Por Leonardo Castro
Formado em 1981, o Virgin Steele surgiu na prolífica cena do estado de Nova York, de onde também vieram o Riot, o The Rods e o Manowar. Originalmente composta pelo guitarrista Jack Starr, o vocalista David Defeis, o baixista Joe O’Reilly e o baterista Joey Ayvazian, a banda, que teve diversos altos e baixos em sua carreira, aporta para dois shows no Brasil esta semana, em São Paulo e Curitiba, e assim sendo, analisaremos seus lançamentos nesses mais de 30 anos de carreira.
Virgin Steele [1982]
O primeiro disco do Virgin Steele mostra uma banda ainda buscando sua identidade, e bastante influenciada pelos seus conterrâneos do Riot. O som trafega entre o hard rock e o heavy metal, e é até inocente em alguns momentos. Os principais destaques ficam para a pesada faixa de abertura “Danger Zone”, a bela balada “Still In Love With You”, “Children Of The Storm” (lançada originalmente na coletânea US Metal Vol. II e que era uma das músicas favoritas de James Hetfield e Lars Ulrich) e para “Virgin Steele”, a música mais épica do disco, repleta de influência do Rainbow da fase Dio, e que mostrava a direção que a banda passaria a seguir em um futuro próximo. Em resumo, Virgin Steele apresenta uma banda ainda em formação, com muito potencial, mas ainda distante da qualidade que a banda alcançaria em um futuro próximo.

Guardians Of The Flame [1983]
Enquanto o primeiro disco era uma promessa, Guardians Of The Flame demonstrava todo o potencial da primeira formação do Virgin Steele. Melhor produzido, com composições mais fortes e ótimas atuações tanto de Jack Starr quanto de David Defeis, o disco é um dos clássicos do heavy metal norte-americano do início dos anos 80. “Don’t Say Goodbye” abre o disco com um riff cavalgado a la Iron Maiden, e tem um ótimo refrão, enquanto “Life Of Crime” lembra as músicas mais comerciais do Judas Priest. Já a faixa título tem um riff simples, mas genial, de Jack Starr, e é outro destaque do disco. O disco se encerrava com a balada “A Cry In The Night”, mais épica, conduzida pelo piano, que também apontava para o futuro da banda.
 
Depois de anos fora de catálogo, Guardians Of The Flame foi relançado em cd em 2002, tendo como bônus o EP Wait For The Night, também de 1983, uma entrevista e uma faixa ao vivo. O EP, gravado pela mesma formação, segue a linha do disco, com as pesadas “I Am The One” e “Go Down Fighting”, onde a guitarra de Jack Starr brilha, e a faixa-título “Wait For The Night”, um típico hino heavy metal.  

Noble Savage [1986]

Após o lançamento do EP Wait For The Night, o guitarrista Jack Starr e o vocalista David Defeis passaram a divergir sobre o futuro da banda. Entretanto, ambos pretendiam continuar com o nome da mesma, o que gerou uma pequena batalha por sua posse. Com a vitória de Defeis, Starr fundou o Burning Starr, enquanto o vocalista recrutou seu amigo de longa data Edward Pursino para assumir as guitarras da banda. Ambos já haviam trabalhado juntos em discos do Exorcist e do Piledriver, então assim que o problema com o nome da banda foi resolvido, a nova formação do Virgin Steele entrou em estúdio para registrar seu novo álbum.

E o resultado foi nada menos do que espetacular. Lançado em 1986, Noble Savage mostrava uma banda revigorada, com uma sonoridade única, mais clássica e épica. “We Rule The Night” abre o disco com um riff que remete a “We Rock”, do Dio, e depois cai em uma levada cavalgada empolgante. Os vocais de Defeis também se mostravam mais maduros, mais graves e agressivos. “Thy Kingdom Come” e “Angel Of Light” mostravam que os teclados passavam a ter mais importância no som da banda, criando climas épicos, assim como o Rainbow fez em Rising. Mesmo com tantos bons momentos, o clímax do disco era a sua faixa título. Dona de um riff espetacular de Pursino, ela reunia todas as características do novo Virgin Steele: o peso, o clima épico, as dobras de guitarra e teclado, o vocal mais agressivo de Defeis e um refrão espetacular. Indiscutivelmente, “Noble Savage” é um dos grandes hinos do heavy metal oitentista norte americano.

Noble Savage foi relançado em cd diversas vezes, e a sua última prensagem trouxe um cd bônus com dezenove faixas bônus, entre elas diversas músicas compostas na época do disco e que jamais haviam visto a luz do dia. Um item imperdível para os fãs da banda e de heavy metal em geral.

Age Of Consent [1988]
Dando continuidade ao bom momento iniciado com o disco anterior, em 1988 o Virgin Steele lançou Age Of Consent. Mantendo a mesma sonoridade de Noble Savage, o disco apresentava mais canções marcantes, incluindo a favorita de muitos de seus fãs: “The Burning Of Rome (A Cry For Pompeii)”. Assim como “Noble Savage” no disco anterior, esta música reúne todas as principais características do som da banda: um belíssimo riff de guitarra, teclados que dão um clima épico, vocais marcantes e um refrão forte.
As outras músicas do disco se dividiam entre as mais pesadas e épicas como “Chains On Fire”, “Lion In Winter”, a direta “Let It Roar” e a grudante “On The Wings Of The Night”, que obtiveram excelentes resultados; e outras mais fracas, que tentavam aproximar o som da banda ao das bandas de hard rock em alta nos EUA na época, como “Seventeen”, “Stay On Top” e “Tragedy”.
Age Of Consent também foi relançado diversas vezes, inclusive com alterações na capa e na ordem das músicas, e apesar de não ser tão bom quanto Noble Savage, também é um dos favoritos dos fãs da banda. Infelizmente, problemas com a gravadora e com a distrubuição do disco o fizeram passar desapercebido na época, o que acarretou o fim prematuro da banda em 1989.
Life Among The Ruins [1993]
Quatro anos após o lançamento de Age Of Consent, David Defeis decidiu retomar a carreira do Virgin Steele com o lançamento de Life Among The Ruins. Ao contrário do heavy metal épico de seus discos anteriores, as músicas do álbum mostravam uma sonoridade mais bluesy, com muita influência do Whitesnake do começo de carreira. A faixa de abertura, “Sex Religion Machine”, já deixa essa nova proposta clara, e é repleta de groove. A melódica “Love Is Pain”, que chegou a ganhar um videoclip, não ficaria deslocada em um disco do Danger Danger, e apesar de ser uma bela composição, não lembra em nada os trabalhos anteriores da banda. Já “Crown Of Thorns” lembra o que o Dokken fez em faixas como “It´s Not Love”, enquanto “Tôo Hot Too Handle” vai na linha do Ratt. Em resumo, um disco que, apesar de não ser ruim, não lembra em absolutamente nada o que a banda havia feito antes, e nem o que faria depois. Rejeitado por boa parte dos fãs, nenhuma de suas faixas é executada pela banda em seus shows hoje em dia.
Semana que vem abordaremos os álbuns seguintes lançados pela banda, de The Marriage Of Heaven and Hell Part I, de 1994, ao mais recente, The Black Light Bacchanalia, lançado em 2011.

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