar essa atmosfera tenham sido os Byrds. Quanto ao Shankar, li naquele livro alemão que o Gaspari resenhou por aqui que o músico detestava boa parte de seu público rockeiro, pois enquanto se tentava passar música e espiritualidade lá em cima só se queria saber de viagens no ácido lá embaixo. Quero comentar ainda algo estranho: existe um grande violinista indiano chamado Lakshinarayana Shankar, mas com certeza ele não é pai do Ravi, pois é mais novo! Coincidência, né? Enfim, descanse em paz, Ravi, ao som do seu próprio sitar.

    Responder

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.