Por Fernando Bueno

Tomei conhecimento do BPMD em um dos vídeos que Mike Portnoy fez durante a quarentena mostrando LPs de sua coleção. No vídeo ele comentava que sua veia thrash metal estava sendo alimentada com o BPMD. Como é difícil acompanhar tudo o que Mike Portnoy faz, fiquei aguardando a oportunidade de ouvir, mas não fiquei com pressa.

Bem, BPMD é a sigla para os nomes dos integrantes Bobby “Blitz” Ellsworth (Overkill) na voz, Mike Portnoy (Dream Theater, Winery Dogs, Transatlantic, Flying Colors, Sons of Apollo, etc) na bateria, Mark Menghi (Metal Allegiance) no baixo e Phil Demmel (Vio-Lence e Machine Head) nas guitarras. Tirando o baixista todos com carreiras bastante sólidas em bandas consagradas de metal. Porém, na ocasião do vídeo imaginei que essa banda estaria sendo feita para apresentar material original, mas não é o que acontece em American Made. Quando soube que era um disco de covers e com a informação lá do primeiro parágrafo pensei que se tratava de versões de outra grandes bandas de thrash americanas. Mas aí que a surpresa foi até melhor do que esperava.

Os discos de covers têm várias funções: homenagear artistas que os músicos gostam, apresentar material e ganhar tempo na carreira da banda, ganhar um extra com a venda dos disco, se divertir tocando músicas que fizeram parte de sua vida, etc. E é exatamente essa última razão citada que mais me parece ser o motivo de American Made existir. Com um repertório todo retirado dos anos 70 o BPMD apresenta para novas gerações artistas que não é todo dia que lembramos. Claro que nenhuma banda desconhecida ou aquela que só entraria no radar dos garimpeiros de obscuridades, mas nomes que eu não esperava quando vi os nomes dos músicos e essa foi a grata surpresa que citei aí em cima.

O disco abre com “Wang Dang Sweet Poontang” do controverso Ted Nugent, tirado do disco de maior sucesso do guitarrista americano, Cat Scratch Fever (1977) e já mostra qual é proposta do disco, a de dar peso, velocidade e a voz rasgada de Bobby à músicas dos anos 70. Bobby na curta apresentação da música, dos músicos e do disco em si diz que quem quer melodia tem que “sumir dali“. A próxima é “Toys in the Attic” do Aerosmith que ficou bastante legal. “Evil” é uma versão da versão, já que a música se baseia na faixa gravada pelo Cactus em 1971 de uma música de Howlin’ Wolf de 1954. Foi a primeira que acabei indo atrás da versão original e depois para a versão original de novo. É a faixa mais inusitada do disco.

E se a intenção era se divertir nada melhor que that little ol band from Texas, o ZZ Top, que é lembrada com “Beer Drinkers & Hell Raisers” outra tirada do disco de maior repercussão dos envolvido, no caso o Tres Hombres de 1973. Do Texas para a Florida com “Saturday Night Special” da maior banda do southern rock americano, o Lynyrd Skynyrd. O Blue Oyster Cult também foi lembrado com a faixa “Tattoo Vampire”, aliás a banda lançou um bom disco esse ano depois de 19 anos longe do estúdio.

A música mais nova que entrou nesse disco de covers é “D.O.A.” do segundo disco do Van Halen de 1979 e achei que a parte de guitarras ficou aquém da original, como era de se esperar, mas acho que é por que já estou com saudades de Eddie Van Halen. As duas faixas que mais gostei, ou que mais me chamaram a atenção vêm em seguida, “Walk Away” do The James Gang e “Never in My Life” do Mountain. Essa última ganhou um peso extra mesmo com a sua versão original já ter uma pegada bem forte, considerando a sua época de gravação, cortesia de Leslie West. Para fechar tudo com chave de ouro um clássico do Grand Funk Railroad, a música que toda banda americana deve ter orgulho de tocar com propriedade, “We’re An American Band”.

A veia thrash de Mike Portnoy pode estar sendo apresentada com BPMD. As músicas não ficaram exatamente com uma pegada thrash metal e o resultado se aproxima do metal tradicional. Isso não significa que não gostei do álbum, muito pelo contrário. Acredito mesmo que o álbum foi feito pela diversão e ele entrega o que promete. Não sei se American Made foi uma espécie de esquenta para um futuro material original, acredito que se o disco tiver uma boa repercussão o incansável Portnoy vai infernizar a vida dos outros componentes para fazerem mais alguma coisa juntos. Bem… nem tão juntos, pois devido à pandemia, cada um gravou suas partes em um lugar dos Estados Unidos e a banda deve ter se encontrado mesmo só para tirar a foto que é estampada no encarte. Por falar no encarte não posso deixar de citar o belo trabalho da capa que vai render camisetas bastante legais. E com a capa podemos dizer que nós brasileiros também fomos representados em American Made, pois o desenho dela foi feito pelo Marcelo Vasco, brasileiro que já fez capas para muitas bandas mundo à fora. Confira!

Track List

01 Wang Dang Sweet Poontang – (Ted Nugent)
02 Toys in the Attic – (Aerosmith)
03 Evil – (Cactus – Howlin’ Wolf)
04 Beer Drinkers & Hell Raisers – (ZZ Top)
05 Saturday Night Special – (Lynyrd Skynyrd)
06 Tattoo Vampire – (Blue Öyster Cult)
07 D.O.A. – (Van Halen)
08 Walk Away – (The James Gang)
09 Never in My Life – (Mountain)
10 We’re An American Band – (Grand Funk Railroad)

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