Por Leonardo Castro
Formado em 1983, na Califórnia, o Dark Angel foi, junto com o Slayer,  uma das bandas norte-americanas que levou o thrash metal aos seus momentos mais extremos, beirando o death metal, sendo assim uma enorme influência para as bandas surgidas dentro deste estilo na década seguinte, principalmente na Flórida. Nos seus nove anos de existência, o grupo gravou quatro álbums, que serão dissecados nesta edição da seção Discografias Comentadas.

We Have Arrived [1984]
Após lançar algumas demos no ano anterior, a formação inicial do Dark Angel, que contava com o vocalista Don Doty, os guitarristas Jim Durkin e Eric Meyer, o baixista Rob Yahn e o baterista Jack Schwartz, entrou em estúdio em 1984 com o produtor Bill Metoyer para registrar seu disco de estreia, modestamente entitulado We Have Arrived. Com uma sonoridade totalmente calcada no Slayer da fase Show No Mercy, o disco apresenta um speed/thrash metal direto, simples e eficiente, ainda que distante do extremismo e da complexidade técnica que a banda apresentaria no futuro. Ainda assim, entusiastas do estilo certamente não terão do que reclamar de músicas como “Welcome to the Slaughterhouse”, incluída na coletânea Metal Massacre VI (1985); “No Tomorrow”, que tem aquela veia NWOBHM que as bandas thrash apresentavam em seus primeiros discos; e “Vendetta”, com seu riff cavalgado e empolgante. Em resumo, We Have Arrived é um bom disco de estreia, que deixou claras as influências das banda, mas que ainda carecia de mais identidade própria.

Darkness Descends [1986]
Após o lançamento de We Have Arrived, o Dark Angel passou por uma mudança de formação que afetaria diretamente a sua sonoridade: a saída do baterista Jack Schwartz e a entrada de Gene Hoglan, muito mais técnico que seu antecessor, e um mestre no uso de dois bumbos. Com essa mudança, o grupo gravou um dos mais extremos álbuns de metal até então, o clássico Darkness Descends. Lançado em 1986, o disco se situava no limite entre o thrash e o death metal, assim como os não menos clássicos Reign in Blood, do Slayer, e Pleasure to Kill, do Kreator, lançados no mesmo ano. Já na abertura, com a faixa-título, é notável o andamento mais acelerado e a maior complexidade e intensidade dos riffs, além da performance vocal insana de Don Doty. A mesma pegada é mantida na música seguinte, “The Burning of Sodom”, e na sensacional “Death Is Certain (Life Is Not)”, na qual o trabalho de bateria de Gene Hoglan é primoroso. Há ainda uma regravação para uma música do disco anterior, “Merciless Death”, em uma versão mais rápida e agressiva. O disco se encerra com duas faixas excelentes, “Black Prophecies”, a única canção do disco com um andamento mais cadenciado, mas dona de riffs sensacionais; e “Perish in Flames”, que não deixa pedra sobre pedra e é uma aula de violência e agressividade. No geral, assim como Reign in Blood, Pleasure to Kill e até mesmo Bonded by Blood (Exodus), Darkness Descends é um item obrigatório para quem aprecia as vertentes mais extremas do thrash metal, e foi um disco importantíssimo para a consolidação de estilos ainda mais pesados e intensos.

Leave Scars [1989]
Se Darkness Descends ficou marcado pela agressividade e extremismo, o lançamento seguinte do Dark Angel, Leave Scars, é mais conhecido por ser um disco de transição, que mescla a pegada mais direta e extrema do disco anterior a riffs complexos e variações de andamento, que se tornariam ainda mais presentes no álbum seguinte, Time Does Not Heal, de 1991. Contudo, em nenhum momento essa mistura representa uma queda de qualidade, e para muitos fãs, Leave Scars é tão bom ou até melhor que seu antecessor e seu sucessor. Apresentando o novo vocalista Ron Rineheart e o baixista Mike Gonzalez, o disco revela faixas estupendas como “The Death of Innocence”, que tem riffs e solos espetaculares; “No One Answers”, que tem uma clássica paradinha thrash metal em sua introdução; e “The Promise of Agony”, mais cadenciada e na linha do que o Slayer fez em South Of Heaven. Mais uma vez, é impossível não elogiar o trabalho de bateria de Gene Hoglan, variado, técnico e irrepreensível. Leave Scars foi relançado recentemente no Brasil pela Shinigami Records, e uma resenha mais detalhada do disco pode ser encontrada aqui.

Time Does Not Heal [1991]
Nove músicas, 67 minutos, 246 riffs! Foi dessa forma que Time Does Not  Heal foi promovido pela Combat Records na época de seu lançamento, em 1991. Acho que ninguém parou para contar e conferir se o número estava certo, mas é impossível negar que este disco seja uma avalanche de riffs thrash metal. O álbum também marcou o único registro em estúdio com o guitarrista Brett Eriksen, que substituiu Jim Durkin em 1990. Com um andamento menos extremo que em seus dois álbuns anteriores, o Dark Angel compôs músicas mais complexas, repletas de mudanças de tempo e variações rítmicas. Tudo isso já fica aparente na primeira faixa, “Time Does Not Heal”, que conta com diversos riffs e um trabalho de bateria fenomenal, além de ótimos solos de guitarra. O vocal de Ron Rineheart também está mais grave e contido, o que casa bem com o instrumental da banda. “Pain’s Invention, Madness” é outro destaque do disco, e tem um ótimo refrão. Vale ressaltar que apesar de todas as músicas terem mais de seis minutos, em nenhum momento a audição do álbum se torna cansativa, visto que músicas como “The New Priesthood”, apesar de longas, prendem o ouvinte o tempo todo. Algumas faixas, como “Sensory Deprivation”, mostram o porquê de Gene ter sido escolhido para entrar no Death, já que combinam totalmente com o estilo adotado pela banda em Individual Thought Patterns, de 1993. O disco se encerra com “A Subtle Induction”, a música mais direta do álbum, que remete ao seu antecessor, Leave Scars. Em resumo, um disco bem diferente do mais conhecido da banda, Darkness Descends, e recomendável mesmo para quem não curte o lado mais extremo do thrash metal.

2 comentários

  1. diogobizotto

    Não sei como é no resto do mundo, mas sinto que aqui no Brasil o respeito ao Dark Angel é um tanto reduzido, fato que considero uma pena. "Darkness Descends" é um dos discos mais importantes na formação daquilo que logo depois viria a ser conhecido como death metal, estabelecendo um novo patamar de extremismo que pouquíssimos estavam conseguindo acompanhar. Além disso, não bastasse ser um dos melhores bateristas que o heavy metal já gerou, Gene Hoglan ainda é um bom letrista, video o fato que a grande maioria das letras de "Leave Scars" e "Time Does Not Heal" são de sua autoria.

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  2. Luiz Diego

    Concordo com o comentário do Diogo. Darkness Descends é um disco seminal tanto para o Thrash quando para o Death Metal. Curto muito o Leave Scars também, pena que a sonoridade do disco parece inferior da que ouvimos em Darkness Descends.

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