Clássicos da Harvest: Barclay James Harvest – Once Again [1971]

24 de outubro, 2012 | por Mairon
Diversos
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Por Jose Leonardo Aronna
A ideia de que a Harvest vem do nome desses entusiastas do rock sinfônico oriundos de Saddleworth, West Riding of Yorkshire (algumas fontes citam Oldham, Lancashire, para sanar a dúvida, só perguntando para eles!) é parte verdadeira. De fato, foi o criador do selo, Malcolm Jones que os batizou e o grupo gostou muito da coincidência! Infelizmente, a banda permanece quase praticamente desconhecida pela maioria dos fãs de rock progressivo. Essa falta de reconhecimento é quase total nos Estados Unidos, e até no Reino Unido o reconhecimento não é o que deveria ser. 
Barclay James Harvest tem uma longa e distinta carreira e ainda excursionam embora em duas diferentes formações. O grupo, formado por John Lees (guitarra), Les Holroyd (baixo), Stuart “Wooly” Wolstenholme (teclados) e Mel Pritchard (bateria), começou sua carreira na Parlophone, há mais de 40 anos atrás, antes de serem transferidos para nova subsidiária, onde lançaram quatro álbuns e sete singles. Nunca foram dos artistas mais colecionáveis do selo, talvez porque grande parte de seu catálogo sempre esteve disponível por muitos anos, mas o disco a ser analisado aqui é o seu melhor trabalho na Harvest. 
Após o compacto de estreia, “Early Morning / Mr. Sunshine”, lançado em 1968 pela Parlophone, a banda, com o apoio do DJ John Peel (sempre ele! Esse cara merece um tópico!), gravou algumas sessões de rádio que levaram a EMI contratá-los como um dos primeiros grupos para a Harvest. No ano seguinte, em junho de 1969, eles lançaram seu segundo 45’s: “Brother Thrush / Poor Wages” e começam a gravar seu primeiro LP, Barclay James Harvest, que é lançado no ano seguinte. 

O álbum é uma boa estreia, mas musicalmente não é muito representativa para a banda, com seu som mais voltado para o rock psicodélico com algumas tendências sinfônicas e progressivas. Aliás, a mais recente versão em cd dele tem como bônus as faixas lançadas em compacto, bem como a sessões para a BBC mencionadas acima. 

Mel Pritchard, John Lees, Stuart Wolstenholme e Les Holroyd
No ano seguinte, mas precisamente em fevereiro, vem à luz seu segundo LP, Once Again. Continuando a colaboração com o produtor Norman Smith nos estúdios Abbey Road, nesse álbum o grupo começa a estender seus limites musicais, fundindo folk, rock e clássico (desta vez com menos apoio da Orquestra Sinfônica de Londres, como aconteceu com o disco anterior). 

Com a participação da The Barclay James Harvest Symphony Orchestra (tendo como líder orquestral Gavin Wright; e condutor e diretor musical Robert Godfrey), o disco abre com a ótima “She Said”, com seus acordes poderosos de guitarra e refrões intensos, antes de introduzir um lindo e melódico solo de flauta doce que leva a um inspirado e belo solo de guitarra de John, com destaque também para o baixo e o mellotron bem à caráter. A próxima faixa, a atmosférica e sinistra “Happy Old World”, possivelmente é a única música que lembre o LP anterior com toques psicodélicos tem belos momentos ao som do órgão. “Song for Dying”, parece ser uma canção anti-bélica, exibe um distinto feeling progressivo, com destaque para a guitarra de John Lees, embora com uma influência prontamente identificável com o ​​Procol Harum e/ou o Moody Blues. O lado 1 se encerra com “Galadriel”, uma brilhante melodia pop sinfônica. 

O lado 1 de Once Again
O lado 2 começa com a linda “Mocking Bird”, uma balada com um vibrante arranjo orquestral de Robert Godfrey (a canção se tornaria um dos clássicos da banda e sempre presente nos seus shows). O lado folk do grupo se mostra presente na sublime balada acústica chamada “Vanessa Simmons” e em “Ball and Chain” a banda mostra que pode soar hard e heavy caso quisesse. A última faixa, “Lady Loves” tem uma sonoridade hippie e a participação do célebre Alan Parsons tocando “jews harp” (não sei como é chamado esse instrumento no Brasil). Vou fazer uma confissão: Para mim esse é um álbum esplêndido – quem nunca ouviu nada da banda, pode comprá-lo sem medo! A versão em cd remasterizado tem um som excelente além de ter algumas faixas bônus. 

A capa gatefold deste Clássico da Harvest
A banda ainda gravaria mais dois discos para o selo, Barclay James Harvest And Other Short Stories (1971) e Baby James Harvest (1972), depois assinariam com a Polydor em 1973, onde lançam outro excelente álbum, Everyone Is Everybody Else (1974), a partir dai, o grupo começou a se destacar no mercado britânico com álbuns como o acima citado e Barclay James Harvest Live (1974), primeiro disco que entrou no Top 40. Depois, a banda teria uma série de álbuns nas paradas e concertos bem recebidos. 
Em 1977 a banda tinha estourado no mercado alemão com o álbum Gone To Earth, que permaneceu no chart germânico por mais de três anos, e gerou a faixa “Hymn”, uma das canções mais populares da banda. A primeira grande mudança no line-up ocorreu em 1979, quando Stuart Wolstenholme, deixou a banda alegando insatisfação musical. Ele não foi substituído, e a banda optou por continuar como um trio aumentada por músicos como Kevin McAlea, Colin Browne e Boshell Bias, como convidados. Assim, a popularidade da banda no Reino Unido diminuiu depois da partida de Wolstenholme, mas a banda teve vários sucessos em outros lugares na Europa, culminando com um grande concerto “free” , em 1982, em Berlim, na qual participaram 175.000 pessoas. 
E assim foi até os anos 90, com vários discos lançados e turnês realizadas, depois disso, o sucesso começou a enfraquecer e os concertos tinham pouco público. Em 1998, o grupo se divide em dois: John Lees se reune com Stuart Wolstenholme na banda Barclay James Harvest Through The Eyes Of John Lees, e Les Holroyd e Mel Pritchard acompanhado por ex-membros do Sad Cafe no grupo Barclay James Harvest featuring Les Holroyd. Infelizmente, Mel Pritchard faleceu em janeiro de 2004, vitimado por um ataque cardíaco e Stuart Wolstenholme cometeu suicídio, em dezembro de 2010. Apesar destas perdas as duas bandas continuam ativas até os dias de hoje.

Capa interna de Once Again
Track list: 
1. She Said
2. Happy Old World
3. Song for Dying
4. Galadriel
5. Mocking Bird
6. Vanessa Simmons
7. Ball And Chain
8. Lady Loves
Faixas bônus no CD lançado em 2002: 
9. Introduction – White Sails (A Seascape) 
10. Too Much On Your Plate 
11. Happy Old World (quadraphonic mix) 
12. Vanessa Simmons (quadraphonic mix) 
13. Ball And Chain (quadraphonic mix) 



2 Comentarios

  1. Assim como o Poco, uma banda sensacional até meados da década de 70, quando se perderam e nunca mais encontraram o rumo. Esse disco em especial é excelente, mas para mim, o melhor de todos os lançados por Lees e cia. foi o primeiro, trazendo a maravilhosa "Dark Now My Sky".

    Valeu Jose Leonardo

  2. Esse é o meu favorito da banda, mas acho que o BJH sofre de um problema crônico que é o som excessivamente arrastado, focado muito em sons lentos e melódicos. É um problema que tb acomete a banda alemã Jane. Pra mim soa meio enjoativo.
    Abraço!
    Ronaldo

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