Por Amacio Paladino
Intro: Daniel Sicchierolli

 

“Por que Iron Maiden?” é uma nova série de textos que faremos para explicar e justificar o título de “Maior Banda de Heavy Metal” para os britânicos, um fato já claro e evidente na cabeça dos fãs mas que ainda escondem muitos detalhes nessa longa e brilhante carreira.
Falaremos desde coisas básicas até aos segredos que só alguns conseguem perceber. Não necessariamente será uma novidade para todos, mas pelo menos para mim, esse primeiro texto já mostra o quanto tenho que estudar para conhecer tudo o que está envolvido nesse universo IRON MAIDEN.
Apresento-lhes o nosso novo colaborar e maidenmaníaco, Amancio Paladino que, pelo o que fez nesse primeiro texto, nos brindará com mais histórias fantásticas. Apertem os cintos e nos vemos em algum lugar no tempo!
O COMEÇO
Uma das coisas que me chama atenção no Maiden é que tudo nesta banda tem um por que e uma razão de ser. Cada letra de música, cada álbum e cada capa tem em seu âmago relações profundas com algum tema, seja da História, seja da cultura popular, da literatura ou do cinema. Nada pode passar despercebido num álbum do Maiden. Maiden não é só sobre música, é muito mais!
RITUAL DE DEBULHAR O DISCO
Particularmente tenho um ritual quando decido debulhar um disco do Maiden: primeiro pego o disco, não vejo a capa, simplesmente o coloco para tocar, curto o som e entro no clima. Depois que ouvi o disco umas três vezes, elejo as músicas que mais me chamaram atenção pela sua sonoridade e leio em detalhes a letra, escuto-as novamente enquanto as leio e as canto numa vã tentativa de acompanhar o Mestre dos Mestres. 
 
Nesta fase vem a necessidade de olhar para o trabalho gráfico da capa e buscar referências sobre as músicas. É um trabalho de “revisão contínua” que no seu final engloba pesquisa, muita pesquisa para entender o que realmente as músicas expressam, onde as inspirações foram buscadas e por que tudo aquilo foi feito pelos únicos e poderosos Deuses Do Metal!
É gratificante, porque por incrível que pareça cada vez que faço isso descubro coisas novas. É como se cada música do Maiden abrisse um portal para um mundo de novos conhecimentos.
OS ARTIGOS
Bom pessoal, a ideia estava na gaveta e Daniel Sicchierolli me incentivou a tirá-la: escrever sobre referências ocultas nas letras do Maiden. Tarefa complexa essa, pois as referências ocultas nestes dois casos são tão intrincadas e formam uma teia tão complexa que serão necessárias centenas de páginas para dar uma visão mínima. 
Máquina do tempo
TARDIS
Isso demonstra que além de boa música, boas letras, criatividade e técnica incontestáveis o Maiden guarda segredos ainda não revelados ao público em geral e que só aqueles que se atém aos detalhes infinitesimais tem o prazer de conhecer. Sim pessoal! Detalhismo esse é o neologismo que expressa o que vai acontecer daqui em diante e que vai muito além das clássicas e batidas influências de Aleister Crowley sobre qualquer banda de Metal que se preze.
Vou separar os artigos em temas, fica mais fácil de trabalhar. Os temas podem estar relacionados a uma música, a um álbum ou a várias músicas em vários álbuns ou mesmo só a capas. O que interessa é o tema e como ele se “espalhou” pela obra do Maiden. Prometo começar pelo básico.
EPISÓDIO DE HOJE: Dr. WHO EM ALGUM LUGAR NO TEMPO
A série britânica Dr. Who

Dr. Who é uma série de tv inglesa que detém o título de ser a mais duradoura série de ficção científica de todos os tempos segundo o Guiness Book. Também é a série de maior sucesso no ramo da ficção científica, e como era de se esperar é pouco conhecida no Brasil… Seu primeiro episódio foi ao ar em 1963 e a última temporada passou na tv inglesa em 2010. Isso mesmo! Quase 50 anos de série! Sério!!
Artistas que interpretaram Dr. Who
Ela narra as aventuras de Dr. Who, um viajante do tempo em sua máquina chamada TARDIS – Time and Relative Dimension(s) in Space, que para nós, meros terráqueos do século vinte/um, aparece na forma de uma clássica cabine telefônica inglesa.
a) A capa do disco Somewhere In Time
TARDIS na capa de
Somewhere in Time
Neste ponto você, fã do Maiden, deve estar se perguntando: Acho que já vi essa cabine?! E a resposta é: Sim já viu, do lado esquerdo da contra-capa do Somewhere In Time (a Mãe de todas as capas):
b) Dr. Who e a capa do single de “Wasted Years”
Fica claro agora que a capa feita pelo eterno Derek Riggs para o single da música “Wasted Years” mostra o reflexo de Eddie (mascote do Maiden) na tela de uma TARDIS voltando no tempo. Note ainda que a TARDIS de Eddie está seguindo a TARDIS de Dr. Who no vórtice laranja logo à frente. Ou seja, Eddie está perseguindo Dr. Who (Qualquer semelhança com o clipe da música “The Final Frontier” não é mera coincidência!).

Interessante notar que a data 25.08.1986 na máquina do tempo é a data da reestreia da série Dr. Who no canal BBC, que após um período de 18 meses fora do ar e algumas reformulações voltava a ser transmitida. Também foi a data de anúncio do breve lançamento do single na Inglaterra. 

Dr. Who e a capa do Single de Wasted Years (acima);
Detalhe do vórtice onde está a TARDIS de Dr. Who (abaixo)

c) Dr. Who e a camisa de Nicko (Iron What ?) 

Com a temática de viagens no tempo, cruzando-se diretamente com o Dr. Who, o álbum tem em sua capa (como já vimos) algumas referências à série. Mas uma mais oculta, é que o estilo da fonte da camiseta do Nicko, onde está escrito “Iron What ?” é a mesma da do logo a série á época. 

Um dos vários logos da série,
com a mesma fonte da camisa de Nicko McBrain em Somewhere in Time
d) Segundo a biografia da banda (RUN TO THE HILLS, de Mick Wall) Dr. Who era um dos programas favoritos de Bruce Dickinson.
O mestre Bruce Dickinson afirma na biografia oficial da banda que a série era, na época de criação de Somewhere In Time, um de seus programas preferidos ao lado de um programa de música chamado Jukebox Jury.

So Jukebox Jury and Doctor Who became inseparable in my mind. The excitement of seeing The Beatles or whoever on Jukebox Jury was kind of similar to the excitement I would get out of seeing the Cybermen on Doctor Who. They were both from a different world to me.”

e) Somewhere in Time e Dr. Who (de novo e de novo)
O álbum certamente homenageia a série Dr. Who. Afinal de contas ele foi criado exatamente no período em que a série ficou fora do ar para reformulações (18 meses de 1985 a 1986).

A data de lançamento do álbum foi 29/09/1986 e o mais interessante é notar que Dickinson não assina a criação de nenhuma das músicas do álbum, apenas Smith, Harris e Murray assinam. Ou seja, apesar do álbum estar intimamente relacionado à série nenhuma das músicas a cita, ou mesmo a personagens e trechos.

Fica a pergunta: “teria o Mestre dos Mestres escrito alguma composição baseada na série Dr. Who que não foi utilizada e permanece oculta?

CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO: STRANGER IN A STRANGE LAND

4 comentários

  1. leonardocastro

    A riqueza de detalhes nos lançamentos do Maiden é impressionante, e chegou a um nível inacreditável na época do Somewhere In Time.

    Grande texto! Agora, onde achamos as 50 temporadas da serie para baixar??

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  2. Consultoria RH

    Este blog é uma representação exata de competências. Eu gosto da sua recomendação. Um grande conceito que reflete os pensamentos do escritor.

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  3. Anônimo

    doctor who a melhor série de ficção cientifica do mundo! é uma série complexa ao mesmo tempo engraçada,qdo o doctor se regenera ficamos morrendo da raiva!!mas no fim aceitamos,enfim é de apaixonar essa magnifca série…

    e iron maiden quem não ama??

    ouvir iron maiden e ver doctor who é unir duas coisas impossivisl de se odiar!!

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  4. Igor Maxwel

    Após o lançamento do álbum definitivo do Iron Maiden em 1984, o majestoso Powerslave (os fãs de The Number of the Beast que me desculpem) que lhes rendeu a maior turnê feita em toda sua história, a World Slavery Tour, cujos melhores momentos foram registrados no ótimo ao vivo Live After Death (1985), a banda mais superestimada do mundo retorna em 1986 com um som totalmente renovado, e pra melhor! Trata-se do álbum Somewhere in Time. Essa renovação sonora se deve ao uso de guitarras sintetizadas e teclados, que causou um certo desconforto entre os fãs na época, mas que com o passar do tempo se acostumaram com isso.

    A abertura com “Caught Somewhere in Time” (analisada aqui) é das melhores que um disco do IM possui; os singles “Wasted Years” e “Stranger in a Strange Land” são das músicas favoritas dos fãs nos shows ao vivo, assim como a minha favorita deste álbum: “Heaven can Wait” que quando tocada ao vivo era o momento em que vários fãs subiam no palco e faziam a festa junto com a banda.

    “Sea of Madness” se destaca por sua simplicidade melódica e seu refrão cativante; “Deja-Vú” é daquelas músicas quase desconhecidas do grupo, enquanto “The Loneliness of the Long Distance Runner” mostra a importância de Bruce Dickinson como um dos melhores e maiores vocalistas do rock pesado, e olha que ele evoluiu muito de 1982 até este disco (o cara é simplesmente um gênio!).

    Agora, a grande razão de Somewhere in Time ser tão injustiçado reside, a meu ver, no fato do IM nunca ter tocado ao vivo o épico encerramento com “Alexander the Great” o que realmente é uma pena. Aproveitando que o grupo está deitando e rolando em sua nova turnê atual, nada mais justo que a banda atender este pedido almejado pelos fãs que quase não foi realizado há 30 anos.

    Finalmente, ressalto que depois deste disco, o IM encerrou a década de 80 com mais um álbum polêmico: o conceitual Seventh Son of a Seventh Son (1988) com uma história maluca e complexa criada pelo Steve Harris, e que em breve será detalhada aqui na Consultoria. Vamos aguardar!

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