Review exclusivo: Paul Di’Anno (Jundiaí – SP, 14 de outubro de 2011)

18 de outubro, 2011 | por Eduardo Luppe
Resenha de Show
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Por Eduardo Luppe
Fotos por Erika Luppe

Já ouviram aquela expressão “sangue nos olhos”? Então, ela se encaixa perfeitamente nesta resenha. Hoje temos uma infinidade de vocalistas de diversos gêneros musicais, porém, são poucos aqueles que realmente cantam com paixão, vontade e garra. Dinheiro é importante? Sim, mas fazer o que gosta também conta e quem recebe em dobro são os fãs. 

Após 2 longos meses na prisão cumprindo pena por fraude do sistema de benefícios do governo Britânico, Paul Di’Anno, o eterno primeiro vocalista do Iron Maiden, volta ao Brasil em sua turnê intitulada de Running Free Again. Conforme suas declarações recentes, esta será a última turnê que contará com os clássicos da Donzela. Verdade ou não? vamos esperar para ver…

Com 10 apresentações esparramadas pelo Brasil e sendo uma delas em Jundiaí-SP, não poderia deixar de conferir a voz que comandou o Maiden durante seus primeiros anos de carreira e que ajudou a colocar o disco Iron Maiden no 4º posto das paradas inglesas, chegando a vender mais de 60 mil cópias e rendendo à banda seu primeiro disco de prata. 

Em plena sexta feira a noite, mais precisamente as 22:00, chegamos ao local do show, Aldeia Bar (Jundiaí-SP). Inaugurado em fevereiro de 2010, o espaço tem um aspecto bem interessante e embora seja bem pequeno, parece que tudo foi feito com bastante capricho. O palco é o sonho de qualquer fã, bem na altura do público, sem nenhuma grade de proteção, o que permite a interação do fã com o artista.

Por volta das 23h00 sobem ao palco os gaúchos do Scelerata, que vem sendo pela terceira vez a banda de abertura e de apoio de Paul Di’Anno nas apresentações tupiniquins. Foi muito breve, porém pudemos observar a qualidade musical dos integrantes, pricipalmente na execução de uma cover do Judas Priest “Hell Patrol”. Um ponto negativo foi que o som estava muito alto e prejudicou os vocais, mas só por esse começo já pudemos sentir o que estava por vir.

Um pouco mais de uma hora, a banda retorna ao palco e cercado por seguranças surge o tão esperado astro da noite, Paul Di’Anno. Só quem é fã do iron Maiden para sentir um frenesi após a chegada dele. O cara foi bastante receptivo, estava de bom humor e pronto para quebrar tudo e satisfazer nossa sede!

Sem demorar muito, as aproximadamente 100 pessoas ali presentes o recebem de punhos erguidos ao som de ”The Ides of March”, seguida pela excelente “Mad Man in the Attic” de seu álbum solo Nomad (2000).
Paul Di’Anno com a banda de apoio Scelerata
Em sua primeira pausa, o público demonstrou uma cumplicidade tremenda com Paul, que atingiu o ápice quando o vocalista agradeceu ao público, dizendo que adora vir tocar no Brasil. O show segue então com a clássica “Prowler”, chega a ser impressionante e visível como a banda de apoio executa muito bem os classicos da Donzela e a proeminente voz de Di’Anno mostra extrema competência e boa forma. 

Após mais algumas palavras de Paul e o show continua com algumas músicas de sua ex-banda Killers, “Marshall Lokjaw” e “The Beast Arises”. Logo em seguida, uma avalanche de clássicos do Maiden: “Murdes in the Rue Morgue”, “Remember Tomorrow”, “Genghis Khan” e “Charlotte the Harlot”, todas executadas com muita precisão.
Paul Di’Anno
As grandes sensações da noite ficaram por conta dos clássicos “Purgatory” e “Drifter”, que em sua totalidade foram executadas a perfeição e mostraram o quanto ainda hoje essas músicas são fortes e atemporais. Tudo bem que Mr. Di’Anno, não está mais em forma, já não tem mais os cabelos de 30 anos atrás e nem a presença de palco dos anos 80, mas uma coisa é certa, o cara é um grande frontman e sabe como ninguém transmitir emoção e aquela sensação de selvageria que só o Punk Rock pode proporcionar.

Sem deixar a empolgação cair, Paul manda mais dois clássicos “Killers” e “Phantom of the Opera”, neste momento pensei o quanto essas músicas estão estigmatizadas ao Paul Di’Anno, tem o DNA dele, por mais que Bruce Dickinson cante-as em sua perfeição, jamais elas serão tão cruas e fortes como foram e são com Di’Anno. Chega a ser vibrante e emocionante.
Eu e Mr. Di’Anno após o show
Após a bela e bem executada “Transylvania”, Paul Di’Anno anuncia a última música da noite, o cover do Ramones, “Blitzkrieg Bop” com seu famoso “Hey Ho, Let’s Go” cantado por todos ali presentes.

Terminado o show ainda tivemos a oportunidade e a satisfação de conhecer pessoalmente Mr. Di’Anno, onde ele nos recebeu de forma incrivelmente simpática, atendendo aos nossos pedidos de autógrafos e fotos. Pudemos também presenciar algumas de suas histórias engraçadas enquanto ele autografava o livro de fotografias do Iron Maiden de Ross Halfin.
Autógrafo do Paul Di’Anno
Em resumo, foi uma noite surpreendente, onde os clássicos esquecidos por Steve Harris e Cia ganharam vida através da voz rijo e notável de Paul Di’Anno.
Set List:
1. The Ides of March
2. Mad Man in the Attic
3. Prowler
4. Marshall Lokjaw
5. Murders in the Rue Morgue
6. Purgatory
7. The Beast Arises
8. Children of Madness
9. Remember Tomorrow
10. Genghis Khan
11. Wrathchild
12. Drifter
13. A Song for You
14. Charlotte the Harlot
15. Killers
16. Phantom of the Opera
17. Transylvania
18. Blitzkrieg ( Ramones)



1 Comentario

  1. Realmente, o show de DiAnno é sensacional. Vi o mesmo em 2007. Manco, gordissimo, careca, mas cantando muito. Muita simpatia e muito coração na ponta da chuteira. Depois do show, atendeu gentilmente todos os fãs.

    Grande mestre, e para mim, o melhor vocalista do Maiden

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