Por Micael Machado

A ex-vocalista do Nightwish, Tarja Turunen, se apresentou em Porto Alegre pela sexta vez (segunda com sua banda solo) na última quarta-feira, 04 de abril, em show ocorrido no bar Opinião. Muito aguardado pelos fãs da cantora, que praticamente lotaram o local, a finlandesa mais uma vez conquistou a todos com seu talento, carisma e simpatia.
Mas antes da apresentação de Tarja fomos agraciados com a presença da banda Noctis Notus, que entrou no palco em torno das 21:15 para realizar um interessantíssimo show de abertura. A vocalista Juliana Novo, que chegou a integrar o coral da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, usa com muita qualidade o mesmo tipo de vocal lírico que Tarja ajudou a popularizar no mundo do heavy metal, e o estilo das composições segue naquela linha adotada por bandas como Epica, Lacuna Coil e After Forever, da qual inclusive o quinteto apresentou um cover. Encerrando o seu set de meia hora com um cover de “The Phantom Of The Opera” (dedicado por Juliana à Tarja, à qual se referiu como “nossa Deusa”, e na qual um vocalista convidado participou fazendo os vocais masculinos – e que infelizmente não foi identificado por mim), do musical de mesmo nome e que o Nightwish também gravou, o Noctis Notus conseguiu agradar a todos os presentes e esquentar o ansioso público.
A Noctis Notus em ação
Uma espera de mais meia hora, e a introdução pré-gravada começa a soar no sistema de som do Opinião. Um a um, os músicos foram entrando no palco, sendo aclamados pela plateia. O baterista Mike Terrana (ex-Rage, Yngwie Malmsteen, também Masterplan, Axel Rudi Pell e uma infinidade de outras bandas), o cellista Max Lilja (que já tocou com o Apocalyptica), o tecladista Christian Kretschma, o guitarrista Alex Scholpp e o baixista Kevin Chown (que substituiu Doug Wimbish, do Living Colour, que gravou os dois discos solo da finlandesa) tomaram suas posições enquanto a dona da noite, Tarja, surgia pela lateral do palco para delírio de todos. Abrindo com “Anteroom of Death“, musica que também inicia What Lies Beneath, seu segundo disco em carreira solo (terceiro se considerarmos Henkäys Ikuisuudesta, disco com músicas ligadas ao natal lançado em 2006), a cantora tinha o domínio total da plateia desde o primeiro momento, tendo o público sob seu comando durante toda a apresentação.

Tarja e o primeiro figurino da noite

O set list foi bastante focado no mais recente disco, abrindo poucas exceções para seu primeiro álbum, My Winter Storm, de 2007, e menos ainda para as músicas do Nightwish, do qual Tarja interpretou apenas “Bless The Child” (que abre Century Child, de 2002) e “Over the Hills and Far Away” (cover de Gary Moore que dá nome ao EP lançado em 2001), este já no bis. A cantora ainda apresentou uma música inédita, intitulada “Never Enough”, que deve estar presente em seu próximo álbum. Apesar das canções de sua carreira solo não me agradarem tanto como as de sua antiga banda, o público tinha praticamente todas as letras na ponta da língua, participando efusivamente na maioria das canções, para visível satisfação da finlandesa, que a todo momento agradecia aos seus fãs pelo retorno que lhe davam.

Tarja e o segundo figurino da noite
Aliás, este é outro fato que chama a atenção em Tarja: a cantora tinha tudo para ser uma diva arrogante alheia ao seu público e distante de todos, como muita gente com menos talento, carisma e reconhecimento do que ela possui costuma fazer. Mas não, demonstra (pelo menos no palco) uma grande humildade, se comunicando em português com o público em diversas oportunidades e, quando precisava recorrer ao inglês, fazendo questão de falar pausada e claramente, para que todos lhe entendessem. Como retorno, além da devoção de todos os presentes (e das lágrimas de várias das muitas garotas presentes na audiência), a cantora recebia bichinhos de pelúcia, que eram jogados ao palco ou lhe entregues em mãos por seus fãs, além de uma boneca vestida com as mesmas roupas com a qual ela aparece no clipe de “Nemo“, de sua antiga banda. Tarja teve o público nas mãos o tempo todo, inclusive comandando a coreografia das “mãos para lá e para cá” tão utilizadas nas baladas mais melosas, e que aqui foi executada durante “Little Lies“, paradoxalmente a música mais pesada da noite! 
O terceiro figurino usado pela cantora no show
A cantora também aproveitava alguns momentos instrumentais para se retirar do palco e mudar o figurino (foram três nesta noite), sendo um destes momentos um longo solo do baterista Mike Terrana, o qual, ao que consta, foi expulso do Rage exatamente por exigir solos de bateria cada vez mais longos durante os shows da banda. Mike demonstrou toda a sua técnica, especialmente no uso do bumbo duplo, mas, sinceramente, foi um momento que esfriou bastante a apresentação, pois soou bastante deslocado em um show onde a grande atração, sem sombras de dúvidas, era Tarja. Além disso, para quem já viu tantos solos memoráveis de bateristas consagrados, seja ao vivo ou em vídeo, o do americano, por melhor que fosse, acabou sendo só mais um. Terrana dava seu show particular no meio das músicas também, girando as baquetas, tocando em pé, ou fazendo alguns malabarismos ao atacar seu instrumento. Mas, com a figura de Tarja preenchendo o palco e atraindo todas as atenções, era bastante difícil dar atenção ao baterista, posicionado à direita de quem assistia, em uma configuração bastante incomum em shows de heavy metal. Particularmente, me surpreendi ao assistir um baterista de tamanho talento (e, segundo dizem, ego) conformado em ser um simples músico acompanhante, como os outros da banda, e aceitando ficar à sombra da estrela maior da noite.
Momento acústico, com Tarja ao teclado
O show contou com um momento acústico, onde Tarja tocou algumas notas no teclado, para delírio ainda maior da multidão, e a primeira parte se encerrou com “In For A Kill”, também do disco novo. Durante a espera para o bis, a plateia pedia aos brados por “Wishmaster”, do Nightwish, mas acabou brindada com a citada “Over the Hills”, “Die Alive” e “Until My Last Breath“, que encerrou uma noite que ficará na memória de todos os presentes ao Opinião. A banda se despediu e saiu do palco, ficando nele apenas Tarja, que por vários minutos permaneceu agradecendo e enviando beijos aos seus fãs. Ela mesma prometeu voltar à cidade em breve, então, resta-nos apenas aguardar ansiosamente nossa próxima vez com esta musa da música mundial, mantendo na memória os bons momentos que passamos com ela.
O final do espetáculo

Set List:

1. Anteroom of Death
2. My Little Phoenix
3. Dark Star
4. Falling Above
5. I Walk Alone
6. Drum Solo
7. Little Lies
8. Underneath
9. Bless The Child
10. Acoustic Medley (Rivers Of Lust/Minor Heaven/Montañas De Silencio/Sing For Me/If Feel Immortal)
11. Never Enough
12. In For A Kill

Encore:

13. Over The Hills And Far Away
14. Die Alive
15. Until My Last Breath

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