Cinco discos para conhecer: o que os pré-conceitos o impediram anteriormente

19 de outubro, 2012 | por Van do Halen
Por Igor Miranda (Publicado originalmente no site Van do Halen)
Nossas crenças e convicções, muitas vezes, nos privam de assimilar algo da maneira que seria merecido. Na música essa realidade atinge limites extremos. Até mesmo por influência externa, seja pela crítica de um amigo ou da mídia, acabamos deixando de dar uma chance para nossa própria visão sobre determinadas bandas e discos. Aqui estão cinco exemplos.
Manowar – Battle Hymns [1981]
A verdade é que, digam o que disser sobre pose, visual e discursos inflamados, não há como não reconhecer que o Manowar é uma das bandas mais relevantes da história do Heavy Metal. As pessoas que não compram o produto pela embalagem – os inteligentes, para sermos mais exatos – reconhecem a competência de Eric Adams, um dos maiores vocalistas da cena, assim como as fortes composições de Joey De Maio. Sim, eles exageram na postura e na maioria das vezes acaba como piada mesmo. Mas o que não falta no meio musical é um visual de gosto duvidoso, certo? Independente de qualquer pré-conceito, não há como deixar de reconhecer a importância de Battle Hymns. O debut do quarteto norte-americano – completado pelo guitarrista Ross The Boss e o baterista Donnie Hamzik, que recentemente retornou ao grupo – traz fortes músicas e incorpora novos elementos, que influenciaram as gerações posteriores do gênero. A primeira parte do disco segue uma linha mais tradicional, com pegada roqueira. A música que dá nome à banda funciona como uma espécie de transição para o que vem a seguir, com o quarteto mostrando toda sua capacidade de criar temas épicos e envolventes, alcançando o ápice na faixa-título.
Eric Adams (vocals), Joey De Maio (baixo), Ross The Boss (guitarras, teclados), Donnie Hamzik (bateria)
1. Death Tone
2. Metal Daze
3. Fast Taker
4. Shell Shock
5. Manowar
6. Dark Avenger
7. William’s Tale
8. Battle Hymn
Europe – Wings Of Tomorrow [1984]
Quem conheceu o Europe através de “The Final Countdown” e “Carrie” não possui uma ideia exata do que era a banda em seus primórdios. Seus dois primeiros álbuns traziam um som bem mais voltado ao peso, com passagens totalmente Heavy Metal. Por isso, considero injusto limitar a história do grupo a sua fase mais comercial, até porque com o passar do tempo ela se transformou em mais um dos vários estilos buscados por Joey Tempest e companhia. Vide os trabalhos mais recentes, onde os músicos buscaram mais contato com suas raízes, trazendo-as aos tempos atuais. Sendo assim, a melhor maneira de encarar o grupo é dividindo sua carreira em ciclos – todos com discos altamente recomendáveis, diga-se de passagem. Wings Of Tomorrow é o segundo capítulo desta saga e, pessoalmente falando, meu preferido. Ainda como um quarteto – e tendo Tony Reno na bateria – a banda investe com sucesso na mescla de peso e melodia, realizando um play muito mais bem resolvido em comparação com sua estréia. Ainda sem um tecladista fixo na formação, a posição é ocupada por Tempest, que não tinha a capacidade de criar atmosferas como Mic Michaeli, então se concentrava no básico. Enquanto isso, John Norum já dava amostras de porque se tornaria um dos guitarristas mais respeitados de sua geração, com solos memoráveis.
Joey Tempest (vocals, teclados, guitarras), John Norum (guitarras), John Leven (baixo), Tony Reno (bateria)
1. Stormwind
2. Scream Of Anger
3. Open Your Heart
4. Treated Bad Again
5. Aphasia
6. Wings Of Tomorrow
7. Wasted Time
8. Lyin’ Eyes
9. Dreamer
10. Dance The Night Away
Poison – Native Tongue [1993]
Apesar de C.C. DeVille ser “a cara da banda”, a evolução musical do grupo em Native Tongue é impressionante, fazendo com que o maior dos detratores ao menos reconheça a musicalidade superior desse disco em relação a seus antecessores. Com liberdade para colocar suas influências (até porque, segundo o próprio, ninguém mais fazia nada mesmo), Richie Kotzen deu uma renovada geral na sonoridade, trazendo elementos e instrumentos diferentes de tudo que a banda tinha feito até ali. A base ainda era o Hard Rock, mas bem menos festeiro, com adição de corais gospel, piano, banjo e tudo mais que agregasse. A reação da crítica, de um modo geral, foi até melhor que dos fãs, por motivos óbvios. Mas, com o passar dos anos, o trabalho foi ganhando status de Cult, justamente por trazer um Poison diferente daquele que era tremendamente ridicularizado. Os grandes sucessos foram as fantásticas baladas “Stand” e “Until You Suffer Some”, ambas compostas por Kotzen. A primeira é simplesmente uma das músicas mais lindas que existe, com uma letra tão maravilhosa quanto a melodia. A segunda é daqueles exorcismos amorosos que contam com frases que a gente ao menos um dia na vida quis dizer para alguém. Mas ainda há outras 13 faixas, duas sendo vinhetas, com destaque para a aula de violão em “Richie’s Acoustic Thang”, daquelas coisas de fazer iniciante no instrumento largar de mão. O lado rocker se manifesta magistralmente em “Stay Alive”, “7 Days Over You” e na reta final do play inteira, a partir de “Strike Up the Band”. Antes tem “Theatre of the Soul”, onde Bret chora as mágoas do rompimento com C.C. (a quem o disco é dedicado nos agradecimentos).
Bret Michaels (vocals, guitarras, harmonica), Richie Kotzen (guitarras, mandolim, dobro, piano), Bobby Dall (baixo, teclados), Rikki Rockett (bateria, percussão), 
1. Native Tongue
2. The Scream
3. Stand
4. Stay Alive
5. Until You Suffer Some (Fire and Ice)
6. Body Talk
7. Bring it Home
8. 7 Days Over You
9. Richie’s Acoustic Thang
10. Ain’t That the Truth
11. Theatre of the Soul
12. Strike Up the Band
13. Ride Child Ride
14. Blind Faith
15. Bastard Son of a Thousand Blues
Blaze Bayley – Silicon Messiah [2000]
Blaze Bayley passou por um julgamento sem direito a defesa pelos fãs do Iron Maiden por ter cometido o suposto crime de substituir Bruce Dickinson. Mas se reergueu dignamente em sua carreira solo. Reuniu talentos natos, como a excelente dupla de guitarristas formada por Steve Wray e John Slater e a precisa cozinha de Rob Naylor (baixo) e Jeff Singer (bateria). Para completar o time responsável pela estréia do novo projeto, foi chamado para cuidar dos bastidores ninguém menos que Andy Sneap. O inglês, ex-guitarrista do Sabbat, começava a despontar como grande nome da nova geração de produtores, trabalhando com Nevermore, Arch Enemy e Kreator, entre outros. Silicon Messiah une o típico Heavy Metal tradicional britânico com uma injeção de peso monstruosa, cortesia de Mr. Sneap. Faixas como “Ghost in the Machine” e “Evolution” soam como um sopro de vida na carreira de Blaze, encontrando um estilo que se adaptou perfeitamente a sua voz. Os hinos metálicos “Born As a Stranger”, “The Brave” e “The Launch” são um verdadeiro convite ao bate-cabeça, se destacando. Sons melancólicos, com atmosferas que remetem a The X-Factor também se fazem presentes em “The Hunger” (que solo de guitarra!), “Reach For the Horizon” e a que encerra o tracklist normal, “Stare at the Sun”.
Blaze Bayley (vocals), John Slater (guitarras), Steve Wray (guitarras), Rob Naylor (baixo), Jeff Singer (bateria)
1. Ghost in the Machine
2. Evolution
3. Silicon Messiah
4. Born as a Stranger
5. The Hunger
6. The Brave
7. Identity
8. Reach For the Horizon
9. The Launch
10. Stare at the Sun
Sepultura – Kairos [2011]
O senso comum nos indica que o Sepultura acabou após a saída dos irmãos Cavalera. Compreensível do ponto de vista romântico da situação, já que Max e Iggor responderam não apenas pelas músicas, mas por toda a criação de uma filosofia em torno do nome que conquistou o mundo em um passado não tão distante. Mas o fato é que Kairos, mais recente álbum é o melhor do grupo em muito tempo. A banda soa concisa e entrosada, sem destaques individuais e todos dando o máximo de suas capacidades. Despejando peso e adrenalina, o quarteto reconquista espaço perdido e mostra que ainda é relevante na cena. Cheio de pontos altos, o disco encontra em “Relentless” e “Mask” dois registros dignos de nota, com aquele velho estilo arrasa-quarteirão. Aqueles que já possuem uma birra irreversível com a fase atual do Sepultura continuarão sem aprovar pelo simples fato de ser o grupo sem os irmãos responsáveis por sua criação. Quem conseguir se desprender pode conferir um grande trabalho, na medida certa para empolgar os admiradores. Kairos tem lugar de destaque na discografia da maior banda brasileira de todos os tempos.
Derrick Green (vocals), Andreas Kisser (guitarras), Paulo Jr. (baixo), Jean Dolabella (bateria)
1. Spectrum
2. Kairos
3. Relentless
4. 2011
5. Just One Fix
6. Dialog
7. Mask
8. 1433
9. Seethe
10. Born Strong
11. Embrace the Storm
12. 5772
13. No One Will Stand
14. Structure Violence (Azzes)



4 Comentarios

  1. fernandobueno disse:

    Muito boa seleção do Igor. Realmente algumas coisas são deixadas de lado por alguns por puro preconceito. O disco do Poison é talvez o maior exemplo de todos esses. Acrecentaria na lista o Chinese Democracy do Guns and Roses, que ao meu ver sofre do mesmo tipo de pensamento pela maioria.

  2. fernandobueno disse:

    Lembrei de outro bom exemplo….o Stryper.

  3. Fernando, semana que vem sai a segunda parte. Daí terás outros nomes também bastante reveladores. Essa lista aí é ótima mesmo. Parabéns ao Igor!

  4. Anônimo de volta disse:

    Legal vocês terem incluído um disco do Manowar na sessão das bandas que críticos medíocres como o Régis Jadeu mais odeiam. Antes um Manowar do que um Frank Zappa da vida e suas músicas sonolentas, insossas e ridículas. Ups, esqueci, não era pra falar mal do Zappa aqui. rsrs

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